Oiii Galera, essa é a primeira fanfic que eu to postando que é com o Pe Lu. Ela foi feita pela Pathy e ela me deu livre e total permissão pra posta-la aqui. Ela tem nomes, assim como todas as fanfic's que eu postar aqui, mas quando tiver lendo, imagine seu nome nela pra ficar mais divertido e real, ok?! Desculpem por ela ser tão grande, mais vai ser beeem divertido. Lembrem-se que nada é impossivel, então acreditem e corram atras!
E me avisem aqui ou lá no @restartcolorock que vocês querem a continuação tá?! (Pra mim ter uma noção de quem tá lendo e de quantas pessoas, pra eu saber se vale a pena postar isso aqui, hihi) Valeeu =] Prontas para embarcar nessa? Imaginem-se antes do VMB...Vamos Lá!!!!
Capítulo 1
Estou tão ansiosa com a minha ida para São Paulo amanhã que nem consigo dormir, deitei na cama há mais ou menos 2 horas e desde então estou rolando na cama. Não é apenas uma ida à São Paulo, eu vou para lá para estudar, é como se fosse intercâmbio, não de países mas de cidades. Vou morar na casa de uma família e terminar o ensino médio na melhor escola de São Paulo, junto com o filho ou filha do casal em que eu estarei hospedada, é estranho, e confesso que nunca tinha ouvido falar antes mas vi um aviso sobre isso no mural da minha escola de inglês e claro pesquisei se era seguro e tudo mais, e sim é totalmente seguro.
Começei a pensar que vou poder ir em todas as edições do Happy Rock Sunday, abraçar o Pedro Lucas e poder ir nas rádios, e por fim dormi pensando nisso. Minha mãe disse que eu estava sorrindo quando ela foi me acordar, o motivo do meu sorriso era o Pedro Lucas, porque só para variar, estava sonhando com ele. Peguei minhas malas de dentro do carro, me despedi dos meus pais e entrei no ônibus. Liguei meu iPod, arrumei meu travesseiro e começei a olhar a paisagem que passava pelos meus olhos até que dormi.
Acordei com um cheiro horrível, abri os olhos e vi que já estou em São Paulo, passando pelo Tietê, achei que eles já tivessem arrumado esse problema do mau cheiro mas ok. Começei a bater os dedos na minha perna que está balançando, puro nervosismo, se fosse há alguns meses atrás eu não teria mais unhas mas agora não tenho mais a mania de roer unhas, graças à Deus. Chegando na rodoviária, tentei sair o mais rápido possível do ônibus e logo vi uma mulher com uma plaquinha com o meu nome, parei na frente dela.
- Você é a Patrícia, certo? - abri um sorriso.
- Sim, sou eu.
- Eu sou Bárbara, prazer. Sou da agência e vou levá-la até a casa da sua nova família - sorri balançando a cabeça positivamente.
Ela foi conversando sobre vários assuntos e me disse que eu tenho muita sorte de ser acolhida por essa família, que eles são muito legais, me deixando muito mais animada e ansiosa, que ótimo.
- Chegamos! - finalmente, não aguentava mais. Eles moram em um prédio branco com algumas linhas verde escuro, aparenta ser grande e são dois por andar, o bairro é normal, as pessoas que moram por aqui tem o suficiente para se sustentar e quem sabe fazer um viagem repentina para qualquer lugar que vão ter dinheiro para pagar, não muito mas terão. Digamos que, classe média quase alta - Vamos? - ela abriu o portão, nem percebi quando ela falou com o porteiro, fiquei observando o jardim do prédio, tem alguns bancos, uma fonte, algumas árvores e uma grama verdinha. Fui seguindo Bárbara, entramos no elevador e ela apertou o botão de número 6. A porta do elevador abriu no sexto andar, meu coração acelerou, respirei fundo e sai do elevador antes de Bárbara, ela foi para a direita, a segui - Pode tocar a campainha.
- Ok - dei um meio sorriso e toquei a campainha, ouvi uns passos rápidos e a porta se abriu, uma menina morena, de cabelo escuros e compridos e um pouco mais alta do que eu sorriu.
- Oi! - ela parecia empolgada e não parece ser chata.
- Seus pais estão em casa? - a menina fez uma careta com a pergunta.
- Não Senhora, eles saíram mas já voltam.
- Eu estou atrasada então não vou poder esperá-los mas mais tarde eu ligo para eles - ela olhou para mim - Tchau Patricia, boa sorte - olhei para ela e sorri.
- Obrigada - ela foi saindo.
- Entra - a menina falou, entrei dando passos pequenos.
- Com licença - ela sorriu para mim e fechou a porta quando coloquei minhas malas para dentro.
- Vem que eu vou te mostrar seu quarto - ela foi na frente, fui seguindo-a - Aqui é o seu quarto - o quarto é tão lindo, a parede é lilás e uma com algumas listras de tons diferentes de roxo e algumas listras brancas, eu já vi um quarto assim, da Natália Cardoso, sempre quis que meu quarto fosse igual o dela e digamos que agora é! Quando eles me perguntaram minha cor preferida falei roxo e ainda falei que gostava de listras, foi bom. A madeira da cama é branca, tem uma mesa branca, guarda roupa branco, enfim, tudo branco.
- Que! Lindo! - depois que falei isso não consegui fechar minha boca, ela ficou aberta. Epa! Em cima da mesa tem um notebook fechado, é para mim? Meu Deus!
- Minha mãe queria ter comprado várias roupas para você mas como a gente não sabia se você era magra, gorda, alta ou baixa acabamos não comprando mas essa semana nós vamos no shopping e compramos tudo! A única coisa que ela comprou foi o computador e a impressora mas deu problema na fábrica, vai chegar no meio da semana então por enquanto você usa o note do meu irmão, ele vem para casa muito pouco então você pode usar - ela sorriu.
- Não precisa comprar roupas para mim, que isso! E nem precisa o computador! - sorri sem graça.
- Mas você vai morar aqui com a gente, você agora é filha! Tem os mesmos direitos que eu e meu irmão - fiquei olhando para ela pensando no que dizer, no que contestar.
- Ok, mas não vai ser fácil assim não! - ela riu.
- A propósito, meu nome é Naira mas me chame de Nai.
- Eu sou a Patricia mas me chama de Patthy, Patricia é muito grande, é nome de velha - ela riu.
- Que bobeira! Patricia é um nome lindo!
- Naira também é!
- Pronto, começamos a puxar o saco uma da outra - nós rimos - Nós vamos nos dar bem, você parece ser legal - ela sorriu sincera, fiz o mesmo.
- É claro que eu sou legal… e talvez um pouco metida - fiz uma careta.
- Ah é mesmo! Meus pais pediram mil desculpas por não estarem aqui, uma irmã do meu pai passou muito mal, eles tiveram que ir correndo para o hospital.
- Imagina! Se eu soubesse viria quando eles chegassem.
- E você ia ficar aonde nesse tempo?
- Tenho amigos por aqui cabeça!
- Você falou igual meu irmão - ela fez uma careta - Você quer fazer o que? Ah, quer descansar né? Desarrumar as malas?
- Desarrumar as malas não é comigo, eu vou fazendo isso com o tempo e eu não estou cansada, dormi a viagem toda. O que você costuma fazer?
- De domingo fico aqui em casa, vendo tv, fazendo lição, dormindo ou no computador.
- Tenho uma ideia! - ela arregalou os olhos e sacudiu a cabeça para eu continuar - Já que nós vamos ter que nos aguentar por um bom tempo, vai contando sobre os meninos, o que eu preciso saber para quando as aulas começarem - ela bateu palmas.
- Ótima ideia! Vamos lá no meu quarto! - ela me puxou pelo corredor. O corredor é comprido no fundo tem uma porta e mais quatro portas, deve ser um quarto meu, um da Naira, um do irmão dela e o banheiro, o quarto dela é do lado do meu mas no começo do corredor, o meu é mais pro fundo.
- Preciso ir no banheiro, já volto! - me levantei rápido, não vou no banheiro desde que sai da minha casa para vir para cá, quando fui abrir a porta da frente do quarto dela ouvi meu celular tocar - Oi mãe! Desculpa não ter te ligado, esqueci mesmo, fiquei conversando com a Nai e esqueci! … Estou amando aqui, eles estão em tratando muito bem … Eles tiveram que sair mas daqui a pouco estão de volta … Mais tarde eu te mando uma mensagem passando o número do fixo daqui, pode deixar, beijo, te amo! - abri a porta na frente do meu quarto e vi umas coisas da Restart, quis entrar mas minha bexiga está para estourar, abri a outra porta correndo - Nai - falei ao entrar no quarto dela - Eu estava procurando o banheiro e vi um quarto com algumas coisas da Restart…
Capítulo 2
- Ah sim - ela me interrompeu - Então, você conhece a Restart?
- Conheco sim, quem não conhece? - nós rimos.
- Pois é, quem não conhece? Então, o guitarrista, o Pedro Lucas é meu irmão … Quero dizer, agora é nosso irmão! - ela sorriu, minha cabeça começou a girar. O Pedro Lucas, o MEU Pedro Lucas?! Eu estou morando na casa dele, ok, casa que ele mal vem por viajar muito mas é a casa dele! O tio Cesar e a tia Teresa! Eu nunca tinha visto uma foto da Naira se não eu já saberia que estou na casa dele. MEU DEUS! Eu vou usar o note do Pe Lu! E o quarto dele é na frente do meu, não pensei besteiras mas é bom saber que o quarto dele é na frente do meu - Patthy?! - ela me tirou dos meus pensamentos.
- Oi! - tentei sorrir.
- Você está bem?
- Estou, só me perdi em alguns pensamentos - balançei a cabeça - Então o Pe Lu da famosona Restart é meu irmão? É difícil de acreditar!
- Você gosta da banda? Ou melhor, do meu irmão? - ela deu um sorriso meio, hm, malicioso. Dei uma risada para disfarçar.
- Gosto da banda e não tenho um preferido, sou neutra - menti.
- Sei sei - ela me olhou - Você não me engana mais não dona Patricia! Você tem um preferido sim e eu vou descobrir! Enfim, eu estou tão feliz que o bosta do meu irmão volta amanhã! Por mais que ele seja um bosta eu sinto falta dele me enxendo o tempo todo com as crises de carência dele - ela riu provavelmente ao se lembrar das brincadeiras do Pe Lu, sorri só de pensar que amanhã vou vê-lo - E daqui a pouco meus pais chegam! Ainda por cima vão chegar com comida!
- A gente comeu a pouco tempo, sua esfomeada! - dei um tapa na perna dela que riu. Pensando bem, ela lembra um pouco o Pe Lu, não que ela seja idêntica a ele, mas ela é alta, morena e tem um sorriso lindo, só que não mais lindo do que o do irmão.
- Agora você vai me contar dos seus rolos!
- Mas eles não vão continuar por aqui - olhei para ela.
- Mas eu quero saber!
- Ok xuxu, eu conto.
- Você parece a Ná falando assim.
- Que Ná?
- A Cardoso, não te falei dela! Ela é enrolada com o meu irmão, uma fofa mas meio metida.
- Ah eu sei quem é ela e por sinal a parede do meu quarto é igual a parede do quarto dela né? - nós rimos.
- É, nós pedimos para ela o telefone do pintor e perguntamos se poderia ser igual o quarto dela, ela disse que sim porque já está pensando em mudar o dela.
- Ela parece ser legal só que pensa que a vida é fácil.
- Isso mesmo! Ela tem praticamente a nossa idade e faz coisas que gente de mais de 20 anos faz.
- Ela é pra frente - ri baixo - Mas sei lá, as vezes eu queria ser tipo ela, o quarto eu já tenho então estou feliz - e vou ter o Pedro Lucas, ela vai ficar chupando o dedo, foi só um pensamento bobo, claro que ele não vai deixar a Ná ou outra menina por minha causa, nunca!
- Meninas?! - uma voz feminina veio da sala, parei de contar minhas histórias e fomos correndo para a sala - Estou vendo que vocês se deram bem! - tia Teresa sorriu, sorri também.
- Mãe essa é a Patthy! Patthy essa é minha mãe, Teresa.
- Prazer Patthy - ela me abraçou.
- O prazer é meu!
- Quero dar um aviso, sem essa de me chamar de senhora, é Teresa, tia Teresa, mãe, qualquer coisa do tipo menos senhora - sorri para ela.
- Pode deixar! Vou tirar o senhora do meu vocabulário quando for falar com … você - ela riu e eu também.
- Para mim também, não tem essa de senhor não - tio César, aprendo rápido, entrou e um cheiro muito bom de pizza invadiu a sala.
- Seja bem vinda Patthy - ele me abraçou.
- Obrigada - acho que meu sorriso não cabe no rosto de tão grande que está, isso que o Pe Lu nem está aqui.
- Ah, já contei para ela sobre o Pe Lu, ela fez um escândalo, foi lá no quarto dele e roubou uma cueca dele - ela gargalhou - Brincadeira, ela agiu normalmente, muito de boa essa minha irmãzinha.
- Que bom então, amanhã você vai conhecê-lo. Você gosta da banda? - tia me perguntou.
- Gosto sim! Eu gosto da maioria das bandas, sabe, de todos os tipos - fiz uma careta, eles riram.
- Então você vai se dar muito bem aqui em casa, ouvimos de tudo - tio falou.
- Ahh que bom! - meus olhos brilharam - Em casa ou você ouvia Akon ou Justin Bieber ou Sertanejo, eram as únicas coisas que eu ouvia, vivia com o meu iPod para ouvir minhas músicas.
- Aqui você não vai precisar do iPod - Naira sorriu - Vamos lavar as mãos para jantar - lavamos as mãos e ajudamos a terminar de colocar a mesa.
Falei sobre mim no jantar, o tio e a tia queriam saber tudo sobre mim e acho que eles gostaram, não paravam de sorrir e ouviam tudo que eu falava, terminamos de comer e permanecemos na mesa, eu contando histórias e eles contando histórias deles. Tiramos a mesa e eu insisti para lavar a louça, se eu sou filha também tenho obrigações! Ficamos conversando até meia noite, eles foram dormir, eu e Naira ficamos conversando ainda, eu tinha que terminar de contar minhas histórias por mais que elas tenham ficado para trás. Peguei meu pen drive com minhas fotos e mostrei algumas para ela poder entender melhor, associar pessoas aos nomes que eu estava falando assim como ela fez comigo.
- Já são cinco da manhã! - Naira falou.
- Nossa, preciso dormir!
- Mais tarde a gente continua conversando - concordei com ela.
- Boa noite? - nós rimos.
- Boa noite - ela me abraçou e fui para o meu quarto.
Coloquei meu pijama, me deitei e pensei ‘É hoje’.
Capítulo 3
Procurei meu celular na escrivaninha ainda de olhos fechados, fui abrindo aos poucos para ver a hora, duas da tarde, dormi demais! Troquei minha roupa, fui para o banheiro e fiz minha higiene matinal.
- Bom dia! - Naira falou deitada no sofá, me assustei.
- Bom dia, dormi demais né?
- Não tanto, acordei tem uns 10 minutos. Meus pais foram buscar o Pe e quando voltarem vamos almoçar - meu coração acelerou, ele está chegando, ontem fiquei tanto tempo conversando que nem me lembrei de pensar em como vai ser hoje, o que vou falar, como vou reagir - Aliás, só minha mãe e o Pe voltam, meu pai fica no trabalho.
- Eles saíram há muito tempo? - tentei não demonstrar ansiedade.
- Sabe que eu não sei. Acordei e não tinha mais ninguém aqui - ela deu de ombros - Dormiu bem? - ela sorriu - Senta aqui no sofá poxa!
- Dormi sim, obrigada - sorri e sentei no sofá, ela encolheu as pernas para eu deitar igual a ela, ficamos apertadas mas ok - Não sonhei com nada essa noite, dormi direto, aliás, coloquei a cabeça no travesseiro e dormi e olha que eu sempre sonho, é muito raro eu não sonhar.
- Eu quase nunca sonho, você tem sorte em sonhar bastante.
- As vezes os sonhos são ruins, fico me iludindo achando que o sonho pode acontecer, sabe?
- Mas é melhor sonhar do que parecer ser uma pessoa de coração de pedra como eu.
- Nhonhonho, você não parece ter coração de pedra.
- Você é sempre assim parecida com a Ná?
- Porque eu sou parecida com ela?
- Você fala xuxu, nhonhonho. O que mais você fala? - parei para pensar no que eu falo desse tipo.
- Amore mio.
- Ela fala!
- Rá! Baby.
- Também.
- Acho que só, não sei de mais. As vezes falo sem perceber.
- Você fala que bonitinha ou que belezinha?
- Falo.
- Ela também.
- Agora eu vou ser comparada com a Ná? - bufei.
- Você é melhor do que ela. Se apostar até para o meu irmão você é melhor do que ela - sorri por dentro mas não posso ficar me iludindo com esses comentários.
- Porque eu sou melhor do que ela? - me sentei e coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- Ahh - ela começou a enrolar uma mecha de cabelo entre os dedos - Ela faz ele… - ouvimos um barulho na chave, maldita hora! Ele tinha que chegar agora?! - Ele não morre mais! - pelo menos isso né. Ela saiu correndo e o abraçou quando ele apareceu na sala.
- Pirralha, que saudade - fiquei observando a cena, meu coração disparou ao vê-lo sorte que ele está de olhos fechados e não está me vendo com cara de babaca. Olhei para a minha roupa, é apresentável, um shorts jeans um pouco acima do meio da coxa, uma regata preta e chinelo, estou dentro de casa, pelo amor!
- Vem aqui Pe Lu - olhei para eles e vi que Naira está o arrastando para o meu lado, olhei para ele, que está com um sorriso gigante por estar em casa que me fez sorrir também, me levantei e olhei nos olhos dele, ele ficou me olhando também - Essa é a Patthy, a nossa nova irmã - ri baixo - Eu sei que você me disse que irmã é estranho mas é legal dizer que eu tenho uma irmã também e não só o panaca aqui.
- Isso tudo é saudade de mim, eu sei - ele riu e se aproximou de mim, me deu um breve abraço e um beijo estalado na bochecha - Prazer Patthy!
- Prazer Pe Lu! - sorri para ele que sorriu de volta, o cheiro dele invadiu meu nariz, que cheio bom e esse beijo estalado? O que foi isso?
Capítulo 4
- Já se conheceram! - tia Teresa entrou, deu um beijo na Naira e outro em mim - Dormiu bem?
- Dormi sim tia, obrigada - sorri para ela.
- Vamos almoçar?
- Estou faminto!
- Viajar dá fome né? - falei, não sei como minha voz saiu e não sei se ele ouviu.
- Muita! - ele ouviu e está conversando comigo! Ok, vou parar com essas bobeiras - As vezes eles esquecem que eu e os meninos somos humanos e que precisamos comer.
- Mentira?! Que mancada.
- Verdade - ele fez bico.
- Ele está com crise de carência - Naira falou, quando esse bico aparece é sinal de carência - ela riu e ele a abraçou.
- O melhor é quando eles finalmente arrumam alguma coisa para nós comermos, vem com um pouquinho para divirmos entre nós quarto.
- Você já pensou em levar bolacha dentro da mochila, baby? - ele ficou me olhando, falei alguma merda? Ah sim, falei igual a Ná, que bosta!
- Ela fala igual a Ná, já falei isso para ela.
- Você conhece a Ná? - ele ficou me olhando.
- Conheco de nome, porque?
- Nada não - ele balançou a cabeça - Voltando o assunto!
- Venham almoçar, vocês conversam enquanto almoçam - concordamos e fomos nos sentar. Tia Teresa sentou-se ao lado de Pe Lu, me sentei na frente dele e Naira ao meu lado.
- Mas então, eu levo bolacha na mochila mas a gente come na ida, na volta não tem mais nada - eu ri.
- Conhece o mercado? - começamos a nos servir.
- Não consigo sair do hotel.
- Ah é mesmo, tenho que me acostumar que você é famoso - ele riu - Pede para alguém da equipe ir no mercado comprar.
- Você tem razão, vou fazer isso nas próximas vezes. Porque você não veio para cá antes? Ia me poupar muito tempo passando fome.
- Desculpa se eu demorei demais para te salvar - fiz uma careta e ele gargalhou.
3ª pessoa narrando
Pe Lu contou várias coisas que aconteceram na viagem durante o almoço, depois ele lavou a louça e Patricia ficou de secar.
- Crianças estou indo e a Naira está indo junto comigo, esqueci que ela tem que fazer prova de recuperação hoje! Filho, você pode ir buscá-la?
- Claro mãe! - ele enxugou a mão rapidamente na camisa e foi abraçar as duas - Então me liga quando você terminar a prova.
- Tchau Patthy - Naira e Teresa deram beijo na bochecha da menina.
- Filho, não deixa a Patthy aí sozinha hein.
- Pode deixar, não vou ser mal educado e vou cuidar dela - ele sorriu para a menina que estava em pé quase ao seu lado, ela sorriu de volta afinal como conseguiria resistir aos sorrisos dele? Ela começou a torcer para ele ter um de seus ataques de carência enquanto eles estivessem sozinhos então ela acabou rindo baixo, e por sorte ele nem percebeu.
- Essa Naira - a menina balançou a cabeça negando - Então eu vou secando e deixando aqui em cima, ai você me mostra aonde guarda.
- Você leu meus pensamentos? Eu ia te falar isso agora.
- É, na verdade eu leio pensamentos, sei tudo que você está pensando agora - ela levantou as sombrancelhas e sorriu.
- Não fala isso! - ele ficou assustado.
- Hmm então tem coisas que eu não deveria saber que estão no seu pensamento, é Pedro Lucas? - ele ficou corado - Eu não vou contar para ninguém, não precisa ficar vermelho - ele riu e jogou água na menina.
- Ah bom, se você contasse para alguém eu teria que te matar.
- Me matar?
Capítulo 5
- Matar de cócegas - ele sorriu como se fosse atacar a menina.
- Não! Nem vem, eu não vou contar para ninguém, relaxa bonitinho.
- Sou só bonitinho? - ele ficou olhando para ela que torceu para ele fazer o bico mas ele não fez.
- Se fizer cócegas fica feio - ele jogou mais água nela.
- Diz que você quer me dar um banho de água gelada, acho que é mais fácil! E pegar a mangueira é mais rápido - ele jogou mais água em nela e gargalhou - Um dia eu te jogo dentro de uma piscina gelada Pedro Lucas, ah eu jogo!
- Joga nada, amanhã mesmo você já esqueceu!
- Só porque você falou não vou me esquecer, adoro quando as pessoas me desafiam. Cuidado ao andar perto de alguma piscina, Munhoz - ficaram se encarando até que ele jogou mais água na menina e gargalhou de novo - Muito obrigada pelo banho, graçinha! - ela começou a enxugar a louça.
- Você é legal - ele falou depois de alguns minutos em silêncio e sorriu.
- Eu sei que sou - ela fez uma careta.
- É legal e convencida!
- Não, eu sou modesta meu querido. Agora que você terminou aí vai guardando as coisas por favor, eu quero tomar um banho logo e você não precisa se importar em me dar um banho de água gelada. Muito obrigada - ele riu e começou a guardar as coisas.
- Deixa aí, vai tomar o seu banho! - ele tentou pegar o pano de prato das mãos dela que puxou de volta.
- Eu vou terminar aqui, deixa.
- Vai tomar o seu banho se não eu te dou um banho de água gelada - ele olhou sério para ela tentando conter a risada.
- Está bem então senhor chatinho, a propósito, eu preciso de uma toalha.
- Lá no banheiro tem um armarinho, nas gavetas de baixo tem toalha.
- Sim senhor - ela bateu continência e foi para seu quarto, pegou roupas e foi tomar banho.
Durante o banho ela pensou nessas últimas 2 horas, foi tão rápido, ela nem teve tempo dar gritinhos e pulinhos e abraçar o Pe Lu e dizer o quanto ela o ama. Enquanto ela pensava nas últimas horas, ele era chamado no rádio mas ao invés da chamada fazer bem à ele como pensou que faria, só o deixou mal. Patricia saiu do banheiro e viu Pe Lu deitado no sofá, olhando para o nada, ele agora está triste e está segurando um urso. Ela reconheceu o urso que dera para ele no começo do ano em um show e todo esse tempo ela achou que ele nem tinha reparado no urso direito.
- Esse urso - ela deu um meio sorriso tentando conter sua felicidade, ele olhou para ela - É-É… tão lindinho! - ela se segurou para não contar que foi ela quem deu o urso à ele.
- Ganhei de uma fã em Campinas - ela sentiu arrepios, ele tentou sorrir e cheirou o urso - Costumava ter o cheiro dela mas agora só tem o meu - ele deu de ombros.
- O que aconteceu com você? - ela resolveu parar de pensar no seu urso e ver o que está acontecendo com ele se há 20 minutos ele estava feliz.
Capítulo 6
- Nada - ele voltou a olhar para o nada, ela respirou fundo.
- Quando você quiser falar eu vou estar aqui - ela sorriu fraco e foi procurar um lugar para deixar sua toalha secando.
- É a Ná - ele falou logo que ela apareceu na sala, a menina sentiu seu estômago revirar, então a Ná fazia o Pe Lu se sentir mau?
- O que tem ela? - a menina se aproximou olhando-o observar o vazio.
- Ela fica me esnobando, me fazendo de cachorrinho e depois quando eu desisto ela vem atrás.
- E aí é você quem a esnoba e faz tudo que ela faz com você? - ela revirou os olhos enquanto ele processava as palavras que ela acabara de dizer, era a verdade e a verdade, na maioria das vezes, dói. Então ela percebeu que os olhos dele começaram a marejar, ele começou a piscar tentando afastar as lágrimas que estavam para chegar - Você não precisa segurar o choro na minha frente e se quiser te dou o meu ombro para você chorar - ela sabia que no momento a única coisa que ela podia era consolá-lo e se ela ficasse ali observando-o chorar só a faria chorar também. Ele olhou para ela que entendeu que ele estava aceitando seu ombro, foi até o sofá e sentou-se aonde faz o ‘L’ esticou suas pernas e Pe Lu abraçou sua cintura encostando sua testa no pescoço dela e começou a chorar, ela passou seus braços pelos ombros dele e ficou acariciando seus cabelos torcendo para que ele estivesse chorando alto o suficiente para ele não ouvir as batidas aceleradas de seu coração.
Ela ficou em silêncio até que ele parasse de chorar.
- Obrigado Patthy - ele tentou sorrir enquanto limpava as lágrimas de seu rosto, ela sorriu de volta já que não sabia como resistir aos sorrisos dele, se é que havia alguma forma - Você é a melhor pessoa que poderia ter vindo para cá - o coração dela acelerou.
- Eu não poderia ter vindo para uma casa melhor - ela deu um beijo na cabeça dele, ele fechou os olhos e sorriu - E agora você vai fazer o que em relação à ela? - ele voltou a encostar nela.
- Não sei - ele respirou fundo e sentiu o cheiro que o urso tinha - Você tem o cheiro da menina que me deu o urso - o coração dela disparou.
- Então ela tem bom gosto para perfume! Não muda de assunto, por favor, eu quero te ajudar - e ela queria saber mais sobre a relação que ele tem ou teve com a Ná.
- Tenho vontade de não olhar mais na cara dela.
- Você está falando como uma criança! É sempre assim? Vocês sempre ficam sem se falar?
- É. Até que um dos dois cede e volta atrás pedindo desculpas mas ela nunca muda, eu tento mudar quando ela mostra o meu erro! - a menina sentiu uma pontada no peito e fechou os olhos, ele gosta muito da Ná a ponto de mudar por ela.
- Eu posso falar uma coisa? - ele confirmou com a cabeça e ela respirou fundo sabendo que ia se arrepender de falar aquilo para ele - Você tem que ficar com ela - ela fechou os olhos com força após dizer isso.
Capítulo 7
- Porque? - ele falou com uma voz fria.
- As vezes que eu entrei no twitter dela vi que ela é muito desligada do mundo real, para ela a vida é festa, bebida, amigos, telefone, internet, música e viagens, você tem que por na cabeça dela que a vida não é só isso! Você tem que mostrar para ela que a vida é muito mais difícil do que o mundinho que ela vive, tenho certeza que ela vai ficar feliz quando perceber que você mudou a vida dela completamente - “assim como você mudou a minha” ela pensou e respirou fundo após dizer tudo aquilo, ela não podia ser egoísta o suficiente para dizer que ele deveria simplesmente esquecer a Ná, ele tem sentimentos por ela e por mais que vá doer nela vê-los juntos, Pe Lu vai estar feliz, vai estar sorrindo e ela consequentemente vai sorrir também.
- Talvez você tenha razão - ele falou depois de um tempo em silêncio, depois de ver que o que ela havia dito é verdade mas ele não sabe sobre a parte em que ela vai ficar feliz ao ver que ele mudou a vida dela.
- Liga para ela - ele riu.
- Vai com calma!
- Resolve isso logo, é ruim te ver triste.
- Hoje de noite eu vou conversar com ela. Aliás, você quer vir comigo? - o coração dela voltou a acelerar.
- Ir aonde?
- Espera! Quantos anos você tem? - ele sentou-se ao lado dela.
- 16 mas tenho RG falso, posso entrar.
- Como você sabe que lá é 18?
- Eu vim para São Paulo pensando nas baladas em primeiro lugar meu querido! - ele gargalhou e ela sorriu por fazê-lo rir - A Nai não vai?
- Ela não tem RG falso.
- Ela não é esperta, que pena. Mas você conhece alguém lá que pode colocar ela para dentro sem problema nenhum né - ele segurou o riso e olhou para o teto, ela deu um tapa nele - Você é muito chato, deixa ela ir poxa.
- Ela vai ficar cuidando de mim o tempo todo e vai dizer para minha mãe tudo que eu fiz e tudo que eu deixei de fazer.
- E porque você vai me levar? Eu posso contar tudo para sua mãe também - ela levantou uma sombrancelha e sorriu.
- Porque você não é minha irmã, te considero como irmã, é diferente, não tem o mesmo sangue então não tem essa de você me dedurar. Irmãos de sangue estão sempre tentando derrubar um ao outro, eu sei que você não vai fazer isso comigo. E sei lá, não te vejo como uma irmã - ele ficou pensativo tentando encontrar a palavra para definí-la. Anjo? Salvação? Minha consciência no corpo de uma mulher? Foram as primeiras possibilidades que apareceram na cabeça dele.
- Está bem Pe Lu, eu vou com você e não vou contar nada para sua mãe! Relaxa bonitinho - ele riu.
- Eu gosto quando você me chama de bonitinho, é engraçado quando você fala - ela sentiu suas bochechas queimarem - Não precisa ficar vermelha - ela riu ao perceber que ele está imitando-a.
- Mas então, tenho que estar pronta que horas?
- A gente sai umas 9, passamos em algum lugar para comer e depois vamos para lá.
- Sua mãe vai me deixar ir?
- Se eu disser que vou cuidar de você ela deixa sim. Vou tomar banho - ele sorriu, ela sorriu e balançou a cabeça confirmando, ele deu um beijo na bochecha dela e saiu.
Capítulo 8
Patricia ligou a tv e olhou o urso ao lado, ela sorriu ao pensar que o urso é dela, ela o segurou e ficou se lembrando de tudo que fez para que o urso chegasse nas mãos dele, primeiro teve que mentir para a mãe dizendo que o urso seria um presente para uma amiga, depois implorou para a avó fazer uma camiseta dizendo que a camiseta ia fazer parte do presente e ai ficou escrevendo ‘I♥Pe Lu’ escondida, deixou o urso no lugar mais escondido que pôde em sua casa, foi para o show escondida, passou horas na fila, tomou sol e chuva, ficou no meio da muvuca para conseguir levantar o urso e fazer com que ele visse e foi o que acoteceu, ele viu o urso e pediu que ela jogasse no palco, ele pegou o urso, deu um beijo e o cheirou profundamente voltando a sorrir para a menina e mal sabia ele que a menina do urso está mais perto do que ele imagina. O toque do celular de Pe Lu despertou Patricia de seus pensamentos, ela viu que é Naira.
- Oiiii Nai - ela riu.
- Quem é? - a menina do outro lado estranhou.
- É a Patthy, xuxu - Naira riu do outro lado.
- Já está atendendo o celular do meu irmão? Hmm.
- Ele está tomando banho, chatinha!
- Ah, entendi! Já terminei minha prova.
- Que bom, era só isso? - Patricia riu.
- Sua besta, fala para ele vir me buscar!
- Pode deixar, quando ele sair do banho eu aviso.
- Vem junto com ele, vou ver se ele passa em algum lugar para comermos alguma coisa.
- É bom, estou com fome - elas riram - Beijo.
- Então venham logo, beijo! - Patricia levantou do sofá e percebeu que Pe Lu já está no quarto dele, ela bateu duas vezes na porta.
- Pe Lu, a Nai ligou e disse que já terminou a prova.
- Então vamos - ele abriu a porta do quarto rápido fazendo Patricia se assustar, ele levou um tapa da menina.
- Não faz mais isso! - ela fez bico e ele a abraçou rindo, se dependesse dela ficariam ali abraçados por muito tempo. Ele pegou o celular e o rádio no sofá, pegou o urso e o colocou em cima de sua cama com cuidado enquanto Patricia colocava tênis ao passar pela porta do quarto dele ela viu o urso lá, ela sorriu.
- E aí irmão? - Pe Lu falou no rádio ao entrarem no elevador.
- Fala irmão! - uma voz masculina respondeu.
- Você vai hoje né?
- Opa, vou sim e você?
- Também, passo na sua casa umas 9, fechou?
- Então… eu vou com a Ná, já estou aqui na casa dela.
- Ah, então a gente se encontra por lá - ele sorriu fraco e desligou - Ele tem ficado mais do lado da Ná do que qualquer coisa.
- Ele quem? - Patricia fingiu que não sabia quem é ele mas ela sabe, sabe muito bem que é o Willy, o melhor amigo do Pe Lu e da Ná.
- O Willy, meu melhor amigo mas também melhor amigo da Ná. Tenho me cansado quando falo sobre ela com ele, parece que ele coloca a culpa de tudo em cima de mim - Patricia mediu as palavras que queria falar.
- Ela deve ser a menininha dele, sabe, ele quer protegê-la e ele sabe que você é forte. Mas eu sei que você não é de ferro - ele sorriu para ela.
- Ela é a menininha dele assim como você está se tornando a minha - apenas como melhor amiga? Ela pensou e bateu uma pequena dor no coração mas ela percebeu que ela está se tornando importante para ele, que está fazendo bem para ele e então sorriu.
Capítulo 9
- Liga o rádio - Pe Lu falou logo que ligou o carro e sorriu, Patricia ligou e começou a procurar alguma estação - Volta! - Patricia sabia em qual estação ele queria que voltasse, na que está tocando ‘Breathless’, ela tem essa música com ele cantando no celular e ela ama a versão dele, ela voltou e ele começou a cantar.
I get so breathless, when you call my name, (Eu fico sem ar quando você chama o meu nome,)
I’ve often wonderd, do you feel the same? (Eu, muitas vezes, me pergunto, você sente o mesmo?)
There’s a chemistry, energy, a synchronicity (Há uma química, energia, uma sincronia)
When we’re all alone, (Quando estamos sozinhos)
So don’t tell me (Então não me diga)
You can’t see (Que você não vê)
What im thinking of. (Em que eu estou pensando)
Patricia fechou os olhos e ficou ouvindo-o cantar, a voz dele faz tão bem para ela, sempre que ela ficava triste, começava a ouvir ‘Breathless’ e ‘Sua música’ e os problemas se afastavam enquanto ela estava ali ouvindo as palavras doces que ele cantava.
- A gente tem que ir embora logo - Pe Lu falou ao olhar no relógio.
- Que horas são? - Naira perguntou.
- Sete e meia - Patricia pulou da cadeira.
- Vamos!
- Nossa, o que aconteceu? - Naira perguntou, eles ainda não contaram que vão sair e ela vai ficar em casa, eles se entreolharam.
- A Patthy vai sair comigo hoje - ele se levantou, a menina encarou os dois.
- Como assim? Você não tem 16 anos Patthy?
- Tenho mas eu tenho RG falso - ela sorriu, Naira levantou e eles começaram a ir para o carro.
- Então eu vou ficar sozinha em casa?
- Sim, vai ficar estudando. Não mandei você ficar de recuperação pirralha!
- Ah tá bom, você é um chato! Está roubando minha irmã de mim - Patricia a abraçou.
- Nhonho, ele não está roubando não, né Pe Lu? - elas olharam para ele, que sorriu.
- Claro que não.
- Você me ajuda a escolher uma roupa?
- Claro que ajudo! Que tipo de irmã eu sou para não te ajudar?
Eles voltaram para casa, Patricia e Pe Lu começaram a se arrumar. Patricia levou sua mala que ainda estava arrumada para o quarto de Naira, as duas olharam todas as roupas de Patricia e todas as de Naira procurando alguma que ela pudesse usar na balada, querendo ou não, é importante, a primeira balada para maiores de 18 que Patricia vai e ela quer estar, simplesmente, linda. Acabaram optando por um vestido preto tomara que caia de Patricia e um scarpin preto da Naira. Patricia se maquiou e saiu do quarto faltando cinco minutos para as nove, o que dá tempo de fazer o que falta, escovar os dentes e pegar suas coisas.
- Estou pronta - ela olhou no relógio, 20:59 - Bem na hora! - Pe Lu olhou para ela e não conseguiu tirar os olhos dela, ela corou ao ver o sorriso dele - Ficou bom? - ele balançou a cabeça e piscou algumas vezes.
Capítulo 10
- Está linda! Só o vestido que é meio curto - ele falou balançando a cabeça e fazer uma careta.
- Nem começa Pedro Lucas! - ela levantou uma mão, ele riu - Põe as minhas coisas no seu bolso?
- Fazer o que né? - ele rolou os olhos e riu pegando as coisas da mão dela - Vamos.
- Espera! Esqueci de passar perfume!
- É bom mesmo, não vou sair com uma fedida.
- Quem foi que disse que eu tenho o mesmo cheiro da menina do urso? Ahh, então tá - ele riu enquanto ela corria até o quarto para passar o perfume - Tchau NaiNai - elas riram e se abraçaram.
- Quero saber de TU-DO amanhã hein gatinha - ela deu um tapa na bunda de Patricia.
- Pode deixar xuxu - ela mandou beijos e foi para a sala - Agora vamos chatinho.
- Tchau mãe, tchau pai - ele abraçou os pais, Patricia fez o mesmo.
- Cuida dela Pe Lu! - César falou.
- Olha lá hein filho! - Teresa falou, Patricia e Pe Lu rolaram os olhos.
- Já sei! Já sei! Eu cuido dela! - ele falou e fechou a porta.
- Vai dar tudo certo, você vai falar com ela e vocês vão se acertar! - Patricia falou, foi obrigada a dizer depois de tudo que havia dito à ele de tarde. Eles desceram do carro logo que chegaram na balada.
- Eu vou tentar conversar se ela vier de graçinha eu desisto - o olhar dele caiu, ela o abraçou.
- Vai dar certo, confia! Vamos entrar! - eles entraram e Pe Lu procurou seus amigos, Natalia está com os amigos dele, porque esteticamente eles são um casal. Patricia ficou conversando e bebendo com Natalia, as duas além de ter a mesma mania de falar, as idades serem próximas, ambas gostarem do Pe Lu, tem várias outras coisas em comum.
- Vamos dançar gatinha? - Natalia perguntou para Patricia.
- Claro! - elas se levantaram e foram para a pista.
Quem não conhece nenhuma das duas diria que elas são melhores amigas, as duas dançam parecido, as duas tem o mesmo ritmo, a mesma sintonia, as duas se jogam do mesmo jeito e dão risada só de se olharem como se soubessem o motivo da outra estar rindo. Pe Lu começou a observá-las enquanto ‘Party Girl’ tocava e as duas que se identificam com boa parte da música, estavam radiantes e se destacam de todos na pista de dança.
The clock hit 12, she entered the room (O relógio marca meia noite, ela entrou no lugar)
But if looks could kill then we all would be doomed (Mas se olhar matasse estaríamos todos condenados)
After just one kiss you’re not able to move (Depois de um beijo você não consegue se livrar)
From her venomous lips and the poison perfume yeah (Dos lábios peçonhentos e do perfume venenoso)
She started swaying so sexy (Ela começou a rebolar muito sexy)
And looking at me (E me olhando)
And it got me caught in a mind control (Ela conseguiu me controlar pela mente)
This place is prison (Este lugar é uma prisão)
I’m chained up (Eu estou acorrentado)
I give up and (Eu desisto)
I’m at her mercy (Estou à sua piedade)
She wouldn’t let me go (Ela não quer me soltar)
She said she likes to dance all by herself because (Ela disse que gosta de dançar sozinha porque)
She’s a party girl (Ela é uma garota baladeira)
She don’t care for nobody else (Ela não liga para mais ninguém)
She’s in her own world (Ela está em seu próprio mundinho)
I love this little party girl (Eu amo essa garotinha baladeira)
I love this little party girl (Eu amo essa garotinha baladeira)
She’s such a little party girl (Eu amo essa garotinha baladeira)
Natalia foi no banheiro e Patricia aproveitou para ir falar com Pe Lu.
- Falou com ela?
- Ainda não - eles gritavam um no ouvido do outro
- Fala agora! - ele assentiu - Ela foi no banheiro. Boa sorte bonitinho - ele riu, ela sabe como distraí-lo.
- Obrigada - ele deu um beijo na cabeça dela e foi em direção ao banheiro, ela se encostou em uma parede e começou a pensar o que faria se eles se acertassem, vai simplesmente dizer “Estou feliz que te dei o conselho certo! Tomara que agora vocês fiquem juntos para sempre e que eu seja convidada para ser a madrinha de vocês!”? Ela sentiu que lágrimas insistiam em chegar, balançou a cabeça, hoje nada vai fazê-la chorar, é dia de ser feliz! Ela pegou uma bebida qualquer e foi até Willy.
- Começou só agora? - ele já está alegrinho.
- Praticamente - ela fez uma careta.
- Então faz compania para mim! - ele levantou um copo com uma bebida que Patricia não reconheceu e tomou um gole - O Pe Lu está conversando com a Ná?
- Sim, você acha que eles se acertam?
- Não sei, talvez sim, talvez não. A Ná não está bêbada não né?
- Eles estão um pouco sóbrios - ela deu de ombros e começou a dançar com Willy.
Um tempo depois Pe Lu apareceu e só balançou a cabeça negando, Patricia sentiu um pequeno alívio mas sabe que ele vai ficar triste, por mais que ele tente disfarçar, ele gosta da Natalia. Patricia tentou distraí-lo, ficaram conversando e bebendo, as vezes beber é bom, afasta os problemas no momento e é isso que ela quer, afastar os pensamentos tristes do Pe Lu. Foram dançar e ficaram na roda de amigos do Pe Lu, as pessoas foram saindo aos poucos.
- Pode sair de perto de mim Pedro Lucas - ele riu enquanto dançava perto de Patricia, os dois levantaram as mãos com a música, ele abraçou-a pela cintura e ela permaneceu de braços levantados.
- Estou cuidando da minha irmã - ele falou no ouvido dela.CAPITULO 11
- Agora eu sou sua irmã? Bom saber! Quando você precisa de conselhos sou sua amiga, estou te entendendo - ele riu e ela abaixou os braços deixando-os nos ombros dele - E não adianta tentar fazer ciúmes para a Ná dançando comigo, justo comigo! Ela não vai cair nessa, bebê!
- Não dançei com você a noite toda, poxa.
- Sei, sei... - ela o encarou - Tá, vamos dançar - ela se distanciou dele e começaram a dançar, depois de um tempo começou a tocar pagode, Pe Lu adorou mas Patricia não - Ah tchau! - e foi saindo mas ele puxou ela pelo braço.
- Volta aqui, vai dançar comigo! - ela riu.
A minha namorada
Encomoda o seu olhar,
Sem parar, sem parar.
Pe Lu apontava para Patricia quando falava namorada e ela negava tentando sair de perto dele mas ele puxava ela de volta.
E cheia de ciúmes
Você finge nem notar.
Mas não dá, mas não dá.
Você me mandou embora,
Enfim...
Hoje é você quem chora,
Por mim.
Mas fiz de tudo,
Pra ter esse amor,
E o que fazer se o desejo acabou.
- Chega, chega, chega - Patricia voltou para mesa e Pe Lu foi atrás.
- Estava tão legal - ele começou a gargalhar e levou um tapa na barriga.
- Porque não era você que estava pagando mico com um louco apontando para você dizendo que você é namorada dele.
- Mas o louco é bonitinho.
- Se ficar se achando fica feio.
- Era só se fizesse cócegas.
- Não, se achar também fica feio. Agora chega dessa discussão!
- Sem querer ser chato mas a gente, ou melhor, você irmão tem que ir. Amanhã você tem show.
- É mesmo! Amanhã vou para Campinas... quer ir junto Patthy? Matar a saudade da sua cidade - ela ficou pensando.
- Quero! Vocês vão tocar na minha antiga escola.
- Sério? - ele arqueou as sobrancelhas - Que legal! Então vamos porque a gente pega a estrada cedo! - eles se levantaram e falaram tchau para todos, Pe Lu nem olhou para Ná e vice e versa.
- A Nai vai ficar brava, pior que ela tem que ficar para fazer recuperação amanhã - Patricia fez uma careta e entrou no carro.
- Não mandei ela não estudar - ele riu mas não era uma risada natural, parecia um pouco forçada e Patricia percebeu, eles podem se conhecer há menos de um dia mas Patricia o conhece há quase um ano, de alguma forma ela sente, sabe e percebe quando ele não está bem então ela se lembrou que ele e Natalia haviam conversado.
- O que ela falou? - ele respirou fundo.
- Quando chegarmos em casa eu falo - ele deu um meio sorriso - Amanhã você vai dizer o que para minha mãe? Cuidei de você direitinho?
- Bom, vou dizer que você nem se lembrou que eu existia e que quase me deixou lá - ele gargalhou, ela definitivamente sabia fazê-lo rir, ela sorriu ao ouvir a gargalhada dele - Brincadeira, vou dizer o que aconteceu, que você cuidou de mim bem até demais, toda hora que algum cara chegava perto de mim você ou o Willy vinham e tiravam ele de perto de mim, vocês dois estão na minha lista negra - eles riram.
- Eu só estava fazendo meu papel de irmão não deixando nenhum marmanjo chegar perto de você.
- Menos Pedro Lucas, bem menos. Obrigada. E a propósito que horas nós vamos para Campinas amanhã?
- Logo depois do almoço mas não almoço igual hoje, almoço tipo meio dia - ele riu.
- Ah sim mas não tem problema eu ir junto?
- Você acha que eu ia te chamar se tivesse algum problema?
- Ah, sei lá, vai que você quis ser legal e me chamou.
- Não, nada disso! Eu quero que você vá mesmo - ele sorriu para ela.
CAPITULO 12
- Já que você insiste tanto em ter a presença da minha pessoa amanhã, eu vou - ela sorriu e piscou.
- Obrigada.
- Pelo que?
- Por me ajudar.
- Ah não quero essa de você ficar me agradeçendo sempre! A gente tem amigos para isso, não só para os momentos alegres - ela sorriu - Bonitinho.
- Você não existe!
- Eu sei! - eles riram.
- É convencida!
- Não sou.
- É sim.
- Você é chato.
- Você é linda - ela sentiu um arrepio e respirou fundo.
- Chato.
- Linda.
- Chato.
- Chata.
- Eu não vou te chamar de lindo, eu não caio nessa! - ele riu.
- Devia cair.
- Já te chamo de bonitinho, não está feliz? Ai que chato hein - ela ligou o rádio, procurou alguma estação e encontrou começando a cantar a música com o ventos batendo em seus cabelos.
You think I'm pretty without any makeup on, (Você me acha bonita mesmo sem nenhuma maquiagem,)
You think I'm funny when I tell the punch line wrong, (você me acha engraçada quando conto uma piada errada,)
I know you get me so I let my walls come down, down, (Eu sei que você me entende então eu deixei as paredes caírem, caírem,)
Before you met me I was alright but (Antes de você me conhecer eu estava bem mas)
Things were kinda heavy, you brought me to life, (As coisas estavam pesadas, você me trouxe à vida,)
now every february you'll be my valentine, valentine (Agora, em cada Fevereiro, você sempre será o meu namorado, namorado)
Let's go all the way tonight, (Vamos percorrer todo o caminho esta noite)
No regrets, just love (Sem arrependimentos, só amor)
We can dance until we die, (Nós podemos dançar, até morrer)
you and I, we'll be young forever (você e eu seremos jovens para sempre)
You make me feel like I'm living a Teenage dream (Você me faz sentir como se eu estivesse vivendo um sonho de adolescente)
The way you turn me on (O jeito que você me excita)
I can't sleep Let's run away and (Eu não consigo dormir vamos correr e)
Don't ever look back, don't ever, look back (Nunca olharemos para trás, jamais olharemos para trás)
My heart stops when you look at me, (Meu coração para quando você olha para mim,)
Just one touch now baby I believe (Apenas um toque agora, baby, eu acredito)
This is real so take a chance and (Isto é real, então, dê uma chance e)
Don't ever look back, don't ever look back (Nunca olharemos para trás, jamais olharemos para trás)
We drove to Cali, and got drunk on the beach (Nós dirigimos para Cali, e ficamos bêbados na praia)
Got a motel and built a fort out of sheets (Temos um motel e construímos um forte de folhas)
I finally found you my missing puzzle piece (Eu finalmente encontrei você minha peça que faltava no quebra-cabeça)
I'm complete (Eu estou completa)
Let's go all the way tonight, (Vamos percorrer todo o caminho esta noite)
No regrets, just love (Sem remorsos, apenas amor)
We can dance until we die, (Nós podemos dançar, até morrer)
you and I, we'll be young forever (Você e eu, seremos jovem para sempre)
You make me feel like I'm living a Teenage dream (Você me faz sentir como se eu estivesse vivendo um sonho de adolescente)
The way you turn me on (O jeito que você me excita)
I can't sleep Let's run away and (Eu não consigo dormir vamos correr e)
Don't ever look back, don't ever, look back (Nunca olharemos para trás, jamais olharemos para trás)
My heart stops when you look at me, (Meu coração para quando você olha para mim,)
Just one touch now baby I believe (Apenas um toque agora, baby, eu acredito)
This is real so take a chance and (Isto é real, então, dê uma chance e)
Don't ever look back, don't ever look back (Nunca olharemos para trás, jamais olharemos para trás)
Ela gesticulou com as mãos a música inteira e apontou para o Pe Lu toda vez que cantou 'You make me feel like I'm living a teenage dream' porque é a verdade, a única verdade, tudo que ela sonhou ela está vivendo ao lado da pessoa que ela sempre sonhou, olhou para ele e bom, ele sorria e entendia cada parte da música que ela realmente cantava, que era as que faziam mais sentido para ela e lá no fundo ele torceu para ser o sonho de adolescente dela. Ela olhou pela janela e viu que estavam entrando na garagem do prédio.
- Já chegamos?
- É fácil andar por São Paulo de madrugada - ele piscou e ela ficou pensando, concordando depois de um tempo. Saíram do carro e foram em direção ao elevador.
- Que horas são? - ele olhou a hora em seu relógio.
- Quase quatro - ela levantou as sombrancelhas e ele apertou o botão 6.
- Interessante - ele riu.
- Sua mãe ia se importar se você chegasse essa hora em casa né?
- Na verdade não, um dia eu voltei para casa às 3 e ela disse que eu tinha voltado muito cedo, até hoje eu acho que ela estava bêbada naquele dia - ele gargalhou - E olha que no dia que ela disse isso eu tinha 15 anos! Deixar uma pobre menina de 15 anos por aí não pode não.
- E deixar uma de 16 pode?
- Claro que pode! - eles riram e sairam do elevador - Eu vou tomar um banho e depois você vai me contar, não vai fugir de mim não. Aliás, você conta se quiser, claro.
- Eu vou te contar sim - ele apertou o nariz dela e abriu a porta, acendeu a luz da sala e Patricia foi tomar banho enquanto Pe Lu trocou de roupa e ficou pensando sobre sua conversa com Natalia.
- Que susto! - Patricia quase gritou ao entrar em seu quarto e ver Pe Lu sentado em sua cama.
- Vim aqui para ter certeza de que você não ia dormir sem eu te contar - ele sorriu amarelo e parecia estar cansado mas não fisicamente, o coração dele está cansado de sofrer, está cansado de toda situação - A gente pode ir no meu quarto? Essas paredes do seu quarto me encomodam - ela riu baixo.
- Vamos, essa parede não ajuda nada agora - ela se sentou na cama dele que fechou a porta para não atrapalhar ninguém e sentou-se de frente para ela.
- Então - ele respirou fundo - Eu falei para ela que eu não queria mais ficar nessa de um esnobar o outro e que eu sempre mudava, que ela não tentava mudar mas que eu ia continuar me esforçando porque eu queria ficar com ela - cada palavra que ele disse foi uma pontada no estômago de Patricia mas ela já prometeu a si mesma que faria de tudo para vê-lo feliz e não é agora que ela está perto dele que vai fazer de tudo para ficar com ele, ela só vai ajudá-lo - Então ela disse que eu nunca mudei e que todas minhas palavras eram da boca para fora, que se nós voltássemos, hoje eu seria diferente mas que amanhã eu voltaria ao normal.
- E cada palavra que ela disse foi como uma facada? - ele confirmou com a cabeça, ela sabe exatamente como ele está se sentindo sem ao menos ele dizer uma palavra.
- Como... Como você sabe? - ele olhou nos olhos dela.
- Eu já amei, já passei por isso e está no seu rosto que você está sofrendo - ela sorriu e o abraçou, acariciou o cabelo dele e sentiu algumas lágrimas caírem em seu ombro - Lindo.
- Chega de chorar! - ele falou depois de um tempo e limpou as lágrimas do rosto - Me fala alguma coisa legal.
- Me fala você, sobre todas essas coisas no seu quarto, esse monte de presente, de capa de revistas, de tudo - ele abriu um sorriso largo e pegou algumas coisas.
- Se acomoda aí na cama porque é bastante coisa - ela se encostou na cabeçeira da cama e se cobriu com o edredom, ou melhor, com o Ed.
Ele começou a contar várias histórias da banda, de shows, mostrou presentes, ela sabia quase tudo que ele falou mas fingiu que tudo era novidade porque o sorriso dele era tão lindo, ele contava tudo com tanto orgulho e não é para menos.
- O que é isso? - ela colocou a mão no lado direito do lábio inferior dele, o piercing que ele tinha na boca e ficou uma marca. Os dois estão deitados na cama e entre eles tem várias coisas da banda que ele trouxe para mostrar.
- Eu tinha um piercing ai ficou essa marquinha.
- Você tirou há quanto tempo? - ela sabe que tem um ano ou pouco mais do que isso.
- Um ano ou mais.
- Você foi um adolescente rebelde então? - ele riu.
- Não, você viu a minha foto de adolescente, eu era normal.
- Por favor Pedro Lucas! Aquele seu cabelo não era normal não, era uma comédia isso sim.. Deixa eu ver algumas cartas - ela pegou uma e começou a ler e quando olhou para Pe Lu ele estava quase dormindo - Dorme bem Pe Lu - ele sorriu e se acomodou na cama.
- Você também Patthy - ela terminou de ler a carta, pegou as coisas que estavam na cama, colocou na mesa ao lado e apagou a luz voltando para a cama do Pe Lu, mil coisas sobre o dia passaram pela cabeça dela, ela até pensou em ir para seu quarto mas preferiu ficar no canto em que estava antes já que o sono e cansaço são grandes. Ela achou estranho o Pe Lu ter dormido por já ter lido em alguns lugares que ele não consegue dormir de jeito nenhum quando tem alguma luz acesa, o cansaso deve ter sido mais forte, ela pensou e então dormiu - Bom dia moçinha - Pe Lu deu um beijo na bochecha dela, ela sorriu e começou a se esforçar para abrir os olhos que estão pesados de sono, quando conseguiu abrir piscou algumas vezes para desmbaçar os olhos e a primeira coisa que viu foi Pe Lu sorrindo para ela, o sorriso dela aumentou.
CAPITULO 13
- Bom dia! - ela apertou a bochecha dele.
- Vamos levantar, daqui a pouco a gente tem que sair - ele levantou da cama em um pulo, ela ficou em pé.
- Vira, preciso de uma carona - ele se virou rindo e ela subiu nas costas dele - Não! Banheiro! - ela falou quando ele ia para o quarto dela.
- E essa folga? - Naira saiu do quarto dela e riu.
- Não é folga, é sono mesmo. Bom dia Nai! - ela riu e desceu das costas do Pe Lu abraçando Naira.
- Bom dia Patthy. E aí mané, cuidou dela? - Pe Lu e Naira se abraçaram.
- Bom dia para você também pirralha - ele riu.
- Ah, pode ir no banheiro primeiro, eu vou conversar com a Nai - Patricia falou, Pe Lu assentiu e entrou no banheiro, as duas entraram no quarto da Naira.
- Conta tudo!
- Foi horrível, seu irmão e o Willy não deixaram nenhum cara chegar perto de mim.
- Mentira? - Naira abriu a boca.
- Verdade! Ah, vamos lá no meu quarto? Eu preciso trocar de roupa se não o seu irmãozinho me bate.
- Porque?
- Eles vão pra Campinas hoje e eu vou junto, preciso pegar umas coisas que eu esqueci em casa e vou aproveitar que o show é na escola que eu estudava no ano passado, ver o pessoal. Você tem prova hoje né? - Patricia fez bico.
- Tenho - ela se levantou da cama e as duas foram para o quarto de Patricia.
- Da próxima vez você vai junto! Mas então, eu gostei, é bem legal lá, conversei com a Ná! Adorei ela! - as duas deitaram na cama.
- É claro que você ia adorar ela, vocês são quase iguais - Patricia rolou os olhos.
- Não acho mas enfim, dancei demais e acho que bebi demais também mas minha cabeça ainda está bem, eu acho. Não tem nem cinco minutos que eu acordei então estou meio.. lerda.
- Que horas vocês chegaram?
- Eu perguntei pro Pe Lu mas esqueci. Ok, minha cabeça não está boa mas deve ter sido umas três e meia, ele ficou me mostrando coisas da banda, acho que fomos dormir mais de cinco.
- Sabia que eu dormi de luz acesa? - Pe Lu apareceu na porta do quarto fazendo as duas pularem de susto.
- Sério?! - Naira arregalou os olhos.
- O que tem dormir com a luz acesa? - Patricia fingiu não saber.
- Eu não durmo com luz acesa, não consigo nem se tiver a luz da televisão por mais cansado que eu esteja e ontem eu dormi.
- O que você fez pra ele dormir? - Naira olhou para Patricia.
- Boa noite cinderela, conhece? - ela gargalhou - Sei lá, não fiz nada.
- Não que você lembre! - Pe Lu falou deixando Patricia sem graça e sem entender - Brincadeira, você não fez nada. Na verdade fez, me ajudou, me distraiu. Agora vai se arrumar logo! - ele começou a bater palmas apressando a menina.
- Relaxa! Já sei que roupa vou usar, não vou enrolar pra escolher uma. Faz um favor? - ele confirmou com a cabeça - Põe a calça rosa, aquela rosa queimada? Eu vi você com ela em uma foto ontem e gostei.
- Fiquei lindo? - ele gargalhou e ela concordou - Então eu ponho - ela levantou da cama e foi para o banheiro.
Eles terminaram de se arrumar em 15 minutos.
- Bom dia tia! - Patricia abraçou Teresa.
- Bom dia Patthy, tudo bem com você?
- Eu estou ótima e o Pe Lu cuidou bem de mim ontem - Teresa sorriu ao ouvir exatamente o que queria ouvir - E você tia, como está?
- Bem, fiquei sabendo que você vai pra Campinas hoje, mal chegou e já está indo embora? - elas riram.
- Pois é tia, ontem o Pe Lu me deixou assustada ai resolvi ir embora.
- Eu falei que não era para você contar pra ela! - Pe Lu apareceu na copa e Naira logo depois.
- Ah desculpa, eu esqueci, é a ressaca né - todos riram.
- Vamos almoçar porque daqui a pouco vocês tem que ir - eles se sentaram à mesa.
- Bom dia mãe - Natalia falou ao sair do banheiro.
- Bom dia filha, como foi ontem? - a menina bufou.
- Ahh, foi - ela tentou sorrir.
- O que aconteceu? - elas foram andando até o sofá e se sentaram.
- Lembra que a Teresa ia receber a visita lá na casa dela? A menina de intercâmbio?
- Lembro sim.
- Então, ela foi ontem com o Pedro.
- Mas ela não é muito nova?
- Mãe, ela tem RG falso, igual a mim.
- Ah sim, mas o que tem ela?
- Ela... ela é bonita, ela é legal, não parece ter 16 anos e você tinha que ver o Pedro dançando com ela. Tá bom, ela me disse que não vai ficar com ele mas não estou falando dela, estou falando dele! Ele pode se apaixonar por ela afinal, ela mora na casa dele!
- Ele nem fica na casa dele direito filha!
- Eles se conheceram ontem e ela já sabia tudo que aconteceu entre eu e ele, para mim eles estão bem próximos, próximos até demais!
- Isso serviu para você ver que tem que abrir o olho com ele, conversar com ele e se resolverem de uma vez - Natalia ficou pensativa.
CAPITULO 14
- Vem Patthy - Pe Lu segurou a mão da menina e desceram rápido da van passando por dezenas de fãs, ela ficou olhando a escola.
- Não mudou nada! Até o risco na parede que fiz há alguns anos atrás ainda está aqui! - ela sorriu ao se lembrar de algumas coisas que passou na escola - Eu vou ver se meus amigos estão lá embaixo.
- Espera um pouquinho - ele pegou sua mochila e começou a revirá-la e pegou alguma coisa - Segura para mim até a hora do show, cuida porque é a única - ele entregou uma palheta para ela.
- Pode deixar, eu cuido - ela foi até a quadra e guardou a palheta no bolso de trás da calça enquanto olhava entre as pessoas procurando algum conhecido.
- Patthy! - uma menina acenava e pulava - Patthy! Patthy! - até que Patricia a viu e foi até ela, elas se abraçaram - Você não estava em São Paulo? - Patricia sorriu.
- Estava. Mas a minha nova família é a família do Pe Lu!
- O QUE?
- Isso! É a família do Pe Lu, ai eu vim com ele para cá e volto para casa com ele.
- E ele sabe que você é louca por ele?
- Não, eu não contei, estou sem coragem, estou com medo dele me achar mais uma louca no mundo, minha amizade com ele está tão boa, ele esta me contando tudo, eu estou ajudando ele com uma menina.
- Você está ajudando ele com uma menina que não é você? - Patricia riu.
- É, eu sempre falei que se ele estivesse com outra menina por mim tudo bem contanto que ele fosse feliz, ele é feliz com ela, pelo menos eu acho.
- Agora você é amiga do meu Koba?
- Sabia que você ia falar isso! - elas riram - Sou sim! Ele é um fofo! Eu tento te levar no camarim, vou falar com o Pe Lu e depois te falo. Ninguém mais veio?
- Não, eles não gostam de Restart - Patricia deu de ombros - Mas me conta, o que você já fez lá em São Paulo.
- Ontem fui pra balada com o Pe Lu, usei meu RG falso, rá.
- Tinham muitos gatos?
- Tinham mas todos que chegavam em mim o Pe Lu ou o Willy vinham e fingiam que eram meus namorados, que odio deles.
- E a Ná, você conheceu ela?
- Ah é mesmo, você sabe quem é ela. O Pe Lu está enrolado com a Ná! Conversei com ela, ela é super fofa e ficaram dizendo que eu sou parecida com ela mas sei lá.
- O show já vai começar - o segurança falou para Patricia, ela ficou do lado de dentro da grade, então ela tem que sair dali.
- Obrigada, já estou saindo. Quando o show terminar eu falo com o Pe Lu, me espera por aqui que eu venho te falar se você pode entrar ou não - Marina sorriu e confirmou com a cabeça - Bom show! - Patricia subiu as escadas correndo e encontrou com os meninos saindo pela porta, ela parou no topo da escada, ela olhou para Pe Lu e fez bico - Perdi a palheta.
- Hã? - ele se assustou.
- Brincadeira, está aqui - ela tirou a palheta do bolso e entregou para ele.
- Obrigada meu amor - ele deu um beijo na palheta e fez ela beijar a palheta também - Para dar sorte. E fica com o meu celular e com o rádio, acho que minha mãe vai ligar! - ela pegou os dois.
- Desce logo Pedro Lucas! Eles vão começar a te vaiar! Bom show bonitinho - ele deu um beijo na testa dela e desceu.
No meio do show Natalia chamou Pe Lu no rádio.
- Oi Ná, é a Patthy - Natalia sentiu seu estômago revirar e quase desistiu de continuar falando.
- Oi Patthy, tudo bem?
- Tudo e você?
- Também, o Pe Lu está por ai?
- Ele está fazendo show agora por isso que eu atendi, quer que ele te chame quando o show terminar? - Natalia sentiu um pequeno alívio ao ouvir sua amiga dizer aquilo, por mais que elas tenham se tornado amigas, ela não confia em Pe Lu.
- Pede para ele me chamar quando vocês já estiverem em casa, ok?
- Pode deixar, eu falo sim!
- E a ressaca, como está? - ela riu.
- Agora não estou sentindo nada mas a dor de cabeça estava terrível e a sua, como está?
- Eu não bebi muito estou bem, eu bem vi você e o Willy bebendo bem.
- Você deveria ter parado seu melhor amigo, ok Natalia?
- Ô xuxu me desculpa.
- É estranho ouvir outra pessoa falando as coisas que eu falo.
- É mesmo, mas é legal. Ah, pelo menos é você que fala, eu gosto de você, se fosse uma menina que eu não gosto não ia ser legal.
- Você tem razão, mas quem disse que eu gosto de você? Acho que alguém aqui está se achando demais.
- Aham Claudia, senta lá. Vai terminar de ver o show e não esquece de me seguir no twitter pra você me passar seu msn e etc.
- Ô gatinha, relaxa, eu entro no twitter assim que eu tiver tempo, ainda nem desfiz minhas malas.
- Boa sorte, beijo xuxu.
- Beijo gatinha.
Pe Lu puxou Patricia pela mão até a biblioteca que é o camarim deles.
- O que você achou do show? - Koba perguntou para Patricia.
- Eu amei, tão lindo acústico, tão fofo! - ela o abraçou - Parabéns para vocês - Pe Lu abraçou Patricia e começou a passar o rosto suado dele nela - Me solta! Que nojo Pedro Lucas!
- E a gente não ganha abraço? - Pe Lanza falou.
- Vocês estão suados também? - Thomas balançou a cabeça negando - Então tá - ela deu um abraço em Pe Lanza e em Thomas - Pe Lu!
- Quer outro abraço né? - ele sorriu e levou um tapa no braço.
CAPITULO 15
- É claro que não. Posso trazer uma amiga para conhecer vocês?
- Claro que pode!
- E eu vou lá na minha casa buscar umas coisas que eu esqueci de levar, daqui meia hora eu já estou de volta.
- Você está pensando que vai como?
- De ônibus, cinco minutinhos, é rápido!
- Se é perto assim a gente te leva, quando estivermos indo embora passamos lá - ela revirou os olhos.
- Você não cansa de ser legal né? Nossa que chatície! - eles riram.
- É chato ser legal, não te entendo.
- Não precisa me entender - ela deu um beijo na bochecha dele - Vou buscar minha amiga - e saiu.
- E aí? - Marina dava pequenos pulinhos enquanto Patricia estava descendo as escadas.
- O que você acha?
- Eles não deixaram e espera... você está suada?
- Claro que deixaram, para de ser boba! E eu não estou suada, o Pe Lu passou o suor dele em mim, nojento. Vamos logo - elas subiram as escadas - Ela está comigo - Patricia falou para o segurança e elas entraram.
- Ahh você voltou! - Thomas falou e sorriu.
- Tive que voltar, eu sabia que você ia ficar triste longe de mim - ela riu - Gente, essa é a Marina e você já conhece eles, não precisa apresentar né - Marina negou com a cabeça e foi cumprimentá-los - Pe Lu vem aqui! - ele foi até ela.
- O que? - ela pegou o celular e o rádio dele.
- Antes que eu esqueça - ela estendeu a mão para ele - E eu preciso do meu celular.
- Pode pegar lá na minha mochila e você pode deixar meu rádio e o celular lá?
- Então tá - ela foi até a mochila dele, pegou o celular e deixou as coisas dele.
- Alô?
- Mãe?
- Oi Patthy, tudo bem?
- Tudo e você?
- Tudo, como estão as coisas por ai?
- Está tudo tão legal! Deixa eu perguntar, o meu pen drive com as minhas músicas já está ai?
- Seu pai trouxe ontem, passa o endereço dai para eu mandar por correio.
- Pior que agora eu estou sozinha aqui na casa, quando eles chegarem eu te mando por email. Ai eu mando o endereço e o telefone. Eu tenho que desligar, depois eu entro no msn e a gente conversa se não meus créditos vão por água abaixo.
- Está bem filha, beijos.
- Beijo - ela desligou.
- Vamos? - Pe Lanza falou.
- As meninas não vão vir aqui tirar foto com vocês?
- Não, parece que deu um problema e não vão vir mais - Pe Lu deu de ombros.
- Mas e você Marina, vai embora como? - Patricia perguntou.
- Meu pai vem me buscar.
- Então faz o seguinte, liga para ele e enquanto ele vem para cá você vai com a gente na casa da Patthy - Pe Lu falou e Marina confirmou com a cabeça - Vamos! - e novamente passaram por dezenas de fãs, agora quem estava no show também está ali. Patricia ensinou o caminho de sua casa.
- Pronto! É essa casa do meio.
- Se eu soubesse que era tão perto assim eu tinha deixado você vir a pé - Patricia mostrou a língua para Pe Lu e abriu a porta da van - Eu vou com você - os dois sairam da van.
- É mesmo, eles vão conhecer meu irmão! - ela riu e o cachorro dela começou a latir - Oi pretinho!
- Ele morde?
- Você tem medo?
- Ele parece ser bravo - ela abriu o portão.
- Tá, eu seguro ele - ela segurou o cachorro pela coleira e abriu mais o portão para o Pe Lu entrar - Ei! - ela colocou a cabeça na janela da sala, sua mãe deu um pulo no sofá.
- Patthy?! - ela abriu a porta da sala rápido, a menina, o cachorro e Pe Lu foram até a porta.
- Surpresa! - ela sorriu - Mãe, esse é o Pe Lu, ele é filho da família do intercâmbio. Pe Lu essa é a minha mãe - Pe Lu sorriu.
- Tudo bem? Prazer- eles se cumprimentaram.
- Bem e você? Espera, você não é da banda Restart?
- Olha estou famoso! - ele riu - Sou eu sim.
- Entra, não precisa ter vergonha - a mulher sorriu, Pe Lu entrou Patricia soltou o cachorro e entrou também.
- Oi mãe! - ela riu e abraçou a mãe - Vim buscar umas coisas que esqueci de levar.
- Vocês estão com fome?
- Não, a gente já está indo! Os meninos da banda estão lá na van esperando, não precisa se encomodar com nada - Pe Lu sorriu.
- Cadê meu pai? E a minha irmã? - Patricia perguntou indo para seu quarto, Pe Lu foi logo atrás e a mãe dela também.
- Eles foram no mercado - ela pegou uma mochila e começou a por algumas roupas e sapatos dentro.
- Vão demorar então... Cadê o pen drive? - a mãe foi buscar.
- Eu também tenho um urso - Patricia pegou seu urso em cima da cama - Fiquei com vergonha de levar.
- Dorme abraçada com ele? - ele pegou o urso e ela confirmou com a cabeça.
- Leva o urso para mim - ela pegou um quadro pequeno que comprara há mais de um ano para escrever letras de músicas, frases ou algum lembrete, ela respirou fundo - Você está sentindo esse cheiro? - Pe Lu riu.
- Desde que entrei, você demora hein.
- Aqui o pen drive - a mulher entregou o pen drive para a menina.
- Obrigada mãe, aliás, o que você está fazendo?
- Um bolo, vocês não querem comer mesmo? O bolo já deve estar pronto - Patricia e Pe Lu se olharam, ela mordeu o lábio inferior e ele riu.
- A gente aceita, vou chamar os meninos na van!
- Liga para a Ná - Patricia falou quando ela e Pe Lu sairam do elevador.
- Não vou mais correr atrás dela - ele falou sério enquanto abria a porta do apartamento.
CAPITULO 16
- Ela te ligou e pediu para você ligar para ela de volta só quando você já estivesse em casa. Liga - ela sorriu encorajando-o - Dá o urso, eu consigo levá-lo até o quarto. Vou tomar banho e boa sorte com ela - ele deu um beijo na testa dela e ela saiu.
- Ok, vamos lá - ele respirou fundo, pegou o rádio e chamou Natalia.
- Oi - ela falou.
- Oi... você queria falar comigo?
- Ainda quero, você pode vir aqui?
- Posso, em 20 minutos estou ai.
- Ok - eles desligaram e ele saiu de casa.
- Adivinha aonde ele foi - Naira falou quando Patricia apareceu na sala.
- Foi ver a Ná?
- É - ela revirou os olhos e Patricia sentou ao lado dela.
- O que aconteceu?
- Você me trocou pelo meu irmão, só isso!
- Ô meu Deus - Patricia abraçou Naira - Já disse que não! Eu deixei você se concentrar pras provas de recuperação, quando elas terminam?
- Amanhã.
- Então você tem que dormir cedo hoje. Vem me ajudar a arrumar o quarto? Vou desfazer minhas malas e eu te conto o que aconteceu ontem direitinho - Naira sorriu e as duas foram arrumar o quarto.
- Alô? - Naira atendeu o celular e Patricia abaixou o volume da música - Tá bom, beijo. O Pe Lu disse que daqui 10 minutos passa aqui para nos levar ao shopping - as duas se olharam e começaram a correr pela casa para se arrumar.
- Conseguiram se arrumar em 10 minutos? - Pe Lu falou logo que elas entraram no carro, Naira no banco da frente e Patthy no banco de trás.
- Fizemos milagre, você nem pra dar pelo menos 20 minutos - Naira falou.
- Vocês não estão indo para uma festa, é só shopping!
- É claro que é só shopping, olha quem está falando isso, a pessoa que está sem tomar banho o dia todo - Patricia falou e Naira riu.
- Não vou andar perto de você Pe Lu, você está sem tomar banho, que vergonha dizer que você é meu irmão - Naira balançou a cabeça negando e gargalhou.
- Vão falando isso, vão falando. Ah Patthy, você tem rádio?
- Não, porque?
- Vou comprar um para você, é mais barato do que ficar falando por celular sabia?
- Agora vocês tem segredinhos precisa de rádio né Patthy! - Naira falou com um tom de deboche.
- Ok ok! - Patricia levantou as mãos - Já entendi.
- E hoje nós vamos comprar as roupas para você Patthy. Nai, a mãe disse que você sabe o mínimo de roupas que é para comprar, não entendi.
- Ah sei! Ela não pode comprar menos do que 5 blusas, 3 calças, 3 sapatos, mais do que isso pode, menos não pode!
- Mas...
- Não!! Sem mas! - Naira falou.
- Ok de novo, já entendi - Patricia abaixou a cabeça - Não posso contrariar vocês?
- Não, hoje não - Naira falou.
- Na verdade, não pode contrariar nunca mas você é teimosa né - Pe Lu falou e riu.
- Ahaha que engraçadinho, só hoje vou ser legal com vocês, só hoje não né, só no shopping.
Eles chegaram em casa quase 1 da manhã, lotados de sacolas, a maioria das sacolas tinham coisas para Patricia mas tinham para Pe Lu e Naira também.
- Vou dormir porque amanhã tem prova! Boa noite - ela se despediu dos dois, pegou suas sacolas e foi para o quarto.
- Já levo suas sacolas - Pe Lu falou, Patricia foi para o quarto e colocou as sacolas na mesa e encostou na mesa, logo Pe Lu entrou no quarto - Posso deixar aqui?
- Pode - ela desencostou e começou a tirar as coisas das sacolas - Vai tomar banho, seu fedido e depois vem aqui para você me contar, alguma coisa aconteceu, você ainda não consegue me enganar - ele sorriu e abaixou a cabeça.
- É difícil te enganar né? - ela confirmou com a cabeça - Então eu já volto.
Ela guardou tudo no devido lugar, colocou seu pijama e Pe Lu apareceu na porta do quarto dela com o urso dele na mão, ela riu.
- Pode ir contando - ela pegou seu urso e deitou na cama, Pe Lu deitou também.
- Bom - ele respirou fundo - Ela disse que pensou em tudo e viu que ela estava errada, pediu desculpa e disse que quer resolver tudo, ou seja, começar a namorar comigo. Eu falei que fiquei confuso com essa mudança dela e que vou pensar.
- Pensar?
- É, não sei se eu ainda gosto dela o suficiente para namorar, eu pensei em tudo que aconteceu entre ela e eu...
- Mas - ela o interrompeu e segurou a mão dele - Pensa, ela percebeu e ela pode mudar agora, tudo pode dar certo. Pelo menos tenta.
- Não sei se eu quero namorar com ela.
- Não namora fica com ela, apenas com ela e diz para ela ficar só com você. Para você ver como vai ser, se der certo você namora com ela, se não der você não namora e se quiser não fica mais com ela, o que você acha? - ele ficou pensando.
- Pode ser. Não quero mais falar disso, me conta da sua vida, como era lá em Campinas.
Ela começou a contar e haviam algumas coisas que ela parava de contar porque no final ela teria que dizer que é fã dele.
- Eu tenho que te mostrar uma coisa - ela respirou fundo e pegou um monte de fotos e começou a procurar a foto com ele - Eu estou feia - ela mostrou e foto deles para ele.
- Quando? - ela fingiu não saber a data, pegou a foto e olhou atrás.
- Dia primeiro de junho, faz pouco tempo - ela sorriu fraco - Foi lá em Campinas mesmo, no SBT de lá - ela olhou para ele que parecia estar interessado em saber o resto - Bom, eram quase 8 da manhã, eu estava sozinha em casa, com cólica e sem sono, tinha faltado da aula, entrei no twitter e você disse que estava indo para cá, começei a procurar o endereço da TVB feito louca e me troquei esperando minha mãe chegar para dizer aonde era ao certo para eu ir, ela disse que me levava de carro. Cheguei lá umas 10:10, minha mãe deu uma volta no quarteirão e quando voltamos na frente da TVB vocês já estavam lá na van e só eu para ver vocês, entrei em pânico e minha mãe só falou 'Vai logo porque eu tenho que ir no banco' e praticamente me chutou do carro - ela riu baixo e ele sorriu - Fiquei do outro lado da rua, olhando a van, sem saber o que fazer até que vocês desceram da van e eu tirei a foto com vocês, é isso - ela sorriu.
- Eu me lembro desse dia, me lembro de você - ele sorriu e ela riu baixo, com um pouco de vergonha - Então você gosta da Restart.
- Não só gosto, sou meio fanática por vocês, fui em dois shows de vocês escondida dos meus pais - ela fez uma careta e ele riu.
- Porque você não falou antes?
- Porque eu não ia conseguir agir normalmente, eu estava esperando para conhecer os meninos para te contar. E esse urso que você dorme abraçado, eu que dei para você - ela olhou para o chão e mordeu o lábio inferior.
- Sério? - ele levantou a cabeça dela para olhar nos olhos dela.
- É.
- E qual é o seu preferido?
- Não tem preferido, gosto de todos - ela riu.
- Sei, sei. Então o seu twitter é _patthy?
- Isso mesmo! - eles conversaram por mais um tempo e resolveram dormir, ele não soltou a foto e puxou Patricia para perto pela cintura, ela encostou no ombro dele.
- Pe Lu? - ele resmungou - O meu preferido é você - ele riu baixo.
- Obrigada.
- Porque? - ela sentiu ele balançar a cabeça negando, para deixar de lado.
- Eu estava tentando descobrir qual era o seu preferido, agora vou dormir feliz - ele falou depois de um tempo, ela sorriu e se acomodou mais nele, o coração dela voltou a acelerar e ela torceu para que ele já tivesse dormido para não sentir o coração dela, as palavras dele ficaram ecoando até ela dormir com um sorriso no rosto.
CAPITULO 17
- Bom dia NaiNai - Patricia abraçou a amiga.
- Bom dia Patthy, tudo bem?
- Tudo e você?
- Até que enfim essas provas acabam! - Patricia sorriu.
- Aí sim vi vantagem!
- Não tanta, não tenho RG falso.
- Você tem o Pedro Lucas como irmão, pelo amor de Deus! Ele consegue te colocar dentro das baladas, ele só não te falou isso porque ele não quer que você vá, a irmãzinha dele - Naira sorriu.
- Então estou começando a gostar.
- Bom dia coisas lindas - Teresa entrou cheia de sacolas.
- Bom dia! - as duas falaram e foram abraçá-la.
- O que você trouxe de bom mãe?
- Algumas coisas da padaria, aqueles pães doces que você e o Pe Lu amam e que a Patthy vai amar também.
- Hmm, só o cheiro me diz que é muito bom! - Patricia falou - Tia, tenho que te mostrar o que compramos ontem!
- Ah é mesmo!
- Vamos lá no meu quarto - as três foram para o quarto - Ah tia, eu queria colocar essa lousa na parede, vou escrever uma frase ou algum lembrete aqui, tem aquelas fitas pra colocar na parede?
- Tenho sim, Nai pega lá a fita na caixa do seu pai - Naira assentiu e foi buscar enquanto Patricia mostrava as roupas, sapatos e acessórios que compraram ontem. Depois almoçaram, Teresa e Naira sairam e Patricia ficou sozinha, ela aproveitou para entrar no msn, conversar com suas amigas, contar as novidades, conversou com sua mãe e pegou as fotos que tiraram na casa dela no dia anterior, seguiu Natalia no twitter e elas começaram a conversar por msn.
pelurestart @_patthy ei menininha
_patthy @pelurestart oi bonitinho que sumiu com a minha foto
pelurestart @_patthy guardei ela pra mim
_patthy @pelurestart você tem uma foto daquela, é só você procurar!
Patricia colocou no twitpic uma foto dela com o Pe Lu e escreveu 'bonitinhooooo @pelurestart'
pelurestart @_patthy eu tenho? porque eu não consigo te chamar no rádio?
_patthy @pelurestart tá carregando, desliguei ele. calma fofura, daqui a pouco você volta e me conta (=
Pe Lu pegou a foto e colocou no twitpic dele com a legenda 'because I'm not afraid to fall if you're the one who catches me, tell that you'll be there' (Porque eu não tenho medo de cair se você é a única que me pega, me diga que você estará lá). Ela comentou 'When I'm about to lose it all you're the one who helps me see that sometimes it's ok to fall' (Quando eu estiver prestes a perder tudo você é o único que me ajudar a ver que às vezes é bom cair).
_patthy You make me feel like I'm living a Teenage dream... (Você me faz sentir como se eu estivesse vivendo um sonho de adolescente)
pelurestart @_patthy ...the way you turn me on I can't sleep... (O jeito que você me excita eu não consigo dormir)
_patthy @pelurestart ...let's run away and don't ever look back, don't ever, look back haha (vamos correr e nunca olharemos para trás, jamais olharemos para trás)
pelurestart @_patthy ...my heart stops when you look at me... (meu coração para quando você olha para mim)
_patthy @pelurestart ...just one touch now baby I believe! e foi você que escreveu na minha lousa né? (apenas um toque agora, baby, eu acredito!)
pelurestart @_patthy você só viu agora?
_patthy @pelurestart não né bobo, só lembrei agora. parece que alguém gostou mesmo da minha música (: vai dormir pedro lucas!
pelurestart @_patthy vou dormir mesmo, o lugar aqui é pesado e to com sono sabe... ahuahuahauhauh
_patthy @pelurestart eu te avisei! mas quem quis ficar tagarelando de noite? AHAUHAUH dorme logo! (L)
pelurestart @_patthy olha quem fala, me atormentou a noite toda! to indo! (L)
Natalia ficou lendo a conversa entre eles, ela não queria mas lia e começou a pensar que Pe Lu disse estar confuso porque está começando a gostar de Patricia e não porque ela mudou de ideia.
Ná diz: patthy, posso te fazer uma pergunta?
Patthy diz: claaro, faça (=
Ná diz: está rolando alguma coisa entre você e o pe lu?
Patthy diz: só amizade! nada mais. porque?
Então Patricia olhou para sua lousa, lendo de novo a música que Pe Lu escreveu 'You're giving me butterflies everytime I see your face, you're smile, melting me to pieces, butterflies keeping me awake at night, your eyes, girl you give me butterflies.' (Você está me dando borboletas sempre que eu vejo seu rosto, teu sorriso, me derreto em pedaços, as borboletas que me mantém acordado durante a noite, seus olhos, garota você me faz sentir borboletas.) e sorriu.
CAPITULO 18
Ná diz: ele te contou minha conversa com ele ontem né?
Patthy diz: sim (: ele ainda não falou com você?
Ná diz: não, nada até agora =/
Patthy diz: então espera que ele vai falar com você. eu vou sair, tomar banho e ver algum filme mas já to ligando o rádio, qualquer coisa me bipa (: beiijo (L)
Ná diz: ok amor, obrigada! beijo (L)
_patthy Desconheço um amor tão covarde... ;**
- Tem alguém aqui? - César abriu a porta gritando, Patricia levantou do sofá e foi recebê-lo.
- Só eu - os dois sorriram.
- Achei que você tinha ido embora! Você sumiu! - eles se abraçaram.
- Tudo culpa do Pe Lu que ficou me arrastando pra cima e pra baixo!
- Eu ouvi essa! - Pe Lu abriu a porta.
- E não é verdade? - César perguntou para Pe Lu e o abraçou, Patricia riu.
- Claro que não pai!
- Bom eu vou tomar um banho, depois a gente conversa.
- Eu vou arrumar uns pães para vocês comerem - Patricia falou.
- Ah se a Naira fizesse isso - César falou e começou a andar - Obrigada filha!
- Quero minha foto e você ligou para a Ná? - ele levantou as duas mãos.
- Calma! Sua foto está aqui e daqui a pouco eu vou falar com ela mas a foto eu te entrego depois e quero saber aonde eu tenho uma foto.
- Isso eu falo depois que você tomar banho, seu fedido! - ele riu.
- Eu estou fedido? - ele tentou abraçá-la mas ela foi para a cozinha e fechou a porta.
- Vai Patthy, por favor, eu preciso de uma massagem - Pe Lu fez bico, ela ficou encarando-o séria, revirou os olhos e sorriu.
- Está bem! E liga essa twitcam logo, ou você acha que minha beleza dura 24 horas por dia?
- Dura sim - ela deu um tapa no ombro dele - É massagem não tapas!
- Tapas podem ser um tipo novo de massagem sabia? - ele riu.
- Pronto, liguei a twitcam.
- Eu estou com tanto sono, você nem imagina o quanto!
- E você que ficou ai dormindo, eu tive que levantar para poder ir lá gravar!
- Você dormiu no caminho!
- E você ficou aqui dormindo até que horas?
- Isso não vem ao caso - ele sorriu vitorioso.
- Ei amores, tudo bem com vocês? Mais pra direita - Patricia revirou os olhos.
- Chega seu folgado!
- Pega a cadeira do meu quarto para você sentar.
- Que tal você pegar a sua cadeira e eu usar a minha? - ele riu.
- Eu estou aqui na twitcam.
- Chato! - ela foi buscar a cadeira.
- Linda! - ela ouviu ele falar e dar uma risada alta - Ela já está voltando e a gente vai esclarecer quem é ela - Patricia colocou a cadeira do lado do Pe Lu e sentou - Essa é a Patthy, bom, meus pais participaram de um intercâmbio mas não é de países é de cidades então ela veio para cá para terminar o colegial. Ela é linda né? Por isso que é minha irmã - ele passou o braço pelo ombro dela.
- Eu não vou nem comentar isso. Oi gente, tudo bem com vocês?
- Mas ela tem me ajudado muito e me enxido demais né baixinha?
- Ah por favor Pedro Lucas, qualquer um perto de você é baixinho, você já olhou o tamanho das varetas que você chama de perna? - eles gargalharam - Para quem nunca viu o Pe Lu de perto se prepara para ficar olhando para cima o tempo todo, me disseram que ele é alto demais, eu pensei "Ah que exagero, ele deve ser um pouquinho mais alto do que eu" cheguei perto dele e quase não consegui ver os olhos dele de tão alto que ele é, podem levar uma escadinha, é bom.
- Escadinha é bom mesmo, eu não preciso ficar abaixando se bem que eu não me importo se for para abraçar vocês. Chama a Nai lá.
- Naira!!!!
- Se fosse pra gritar eu mesmo gritava - ela riu.
- Então grita. Não, eu vou lá - ela foi no quarto da Naira - Ei Nai, vem aqui na twitcam do Pe Lu rapidinho.
- Eu estou assistindo aqui.
- Ele quer mostrar a irmã de verdade dele.
- Me diz uma coisa - Patricia ficou esperando - Você gosta dele?
- É difícil..... e faz parte do que eu vou te contar amanhã - Patricia sorriu - Vamos lá?
- Ei! - Patricia falou quando Pe Lu se jogou na cama dela logo depois de desligar a twitcam.
- Massagem por favor - a voz saiu abafada por estar com a cabeça no travesseiro.
- Não! Tchau! - ela permaneceu ali vendo o que ele vai fazer.
- Fica! - ela gargalhou, ele olhou para ela - Por favor Patthy.
- Só depois que você ligar para a Ná - ela sorriu, ele bufou e sentou na cama.
- Pega o rádio ali na mesa - ela pegou, entregou para ele e começou a andar na direção da porta - Fica aqui!
- Certeza? - ele afirmou com a cabeça e bateu na cama para ela sentar do lado dele - Não sei porque você está com tanto medo - ela sentou do lado esquerdo dele, encostou o queixo em seu ombro e o abraçou pela cintura, ele segurou a mão direita dela entrelaçando seus dedos.
- Oi Pe! - Natalia atendeu animada, Pe Lu deu um pigarro e Patricia apertou a mão dele.
- Oi Ná, tudo bem?
- Tudo e você?
- Também - ele respirou fundo - Eu pensei e acho melhor a gente ficar mas não ficar de ficar com outras pessoas. Quase um namoro... Eu criei muitas expectativas há algum tempo em relação à nós e agora eu meio que estou com medo de me jogar de cabeça no namoro e não ser nada do que eu pensei. A gente fica e ai eu vou vendo e até você vê se é isso que você quer mesmo.
- Você está indo bem, respira - ela falou baixo causando arrepios nele, ele fechou os olhos e respirou fundo.
- Por mim tudo bem pretinho! - ela deu uma risada para tirar a tensão do corpo - Me conta como foi seu dia!
- Ah fui lá no... no Kango Jango gravar a matéria, desci a correntesa na bóia, muito bom e dormi muito, ainda estou com sono, ficar na água dá sono, juntando com o sono que eu já estava mas isso não é novidade né?
- É - ela riu - Mas ter uma vida como a sua não é fácil não!
- E o dia dela, como foi? - Patricia falou, ele revirou os olhos.
- Me conta como foi seu dia!
- Ah nada de interessante, fiquei em casa ouvindo música, no msn, falando no telefone, as mesmas coisas de sempre. Agora vai descansar!
- Já vou!
- Boa noite pretinho, eu te amo.
- Boa noite, também te amo - ele falou da boca para fora, ele está confuso.
- Você conseguiu! - Patricia apertou os braços em volta dele.
- Obrigada - ele deu um beijo na bochecha dela - Agora a massagem porque eu fiquei tenso - ela gargalhou, levantou da cama e ele se jogou novamente na cama.
- Ficou tenso por bobeira né - ela sentou nas costas dele e começou a fazer massagem nos ombros.
- Sabe que eu não sei o que eu faria se você não estivesse aqui? Do nada a Laris se afastou de mim e não é por falta de tempo, ela vive ligando para o Thomas, para o Duds, para a Ná!
- Você tentou ligar para ela?
- Várias vezes, sempre dá caixa postal aí eu me cansei e você apareceu, tenta imaginar a minha situação se você não estivesse aqui me dando apoio, dando o empurrão que faltava, eu estaria louco - ou talvez menos confuso, ele pensou.
Capitulo 19
- Chega de pensar nisso! O que importa é que eu estou aqui para te ajudar, estou do seu lado para o que você precisar - ela deu um beijo no pescoço dele que sentiu seu corpo inteiro arrepiar.
- E eu estou aqui por você. Minha foto, cadê?
- Eu que tenho que te falar isso! - ele riu.
- Te entrego se você entregar a que você diz que eu tenho.
- Onde você guarda as cartas que você ganha?
- Em um armário no meu quarto.
- Todas, todas, todas as cartas estão lá?
- Sim, você escreveu um carta para mim?
- Escrevi e você não vai ler.
- Porque não?
- Você lê no dia que eu deixar você ler, pode ser? - na carta ela dizia o quanto o ama, o quanto é louca por ele e que esse sentimento nunca vai mudar, nunca vai acabar.
- Porque?
- Acredita em mim, eu vou deixar você ler na hora certa. Mas então, quando você vai me levar no Kango Jango? - ele riu.
- Quando você quiser, é só falar!
- Está fácil assim? - ele confirmou com a cabeça - Mas é melhor ir quando estiver mais quente, fica mais de boa entrar na água e tal. Ah sim, dorme Pedro Lucas.
- Boa noite meu anjo, minha pequena.
- Boa noite Pe - ela permaneceu ali por alguns minutos, saiu das costas do Pe Lu com cuidado e sorriu, ele dormiu de luz acesa de novo. Ela foi até a sala - Alguém dominou minha cama - ela fez bico para Naira.
- Cuidado, daqui a pouco ele pega suas roupas! - elas riram.
- Aonde ficam as cartas que o Pe Lu ganha das fãs?
- No quarto dele, porque?
- Eu preciso pegar a minha - ela olhou para o chão.
- Te mostro aonde fica se você me deixar ler.
- Você pode ler, é só não contar para ele o que está escrito - Patricia deu de ombros - Já adianta uma parte do que eu tenho que te contar amanhã - Naira levantou do sofá e foi até o quarto do Pe Lu seguida por Patricia.
- Aqui! - ela falou depois de abrir algumas portas do armário - Nessas duas partes - Patricia sorriu.
- Obrigada - ela respirou fundo e sentou no chão.
- Você quer ajuda?
- Não, é fácil de achar, está encadernado. É fácil - dez minutos procurando e Patricia encontrou sua carta - Toda sua, pode ler - Patricia entregou para Naira sorrindo.
- Você já vai dormir?
- Sim, boa noite NaiNai - elas se abraçaram, Patricia foi ao banheiro e se jogou na cama de Pe Lu, dormiu sentindo o cheiro dele no travesseiro.
- Ela não gosta dele, ela é apaixonada por ele - Naira sorriu ao terminar de ler a carta, a colocou em sua escrivaninha e dormiu.
Pe Lu abriu um olho, desligou o despertador e se lembrou que não está em seu quarto, olhou dos lados procurando Patricia, foi ao banheiro e entrou em seu quarto vendo Patricia dormindo com o urso que dera para ele, ele se aproximou e percebeu que ela tinha um leve sorriso no rosto, ele sorriu, tirou uma mecha de cabelo do rosto dela e ficou acariciando o cabelo dela, ela se mexeu na cama, abriu os olhos de leve e sorriu.
- Já acordou? - ele tirou a mão dos cabelos dela passando a acariciar a bochecha dela que sorriu.
- Alguém aqui tem que trabalhar né? - ela riu baixo.
- Você viaja hoje né? - ele confirmou com a cabeça e deu um beijo na bochecha dela.
- Mas eu volto antes de viajar. Volta a dormir - ele falou no ouvido dela - Daqui a pouco estou de volta - ela sorriu.
- Volta mesmo - ela passou os braços pelo pescoço dele e sentiu seu perfume, o perfume que ela sentiu a noite toda.
- Você sorri enquanto dorme - ele sussurou ainda abraçado com ela, também sentindo o perfume que sentiu a noite toda.
- Quando estou feliz eu sorrio enquanto durmo, você não faz isso?
- Não sei, se antes eu não sorria, começei a sorrir depois que você chegou - Patricia sentiu suas pernas formigarem, se ela estivesse de pé com certeza teria caído depois de ouvir essa frase. Ela sorriu e riu baixo.
- Seu bobo, para de iludir uma fã! - ele deu uma risada abafada no pescoço dela - Vai trabalhar! - ela deu um tapinha nas costas dele, ele deu um beijo demorado na bochecha dela.
- Sonha comigo pequena!
- Pode deixar - ela sorriu e se acomodou na cama, dormindo rápido e com um sorriso no rosto.
Depois de algumas horas Patricia acordou torcendo para que o que tinha acontecido de manhã tivesse sido real e não um sonho, ela foi para seu quarto e Pe Lu escreveu alguma coisa em sua lousa 'ouve Seu Astral - Jorge e Mateus'. Ela ligou o notebook e foi procurar a letra da música, de uma certa forma ela está muito curiosa para ver a letra inteira da música já que só está se lembrando do refrão.
Fico sozinho pensando em você
Vejo imagens, retratos de nós
Olho pro espelho sinto o meu coração
Ouço baixinho o som da sua voz
Dizendo pra mim que é sobrenatural
Esse amor fora do normal
Dizendo pra mim que sou o seu astral
Que esse amor que está em mim é tão real
Eu viajei no seu olhar, no teu sorriso
Nos teus segredos
Eu descobri o que é amar
Pelo toque dos seus beijos.
Tudo em volta de Patricia começou a girar, isso acontece quando ela tem alguma surpresa, quando está ansiosa, nervosa ou estressada, ela deitou na cama e chegou a conclusão de que aquilo de manhã não foi sonho, ela colocou o travesseiro na cabeça, sentiu o cheiro do Pe Lu e jogou longe, colocou o rosto na cama e começou a xingar a si mesma e a se rebater na cama.
- Patthy? Você está bem? - Naira entrou no quarto.
- Não! Eu sou uma idiota!
- O que aconteceu? - Naira sentou na beirada da cama e Patricia sentou abrançando o joelho.
- Eu sou uma retardada! Eu sempre soube mas nunca achei que eu fosse tanto! - ela começou a chorar.
- Calma, calma, calma. Me conta o que aconteceu - Naira abraçou Patricia.
- Você leu a carta?
- Li.
- Você chegou à alguma conclusão? - ela parou de chorar.
- Você é apaixonada por ele.
- Bingo! Esse é o problema! Eu não posso estar apaixonada por ele! Ele começou a dar certo com a Ná ontem e meu Deus, ela é minha amiga!
- Você pode negar e querer atrasar mas uma coisa que eu li na carta ontem foi que ele poderia ler a carta ontem, hoje, amanhã ou daqui anos que as palavras ainda vão ser sinceras e que seu sentimento não vai mudar - Patricia sorriu.
- Engraçado que mudou, o sentimento só aumentou - ela bateu com as duas mãos na cabeça - Olha o que eu estou falando! O que aconteceu hoje de manhã só piorou tudo! Eu não deveria ter aberto meus olhos, deveria ter continuado lá dormindo!
- O que aconteceu hoje de manhã? - Naira ficou apreensiva.
- Ele foi no quarto, falou umas coisas bonitas e eu fiquei toda derretida, a vontade de beijá-lo foi muito grande mas sorte que o meu sono foi maior. Eu não quero mais olhar na cara do seu irmão! - Naira começou a gargalhar.
- Olha a bobeira que você está falando! Para de ser boba!
- Você viu o que ele escreveu na minha lousa? Já viu a letra da música? - Naira negou com a cabeça, Patricia levantou da cama e mostrou a lousa para ela - Ouve Seu Astral - Jorge e Mateus - ela pegou o notebook e levou até a cama - Olha a letra!
- É... - Naira ficou sem ter o que falar ela nunca vira o irmão tão sorridente estando ou não brigado com Natalia e ainda mais agora que Larissa não está mais do lado dele e ele nunca dormiu de luz acesa, tem alguma coisa nisso e o nome disso é amor, é Patricia.
- Não, não, não! Não fala nada! Qualquer coisa que você falar vai piorar minha situação - Don't listen to the voices in your head, listen to your heart (Não ouça as vozes na sua cabeça, ouça o seu coração). Patricia repetia essa frase me sua cabeça mesmo sabendo que se ouvisse seu coração faria uma besteira mas ela sempre seguiu o coração e sempre deu certo - Que horas são? - ela perguntou mais calma.
- Quase meio dia.
- Eu quero ir lá embaixo, quero tirar fotos, quero me distrair - elas sorriram uma para outra.
- Vamos! Troca de roupa que eu te espero lá na sala!
_patthy bom dia! vou me arrumar pra andar por ai com a minha NaiNai (:
pelurestart @_patthy olha lá onde voces vao! viu a música?
_patthy @pelurestart ô papai tá bom! eu seguro na mão da Nai pra atravessar a rua HAUAHUAH vi sim, muito linda (;
_patthy minhas mudanças de humor as vezes me assustam mas ok, fazer o que né?
nahcardoso @_patthy tem planos pra hoje a noite?
_patthy @nahcardoso não tenho não, tem alguma coisa pra fazer? se tiver me bipa (L)
_patthy indo aproveitar o sol escaldante do meio dia com a coisinha mais fofa ;**
Patricia pegou um shorts jeans, uma blusa de alçinha roxa, chinelo e óculos de sol.
- Vamos? - ela apareceu na sala e Naira levantou do sofá.
- Mãe a gente vai dar uma voltinha.
- Bom dia tia! - elas se abraçaram - Não quer ir com a gente?
- Tenho que terminar de ver algumas coisas para a aula de hoje, na próxima eu vou - Teresa sorriu.
- Vou cobrar hein? - elas riram.
- Então vamos Patthy.
- O almoço fica pronto daqui meia hora.
- A gente volta daqui meia hora então. Beijo tia - Patricia mandou um beijo no ar para Teresa.
- Você ainda está brava com o Pe Lu? - Naira perguntou quando entraram no elevador.
- Não, acabei de falar com ele no twitter - ela riu baixo - Ele falou que é para nós vermos onde a gente vai e perguntou se eu vi a música.
- E você falou o que?
- Falei que eu ia segurar sua mão para atravessar a rua e disse que a música é linda - ela deu de ombros - Mas e você, falou com o Marcos? - Marcos é o menino que Naira gosta, eles estão começando a conversar.
- Não, ele não entrou mais no msn. Só falei com o Alex.
Elas ficaram conversando, tirando algumas fotos e resolveram ir na piscina depois do almoço.
- Sabe o que eu esqueci de dizer ontem quando nós fomos no restaurante? O Pe Lu ficou me atormentando e acabei esquecendo - Patricia falou ao terminar de almoçar.
- O que? - Teresa perguntou e tomou um gole de suco.
- Eu quero fazer uma janta para vocês, eu que cozinhava na maioria das vezes lá em casa e bom, eles nunca reclamaram e nunca tiveram que ir para o hospital - ela riu.
- Que tal você fazer a janta de hoje? - Patricia sorriu e confirmou com a cabeça - O que você está pensando em fazer?
- A minha especialidade é strogonoffe de frango com arroz, todo mundo aqui come strogonoffe de frango?
- Sim, depois você vê lá na cozinha se tem tudo que você precisa, o que não tiver anota em um papel que eu compro quando eu estiver voltando da aula - Teresa sorriu.
- Quero só ver essa janta! - Naira riu alto.
- Espera pra ver então! - as meninas tiraram a mesa enquanto Teresa lavava a louça, uma coisa que Patricia admirou na família, eles tem dinheiro para pagar empregada mas eles mesmos lavam a louça, empregada só uma vez por semana para limpar a casa e uma mulher para passar a roupa - Tem tudo que eu preciso! - Patricia sorriu ao ver que não falta nada para ela cozinhar - Só para confirmar, que horas a janta tem que estar pronta?
- Lá pelas 8 está bom.
- Ok! - alguém chamou Patricia no rádio, ela correu até a sala e pegou o rádio - Oi Ná.
- Oi Patthy! Tudo bem?
- Bem e você?
- Também, então você quer ir no cinema ver Eclipse? Ah! Chama a Nai para ir também.
- Eu quero, que horas?
- A sessão é meia noite se eu não me engano, o Willy pega vocês aí.
- Eu vejo aqui e já te bipo. Beijo!
- Ok, beijos.
- Nai, vamos no cinema ver Eclipse?
- Vamos! Com quem?
- Com a sua cunhada! - Patricia sorriu e Naira desanimou - Ela é legal, por que você fez essa cara?
- Ela não vai com a minha cara.
- Claro que vai! E se não vai é uma chance de vocês ficarem amigas.
- Ai tá bom, vamos!
- Tia, eu e a Nai podemos ir no cinema com a Ná? O Willy vem buscar.
- Claro que podem! Que horas?
- Eu vou ver agora mas é bem de noite, a sessão do filme começa meia noite - Teresa confirmou com a cabeça, Patricia chamou Natalia no rádio.
- Ela deixou?
- Deixou sim, que horas vocês passam aqui?
- Umas 11, eu já vou comprar os ingressos ai depois vocês me dão o dinheiro.
- Ok, sem problemas. Vai fazer o que agora de tarde?
- Acho que vou tomar um sol e você?
- Também, daqui a pouco eu e a Nai vamos pra piscina - Patricia riu.
- O Pe Lu te contou sobre eu e ele?
- Contou sim! Estou feliz por vocês - ela não está feliz mas queria estar feliz por eles.
- Vamos ver se agora dá certo! Então bom sol para nós!
- A gente se vê de noite, quero te ver bronzeada hein?! Beijo.
- Eu também quero ver você neguinha, beijos!
- Você fica bronzeada muito fácil! - Naira reclamou quando as duas voltaram da piscina.
- Naira! Você já é morena! Vai ficar preta se pegar mais cor - as duas gargalharam - Só me acho bonita quando estou bronzeada.
- Você é bonita sempre! - Patricia deu de ombros, foi tomar banho e começou a fazer a janta.
- Você não é minha mãe! - Patricia olhou para a porta da cozinha e Pe Lu está encostado na porta com cara da dúvida.
- Que bom que eu não sou sua mãe né - ele riu.
- O que você está fazendo?
- A janta, vou te envenenar - ela piscou.
- É sério que você fez a janta? Esse cheiro bom é da sua comida? - ela afirmou com a cabeça sorrindo - E a luz tá escura ou você escureceu? - ela gargalhou.
- Eu fiquei com inveja de você e da Naira, quis ficar mais parecida com vocês já que eu sou da família! - ele riu - Fui na piscina hoje de tarde com a Nai aí fiquei bronzeada, agora estou bonita - ela sorriu.
- Você é bonita - ela revirou os olhos.
- Isso é coisa de família né? A Nai fala isso, você fala isso, vish, sai de mim - ele riu baixo.
- É a verdade pequena! - ela estremeceu ao lembrar do que aconteceu de manhã e sorriu fraco.
- Vai tomar banho seu fedido, daqui a pouco está pronto.
- Porque para você eu estou sempre fedido? - ele riu.
- Porque você sempre se irrita quando eu falo que você está fedido mesmo você não estando, é legal - ela sorriu.
- Você sabe que eu vou viajar hoje né? - ele se aproximou e passou os braços pela cintura dela.
CAPITULO 20
- Sei, você vai pra onde? - ela passou os braços pelo pescoço dele.
- Avaré e depois Paraná.
- Sempre quis ir para o Sul.
- Se você tivesse dito antes eu te levava comigo - ele beijou a ponta do nariz dela.
- Não, eu ia te atrapalhar. A gente marca de ir outro dia, sem você ir para fazer show, o que você acha?
- Você não ia atrapalhar, ia deixar a viagem mais legal mas por mim está ótimo ir só para curtir.
- Você está me iludindo, falando que vai me levar no Kango Jango, vai me levar para conhecer o Sul - ele riu.
- Não estou te iludindo, a gente só tem que achar um dia de folga para eu te levar.
- Folga é o que você menos tem.
- É isso! Eu tinha esquecido!
- O que?
- Eu e a Ná, não dá certo porque ela não entende a minha vida, se eu tivesse te dito isso você ia me dizer alguma coisa diferente do que você disse? - ela olhou para o teto pensando.
- Acho que não - ela olhou para ele - Eu ia falar para você conversar com ela e dizer que ela tem que entender.
- Se eu disesse isso para você, como você ia reagir?
- Primeiro que você não ia precisar dizer isso para mim porque eu entendo mas se eu não entendesse e blábláblá eu provavelmente ia ficar nervosa e dizer que entendo sim, esse eu seria a Ná, certo?
- Como você sabe? - ela riu.
- Eu não nasci ontem Pe Lu! Ela vai entender, ela quer que tudo dê certo dessa vez! Você deveria querer também, não ficar nessa de vai, não vai.
- Você ouviu o que eu falei para ela ontem, é tudo verdade.
- Eu acho que você deveria estar falando com ela ao invés de estar aqui abraçando a sua irmãzinha.
- Não se ela é a única pessoa que tem me feito bem - ele apertou os braços em volta dela, ela encostou o rosto no pescoço dele - Eu vou sentir falta do seu cheiro - ele sussurou.
- E eu do seu, fedido - ele riu - Vai tomar banho para jantar, não vou deixar ninguém comer minha comida sem ter tomado banho!
- Que mandona! - ele deu um beijo na bochecha dela e saiu da cozinha, ela desligou o fogão e foi até o quarto de Naira.
- Eu odeio seu irmão! - Naira riu.
- O que ele fez agora?
- Chegou com um papinho besta ai ficou me segurando pela cintura falando que vai viajar, já querendo me deixar com saudade sem ao menos ele ter saido daqui, me prometeu me levar pro Sul, disse que se pudesse me levava com ele hoje! AI QUE ÓDIO! - Naira gargalhou, Patricia não aguentou e riu também - Estou chegando à conclusão de que preciso que as aulas começem logo ou que o Pe Lu fique muito ocupado e quase não pare em casa. Vamos lá para a sala, daqui a pouco o Pe Lu sai do banho e ai você vai experimentar da minha comida!
- Estou com medo, sério - Naira riu e levantou da cama.
- Eu cozinho bem, posso casar!
- Agora quando eu e seu pai precisarmos ir para aquelas viagens de trabalho, você vai comer a comida da Patthy sempre! - Teresa falou entrando na conversa das duas.
- Estou até vendo ela colocando laxante na minha comida - Patricia riu.
- Você é muito chata, lê meus pensamentos - elas riram.
- Mas você ficou preta né Patthy? - Cesar falou.
- É, eu pego cor fácil graças a minha mãe, se dependesse do meu pai ficaria vermelha.
- E vocês vão assistir o que no cinema? - Cesar perguntou.
- Eclipse. Aquele dos vampiros pai - Naira falou.
- Ahh sei!! Eu assisti um dos filmes esses dias aqui na tv, estava passando, é legalzinho.
- Vem com a gente! - Patricia falou - Ah se bem que os ingressos estão esgotados nessa semana porque é estréia.
- Vamos na semana que vem! Vocês vão hoje e depois vão com a gente - Teresa falou.
- Fechou! - Naira falou.
- E eu, não vou? - Pe Lu apareceu na sala.
- Se você estiver aqui, vai sim, porque não?
- Então a gente vai quando eu estiver aqui! Eu quero ver Eclipse também.
- Você também quer babar pelo Jacob? Ô nhonhonho - Patricia falou e riu.
- Ah eu quero, ele é lindo demais - Pe Lu afinou a voz fazendo Patricia gargalhar.
- Chega de bobeira! Vamos jantar! - Patricia falou e foi pegar as coisas na cozinha.
- Está de parabéns! - Teresa falou, Patricia sorriu.
- Pode casar! - Cesar falou e Pe Lu deu um chutinho da perna dela que ignorou.
- Gostaram mesmo? Naira?
- Precisa perguntar?
- Pe Lu?
- Quer casar comigo? - Patricia gargalhou para disfarçar o nervosismo que sentiu ao ouvir isso.
- Você quer casar comigo ou com a comida Pedro Lucas? - todos riram.
- Sua cama é muito melhor do que a minha - Pe Lu entrou no quarto de Patricia e pulou na cama.
- É claro que é, tem o meu cheiro - ela riu.
- Esse é o único motivo da sua cama ser melhor do que a minha. Me acorda nove e meia?
- Acordo - ela continuou mexendo no notebook.
- E como está aí em São Paulo? - Rodrigo, o amigo da Patricia perguntou pela webcam.
- Aqui está demais! Não posso reclamar de nada!
- Deixa eu ver o seu quarto?
- Deixo, claro - ela virou o notebook pelo quarto todo.
- Ahn, tem um homem na sua cama? - ela começou a gargalhar.
- Tem! Esqueci dele!
- Quem é? Já arrumou um homem?! Você não brinca em serviço!
- É o meu irmão - ela fez aspas com os dedos ao falar irmão - Sabe a banda Restart?
- Sei, a que você ama?
- Isso. Então, ele é o vocalista e guitarrista da banda.
- Mentira?! E você está na casa dele? Ele dormindo na sua cama? - ela riu.
- Sim.
- Agora ele é seu homem.
- Não, que isso! - ela olhou no relógio, 21:27 - Tenho que acordar ele, espera, já venho - ela levantou e voltou a rir - Pe Lu! - ela sentou na beirada da cama e ficou acariciando os cabelos dele - Ei bonitinho - ela sussurou no ouvido dele, ele se mexeu um pouco, abriu os olhos e sorriu para ela que voltou a rir lembrando do que o amigo acabara de falar.
- O que foi? - ele passou um braço pela cintura dela.
- Meu amigo falando que você é meu homem porque está dormindo na minha cama - ele riu baixo.
- E você gostou?
- Acho que não, se for assim eu sou sua mulher, dormi na sua cama - ela fez uma careta e levantou da cama - Olha, nove e meia, te acordei na hora certa, a partir de agora se você se atrasar a culpa é sua - ela voltou a sentar na cadeira - Pronto, voltei!
- Acordou seu homem com beijinhos? - ela riu alto.
- Para com isso!
- Vou parar porque você está ficando vermelha - ele riu.
- Não tem graça! - ela fez bico e viu Pe Lu se levantar da cama pela webcam - Mas me fala como as coisas estão por aí!
- Patthy - Pe Lu parou do lado dela, sem aparecer na web cam, Patricia levantou a mão para Rodrigo esperar e olhou para o Pe Lu - Eu vou escovar os dentes e volto aqui para falar com você - ele apontou com o olho para a webcam.
- Ah está bem - ela entendeu o que ele quis dizer e ele saiu do quarto - Pode falar agora!
- Está tudo na mesma, saio todos os dias, nos finas de semana também, e você?
- Eu estou saindo todos os dias, muito foda, estou indo nas baladas e daqui a pouco vou no cinema. Aliás, tenho que ir me arrumar, daqui a pouco meu amigo passa aqui para me buscar!
- Vai lá então, depois a gente se fala.
- Beijo amor - ela desligou a webcam, dez segundos passaram e Pe Lu entrou no quarto - Já desliguei - ela sorriu.
- Vem aqui - ele abriu os braços, ela levantou da cadeira e o abraçou - Eu vou sentir sua falta - ele falou enquanto afundava seu rosto no cabelo dela.
- Eu também - ela respirou fundo sentindo o perfume dele mais uma vez.
- Porque você não fica comigo? - ela sentiu um arrepio percorrer seu corpo, seu coração acelerou e engoliu seco.
CAPITULO 21
- A Ná precisa de você mais do que eu.
- Eu preciso de você mais do que ela precisa de mim - ela encostou sua testa na dele.
- Dá uma chance para ela, todo mundo diz que eu e ela somos iguais - ela olhou nos olhos dele - Só uma chance - ele voltou a abraçá-la sem dizer nada, ficaram abraçados até o Thomas ligar no celular do Pe Lu dizendo que já estavam chegando.
- Vamos lá na sala - ele sorriu para ela e segurou sua mão - Vem Nai, eu já estou indo - pegou a mão de Naira também - Eu já estou indo! - ele falou quando chegou na sala, os pais dele se levantaram do sofá, Patricia se distanciou um pouco para ser a ultima a abraçá-lo. Ele abraçava e falava alguma coisa para cada um - Tchau pequena - ele passou os braços pela cintura dela e não deixou espaço nenhum entre eles, ela passou os braços pelo pescoço dele, os dois respiraram fundo um sentindo o perfume do outro tentando guardar na memória, sentir esse cheiro de novo só daqui 4 ou 5 dias - Ela não é você - ele sussurou, olhou nos olhos dela, deu um beijo na testa dela e saiu.
- Vamos nos arrumar Nai? - Patricia tentou sorrir, Naira confirmou com a cabeça e Patricia puxou-a pela mão até o quarto dela - Ai Nai! - os olhos de Patricia enxeram de lágrimas.
- O que ele fez? - Patricia riu baixo.
- Ele perguntou porque eu não fico com ele, eu falei que a Ná precisava dele muito mais do que eu e ele disse que ele precisa de mim mais do que ela precisa dele - Naira abriu a boca e sentou na cama - Eu falei para ele dar uma chance para ela porque todo mundo diz que eu e ela somos iguais, ele ficou quieto e agora quando ele me abraçou ele falou que ela não sou eu. E agora eu estou aqui com o coração na mão. E NA HORA DA JANTA! - Patricia respirou fundo para controlar o tom de voz - Quando seu pai falou que eu podia casar, ele deu um chutinho na minha perna, qual é a dele de ficar me chutando? E depois a coisa do casamento! Dai-me paciência!
- E agora, o que você vai fazer?
- Não sei, tem que ver se ele vai dar a chance para a Ná, mas ele vai dar sim porque ele sabe que se ele não fizer isso eu vou ficar enxendo a cabeça dele. Eu tenho que torcer para ela conseguir fazer ele feliz. Ok.. vamos nos arrumar! - Patricia foi para seu quarto.
_patthy He's been running through my dreams and it's driving me crazy... (Ele está fugindo de meus sonhos e isto está me deixando louca)
pelurestart @_patthy ...I'm gonna ask her to marry me even though she doesn't believe in love... (Eu vou pedir para ela se casar comigo mesmo que ela não acredite no amor)
_patthy @pelurestart ...He's determined to call her bluff. acho que a gente tem que parar de ficar cantando pelo twitter haha (Ele está determinado a convencê-la)
pelurestart @_patthy ...Who could deny these butterflies? They're filling his gut. eu gosto (: (Quem poderia negar estas borboletas? Que estão voando em seu estômago)
_patthy @pelurestart mal saiu de casa e já tá no twitter eu hein HAUAHUAH
pelurestart @_patthy acabei de sair de casa e você já está ouvindo músicas emo :P hauahauh
_patthy @pelurestart quem disse que eu to ouvindo? convencido! HAUHAUAH
_patthy @nahcardoso conseguiu comprar os ingressos?
pelurestart @_patthy tá sim que eu sei!
nahcardoso @_patthy comprei simm!
_patthy me arrumar e pegar um cineminha, ver o meu jacózinho lindooo AHUAHAUHA
_patthy @pelurestart aham claudia, senta lá! tchau pedro lucas, vou me arrumar pra ver o seu jacob! HAUAHUAH
pelurestart @_patthy já sabe né? manda um beijo meu pra ele uahuahauhauhauahuah
_patthy @pelurestart vai dormir vai pedro!
pelurestart @_patthy eu vou e você sabe. bom filme e não me conta como é! (L)
_patthy @pelurestart hmm agora já sei pra quem vou ligar no meio do filme! ahuahuah (L)
pelurestart VOU DORMIR COM UM SORRISO NO ROSTO, obrigado vida
- Que ódio! - Patricia resmungou e foi colocar uma roupa
- Vocês tem alguma coisa para fazer amanhã? - Natalia perguntou para Patricia e Naira.
- Nanázinha, coisinha fofa, vocês são as únicas pessoas que eu conheco por aqui, então aceito todas as opções que vocês tem para sair e aceito as caronas, viu Willy? - Patricia falou e riu - Mas então, o que vocês estão pensando para amanhã?
- Algum barzinho, o que vocês acham? - Willy falou.
- Eu topo, vamos Nai?
- Vamos sim!
- Então amanhã eu te bipo falando que horas eu passo aqui - Willy falou quando Patricia abriu a porta do carro.
- Sim senhor. Tchau xuxús, obrigada - Patricia desceu do carro.
- Tchau gente, obrigada - Naira desceu após Patricia.
- Tchau lindas! - Willy falou.
- Até amanhã gatinhas! - Natalia colocou a cabeça para fora do carro - Sonhe com o Jacó - Natalia e Patricia riram.
- É claro e você também! - elas entraram no prédio e o carro saiu - E ai, mudou sua opinião sobre sua cunhada?
- Ah, ela é legal mas vocês duas com esse jeito louquinhas ai se dão melhor.
_patthy noite boa, cineminha bom e jacózinho melhor ainda! HAUAHUAHA
_patthy Everything I said wasn't what I meant, I hope you can forget and I can leave all my regrets... (Tudo o que eu disse não foi o que eu queria dizer, espero que você possa esquecer e eu possa deixar todos os meus arrependimentos)
_patthy O seu cheiro ainda está em mim #goodnight ;**
- Achei que você já tinha dormido! - Patricia atendeu o rádio vendo que era Pe Lu.
- Não dormi muito, chegou só agora do cinema? Quase 4 da manhã?
- É ué, a sessão terminou 2 e meia ai passamos no Burger King para comer. E o seu Jacob é lindo demais! Você é muito sortudo! - ela riu.
- Gostou do filme? Se não semana que vem eu nem vou.
- Ah para de ser chato! E o filme é legal sim, tem a parte da luta, uma coisa que qualquer menino gosta, pergunta pro Willy se é bom, é melhor, eu não sei responder. Vai dormir Pedro Lucas.
- Você gosta de me mandar dormir né?
- Se você não dorme fica andando por ai feito múmia, eu me preocupo com você poxa.
- Bom, se é assim eu vou dormir. Eu vou sorrir enquanto durmo e você?
- Eu também vou, dorme bem.
- Você também pequena, eu vou dormir bem, ouvi a sua voz - ela sorriu boba.
- Eu também - eles desligaram, Patricia foi escovar os dentes e quando voltou tinha uma mensagem do Pe Lu no celular.
'Será que você é tao perfeita assim? Só sei que sua voz faz bem pra mim... e o seu urso está aqui comigo'
'I get so breathless, when you call my name, I've often wonderd, do you feel the same? (Eu fico sem ar quando você chama o meu nome, eu muitas vezes me pergunto, você sente o mesmo?) e o seu vai ser minha compania essa noite'
CAPITULO 22
Patricia deitou em sua cama e começou a pensar em tudo que aconteceu, Pe Lu leu a mensagem, sorriu, cheirou o urso e logo pegou no sono, Natalia variava os pensamentos entre o Pe Lu e o cinema.
- Bom dia neguinha! - Naira pulou em Patricia que resmungou baixo - Vamos na sorveteria? Porque você está com o urso do Pe Lu?
- Ele roubou o meu e esse urso é meu, eu que dei para ele! - ela sentou na cama passando a mão no cabelo e depois nos olhos - Bom dia! Vou me trocar e em 5 minutos a gente vai - ela foi ao banheiro, trocou de roupa e foi para a sala - Bom dia tia! - Teresa abraçou Patricia.
- Bom dia filha! Vamos?
- Vamos! Sabe, desisti de sair hoje. Ah não, quero dormir cedo, cheguei aqui e tudo ficou tão agitado. Acho que vou ficar em casa nesse final de semana.
- É bom ficar em casa e colocar as ideias em ordem - Teresa falou.
- A gente pode alugar um filme para ver hoje né? - Nairafalou.
- Com sorvete, milk shake e pipoca! - as meninas vibraram com a ideia de Teresa.
_patthy piscininha com a brubru e com a tia (:
pelurestart @_patthy vocês e essa piscina.. hauhauah
_patthy @pelurestart alguém tem que usar a piscina né? HUAHAUAH
nahcardoso @_patthy você tem que vir aqui em casa pra levar minha mãe pra piscina também! hahaha
_patthy @nahcardoso é só marcar que eu vou! HAUAHAUH
- Oi Willy!! - Patricia atendeu o rádio.
- Tudo bem?
- Eu to bem e você?
- Estaria melhor se alguém tivesse me chamado pra pegar uma piscina sabe - ele riu.
- Achei que não precisava te convidar Wonkinha, desculpa - ela falou a última palavra com sotaque carioca, Willy ama o sotaque carioca.
- Não vale usar meu ponto fraco! Eu passo ai umas dez ok?
- Ahh eu não vou mais não, estou meio desanimada hoje, não estou muito a fim de sair não.
- O que aconteceu? Ontem você estava tão animada, hoje está assim?
- Então não sei, não aconteceu nada que eu me lembre para eu ficar assim. Acho que vou ficar em casa no final de semana.
- Qualquer coisa é só me chamar hein, quando eu souber de algum role eu te aviso para ver se você anima!
- Ô Willy, obrigada meu amor.
- Beijo, se cuida!
- Você também xuxu, beijo.
_patthy to mais neguinha ainda! hahaha
Willy24horas @_patthy Virou carvãozinho?! shauhsauhsau Vê se melhora logo! (L)
_patthy @Willy24horas melhorarei, melhorarei bebêzinho (=
nahcardoso @_patthy que bebêzinho o que! não tem nenhum bebêzinho não! melhora rápido menina!
_patthy @nahcardoso ciumenta, para de ser tão ciumenta! HAUAHAUH vou melhorar simm (:
- Chora Pedro Lucas - Patricia atendeu o rádio e riu.
- O que você tem?
- Nada, porque?
- Porque o Willy e a Ná falaram para você melhorar no twitter? - ela revirou os olhos e riu.
- Ê inxirido! Curiosidade mata viu! É que a gente ia em um barzinho hoje mas eu acordei desanimada, não quero sair, quero ficar em casa quietinha.
- Olha o que eu fiz com você, te deixei ai e você ficou toda triste!
- Cala a boca! - ela riu - Aluguei 'Um amor para recordar' me disseram que alguém - ela deu um pigarro, ele ama o filme - gosta e que é um absurdo eu nunca ter assistido.
- Você nunca assistiu?!
- Se for começar a dizer o quão absurdo é eu desligo.
- Ok, eu não falo mas é absurdo! - ele riu.
- Vou ter que assistir algum dia que eu estiver sozinha já que me disseram que alguém já assistiu demais e que eles se cansaram do filme. Obrigada Pedro Lucas!
- Quando eu voltar assisto com você.
- Talvez eu espere, tenho que ver quando tem que devolver. Achei uma foto engraçada nossa que minha mãe tirou - ela riu.
- Como é?
- Eu vou por no twitter e ai você vê!
- Patthy! O computador chegou - Naira gritou.
- Parece que o meu computador chegou, depois a gente se fala, beijos!
- Tá bom, vê se melhora, quer dizer você só vai melhorar quando eu voltar, então beijo! - Patricia foi até a sala.
- Chegou! - Naira gritou e Patricia sorriu ansiosa para ver como é o computador.
- Onde deixo? - o primeiro entregador perguntou.
- Por aqui, por favor - Teresa guiou os dois entregadores até o quarto de Patricia.
- Acho que você vai gostar!
- Para, você está me deixando mais curiosa ainda!
- Obrigada - Teresa levou os entregadores até a porta - Quem quer ver o computador?
- Acho que ninguém, imagina! - Patricia falou e riu.
- Vai ver! - Patricia pulou do sofá e correu para o quarto tirando o papel que enrolava a caixa, ela congelou.
- Mentira? - um iMac, ela sempre quis ter um, estava até convencendo seu pai a comprar um.
- Você gostou? - Teresa perguntou.
- Eu amei! É lindo! - Patricia abraçou Teresa - Obrigada!
_patthy meu computador chegou, é lindo! aun, estou tendo um sério caso de amor com meu novo computador hahaha
pelurestart @_patthy seu imac chegou?
_patthy @pelurestart VOCÊ SABIAA? porque não me contou?!
Patricia colocou a foto deles no twitpic, ela e Pe Lu colocaram chocolate nos dentes e faziam caretas na foto 'tamo lindu HAUAHU @pelurestart'
pelurestart @_patthy era surpresa, sabe o que é isso? essa foto não! que isso! ahuahauha
_patthy @pelurestart chora pedro lucas, chooooora! AHUAHAUHA
_patthy You'll always have my shoulder when you cry (Você sempre terá meu ombro quando você chorar) haha (: @pelurestart
Ela colocou uma foto dela com a Ná 'jacózinha (L) @nahcardoso', uma foto com o Willy, os dois fazendo careta um para o outro com a boca suja de milk shake 'bebê @Willy24horas' e uma foto com a Naira, as duas tomando sol 'minha brubru'
pelurestart @_patthy boba! ...I'll never let go, never say goodbye (Eu nunca vou embora, nunca direi adeus) (L)
Patthy diz: mas e você e o pe lu, como estao?
Ná diz: ah você já deve saber como está
Patthy diz: não sei, eu esqueço de perguntar quando ele me liga
Ná diz: ah, ele me liga ou eu ligo para ele todos os dias, a gente conversa e tal. ele ficou confuso mesmo
Patthy diz: mas o jeito é recuperar a confiança dele aos poucos. vou assistir filme, tomar sorvete, comer pipoca com milk shake e engordar! HUAHAUAH beiijo e aproveita o bar por mim também! (L)
Ná diz: SHAUHSAUSHAUH aproveitarei, beijo (L)
- Eu vou para o quarto, estou precisando pensar - Patricia enxugou as mãos após lavar a louça do almoço.
- Qualquer coisa é só chamar - Teresa falou e Patricia sorriu.
- Obrigada - ela foi para o quarto, fechou a porta, sentou na cadeira do computador e ficou pensando no que escrever.
_patthy o negócio é o seguinte, preciso de um tempo para pensar, se precisarem falar comigo MENSAGEM no celular! ;**
Willy24horas @_patthy mais tarde te mando uma MENSAGEM falando sobre hoje a noite =)
'ê chatinha inha, o que você tem dessa vez?! qualquer coisa me liga! (L)' Natalia mandou para Patricia que se lembrou de deixar o celular no silencioso e se jogou em sua cama.
- Mas essa irmã que você arrumou é enrolada! - Pe Lanza falou para Pe Lu.
- Porque? - ele fez uma careta.
- Ela está precisando de um tempo para pensar, não quer ninguém encomodando.
- Precisa pensar? - ele tentou imaginar motivos para ela pensar e só conseguiu imaginar que tudo que ele falou esses dias seriam motivo para ela pensar, ele balançou a cabeça tentando não criar expectativas.
Patthy diz: preciso falar com você (:
ana diz: achei que você queria um tempo pra pensar
Patthy diz: mas eu preciso falar com você!
ana diz: huahsushausah fala
Patthy diz: sobre o pe lu. a ná gosta tanto dele e ele gosta dela
ana diz: não. ele gosta de você
Patthy diz: tá mas antes ele gostava dela! e eu não to fazendo isso certo, se eu quero que eles fiquem juntos eu tenho que parar de entrar na onda dele. vou continuar sendo a melhor amiga mas só! nada mais!
ana diz: eu posso dizer mil coisas mas você não vai ouvir nada né?
Patthy diz: não AHUAHAUHAUAHU
ana diz: é, você e essa mania de ouvir o coração hsaushausah
Patthy diz: mas você pode falar, talvez influencie na decisão do meu coração (:
ana diz: se nada do que ele ja te disse prova que ele gosta mesmo de VOCÊ e não da ná, o que você quer que eu te diga? E outra, você gosta dele a tanto tempo, e você ta jogando isso fora. Sério, não da pra entender, eu sempre ouvi você falar o quanto gosta dele, e agora que tem a oportunidade vai ficar jogando ele pra cima da outra? Francamente Patricia, é a SUA vez de ser feliz com ele. A ná ja teve a dela, e não deu certo!
Patthy diz: ok, conselho lido (: HAUAHUAH já são 8 da noite? eu passei a tarde inteira pensando, chorando e me xingando? uau, estou bem! eu vou lá na sala dizer que to viva e que to bem. obrigada (L)
ana diz: vai lá hsuahsauh de nada.
CAPITULO 23
Patricia ficou lendo o que Ana escrevera, ela precisava ver a verdade e sabia que sua melhor amiga a diria mas a verdade nunca foi tão boa, Pe Lu gosta dela, ela gosta dele, Natalia gosta dele e tudo voltou a ser uma confusão na cabeça de Patricia. Ela pegou seu celular, 6 mensagens.
Natalia mandou: 'você está bem Patthy? dá um sinal de vida, tentei ligar ai e disseram que você tá no quarto a tarde toda!'. Duas do Willy: 'hoje vai ter festa na casa da laris! se quiser ir me liga (L)' 'to preocupado com você, não gosto quando me deixam preocupado assim, me liga hein! (L)'. Uma da Naira: 'ei dona, vai sair desse quarto quando?'. E duas do Pe Lu: 'Ei pequena para com essa emíssie! haha (L)' 'Sabia que dar sinal de vida é bom? ME LIGA! Say you love me more than you did before and I'm sorry it's this way but I'm coming home, I'll be coming home and if you ask me I will stay' (Diga que você me ama mais do que jamais amou e me desculpe mas é desse jeito mas eu estou voltando para casa, eu voltarei para casa e se você me pedir eu ficarei).
'ô minha linda, eu to bem sim. acabei me perdendo nos meus pensamentos, obrigada mesmo pela preocupação (L)' ela respondeu para Natalia, ' to viva e to bem bonitinho! não vou sumir tão facil da sua vida (: você deve estar indo para o show então não te liguei. She falls asleep and all she thinks about is you, she falls asleep and all she dreams about is you. When she's asleep the air she's breathing is for you, oh why she wants to live' (Ela adormece e tudo em que ela pensa é você, ela adormece e tudo com que ela sonha é você. Quando ela está adormecida o ar que ela respira é para você, você é o porque dela querer viver).
Ela chamou Willy no rádio mas ele não respondeu então ela foi ao banheiro, lavou o rosto e foi para a sala.
- Finalmente! - Cesar falou, ela sorriu - Você está bem?
- Estou sim tio, obrigada.
- Você está com fome? - Teresa perguntou.
- Não muita.
- A gente vai pedir pizza agora, qual você gosta? - Cesar perguntou.
- Qual vocês costumam pedir?
- A gente sempre varia - Naira falou.
- Eu não como bacon, tomate seco e sardinha, o resto pode ser! - ela olhou o rádio, Pe Lu - Oi.
- Você está bem?
- Estou sim, obrigada - ela pediu licença com a cabeça e foi para o quarto.
- Você ficou a tarde toda pensando sobre o que?
- Ahn - ela parou por um segundo - Sobre várias coisas.
- Nós estávamos no meio disso?
- Sim, a gente conversa sobre isso quando você voltar mas deixa tudo como está, como se eu não tivesse te dito isso se não vou ficar com isso na cabeça! Que horas é o show?
- Daqui 2 minutos. Só liguei para saber se você estava bem mesmo e para ouvir sua voz - ela sorriu e seu coração apertou.
- Então bom show meu amor.
- Obrigada pequena, estou com saudades de você, só o urso não está resolvendo mais.
- Eu também estou com saudades, vê se volta logo hein.
- Se eu pudesse voltava hoje mesmo, agora - eles desligaram, Patricia se jogou na cama e pensou por um tempo, o rádio tirou-a dos pensamentos.
- Oi Willy! - ela pegou o celular e tem uma mensagem nova.
- Você está bem? Quer que eu vá ai?
- Não bebê, eu estou bem! - ela riu - Obrigada pela preocupação viu?! Você é tão lindo, como pode?
'Você é perfeita sim e só a sua voz faz bem para mim (L)' ela sorriu e mordeu o lábio inferior ao ler a mensagem que Pe Lu mandara depois de falar com ela.
- Você tem certeza?
- Tenho sim, eu só sumi a tarde toda porque acabei dormindo enquanto pensava.
- Quer conversar? - ela pensou em aceitar mas ela diria o que à ele?
- Não tenho nada para contar, eu precisava me acostumar com tudo que está acontecendo sabe? É basicamente tudo que eu queria e aconteceu! Ah pronto, já contei.
- Então está bem, você não vai hoje na casa da Laris?
- Deixa para a próxima, acho que vou ficar em casa nesse final de semana.
- Vou deixar esse final de semana passar, só esse final de semana! Depois que você conhecer mais pessoas não quero saber de você me esquecer não hein? Olha que eu passo Super Bonder em você e te grudo em mim - Patricia gargalhou.
- Ai Wonkinha, só você mesmo! - ela disse entre risos.
- É bom ouvir sua risada.
- Obrigada viu. Agora vou lá pra sala porque a pizza já deve ter chego! Aproveita a festa por mim!
- Pode deixar, beijos.
- Beijo - ela desligou o rádio e foi para a sala.
- Você estava falando com o Pe Lu? - Cesar perguntou.
- Estava mas ai eu desliguei e logo o Willy me chamou no rádio, estava falando com ele até agora. Sumir dá muito trabalho! - eles riram.
- Amanhã a Bru tem médico, você vai junto? - Teresa perguntou à Patricia ao voltarem do shopping.
- Que horas?
- As 11 da manhã.
- Que médico?
- Ginecologista - ela olhou para Naira.
- Não, vou aproveitar para assistir 'Um amor para recordar' - Patricia sorriu.
- Então boa noite para vocês duas - Teresa deu um abraço e um beijo na testa das duas.
- E não durmam tarde! - Cesar falou fazendo o mesmo que Teresa.
- Pode deixar, boa noite! - Patricia sorriu - Então, o que você achou delas?
- Elas são legais, eu preciso marcar de você conhecer minhas amigas!
- É mesmo porque até então só conheco os amigos do Pe Lu.
- Ele não ligou hoje?
- Não, ele não tem motivos para ligar hoje, eu não sumi e não tem ninguém no twitter falando para eu melhorar - ela riu baixo e deu de ombros - Ir na piscina acaba comigo! - ela bocejou - Acho que vou dormir.
- Também vou. Boa noite - elas se abraçaram e cada uma foi para seu quarto.
_patthy as horas voaram no shopping com aquelas lindas, agora é ir pra debaixo das cobertas e sonhar (:
Patricia foi escovar os dentes e quando voltou para o quarto Pe Lu chamara no rádio.
- Achei que você já tinha dormido!
- Não, eu estava no banheiro.
- Hoje você não aprontou nada? - ela riu.
- Não, hoje eu resolvi ser uma boa menina, fui no shopping com a Bru, seus pais e duas amigas, fiquei de boa hoje. E como foi o show?
- Foi muito bom! Aqui é lindo, tenho que te trazer para cá logo!
- Ah também acho! - eles riram - Achei que você já tinha se esquecido disso.
- De te trazer pro Sul e levar no Kango Jango?! Jamais!!! - ela sorriu.
- É bom mesmo.
- Vai dormir pequena!
- Ei! Eu que falo isso! - ele riu - Mas acho que vou deixar você usar minha frase hoje, estou cansada, piscina me cansa!
- Vai descansar que amanhã estou aí! Você vai dormir sorrindo? Vai sonhar comigo?
- Parece que alguém não lê as mensagens que eu mando! - ela riu.
- Eu li! Mas você vai dormir sorrindo? Lá não diz isso.
- Vou, e você?
- Vou os dois, dormir sorrindo e sonhar com você. Vamos dormir para amanhã chegar logo.
- Boa noite bonitinho - ele ainda sorri todas as vezes que ela diz isso.
- Boa noite pequena - eles desligaram e sorriram.
_patthy é claro que não podia faltar aquela conversa antes de dormir.
CAPITULO 24
Pe Lu abriu a porta do apartamento e deixou sua mochila perto da porta.
- Tem alguém aqui? - ele falou alto, esperou um tempo e ninguém respondeu, ele pegou a mochila e foi até o quarto ouvindo uns sussuros vindos do quarto de Patricia que está com a porta fechada, ele bateu duas vezes na porta, esperou um tempo e então abriu vendo Patricia de olhos fechados, ouvindo música e chorando, ele correu até a cama - Patthy! Você está bem? - ela abriu os olhos, sorriu, pulou nele abraçando-o e tirando os fones. Eles permaneceram abraçados por um tempo, um sentindo o cheiro do outro de novo.
- Você estava aí há muito tempo? - ela sussurou.
- Não, porque você estava chorando? - eles permanecem abraçados.
- Eu assisti o filme, não sabia que você ia chegar cedo e sua mãe disse que vai levar quando ela for dar aula.
- Mas você viu o filme há quanto tempo?
- Um tempinho, é que é muito lindo aí eu começei a imaginar um Landon na minha vida - ele riu baixo e levou um tapinha nas costas - Não é para rir seu bobo!
- Eu posso não ser Landon mas posso realizar os seus sonhos.
- O meu maior sonho você realiza todos os dias - ela se afastou dele e respirou fundo, uma hora a conversa ia acontecer - Eu não vou ficar enrolando, eu sei que você quer saber o que eu quero conversar com você - ela respirou fundo de novo - Eu falei para você dar a chance para a Ná, certo?
- Certo - ele segurou as mãos dela.
- Mas eu não estou ajudando muito falando coisas e te mandando mensagens. Eu... Eu quero que você faça isso direito, você e a Ná. Eu vou continuar do seu lado, sendo sua amiga, isso se você quiser é claro - ela começou a chorar.
- Calma, calma - ele a puxou para seu lado, segurando-a forte pela cintura - Mas e nós?
- Se nós for para acontecer vai acontecer daqui alguns anos tanto quanto hoje, se for de verdade o nós vai esperar.
- Então me dá um beijo - ele encostou a testa na dela. Patricia ficou olhando para a boca dele, tão próxima da dela e no fundo a música que sai dos fones de ouvido pareceu estar mais alta do que nunca.
Been all around the world, (Estive no mundo inteiro,)
I never met a girl (eu nunca encontrei uma garota)
That does the things you do (que faz as coisas que você faz)
And puts me in the mood (e me deixa disposto a)
To love you and treat you right (te amar e te tratar bem)
So come here and close your eyes (então venha aqui e feche os olhos)
Lie back, release your mind (deite, liberte sua mente)
and let the world fall down (e deixe o mundo cair em pedaços)
while I’m by your side. (enquanto eu estou do seu lado.)
- Por favor Pe Lu, eu estou tentando fazer a coisa certa pela primeira vez na minha vida, estou deixando de ser egoísta, pensei no bem de outra pessoa, faz isso também - ela pisca lentamente tentando se controlar, a respiração dele batendo na boca dela e vontade de beijá-lo estão fazendo-a tremer.
I’ll be your man through the fire (Eu serei seu homem através do fogo)
I’ll hold your hand through the flames (Eu segurarei sua mão através das chamas)
I’ll be the one you desire (Eu serei aquele que você deseja)
Honey because I want you to understand (Querida, porque eu quero que você entenda que)
I’ll be your man (Eu serei seu homem)
I’ll be your man (Eu serei seu homem)
- Mas eu quero você - uma lágrima escorreu pelo rosto dela ao ouvir a frase dele que engoliu o choro que insistia em aparecer.
- Por favor, faz isso por mim. Isso pode ser difícil para você só que não mais do que para mim, pode ter certeza - ela encostou a testa no ombro dele quando conseguiu tirar a vontade de beijá-lo por um instante da cabeça.
I can make it through the days (Eu posso fazer isso através dos dias)
The years can pass away (Os anos podem passar)
There’s lipstick on my face (Tem marcas de batom no meu rosto)
and I love the way you taste, (e eu amo o seu gosto,)
and I’m right here, so lock the door (e eu estou bem aqui, então tranque a porta)
Because you need me, but I need you more (Porque você precisa de mim, mas eu preciso de você mais)
And I don’t care, about your mistakes (E eu não ligo para seus erros)
Because they all went away when I found you. (Porque eles sumiram quando eu te achei.)
- Eu concordo se você me prometer uma coisa - ele falou depois de muito tempo em silêncio, ela olhou para ele e confirmou com a cabeça - Se ficar muito difícil de você aguentar, me avisa que eu largo tudo e fico com você - ele tirou uma mecha de cabelo do rosto dela, ela sorriu.
- Eu te amo - ele sorriu e a abraçou acariciando os cabelos dela.
- Eu também pequena, e muito - ele sussurou.
- Você ainda quer ser meu amigo? - ele riu baixo.
- Não dá para ficar sem você. Não tem vida sem você.
CAPITULO 25
- Chega de falar de coisas tristes - ela deu um beijo na bochecha dele e foi lavar o rosto no banheiro - Conheci a Laris! Não conheci pessoalmente, pelo twitter sabe?
- É? - ele encostou na porta do banheiro.
- Aham, ela é legal e pediu para eu te falar que assim que der ela te liga - Patricia enxugou o rosto - Já vi que ela vai voltar pro posto de melhor amiga - ela olhou para o chão, Pe Lu gargalhou e foi abraçá-la.
- Não, não, não e se voltar vai ficar junto com você só que um pouco mais pra baixo por ela ter sumido de repente.
- Não sei se você vai continuar falando isso depois que ela contar alguma historinha e você acreditar!
- Não, não vai ser assim.
- Promete? - eles se olharam.
- Prometo! A gente vai sair hoje! - ele passou um braço pelo ombro dela e eles foram para a sala.
- Ah não, não quero.
- Vai sim! Eu estou de volta, sem essa de ficar se trancando no quarto e deixando todo mundo preocupado - ela bufou e se jogou no sofá.
- Aonde nós vamos hoje? - ele sorriu e deitou no colo dela.
- Royal - ela se animou.
- A Bru vai junto, não quero nem saber! Que tipo de irmão é você que não leva a irmã mais nova nas baladas?
- Um irmão normal? - ele riu.
- Você tem que ser um irmão diferente!
- Patthy!? - ela olhou para o homem que a chamou no meio da balada.
- Daniel? Tá fazendo o que por aqui? Hmm, sentiu saudades de veio me ver! - eles riram.
- Vim passar as férias por aqui, você já está morando aqui?
- Já estou aqui há uma semana.
- E ai, tudo bom? - outro menino apareceu e cumprimentou Patricia com beijinho na bochecha.
- Até você Felipe?
- Não gostou de me ver?
- Vai me dizer que tem mais alguém da sala aqui?
- Você fica mais bonita de vestido do que de calça jeans e camiseta - Felipe falou olhando Patricia de cima a baixo.
- Você não cansa né?
- Patthy, aquele ali não é um dos coloridos que você gosta? - Patricia nem olhou.
- É - ela revirou os olhos porque já sabe o que ele vai fazer.
- Você não vai falar com ele?
- Não, eu vim com ele - Pe Lu passou um braço pela cintura dela.
- E ai Patthy, está tudo bem? - ele olhou para Daniel e Felipe.
- Está Pedro Lucas, eles estudavam comigo, relaxa - ela deu tapinhas no peito dele e sorriu.
- Então está bem, até mais rapaziada - Daniel começou a rir.
- É o que eu entendi?
- O que você entendeu?
- Ele veio te proteger?
- Ele veio dar uma de irmãozão - ela riu - Vocês querem ir lá comigo?
- A gente não quer atrapalhar não - Felipe falou.
- Então eu vou antes que ele tenha algum ataque. Anotem ai meu número, quando vocês voltarem para cá me liguem que a gente marca alguma coisa.
- Oi? - Patricia atendeu o rádio sem saber quem é.
- É o Felipe - Pe Lu parou de prestar atenção no filme e olhou para ela.
- Que Felipe?
- O de Campinas, que estava na Royal.
- Ahh! Você seu chato!
- Você não vai voltar pra Campinas?
- Eita, isso que dá não ir na escola, não está sabendo de nada! Não vou voltar não, estou morando em São Paulo agora.
- Entendi. Eu tenho que ir falar com a mulher do cursinho, depois de chamo de novo.
- Você no cursinho? - ela gargalhou - Vai lá então.
- Você não vai mais falar com ele não - Pe Lu falou logo que ela desligou o rádio, deitado no colo dela.
- Ô nhonhonho, ele é meu amigo!
- Ele é o fortinho ou o magrelo alto? - ela riu.
- Um magrelo alto querendo falar do outro? - ele riu - Ele é o fortinho.
- Não vai mais falar com ele.
- Você se lembra deles? Tem quase um mês!
- Eu me lembro de tudo! Sei de tudo! - ele sorriu se gabando.
- Sabe nada! Amanhã começam as aulas! O que essa escola tem na cabeça? Começar as aulas em uma terça feira?!
- Vai entender - ele deu de ombros.
- O que você tem? Você parece meio tenso desde que chegou.
- Nada - ela ficou olhando para ele que olhou para ela rapidamente e respirou fundo - Faz quase um mês e você parece bem - ele se referiu a conversa que eles tiveram, desde então eles tem agido normalmente, ele se acertou com Natalia e Patricia age como se nada tivesse acontecido, como se ela não sentisse nada por ele.
CAPITULO 26
- Eu já sofri tanto por amor que eu nem demonstro mais - ela sorriu fraco.
- Você se lembra da sua promessa?
- Lembro sim - ela passou de leve o dedo indicador pela bochecha dele fazendo-o fechar os olhos e sorrir - E você está bem com a Ná, está feliz com ela, eu estou feliz por você! Ahn, vamos na piscina?! - ele abriu os olhos, sorriu e levantou do sofá.
- Só se for agora! Vamos, vamos, vamos! - ele bateu palmas e ela levantou do sofá.
Ela sentou na beirada da piscina e sorriu para Pe Lu que a olhava com um sorriso bobo, o mesmo sorriso bobo que sempre aparece no rosto dele quando eles vão na piscina, ela se pergunta o que passa na cabeça dele e ele se pergunta porque está com a Natalia.
- Não vai entrar?
- Daqui a pouco - ela deitou na beirada da piscina e fechou os olhos. 10 minutos depois ela sentiu a água gelada encostar em sua barriga - Sai daqui Pedro Lucas!
- Como você sabe que sou eu? - ela abriu os olhos e olhou para ele que encostou a cabeça na barriga dela.
- Você é o único que ia me enxer né.. Ah não, o Willy também mas ele não está aqui então sobrou você - Willy se tornou um irmão para Patricia.
- Entra logo!
- Tem alguém na minha barriga.
- Não seja por isso - ele levantou a cabeça, ela riu baixo e sentou.
- Quero que amanhã chegue logo! - ela entrou na água e mergulhou.
- É percebi, cheguei há umas 2 horas e só te ouvi falar que quer que as aulas começem logo, porque? - ela encostou na parede e ele ficou na frente dela.
- Eu quero conhecer pessoas novas! Eu amava ir na escola, eu só dava risada o tempo todo, os meninos ficavam fazendo brincadeirinhas o tempo todo.
- Conhecer mais pessoas novas? Quantas pessoas você conheceu em um mês?
- Ah, eu quero conhecer pessoas da escola! É diferente. Até porque na escola você e o Willy não vão me impedir de conversar com os meninos - ela gargalhou quando ele ficou sério.
- Sabia que tinha alguma coisa a ver com meninos! A gente deixa você conversar com eles.
- Aham, deixam. Conversar com vocês olhando o tempo todo é super confortável, adoro! Quando vocês vão me tratar como gente grande? - ela fez bico.
- Nunca - ela jogou água nele e começaram uma guerra de água.
- Mas que saco! Como eles não te colocaram na minha sala? - Naira falou ao ver que Patricia não está na sala dela.
- Eles sabiam que se colocassem a gente na mesma sala ficaríamos conversando - Patricia fez careta - Então vou para minha sala - Patricia deu de ombros e deu um beijo na bochecha de Naira, Gabriela, Fernanda, Aline e Juliana.
- Boa sorte - Naira falou e Patricia sorriu indo para o final do corredor, onde sua sala fica. Ela entrou na sala e sentou-se no fundo, ela gosta do fundo, colocou sua bolsa sobre a mesa e se apoiou nela observando as pessoas da sala com um sorriso no rosto. Um menino alto, moreno e bonito sentou ao lado de Patricia que pensou estar começando bem na escola.
- Você é nova aqui? - ele perguntou, ela se virou um pouco para ele.
- Sou sim e você?
- Também - ele fez uma careta - Você veio de qual escola?
- Vim de Campinas e você, estudava aonde?
- Rio Branco - ela afirmou com a cabeça - Eu sou Leonardo.
- Ah sim, sou Patricia mas me chama de Patthy - umas meninas perto deles começaram a dar gritinhos vendo uma revista com Restart na capa, os dois olharam e Patricia riu.
- Você gosta disso?
- Eu meio que sou obrigada a gostar - ela respirou fundo.
- Porque?
- Eu moro na casa de um deles - ele riu baixo.
- Sério? - ela riu da cara de susto que ele fez.
- É.
- Então se elas souberem disso vão querer fazer amizade com você?
- Não sei, a irmã dele estuda aqui há mais tempo e ela nunca me disse nada sobre isso.
- Mas e ai, como era sua vida em Campinas? - ela sorriu pelo fato dele estar interessado em conversar com ela, não porque ele é bonito e ela gostaria que ele tivesse segundas intenções mas porque ela está se sentindo bem conversando com ele. Eles ficaram conversando o tempo todo, cada um contando um pouco da sua vida.
- Léo! - Patricia o abraçou por trás - Compra para mim? - ele riu.
- Compra aqui você, eu estou comprando para os meus amigos já ai vai ficar meio difícil - ele fez uma careta, ela confirmou com a cabeça e ele a puxou para frente dele pela cintura, deixando a mão lá, ela não se incomodou.
- Me ajuda, você sabe o que é bom para comer? - ela olhou para ele.
- Os meus amigos disseram que todos os salgados são bons.
- Não me ajudou muito - ela fez uma careta fazendo-o rir.
- Faz o seguinte, eu compro um e você compra outro diferente, a gente experimenta um do outro e vai fazendo isso até experimentarmos todos.
- E ai a gente vai saber qual é o melhor.. É, você até que é inteligente - ele riu baixo.
- Eu tenho meus momentos.
CAPITULO 27
- Do que são os salgados? - Patricia perguntou para a mulher, Leonardo ficou do lado dela ainda segurando-a pela cintura.
- Esses são de frango, esses de queijo, presunto e queijo e carne - a mulher foi apontando.
- Você gosta de frango? - Leonardo perguntou e Patricia confirmou com a cabeça.
- Você gosta de presunto e queijo?
- Gosto, eu vou pegar um frango então.
- E eu de presunto e queijo. Então eu quero aquele ali - ela apontou para um salgado, a mulher entregou para ela que deu o dinheiro - Obrigada - ela deu um passo para o lado e Leonardo também.
- Eu vou querer a trança de frango, uma empada de palmito, uma coxinha de frango, uma esfirra de carne, 3 cocas e um Del Valle de maracujá - Patricia deu uma mordida no salgado e ofereceu para Leonardo que aceitou.
- Gostei desse - Leonardo confirmou com a cabeça por estar com a boca cheia.
- Uau, quer ajuda? - Patricia falou ao ver a mulher colocando as latinhas na frente do menino.
- Vai ser bom - ele riu baixo.
- Eu levo as latinhas então - ela colocou uma entre o braço e o corpo e outras três na mão - Aprendi direitinho só de ver meu pai fazer - ela sorriu orgulhosa - Aliás, quem vai tomar Del Valle? - ele tirou a mão da cintura dela e pegou dois salgados, segurando dois salgados em cada mão.
- Eu - ele sorriu um pouco envergonhado e os dois sairam da fila.
- Não sabia do seu lado natural, você não toma refirgerante? - Leonardo começou a andar e Patricia o acompanhou.
- Bem pouco, meu pai é bem natureba sabe? - ele riu baixo - Aí me ensinou a ser também - ele começou a entregar os salgados para os meninos que Patricia deduziu serem os amigos dele. Três meninos bonitos, os três altos, um moreno de cabelos escuros, outro moreno de cabelos castanho claro e outro mais moreno que os dois primeiros de cabelos castanhos - Bom, essa é a Patthy! - Leonardo falou pegando as três latinhas de Coca que estão na mão dela - Esse é o Heitor, esse o Vitor e Matheus - ele falou e foi entregando as latinhas.
- Oi - Patricia sorriu tentando associar os nomes, Heitor é o mais moreno, Vitor é o de cabelos escuros e Matheus o de cabelos castanho claro.
- Ah! - Leonardo falou e ofereceu o salgado à Patricia, ela mordeu e levantou as sombrancelhas enquanto mastiga - Bom né? - ela confirmou com a cabeça.
- Nunca te vi aqui na escola, você é nova? - Matheus perguntou, Patricia fez sinal com a mão para ele esperar ela terminar de mastigar, ele riu e concordou.
- Sou nova sim, eu morava em Campinas, conhece?
- Já ouvi falar! - Heitor falou.
- Ninguém te chamou na conversa! - Matheus falou e riu.
- Ô que mancada! - Patricia falou rindo, para ela, eles são apenas amigos do Leonardo mas para as outras pessoas da escola os três são os mais populares, imbatíveis e inalcançáveis, as pessoas cochicham e se perguntam o que a novata fez para conseguir conversar com eles e ainda fazê-los rir.
- Eu já fui para Campinas! Tenho parentes por lá! - Vitor falou.
- Sério? Que legal, na verdade, todo mundo sempre tem algum parente por lá. Eu vou com as minhas amigas, não vou ficar atrapalhando vocês - ela sorriu envergonhada.
- Você não está atrapalhando, fica! - Leonardo falou, ela olhou para ele e para os meninos, eles sorriam e balançavam a cabeça positivamente para ela ficar.
- Já que vocês insistem tanto - ela riu - Ok, vocês três estão no segundo?
- Sim, eu no A, o Matheus no B, o Heitor no C e vocês no D - Vitor falou.
- E qual de vocês está na sala da Naira?
- Qual? A que não gosta de nós? - Heitor falou e riu.
- A Munhoz - Patricia cerrou os olhos.
- Ela mesma! Eu estou na sala dela, porque? - Matheus falou.
- Ela é minha amiga e estou morando na casa dela.
- Como assim? - os três ficaram interessados e confusos.
- Eu vim morar na casa dela, é tipo um intercâmbio...
- Sabe o intercâmcio de países? - Leonardo finalmente falou, os meninos confirmaram - Então, ela está fazendo isso só que é intercâmbio de cidades - Patricia sorriu, ele falou do jeito que ela explicara para ele.
- Aprendeu direitinho - ela riu e ele passou o braço pela cintura dela. 'Ok, ele gostou da minha cintura' ela pensou.
- Ela não gosta de nós - Vitor falou.
- Porque?
- Ah, dizem que nós somos os mais populares da escola.
- Você deve estar se perguntando porque não tem um monte de gente aqui - Matheus falou e Patricia confirmou com a cabeça se apoiando um pouco em Leonardo.
- Então - Vitor falou - Ela tinha todos aos pés dela quando a banda do irmão dela estourou, todos queriam ser amigos dela para poder chegar perto dele, ela não queria acreditar que tudo isso era por causa do irmão dela e sim porque ela é foda, essa poeira toda baixou e ela voltou a ser a Naira de antes e eu juro que não sei porque nós somos os mais populares.
- As pessoas tem medo de vir falar com a gente, as pessoas que eu disse são do primeiro ano para baixo. Eles ficam olhando e comentando, tem mais pessoas que ficam com a gente mas faltaram, sabe como é, primeiro dia de aula - Matheus falou.
- E da Naira, vocês não terminaram de falar. A gente falou para ela que tudo aquilo era por causa do irmão dela, ela disse que nós estávamos com inveja - Heitor falou.
- É claro que um dia eu virei para ela e falei a típica frase 'Eu te avisei' foi o que precisou para ela ficar com raiva de nós - Matheus riu ao se lembrar da cena.
- Bom, se você não quiser falar com a gente por causa dela, tudo bem - Vitor falou.
- Ê, você tem probleminha - Patricia falou - Vocês são legais e ela não manda na minha vida, eu converso com quem eu quero e eu quero ser amiga de vocês - ela sorriu.
- Já decidiram qual vai ser desse final de semana? - Leonardo perguntou.
- Acho que Royal, topa Patthy? - Vitor falou.
- Claro! Faz tempo que não vou lá.
- Falei que ia ser Royal - Leonardo falou e ela riu.
- Vai precisar de carona?
- Ela vai comigo - Leonardo falou, os meninos assustaram, olharam para ele e deram risada.
- A gente já entendeu - alguém chamou Patricia no rádio, ela olhou na tela e viu que é Pe Lu, deixou de lado.
- Você já foi na Royal? - Heitor perguntou.
- Já, na Royal, na Heaven e tem mais umas que eu esqueci o nome, o que eu mais fiz nas férias foi ir para a balada e barzinhos.
- A gente devia ter te conhecido antes então, para você ir com a gente! - Vitor falou.
- Quero só ver vocês na pista de dança - ela riu e o sinal tocou, eles começaram a andar bem devagar, jogaram as latas e papéis no lixo, Patricia então fez o mesmo que Leonardo, passou um braço pelas costas dele parando na cintura - Você vai dormir na aula depois de tomar suco de maracujá!
- Ah mas você vai ficar conversando comigo não vai?
- Se você quiser sim.
- Porque você não atendeu quando te chamaram no rádio? - ela olhou para ele.
- Você viu? - ele afirmou com a cabeça.
CAPITULO 28
- Desculpa se não era para ter visto.
- Não, sem problemas. É que é uma história complicada - ela fez uma careta.
- Nós temos mais três aulas, acho que você consegue me contar nesse tempo - ele sorriu.
- Você não tem jeito né? - ela riu e acenou para os meninos que foram para um lado para irem as suas salas, o rádio de novo -Ok, eu vou atender - ela respirou fundo - Alguém acordou cedo só para falar comigo? - ela riu.
- Preocupação é isso.
- Está bem Pedro Lucas, eu sei que não é só isso mas tá né.
- Como está indo?
- Muito bem bonitinho, não estou na sala da Bru mas já me enturmei e volta a dormir Pedro! - Patricia e Leonardo se sentaram.
- Você ama dizer isso né? Se prepara para uma aventura depois da escola.
- E posso saber o que é?
- Não porque alguém disse que eu tenho que ir dormir.
- Seu idiota!
- Linda! Tchau pequena - ela desligou.
- Tem a ver com ele? - Leonardo perguntou.
- Sim, tudo tem a ver com ele - ela revirou os olhos - Eu te conto se você prometer me contar tudo também - ela sorriu para ele.
- Eu conto, confio em você.
- Eu também confio em você.
- É estranho mas desde a hora que eu te vi sabia que você era uma pessoa legal, que eu ia me dar bem e eu posso confiar em você de olhos fechados - ela sorriu.
- Lindo.
- Eu sei, eu sei - ele riu e levou um tapa no braço.
- Convencido também!
Pe Lu tentou dormir novamente mas não conseguiu, começou a pensar aonde levar Patricia e Naira após a aula, a aventura seria então só para deixar Patricia curiosa? 'É, talvez ela acredite nisso' ele pensou, ele aproveitou o tempo com sua mãe já que estar em casa é raro e acordar cedo sem ter que ir 'trabalhar' é mais raro ainda! 11:30 ele começou a se arrumar, em uma hora as meninas sairão da escola e ele quer estar lá.
O barulho do sinal o fez sorrir enquanto fazia a última manobra para estacionar o carro na frente da escola, ele encostou no carro que não está muito distante do portão, cruzou os braços e começou a observar algumas crianças que passavam com seus pais, uma risada alta tirou sua atenção das crianças, ele conhece essa risada e começou a passar os olhos pelos adolescentes procurando por Patricia, a encontrou com um menino abraçando-a por trás, os dois com as mãos entrelaçadas e sorriam, essa imagem o levou a pensar que ela se enturmou bem demais e já está até ficando com um menino. 'É Pedro Lucas, essa história de que não demonstra mais é conversinha para te manter apaixonado por ela' ele pensou e ficou sério, Patricia o viu e sorriu, ele não conseguiu evitar e sorriu também se xingando de todos os nomes possíveis e se perguntando como ela consegue, então ela falou alguma coisa com o menino, ele fez bico, ela apertou a bochecha dele e o abraçou, ele respirou aliviado por eles não terem se beijado na frente dele, ela se despediu de outros meninos e começou a caminhar na direção dele que começou a ficar sem saber o que fazer ou o que dizer, respirou fundo e organizou seus pensamentos.
- Meu amor! - ela correu para os braços dele com um sorriso grande no rosto, ele a abraçou com um sorriso bobo - Porque você estava sério? Quero um sorriso no seu rosto - ela colocou os dedos indicadores nos cantos da boca dele levantando, tentando fazê-lo sorrir, ele riu.
- Era saudade - ele fez uma careta que ela julgou ser fofa - Vi que você conheceu bem o menino ali - ele falou voltando a ficar sério, ela revirou os olhos e riu, ele ficou incrédulo e se perguntou se ela está rindo dele mesmo.
- Pedro Lucas! Ele é meu amigo!
- E vocês se conhecem a há quantos anos? Porque para estarem abraçados daquele jeito devem se conhecer há anos - ele cruzou os braços parecendo uma criança mimada quando a mãe não compra o carrinho de corrida que vira na televisão pela manhã, ela passou os braços pelo pescoço dele e riu de novo.
- Eu o conheci hoje, eu me dei bem com ele. Já até sei os segredos dele, relaxa, ele não vai tomar o seu lugar de melhor amigo - ela sussurou, ele respirou fundo por não ser isso o que ele quer ouvir exatamente.
- Promete?
- Prometo - ele descruzou os braços e começou a fazer cócegas nela que começou a gritar e se afastou dele - Eu vou chamar a Nai - ela falou tentando recuperar o fôlego e foi até a multidão de adolescentes.
- Ele não gostou de mim né? - Leonardo sussurou para Patricia, ela riu.
- Depois te conto, você vai rir! - ela começou a andar procurando por Naira, ele a seguiu.
- Vai me deixar curioso?
- Sim - ela sorriu para ele e encontrou Naira, indo até ela - Tem um apressadinho procurando por nós!
- Resolveu aparecer? - Naira falou fria, Patricia revirou os olhos.
- Depois a gente conversa Nai, vamos que o Pe Lu está esperando - Patricia se despediu de Aline, Gabriela, Fernanda e Juliana.
- Então eu te chamo no rádio depois - Leonardo falou quando Patricia olhou para ele que permaneceu com ela o tempo todo, como um cachorrinho mas Patricia não pensava assim, não dele.
- Mas esse depois não é daqui 10 minutos hein Leonardo! - eles riram - No mínimo em duas horas, para você sentir saudades de mim e eu de você - ela riu.
- Ok, duas horas - ele balançou a cabeça como se fizesse uma nota mental.
- Tchau xuxuzinho - eles se abraçaram e ela voltou para o carro vendo Pe Lu com uma cara azeda - Está com fome né? Essa cara feia entrega tudo - ele riu.
- Você me irrita!
- E você me irrita mais! Olha, a Naira está brava comigo, não faz nenhuma brincadeirinha.. Oh sim, pelo jeito vocês dois estão bravos comigo né? - ela olhou para o chão - Eu preciso ter uma conversa séria com os irmãos Munhoz, que isso!
- Vamos? - Naira falou, Patricia entrou no carro se jogando no banco de trás, Pe Lu e Naira se abraçaram e entraram no carro.
- Duas das poucas pessoas no mundo que eu não quero ficar brigada ou sem falar estão brigados e sem falar comigo, não quero isso - Patricia falou quebrando um silêncio chato que estabelecera no carro.
- É só você assumir que está ficando com aquele menino! Pronto! - Pe Lu falou.
- Eu não estou! Não tenho porque mentir para você! Eu e o Léo nos demos muito bem, não sei explicar mas ele se tornou um amigo de confiança, pode parecer babaca, eu o conheco há o que? 6 horas? Mas é isso, sabe quando você vê uma pessoa e sabe que ela vai ser importante na sua vida? Isso aconteceu com ele, só que ele vai ser importante para mim só como amigo, ele não é como você.. - a última parte quase não saiu, ele olhou para ela pelo retrovisor e sorriu - Nai, você não gosta daqueles meninos que eu estava conversando hoje no intervalo né? - ela negou com a cabeça olhando para os carros que passavam ao seu lado, sem dar muita importância a Patricia - Me fala o que aconteceu.
- Acho que eles já te contaram.
- Eles me disseram uma coisa, eu quero ouvir de você para ver se o que eles me disseram é verdade.
- Todos viraram meus amigos quando a Restart explodiu, eu não queria admitir que era por causa do Pe Lu e quando todos se cansaram eles disseram o 'Eu te avisei'.
- E porque você não gosta deles?
- Você já olhou para eles? São tão populares, eu sou um nada!
- Para com isso, você não é esse nada que você está falando!
- A maioria das meninas que falam comigo são por causa do Pe Lu, agora eu vejo isso! E fora essas meninas, devo conversar com umas 10 pessoas no máximo, isso é não ser nada?
- Quando eu morava em Campinas eu não conversava nem com 10 pessoas na minha escola, eu sim era um nada. Eu não conseguia mudar lá, quando eu mudava alguma coisa meus amigos falavam 'Nossa, eu não estou te reconhecendo!' e ai eu desistia, mudei para cá disposta a começar tudo de novo e consegui. Você pode mudar isso também e se você precisar, eu vou estar do seu lado - Naira continou observando os carros e Patricia deu de ombros depois de esperar uma resposta.
- Não esquece que tem Happy Rock nesse domingo hein! - Pe Lu falou e Patricia levou uma mão na testa.
- Quase esqueci! Eu já ia marcar coisa com os meninos.
- Quais meninos?
- Da escola, a gente vai na Royal sábado! - Patricia sorriu animada e Pe Lu estacionou o carro - Japones! - ela sorriu e desceu do carro, Pe Lu a abraçou.
- Obrigada - ele sussurou.
- Pelo o que?
- Por aparecer na minha vida - ela sorriu e deu um beijo no nariz dele.
CAPITULO 29
- Ei! - Patricia olhou para Naira que sorri para ela com os braços abertos, Patricia foi abraçá-la - Obrigada - Patricia começou a se perguntar porque Naira está agradecendo também.
Eles almoçaram, Pe Lu deixou as meninas em casa e foi fazer coisas da banda, como ele diz, tirar fotos, dar entrevistas, essas coisas.
- Oi Wonkinha! - Patricia atendeu o rádio.
- Daqui 10 minutos passo ai para te pegar!
- Hã?
- É, estou com saudade sabia?
- Eu também estou e tá bom, vou me arrumar!
- Fala para a tia deixar você dormir aqui em casa, eu te levo para a escola amanhã, prometo!
- Oshe! Vou tentar, beijo! - ela desligou o rádio e se perguntou se ele é louco e riu - Tia! - ela foi ate o quarto de Teresa - O Willy disse que está com saudades de mim, vem me buscar daqui 10 minutos e falou para eu pedir para você me deixar dormir na casa dele, ele prometeu que me leva na escola amanhã.
- Pode ir - Patricia estranhou.
- Posso mesmo? - Teresa riu.
- Ele é de confiança, não é?
- É claro que é! Ele é um dos meus melhores amigos, só isso! - elas riram - Então vou me arrumar! - Patricia arrumou seus materias, pegou um uniforme, um pijama, maquiagens e colocou dentro da bolsa - Tchau tia - Patricia abraçou Teresa e foi para a sala - Tchau NaiNai, te vejo amanhã na escola - elas se abraçaram e Patricia saiu correndo, chegou na portaria e Willy já está lá.
- Mas que demora hein! - ele falou alto enquanto ela chegava no portão.
- Não demorei! - ela fez bico e abriu o portão.
- Não mesmo, acabei de chegar - eles se abraçaram - Que saudades de você!
- Ô bebezinho, você some! O que a gente vai fazer?
- Alugar um filme, o que você acha? - ela sorriu e eles entraram no carro - Como foi seu primeiro dia de aula na escola nova?
- Hmm - ela pensou por um tempo - Legal, chato.. confuso.
- Explica!
- Fiquei amiga do Léo, eu me dei muito bem com ele, sabe quando você olha pra pessoa e sabe que vai ser amiga dela?
- Aconteceu isso comigo quando te vi - ela ficou olhando para ele séria - É verdade! - ele riu.
- Que bonitinho! - ela riu - Então, eu descobri que os amigos dele são os meninos mais populares da escola, que a Nai não gosta, eles insistiram para eu passar o intervalo com eles e tal, nem vi a Nai, só na hora da entrada ai você imagina como ela ficou né! Na hora da saída eu estava abraçada com o Léo, ai - ela parou por um segundo se lembrando que não pode contar para o Willy o que realmente aconteceu - Ai o Pedro começou a dar uma de irmãozão e ficou falando que eu estou ficando com o Léo, ih foi uma briga! Mas eu já conversei com os dois, está tudo bem agora, eles são fáceis de domar - eles riram e desceram na locadora.
- Quer assistir o que?
- Epa, epa, epa! - Patricia puxou Willy pela camiseta - Megan Fox não, obrigada - ela sussurou no ouvido dele que riu.
- Por favor, a Megan!
- Você assiste quando eu não estiver junto, não gosto dela e você sabe!
- Ciumenta! - ele mostrou a língua e levou um tapa de Patricia.
- É claro que sou! Ela rouba a atenção de todos os homens com aqueles olhos azuis, cabelos escuros e corpão, ah vá!
- Mas você também atrai a atenção dos homens, você é linda e se não fosse tão minha amiga assim eu te pegava.
- Cala a boca Willy! Seu safado! - eles riram.
- Sabe o que eu quero assistir?
- Não.
- Algum filme que eu já assisti mas que não me canso de ver, sabe?
- Sei!! Eu amo fazer isso, olha, gosto de ver 'Meninas Malvadas', 'P.S. Eu te amo', 'Sorte no amor', S.O.S do Amor'.
- Tudo sobre amor - ele revirou os olhos.
- Claro! Eu sou uma menina de 16 anos, entendeu? 16 anos! - ele riu - Então me diz filmes que você gosta de assistir!
- Não, vamos ver 'Sorte no amor' mesmo, esse é aquele com a Lindsay e McFLY né?
- Isso! - ele pegou o dvd e alguém o chamou no rádio.
- Fala irmão!
- Rouba a minha irmã e nem avisa? - Willy levantou as sombrancelhas rindo e Patricia riu também.
- Se eu avisasse você ia deixar? - eles foram até o caixa.
- Não - os meninos riram.
- Esse ciúmes vai te matar Pedro Lucas - Patricia falou.
- Eu sei o que faço brother, relaxa! - ele pegou o dvd e foram para o carro.
- Vocês vão fazer o que?
- Assistir filme, comer bobeiras e conversar - eles entraram no carro.
- Programinha chato hein - Pe Lu falou.
- Olha o ciúmes! - Willy falou e riu - Programa chato porque você não está junto! É programa para matar as saudades. Vai ver a Ná! - ele ligou o carro e Patricia começou a segurar o rádio para ele.
- Ela disse que hoje não porque ela tem prova amanhã, acho que vou aproveitar para dormir cedo já que não vai ter ninguém aqui para ficar me puxando para conversar a madrugada toda porque amanhã tenho coisas da banda.
- Fala isso mas vai sentir minha falta essa noite! - ela disse isso no sentido de dividir a cama, eles ficam conversando até tarde e sempre acabam dormindo na mesma cama, no começo tanto ela quanto ele se seguravam para não se beijarem ou algo mais, agora acabaram se acostumando com a situação.
- Talvez um pouco - ele riu - Vou deixar vocês matarem as saudades, juízo!
- Juízo é nosso nome do meio!
- Depois a gente se fala irmão! - eles desligaram.
Patricia abriu os olhos com o sol batendo em seu rosto, olhou no relógio 6:40, ela deu um pulo.
- Willy! Acorda Willy! Daqui 20 minutos eu tenho que estar na escola! Willy - ela começou a cutucá-lo.
- Que horas são? - ele falou meio enrolado, fazendo-a rir.
- Quase na hora de eu entrar para a aula! - ele levantou em um pulo.
- Então vai trocar de roupa, eu vejo alguma coisa para você comer - ela saiu correndo até o banheiro com sua bolsa na mão, 5 minutos depois ela saiu do banheiro pronta, ou melhor, quase pronta.
- Estou sem maquiagem, meu segundo dia de aula e já vou toda relaxada, ê que beleza! - eles riram.
- Come alguma coisa logo - ela olhou para a mesa cheia de opções e pegou uma goiaba e umas bolachas.
- Vamos, vou comendo no caminho - eles saíram correndo - Isso que dá ficar conversando até tarde - ela negou com a cabeça e riu.
- Você não tem vergonha menina? - ele dirigia rápido pelas ruas, pegava atalhos, ela ligou para Leonardo pedindo que ele a esperasse do lado de fora da escola e quando percebeu já estava na frente da escola, ele desceu do carro e abriu a porta para ela que terminava de comer a goiaba.
- Obrigada bebezinho - ela saiu do carro e deu um abraço nele - Vai em casa mais tarde!
- Vou sim, te aviso quando estiver chegando - ele deu um beijo demorado na bochecha dela e ela deu um nele com a boca suja de goiaba - Boa aula! - ele falou limpando seu rosto e ela foi até Leonardo.
- Bom dia! Segundo dia de aula e eu quase chego atrasada, sem maquiagem e com sono, uma beleza! - ele riu.
- Bom dia para você também. Aquele não era o Pe Lu, era?
- Não, é o Willy. Dormi na casa dele - eles começaram a andar, entrando na escola.
- Dormiu na casa dele? - ele deu um sorriso sugestivo e levou um tapa.
- Ele é um irmão para mim, sem essa!
- Os meninos estão ali.
- Eu preciso ir no banheiro me maquiar, sério - ele riu - Eu já vou, 1 minutinho! - ela correu para o banheiro e encontrou Naira e suas amigas lá - Ei NaiNai! Oi meninas! - ela acenou e as meninas retribuiram.
- Achei que você não vinha!
- Acordei há 20 minutos - ela revirou os olhos e começou a passar lápis no olho, é a única coisa que ela usa de manhã e mesmo assim levou uma bolsinha cheia de maquiagens para casa de Willy - Fiquei conversando com o Willy até tarde ai já viu né.
- Não sei de onde sai tanto assunto com ele.
- Do mesmo jeito que eu converso com o seu irmão.
- Meu irmão é diferente! - Patricia olhou Naira pelo reflexo do espelho, elas sabem que Patricia e Pe Lu podem ficar horas em silêncio que não se importam, contanto que estejam juntos.
- Depois a gente se fala, tenho que ir! - Patricia mandou beijo no ar para as meninas e saiu correndo, pulando nas costas de Leonardo - Cheguei! Bom dia! - ela desceu das costas dele e cumprimentou os meninos, depois olhou em volta e viu um menino olhando para ela de um jeito que a deixa encomodada. Ela ficou observando o menino com cuidado, moreno, cabelo castanho médio, mais ou menos da altura dela, não muito forte e nem muito fraco, ela o julgou bonito e sorriu pelo fato do menino não tirar os olhos dela, agora ele não encomoda mais.
- Na hora do intervalo você vai conhecer o pessoal! - Vitor falou - Todos vieram hoje!
- Ah sim! - ela sorriu e eles começaram a andar - É muita gente? Tenho problema em decorar nomes - eles riram.
- Ah, não. Acho que não - Heitor falou.
- Não gostei desse seu acho - ela fez uma careta.
- Normal não lembrar os nomes no começo, tem gente que eu não sei o nome até hoje! - Matheus falou e riu.
- Aqui na escola tem uns meninos bonitos - Vanessa falou para Patricia enquanto andavam pela escola.
- É, eu vi alguns - Patricia levantou as sombrancelhas - Ok, deixa eu ver se decorei. Vanessa, Mayara, Erika e Luiza? - as meninas cofirmaram - Até que não estou tão mal, ainda tem as outras e os meninos - Patricia colocou a mão no queixo.
- Semana que vem você já sabe o nome de todos! - Mayara falou.
- Mas me falem o nome dos outros - elas riram.
- Felipe, Paulo, André, Bruno e Adam - Erika falou.
- Samantha, Natalia, Anne e Naira.
- Depois vocês anotam os nomes em um papel para mim - ela olhou para Leonardo e os meninos, o menino que estava olhando para ela está na rodinha com eles, ela pensou rápido - Eu preciso falar com o Léo! - ela saiu correndo e pulou nas costas dele - Oi xuxuzinho.
- Tinha que ser você - ela deu um chutinho na coxa dele, ela comentara sobre o menino com ele e ela espera que ele tenha entendido o alerta - Ah Patthy, acho que o único que você não conhece aqui é o Lucas - ela desceu das costas dele e ficou na frente do menino - Lucas essa é a Patthy, minha amiga - ele enfatizou o amiga e ela se segurou para não rir.
- Oi, tudo bem? - Lucas deu um sorriso sem graça, Patricia se derreteu por dentro, definindo o sorriso dele como o mais lindo, depois do de Pe Lu é claro.
CAPITULO 30
- Tudo e você? - ela sorriu.
- Ah também. Ahn, você é nova aqui né?
- Sou, tem algum conselho para me dar? - ela riu baixo.
- O que já te falaram?
- Que eu não vou gostar de comer os salgados de queijo, que o professor de Física dá nota para as meninas que ele julga gostosa - ele riu - Do fundo do meu coração, estou torcendo para que ele me ache gostosa, preciso de nota!
- Esse negócio do professor é verdade! Eu vou falar para você continuar sendo o que você é e relaxa que o professor vai gostar de você - ele sorriu e ela congelou por dentro, Patricia começou a se perguntar se ele está querendo dizer que ela é gostosa.
- Quem não gosta de mim? Eu e minha humildade, é eu sei - ela olhou para o chão - Você está em qual série?
- Primeiro, você está no segundo né?
- Isso mesmo. Você todo para frente, conversando com o pessoal do segundo, hmm novinho! - eles riram.
- Mas sou novinho só de série.
- Repetiu de ano? Que coisa feia menino! - ele riu baixo.
- Não, não. Entrei depois por uns problemas.
- Problemas? - ela fez uma careta.
- É, depois te conto - ela realmente gostou desse menino, quer conversar com ela depois!
- Se não quiser contar não precisa não novinho! Posso te chamar de novinho?
- Pode, é engraçado - ela se lembrou do Pe Lu que acha engraçado quando ela o chama de bonitinho, ela começou a se xingar por se lembrar dele justo agora.
- Então tá bom, novinho - ele riu baixo - Eu preciso ir ali falar com a minha amiga, se não ela para de falar comigo!
- Vai lá! - ele sorriu e ela começou a andar e sentiu uma mão segurando seu braço, ela olhou e Lucas a segurava - A gente se fala depois? - ela afirmou com a cabeça e saiu sorrindo feito idiota.
- Que cara é essa? - Naira falou ao ver Patricia com cara de retardada.
- O que? - ela balançou a cabeça, voltando ao normal.
- A cara de idiota que você estava, o que aconteceu?
- Um menino que eu achei lindo falou comigo, ele chama Lucas - e então ela percebeu Lucas, Pedro Lucas. LUCAS!
- Qual menino? - ela disfarçou e procurou por Lucas.
- Ali entre o Matheus e o Vitor - Naira e as outras meninas olharam disfarçadamente.
- Bonito! Mas ele é do primeiro ano!
- Ele me falou que entrou um ano depois, ele tem 16 amore mio!
- Nossa, ele já falou isso? - Juliana falou.
- Eu falei com ele por um minuto, foi o básico ai quando eu estava vindo para cá ele perguntou se ia conversar comigo depois!!
- Ahh, por isso da sua cara de idiota! - Naira falou e Patricia deu um tapa no braço dela.
- Então, vocês vão na Royal sábado? - elas negaram com a cabeça - Porque?
- Não estamos muito dispostas a ir não - Naira falou.
- Animação meninas! Eu vou lá ver o que eles estão pensando em fazer sexta, se for legal aviso vocês - ela saiu e voltou para a rodinha, Lucas ainda está lá - Muito chatinhas elas! Não querem ir na Royal - falou para Leonardo e então foi para o meio da roda, chamando a atenção de todos para si - O que vamos fazer na sexta?
- Eu queria fazer uma festa em casa - Mayara falou.
- Algum bar - Heitor sugeriu, umas 20 vozes começaram a falar ao mesmo tempo, Patricia olhou em volta e o único que não falava nada é Lucas, ela fez uma cara de pânico e ele sorriu puxando-a pela mão do meio da roda.
- Que horror! - ele riu.
- Você se acostuma, eu demorei para me acostumar mas agora é tranquilo.
- Mas eu preciso saber, tenho que me programar, minha agenda está muito cheia sabe - ele riu de novo.
- E o que você tem de tão importante para fazer nesse final de semana?
- Sábado Royal e domingo show! Você vai sábado né?
- Não sei, não gosto muito de balada.
- Você gosta do que?
- Ficar em casa - ele ficou sem graça - Não sei dançar, esse é o principal motivo.
- Ah mas isso a gente dá um jeito! Vai sim poxa, eu quero que todos que eu conheci essa semana vão, para comemorar sabe - ele olhou para ela que fez bico.
- Eu penso sobre isso se você me passar seu msn - ele sorriu maroto e ela também.
- Vou te passar mas eu estou tão sem tempo para entrar no msn, se quiser falar comigo é pelo celular ou rádio.
- Passa tudo então.
- Eu escrevo tudo em um papel e te entrego na hora da saída, pode ser? - ele sorriu e confirmou com a cabeça - Eu vou ver o que eles decidiram - ela voltou para o meio da roda - E então, o que vai ser?!
- Bar! - Felipe falou - Conheco um foda! Passo o endereço para vocês na sexta de noite, vai ser surpresa - Patricia foi ao lado de Lucas e Leonardo.
- Vai precisar de carona? - Leonardo perguntou.
- Já vou pegar carona com você no sábado, não quero abusar!
- Que nada! Meu pai diz que prefere me levar para todos os lugares e dar carona para quantas pessoas for, ele diz que se sente mais pai me levando para os lugares - ela riu.
- Então tá! E você Lucas, vai né?
- Se precisar de carona é só falar cara! - Leonardo falou.
- Eu vou ver - ele sorriu.
- Não! Sem essa de 'Eu vou ver' - ela tentou imitar a voz dele, fazendo-o rir - Tem que sair, aproveitar a vida!
- Tá bom, então eu vou precisar da sua carona - o sinal tocou.
- Sem problemas, é só falar aonde é sua casa que eu passo lá - Leonardo sorriu, ele faz as coisas difíceis serem tão fáceis e Patricia acha isso injusto porque agora ele vai fazer tudo ser fácil em sua vida? Ela detestou a ideia.
- Tia, essa escola é demais! - Patricia falou ao abraçar Teresa.
- O que aconteceu para você gostar tanto dela? - Patricia entrou no carro, se jogou no banco de trás e começou a rir.
- Pessoas legais, pessoas gentis, pessoas bonitas e assim vai.
- Principalmente bonitas né dona Patricia - Naira falou ao entrar no carro e Teresa riu.
- Tinham que ser os meninos - Teresa falou e ligou o carro - Chegou no horário hoje?
- Aham, no horário de entrar - Patricia falou e gargalhou - Conversamos demais ai dormimos tarde.
- Já era de se esperar - Teresa riu e alguém chamou Patricia no radio.
- Oi?
- Só queria saber se é seu mesmo - ela reconheceu a voz de Lucas.
- Claro que é meu!
- Então eu te ligo mais tarde.
- Tá bom novinho - ela desligou.
- É ele? - Naira perguntou e ela afirmou com a cabeça - Você tem mel.
- Deve ser o mel que a mamãe passou - ela cantarolou e riu - O que vocês fizeram ontem depois que eu sai?
- Fizemos uma festa - Naira falou.
- Até parece, o Pe Lu pareceu bem tristinho quando chamou o Willy no rádio, acho que vocês estavam chorando sem mim.
- Os dois estavam quase chorando mesmo - Teresa falou e riu.
- Imaginei mesmo.
Patricia entrou em seu quarto, colocou sua bolsa na mesa, trocou de roupa e olhou sua lousa 'You make up what I lack' (Você compensa o que me falta), Pe Lu escreveu logo que sua mãe saiu para buscar as meninas na escola, ele saiu para fazer as coisas da banda e Willy pode chegar a qualquer hora, alguém chamou Patricia no radio.
- Oi xuxuzinha inha - Patricia falou.
- Oi chatinha inha! - Natalia falou - Tudo bem?
- Tudo ótimo e você?
- Tudo também, porque toda essa empolgação? Mas antes disso, fiquei sabendo que você roubou meu melhor amigo ontem!
- Não, ele que roubou a irmã do Pe Lu!
- Sei sei, mas me conta como foi na escola! Conheceu bastante gente? - Patricia começou a contar tudo para Natalia.
- Ná, eu tenho que ir lá, o Willy chegou aqui - ela olhou no relógio 19:01.
- Como assim? O que é isso? Roubou ele de mim! - Patricia riu alto.
- Ele só veio aqui fazer a twitcam que ele prometeu fazer comigo junto, ô ciumentinha!
- Sei sei - ela riu - Então vai lá e para de roubar ele de mim!
- Pode deixar, eu paro. Beijo.
- Beijos! - ela desligou e correu para a sala, a campainha tocou logo em seguida.
- Ei! - Patricia falou ao abrir a porta para Willy.
- Eii! Tudo bem? - eles se abraçaram e ele entrou.
- Tudo ótimo - ela deu um sorriso maroto e fechou a porta - E você?
- Estou bem, o que aconteceu? - ele sorriu.
- Eu vou tomar banho e te conto!
- Só agora?
- Eu fiquei conversando com a Ná! Esqueci da hora! - ela falou e correu para o quarto, pegando suas roupas e foi para o banheiro.
- Willy? - Pe Lu falou ao entrar no apartamento.
- Irmão! - Willy levantou do sofá e se abraçaram.
- Tá fazendo o que aqui?
- Não posso te fazer uma visita? - ele riu.
- Você nunca me faz visitas, eu que faço visitas para você. Ah! Esqueci que agora você rouba a minha nova irmã a hora que bem entende - ele riu.
- Vim fazer uma twitcam que eu prometi, ela tem que estar junto e parece que aconteceu alguma coisa muito boa na escola hoje, ela está toda sorridente - Pe Lu enrijeceu por dentro e Naira pulou do sofá.
- Não é muita coisa não, nós meninas ficamos sorridente com pouca coisa! - ela falou e Pe Lu começou a colocar o que sua irmã dissera na cabeça, respirou fundo e balançou a cabeça.
- Vocês meninas - Pe Lu negou com a cabeça e riu - Vamos lá no quarto da Patthy, ela vai falar isso para nós - eles se sentaram na cama dela e começaram a conversar.
Patricia saiu do banheiro e viu Pe Lu sentado na cama e encostado na parede, abraçando seu urso e Willy ocupando a outra metade da cama.
- O que é isso? Reunião no meu quarto é?
- A gente já veio para cá para ouvir o que aconteceu de tão bom hoje na escola! - Pe Lu falou olhando nos olhos dela.
- Ah sim! A escola!
- Falando nisso, um tal de Lucas te chamou no rádio, a gente não atendeu mas ele chamou - Willy falou e Patricia pegou o radio - Você não vai falar com ele agora! Me conta o que aconteceu, eu sou curioso sabia? - ela riu, pegou a cadeira do computador, lavando para mais perto da cama, sentou e respirou fundo.
- Então - ela começou a calcular as palavras que vai usar - Foi muito legal hoje, conheci muita gente! Estou completamente confusa com os nomes mas nisso eu dou um jeito, ai eu conheci o Lucas, esse que me chamou no rádio, super fofo ele. Acho que ele gostou de mim, pediu meu msn e tudo mais, agora me ligou.
- É, conseguiu um babaca para ficar na sua, aproveita e explora ele! - Willy falou fazendo a tensão de Patricia sumir enquanto ela ria - Então vamos fazer essa twitcam que hoje eu tenho ensaio as nove! - Patricia olhou para Pe Lu e ele sorriu sincero para ela que ficou confusa.
- Eu preciso pegar uma coisa com a Nai, vai ligando ai - Patricia falou e olhou para Pe Lu, ele concordou.
- Preciso tomar banho, depois dou uma passada na twitcam de vocês - os dois sairam do quarto.
- Você está bem?
- Estou e você, está feliz?
- Não sei - ela coçou a nuca e ele sorriu.
- Você está conseguindo me esquecer.
- Não, eu não estou. Eu não vou te esquecer tão fácil Pedro Lucas.
- Você até arrumou um menino que tem um nome meu no nome! - ele riu e ela deu um tapa no braço dele.
- Idiota! Agora é sério, eu não estou te esquecendo e nem vou te esquecer, eu vou deixar acontecer com o Lucas.
- Você me pediu para dar uma chance para a Ná, eu dei e estou feliz, agora eu quero que você encontre alguém e fique com ele até eu terminar com a Ná - ele riu baixo com o que acabara de falar - Quero que você seja feliz! Entendeu? Eu vou ficar aqui com ciúmes dos meninos que você ficar mas se você estiver feliz tudo bem - a vontade de agarrá-lo e beijá-lo foi grande mas ela se segurou, deu um abraço nele e sentiu o cheiro dele, sorrindo em seguida - Eu te amo - ele sussurou.
- Eu também te amo! - ela sussurou e deu um beijo no pescoço dele, voltando ao quarto - Já ligou?
- Eu sou rápido minha filha! - ele arrumou o cabelo - E ai gente? Tudo bem com vocês? Eu falei que ia fazer a twitcam hoje com a Patthy e aqui estamos nós!
- Oi gente! Vou pegar a cadeira do Pe Lu, já volto - ela foi até o quarto de Pe Lu e pegou a cadeira dele.
- E agora, o que a gente vai fazer?
- Vamos ler o que estão falando. Você sumiu do twitter. Willy, você sumiu do twitter? - ela falou em tom irônico e riu - Eu sumi ontem porque ele me sequestrou de casa ontem - ele riu e a abraçou.
- Sequestrei mesmo.
- Ter amigos que tem mania de te sequestrar quando estão com saudades é isso ai, você some do twitter.
- Solta meu melhor amigo - ele riu.
- Ô xuxuzinha inha, já te falei, para com esse ciúmes! E é ele que ainda não me soltou - ela riu - Você é bonito! Olha, arrasando corações!
- Eu sou bonito mesmo?
- É sim, você acha que eu tenho amigos feios? E você é lindo porque bonito é feio que usa photoshop!
- Você é lindo Willy! Obrigada, obrigada!
- Epa! Eu conheco esse twitter dona Jéssica!
- Conhece a menina que disse que eu sou lindo?
- É minha amiga. Sua safada, eu preciso conversar com você, quem sabe você não vem pra cá em algum feriado? - Patricia sorriu.
- Você tem uma vida perfeita Patthy!
- Eu não tenho não, minha vida é normal, eu tenho problemas mas eu percebi que eles são quase nada comparado aos problemas de outras pessoas.
- Que coisa bonita! - Pe Lu apareceu e abraçou Patricia, ela ficou entre Willy e Pe Lu, um sanduíche.
- Conviver com você dá nisso, começo a filosofar - ela revirou os olhos e riu, Pe Lu se afastou - Senta aqui - ela se levantou da cadeira - Aproveita que hoje eu estou dando preferência aos mais velhos.
- Acha que pode - Willy negou com a cabeça e riu.
- Olha a idade de vocês! - Pe Lu sentou na cadeira e Patricia ficou atrás, entre eles - Porque esse violão? - ela percebera que Pe Lu trouxe um violão.
- Eu vou tocar, quero dizer, posso tocar? - Willy afirmou com a cabeça.
Te tenho com a certeza
De que você pode ir
Te amo com a certeza
De que irá voltar
Pra gente ser feliz
Você surgiu e juntos
Conseguimos ir mais longe
Você dividiu comigo a sua história
E me ajudou a construir a minha
Hoje mais do que nunca somos dois
A nossa liberdade é o que nos prende
Viva todo o seu mundo
Sinta toda liberdade
E quando a hora chegar, volta...
Que nosso amor está acima das coisas desse mundo
Vai dizer que o tempo
Não parou naquele momento
Eu espero por você
O tempo que for
Pra ficarmos juntos
Mais uma vez
Passou pela cabeça de Patricia que essa música poderia ser para ela mas a ideia saiu logo de sua cabeça, ela sorriu para Pe Lu.
CAPITULO 31
- É sério Pe Lu, eu preciso me organizar! - ela falou enquanto corria de um lado para o outro no quarto e ele ria deitado na cama dela - Para de rir, que saco! Você é muito chato com essa história de ficar em família quando você está em casa, aliás, não é chato, eu não sou sua irmã de verdade, não tem como aliviar?
- Não - ele falou ainda rindo.
- Já falei, pára de rir, é sério! Eu não estou tendo tempo para entrar no msn, conversar com os meus amigos e nem fazer lições de casa! Por sua culpa!
- Minha culpa? - ele ainda ria e ela queria dar uns tapas nele por estar rindo sem motivo, pelo menos não um motivo que fosse plausível a ela.
- É, toda sua! Você me deu o rádio, agora eu fico a tarde toda falando com as pessoas, acabo de falar com um e o outro já chama, de noite você vem com o papinho família e mimimi - ela começou a se maquiar.
- Não quero saber de maquiagem forte não hein, já não basta essa saia curta ai!
- Tá, tá, tá Pedro! - ela revirou os olhos e riu.
- Não tem graça - ela riu de novo entendendo o porque dele rir - Que horas seu amigo vai chegar aqui?
- Daqui a pouco, por isso que eu estou apressada.
- Eu vou lá embaixo, alguém tem que conhecer o pai desse menino.
- PEDRO LUCAS! VOCÊ É PIOR QUE O MEU PAI, MEU DEUS! - eles riram e ela recebeu uma mensagem.
- É do seu amigo - Pe Lu falou ao pegar o celular dela e ver o nome na tela.
- Ele já está chegando - ela deu uma última olhada no espelho e bufou - Vamos chatinho? - ele afirmou com a cabeça sorrindo feito criança e levantou da cama.
- Sou chatinho mas você me ama - ele sussurou ao passar o braço pelo ombro dela, ela riu, eles começaram a andar até a sala.
- Você é muito bobo e sinceramente não precisa fazer isso de ir lá!
- É claro que precisa quero ver a cara dele!
- Não, você vai olhar de longe! Já estou indo - Patricia falou ao chegar na sala.
- E eu vou junto para ver a cara do pai do amigo dela - ela revirou os olhos e fez uma careta - Sem fazer careta e sem revirar os olhos - ela olhou para ele séria e Cesar, Teresa e Naira riram - Sabia que você estava fazendo isso.. tão previsível - ele levou um tapa na barriga.
- Juízo e não chega muito tarde - Teresa falou quando Patricia foi se despedir dela.
- Não bebe muito - Cesar falou.
- Aproveita por mim - Naira falou.
- Você é boba de não ir comigo! - Patricia falou e fez bico - Tenho que ir, daqui a pouco ele chega! - ela mandou beijos no ar e saiu junto de Pe Lu - Você é muito chato! - ela fez cara manhosa.
- Sem fazer essa cara! Não, não, não! - ela riu e ele abriu a porta do elevador para ela entrar e logo começou a se olhar no espelho - Você está bonita.
- Tá bom - ela nem olhou para ele e continuou se olhando no espelho.
- Desse jeito você não vai mais - ela gargalhou.
- Ah tá que você vai me impedir!
- Claro que vou, você é minha - ela gargalhou de novo - Pode não ser agora mas você vai se casar comigo, quer apostar quanto? - ela finalmente olhou para ele, eles ficaram se olhando, ambos sorrindo por verem o sorriso que tanto gostam no rosto do outro e pensando em como seria se eles ficassem juntos, se casassem. Eles despertaram quando a porta do elevador abriu, ele saiu e segurou a porta para ela que viu um carro parando na frente do prédio.
- Acho que eles chegaram - ele a segurou pela cintura e a puxou para perto dele, ela riu - Você é bobo!
- Eu só quero saber com quem você anda - ele sussurou e deu um beijo na cabeça dela, eles começaram a andar.
- Pe Lu - ela fez a cara manhosa de novo.
- Não, para com isso! - ela riu.
- Então você não resiste à essa cara? - ela sussurou.
- Talvez não - ele respondeu no mesmo tom.
- Bom saber - ela falou baixo e mesmo assim ele ouviu e riu, alguém a chamou no rádio, ela olhou no visor Lucas.
- Agora entendi porque ficar se olhando no espelho e se arrumando, eu me esqueci do menino que tem o mesmo nome que eu - ele riu.
- Ele não tem o mesmo nome que você!
- Mas eu quero falar que tem e fala que é para ele!
- Não é para ele, eu vou sair poxa. E outra nem sei se ele vai ainda, não falei com ele direito ontem e antes de ontem.
- Não tem mais o Lucas é? Mas relaxa você tem o papai aqui - ele bateu a mão que está livre no peito.
- Oh, agora estou tão feliz, tão aliviada, você nem imagina. Conta uma novidade, isso eu já sei! - ela riu.
- Está ficando folgadinha! Não vai atender ele? - ela negou com a cabeça e sorriu, ele abriu o portão para eles sairem, parou na frente do portão e eles ficaram frente a frente - Eu não vou conhecer ele, só vim te trazer aqui mesmo - ele colocou uma mecha de cabelo dela atrás da orelha e ela sorriu - Vai aproveitar, aproveita enquanto você não é só minha! - eles riram.
- Pode deixar e você liga para a Natalia! - Leonardo saiu do carro e se aproximou deles.
- Aproveita e não chega tarde, vou ficar te esperando para nós conversarmos, vermos filme, sei lá - ela sorriu sabendo que com certeza ia dormir sentindo o cheiro dele que a puxou para um abraço apertado e deu um beijo na testa dela.
- Não chora bonitinho, eu volto! - ele sorriu fraco.
- Eu sei. Te amo com a certeza de que irá voltar - ele sussurou e ela entendeu que a música daquele dia na twitcam era para ela. Ele a soltou, ela sorriu e foi até Leonardo.
- Tudo isso é para o Lucas né? - ele falou, ela revirou os olhos e riu.
- Não, não é para o Lucas - Leonardo olhou para o Pe Lu e eles se cumprimentaram.
- Vamos? - ela confirmou com a cabeça, antes de entrar no carro ela olhou para Pe Lu e sorriu, ele sorriu de volta e acenou para o pai de Leonardo - Pai essa é a Patthy. Patthy esse é o meu pai, Alexandre - Patricia entrou no carro e o homem olhava para suas pernas, subindo o olhar para os olhos dela, ela sorriu.
- Oi, tudo bom? - ela falou e percebeu que o homem é bonito, Leonardo é igual seu pai mas a diferença é que o pai dele tem cabelos um pouco grisalhos e é uns 20 anos mais velho.
- Bem e você? - ela não respondeu apenas sorriu e balançou a cabeça de leve, quando o carro começou a se mover Pe Lu entrou.
- Chora meu amor! - Patricia atendeu o rádio, é Pe Lu.
- Você bebeu quanto?
- Não muito!
- Você já está saindo dai?
- Acho que daqui a pouco, porque?
- Um amigo vai fazer um churrasco na madrugada. O Willy e a Ná falaram para te ligar dizendo que a gente vai te buscar.
- Então eu não tenho opção né? Que horas vocês vem?
- Que horas a gente pode passar ai?
- Daqui meia hora, pode ser? Eu vou procurar o endereço daqui e te mando por mensagem, beijo!
- Tá bom, beijo.
- Léo! - Patricia gritou para o menino que está do outro lado da mesa - Eu vou embora com o Pe Lu, tá bom?
- Porque? - ela olhou para os lados e foi até ele.
- Ele e meus amigos estão indo na casa de um amigo dele e como a gente já está para ir embora ele vai passar aqui para me levar.
- Ah entendi! - ele sorriu.
- Quando eu estiver indo venho aqui falar tchau! - ela voltou a sua cadeira mas se lembrou que tem que pegar o endereço - Lucas vem comigo procurar o endereço desse lugar?
- Vamos sim - ele sorriu e se levantou.
- Lá no caixa a mulher deve saber.
- Deixa que eu vou na frente - ele ficou na frente dela e segurou uma mão dela para passar pelas pessoas, o bar está lotado.
- Mas e ai, vai na Royal amanhã?
- Ah não sei - ele fez uma careta - Mas e o show que você vai no domingo, que show é esse?
- Da Restart.
- Show do irmãozão? - ele riu.
- Para, não é irmãozão!
- Aonde vai ser?
- Lá no HSBC.
- Lá é grande! Que isso!
- Eles lotam aquilo! Deve ser foda, é a primeira vez que eu vou lá, to ansiosa - uma buzina assustou Patricia e Lucas, eles olharam para a rua e Pe Lu estava parando o carro - Vê se vai amanhã, vai ser legal! Vamos dançar um pouco! - ele riu sem graça.
- Eu já disse que não sei dançar.
- Não precisa saber dançar perfeitamente, se você for amanhã eu te ensino! É só seguir o ritmo da música, é fácil - ela sorriu encorajando-o.
- Vou ver - ela fez bico e ele ficou olhando para ela e riu - Tá bom, eu vou! - ela o abraçou.
- Ai sim, a gente se vê amanhã então - ele deu um beijo na bochecha dela e quando eles se soltaram Pe Lu estava ali do lado, Patricia riu alto - Lucas esse é o Pedro Lucas. Pedro Lucas esse é o Lucas - eles apertaram as mãos.
- Prazer em te conhecer - Pe Lu falou ríspido e puxou Patricia pela mão, ela passou a outra mão no rosto rindo e negando o que acabara de acontecer.
- Ele que é o Lucas? - Natalia perguntou logo que Patricia entrou no carro.
- É ele sim! Oi bebezinho! - Patricia abraçou Willy que também está sentado no banco de trás.
- E estava legal? - Pe Lu perguntou e o carro começou a andar.
- Muito! Todos da escola foram - ela sorriu.
- Bebeu muito? - Willy olhou sério para ela que revirou os olhos.
- Não, quando eu bebo muito fico falando besteiras e fico tonta.
- Mais do que você já é? - Natalia falou e Patricia mostrou o dedo do meio para ela.
- Você estava fazendo aquela cara para o Lucas, o que você pediu para ele? - Pe Lu perguntou.
- Pedi para ele ir amanhã na Royal.
- E você quer que ele vá? - Natalia perguntou.
- Eu disse que vou ensinar ele a dançar, ele diz que não vai na balada porque não sabe dançar.
- Essa desculpa é velha! - Willy falou e riu.
- Pois é, não cola mais comigo!
- Ficou com ele? - Pe Lu perguntou.
- Não - ela sorriu e ele riu - O que foi?
- Fala a verdade poxa!
- Eu não fiquei com ele!
- Ele estava lá fora com você, ele não quis te deixar sozinha.
- Eu pedi para ele ficar comigo ali fora porque ele é um dos poucos que está quase sóbrio! - ela alterou a voz.
- Qual o problema em dizer a verdade? - ele gritou.
- E qual o problema em você acreditar no que eu digo? - ela respondeu no mesmo tom.
- Se ele não estivesse com cara de bobo apaixonado por você eu acreditaria! - ele baixou o tom mas mesmo assim falou alto.
- Isso não tem nada a ver! Mas tá bom Pedro Lucas! - ele parou o carro e percebeu que o tom que ela usou não é o mesmo que ela usara mais cedo - Pense o que você quiser! - ela saiu do carro e bateu a porta, Willy bufou e saiu rápido do carro indo até Patricia que está de cara fechada, chutando as pedras no chão e murmurando xingamentos.
- Calma, respira Patthy - ele a abraçou.
- Pega leve Pe Lu, deixa ela se divertir e acredita no que ela está falando. Porque ela mentiria para você? - Natalia falou ainda no carro com Pe Lu que quase fazia o volante em pedaços.
- Ele é idiota, porque não acredita em mim?! E outra, ele não é nada meu! - uma porta bateu com força, ela olhou e viu Pe Lu encarando-a, o olhar dele tinha uma mitura de dúvida, raiva, medo e um pouco de arrependimento.
CAPITULO 32
- Patthy - Pe Lu falou e outra porta bateu só que fraco.
- Não quero falar com você Pedro Lucas.
- É melhor vocês conversarem depois. Vem comigo Patthy - Natalia falou e as duas entraram na casa.
- Patthy - Pe Lu falou depois de deixá-la sozinha por um tempo, ela levantou a cabeça para Willy levantar e deitou a cabeça em uma almofada, Pe Lu sentou a lado dela - Você vai me ouvir? - ela arqueou as sombrancelhas para ele prosseguir mas ficou olhando para suas unhas - Eu falei para você ser feliz e aproveitar mas agora sou eu quem está fazendo tudo errado! Não sei porque eu fiz aquilo, na verdade eu sei, fiquei com ciúmes quando você fazendo aquela cara para ele - ela o olhou e sorriu.
- Você é chato, ciumento e bobo! - ele pulou em cima dela e a abraçou - E pesado!
- Me desculpa? - ele sussurou no ouvido dela - Não faz aquela cara para mais ninguém e não diz que eu não sou nada seu.
- Você é todo meu! - ela sussurou e ele sorriu - Desculpa por dizer aquilo.
- Você estava de cabeça quente, acho que dá para entender - ele riu.
- Agora levanta, sua namorada está aqui! - ele deu um beijo demorado na bochecha dela e antes de levantar Natalia e Willy pularam sobre eles gritando.
- Os irmãozinhos estão bem! - Natalia falou, Patricia e Pe Lu se olharam e sorriram, os três se levantaram e deixaram Patricia respirar.
- Primeira vez que brigamos, memorável hein - Pe Lu falou ao se jogar na cama ao lado de Patricia, ela riu.
- É ruim brigar, não gosto de brigar com pessoas que eu gosto - ela olhou para o teto.
- Não quero mais brigar com você - ele a abraçou e puxou-a para si.
- Nem eu. Agora é sério, não vamos ver Gossip Girl hoje, daqui a pouco você vai viajar, vai dormir na van e vai ficar cheio de dores - ele riu baixo.
- Está bem mamãe!
- Sem essa de mamãe, eu me preocupo com você! - ela tocou o nariz dele que fez uma careta, a careta fofa que ela tanto gosta.
- Dorme bem - ela se aninhou no pescoço dele.
- Sonha comigo! - ela sussurou e riu abafado, os dois dormiram logo.
- Eu vou te matar! - ela falou depois de insistirem em chamar Pe Lu no rádio.
- Pega para mim, por favor - ele falou enrolado, ela estivou a mão e pegou o rádio na mesinha que fica ao lado da cama dele e olhou a hora 11:03, ela bufou e entregou para ele - Bom dia chefe! - ele tentou falar animado, Patricia voltou a encostar no ombro dele.
- Bom dia Pe Lu, desculpa te acordar mas um parente da Mônica faleceu, ela e a Lulu foram para o velório e para o enterro, só devem voltar na segunda, eu não tenho ninguém de confiança para colocar no lugar delas - Patricia cutucou Pe Lu.
- Eu vou - ela sussurou e ele assentiu.
- Eu tenho uma pessoa, nós podemos chamar o Lú para hoje e amanhã como é Happy Rock chamamos o Willy também.
- Então você vê ai e quando tiver certeza me avisa.
- Pode deixar, tchau chefe! - Pe Lu desligou e bufou, ela sentou na cama e coçou os olhos - O dia começou bem. Bom dia pequena! E você tem certeza de que quer ajudar?
- Bom dia bonitinho! E sim, tenho certeza, esses seus amigos de banda sabe? Acham que podem sumir assim e claro, alguém tem que animar vocês! - ele riu.
- Você não existe!
- Não mesmo, eu sei que não!
- Você vai na Royal hoje, não vai com a gente não!
- Eu vou ter muitas chances de ir na Royal! - ela revirou os olhos e ele se sentou olhando nos olhos dela.
- Qual a parte de que você tem que se divertir você não entende? - ela olhou nos olhos dele.
- Estando com vocês eu já me divirto.
- E o Lucas?
- Eu vou estar com Pedro Lucas e com Lucas Henrique!!! Já não tenho Lucas suficiente? - ele riu e encostou a testa na orelha dela, encostando o nariz no pescoço dela, fazendo-a arrepiar quando sentiu a respiração dele batendo em seu pescoço.
- Você vai para o Sul hoje! - ela levantou em um pulo.
- O quê? - um sorriso gigante apareceu no rosto dela.
- A gente tem que pegar a autorização, sorte que a gente ainda tem umas do Koba e do Pe Lanza - ele levantou da cama também, os dois se olharam e sairam correndo para ver quem entra no banheiro primeiro.
- Rá, ganhei! - Patricia riu tentando fechar a porta em vão Pe Lu conseguiu abrir a porta sem fazer muita força.
- Não posso escovar os dentes também?
- Eu quero fazer xixi - ela ficou emburrada e cruzou os braços.
- Oh sim - ele pegou a escova, colocou pasta e saiu do banheiro fechando a porta.
- Pronto chatinho - ela abriu a porta do banheiro e Pe Lu correu para o lavatório, ela pegou sua escova, passou a pasta e começou a escovar os dentes.
- Vou falar com a minha mãe - ele enxugou a boca e saiu do banheiro.
Patricia ficou processando a ideia de ir para o Sul, ela sorriu e então lembrou de avisar Leonardo que não vai na Royal, ela terminou de escovar os dentes e foi até seu quarto, pegou o radio e chamou ele.
- Oi minha linda!
- Oi meu amorzinho, tudo bem? Eu te acordei?
- Não acordou não e se tivesse não teria problema! - ela sorriu, ele é tão fofo.
- Então, eu não vou mais na Royal.
- Porque não?
- Vou ter que ir para o Sul ajudar o Pe Lu, um parente de uma menina que trabalha com eles faleceu e eles precisam de alguém para ir no lugar dela.
- Porque justo você? Você está tão animada para ir hoje!
- Pois é amor, mas eu também quero ir para o Sul e essa é uma oportunidade boa, a gente marca a Royal para outro dia.
- Claro que você vai ajudar, é o Pe Lu né!? - ela riu sem graça e revirou os olhos, ele tinha razão, ela deixaria tudo para ajudar o Pe Lu.
- É, fazer o que? Mas ontem depois que fui embora briguei com ele.
- O que? Você brigou com o seu perfeitinho? - ele gargalhou.
- Seu bobo! Briguei - ela contou o que aconteceu.
- E vocês já estão bem, isso é o que mais importa. Vai ligar para o Lucas?
- Ahh... não sei! Talvez, eu vou arrumar minhas coisas para a viagem! Beijo, se cuida sem mim, aproveita a Royal por mim e te amo!
- Tá bom, a Royal não vai ser tão legal sem você, vê se não arrumar nenhum problema por lá, te amo! - o problema que ele disse é um rolo.
- Quando você separar suas roupas me dá porque eu vou colocar na minha mala - Pe Lu apareceu na porta do quarto de Patricia.
- Eu vou ter que ficar indo até o seu quarto para pegar minhas roupas?!
- Claro que não, você vai ficar no meu quarto! Eu sei o que eles fazem nos quartos, não quero te ver no meio das farras deles. Eles falam coisas muito inapropriadas para menores de 18 anos - Patricia gargalhou.
- Nada que eu não saiba - ela sorriu e ele se assustou.
- Você não é o que eu estava pensando!
- Que pena - ela deu de ombros e saiu do quarto - Cadê sua família?
- Eles foram buscar os papéis para você ir conosco, vai arrumar suas coisas logo!
- Tá bom papai!
- Sem essa de papai - ela gargalhou ao lembrar que ela falara isso na noite anterior - Eu me preocupo com a sua lerdeza.
- Lerdo é você! - ela passou por ele batendo seu ombro no braço dele.
- Me leva junto lerdinha!
- Não preciso te trazer, você vem sozinho - ela arqueou as sombrancelhas e sua boca ficou em linha reta.
- Abusada!
- Lindo! - ela sorriu cínica - Agora é sério, que roupa eu levo?
- Uma blusa de frio porque você nunca sabe se vai virar o tempo, uma calça, umas duas blusas, essas básicas, a gente não vai ficar muito tempo lá porque amanhã cedo a gente tem que ir ensaiar para o Happy Rock Sunday.
- Entendi. Você está levando seu moletom da Alternative?
- Estou, porque?
- Pega outro para você, o seu já está dentro da bolsa e outra eu e você com o mesmo moletom vai ser ridículo.
- Não, leva o seu. Vamos parecer gêmeos - ele deu uma risada alta.
- Para, não vou levar, vou usar o seu!
- Leva o seu, vai ser engraçado! - ela revirou os olhos.
- Como você é chato! - ela pegou o moleton e o começou a pegar o resto das coisas - Afinal, vamos para aonde do Sul?
- Paraná.
- Já fui para lá quando eu tinha uns 5 anos, nem me lembro como foi!
- Se bem que não vai ser como eu planejei, não vai dar para passear pela cidade. A gente vai outro dia com mais tempo.
- Eu sei, mas só de ir para lá está bom! - ele sorriu em perceber como ela fica feliz com pouco, para ele a vida é isso, saber aproveitar tudo, por mais que pareça ser pequeno e insignificante tem que aproveitar - Acho que peguei tudo!
- Vou guardar suas roupas e ligar para o Lú! - Pe Lu falou e foi para o quarto dele levando as roupas de Patricia, ela pegou o rádio e chamou Lucas.
- Oi Patthy!
- Oi novinho! Tudo bem?
- Bem e você?
- Também, então, eu não vou na Royal hoje, apareceu um imprevisto aqui com a banda do Pe Lu e eu vou ajudá-lo.
- Ele não gostou de mim e não deixou você ir hoje né?
- Não! Ele não ia me impedir de ir! Aconteceu mesmo um imprevisto.
- Certeza? Ele não parecia muito feliz ontem não.
- Certeza! Ele só estava bravo com a namorada dele.
- Ele namora e estava com ciúmes de você?
- Ciúmes de irmão, sabe como é..
- Sei sim. Já vi piores que ele.
- Eu vou terminar de arrumar minhas coisas. A gente se vê segunda, beijos.
- Até segunda, beijo - Patricia desligou o radio e deitou em sua cama, ficou olhando para o teto.
No matter how far apart (Não importa o quão longe formos)
We'll always have our memories (Nós sempre vamos ter as nossas memórias)
If I could go back now (E se eu puder voltar agora)
I wouldn't change a thing (Eu não mudaria nada)
Oh, it feels so good (Oh, isso é tão bom)
To say (De dizer)
Oh, it feels so good (Oh, isso é tão bom)
Guess we made it this far (Acho que estamos fazendo isso longe)
Guess we're doing all right (Acho que estamos fazendo tudo certo)
Looks like we made it out alive (Parece que conseguimos sair dessa vivos)
Yeah, we made our mistakes (Yeah, nós cometemos nossos erros)
But we followed our hearts (Mas nós seguimos nossos corações)
CAPITULO 33
Pe Lu entrou no quarto de Patricia cantarolando.
- O que aconteceu?
- Só sono - ela fez uma careta - Que horas eles voltam?
- Daqui a pouco.
- Porque você está com essa cara? - Pe Lu perguntou para Patricia que bufou.
- Tenho medo de avião, nunca andei em um - ela fez bico.
- Estou aqui com você - Koba falou e a abraçou.
- Eu também - Pe Lu a abraçou também.
- E eu também! - Thomas fez o mesmo que os amigos.
- Nem preciso falar que eu também né? - Pe Lanza se juntou a eles.
- Ah que lindinhos! Obrigada coisinhas mais fofas da minha vida - eles desfizeram o abraço e pegaram suas malas.
- Vamos - Koba falou olhando para a menina passando coragem, ela assentiu com a cabeça, sorriu e ele segurou a mão dela.
- Voar é bom, relaxa Patthy - Thomas falou, eles colocaram as malas na esteira.
- Então porque o Pe Lu tem medo até hoje? - ela perguntou e todos riram.
- O Pe Lu é um gay, você é forte e corajosa, não vai ter medo como ele - Koba falou.
- Só não gosto de altura, já sou alto o suficiente - Pe Lu fez bico e Patricia passou o braço pelo ombro dele puxado-o para si.
- Medrosinho! - eles entregaram os passaportes e foi andando com Koba, se distanciando dos três, ainda de mãos dadas com ele.
- Se eu disser que sua cadeira é na janela? - Koba falou, ela riu.
- Ah tudo bem. Se eu quero não ter medo, ficar na janela é um grande desafio!
- Qualquer coisa um de nós senta na janela - ele sorriu.
- Ah, você é tão fofo, meu Deus! - ele começou a guia-lá pela cintura até a cadeira.
- Só estou te ajudando, eu gosto de ajudar as pessoas que eu amo.
- Ô Kobinha, eu também te amo - ela o abraçou e sentou na cadeira e ele sentou ao lado.
- Sabe, você é uma das poucas pessoas que eu gosto. Sei lá, você parece ser tão indefesa, me preocupo com você.
- Bom saber - ela sorriu sincera e segurou a mão dele.
- Sempre que você precisar pode vir falar comigo, pode confiar em mim - ela respirou fundo.
- Eu tenho uma coisa para te contar - ela ouviu as vozes dos meninos entrando no avião - Mas precisamos estar sozinhos - ele assentiu.
- Koba, você é louco? Deixando a Patthy na janela! - Thomas falou.
- Ela que quis! - ele levantou a mão que está livre para se defender.
- Verdade? - Pe Lu olhou para ela que confirmou sorrindo, ele sentou ao lado de Koba, Pe Lanza e Thomas sentaram na frente.
- Vou chutar o banco de aluguém! - Patricia deu um chute de leve no banco do Thomas que ficou de joelhos no banco.
- Está com medo mas não perde a chance!
- Jamais! - ela riu.
- Eu senti sua falta.
- Não parece, gordo. Você sumiu, aliás, não só você! Vocês três sumiram - ela apontou para Koba, Thomas e Pe Lanza.
- A gente promete não sumir mais pequena - Pe Lanza falou.
- Que pequena! Você não chama ela assim não, só eu! - Pe Lu falou e Patricia riu, por mais que ela odeie alguns ataques de ciúmes dele é engraçado o jeito que ele fica irritado.
- Lindos - ela falou.
- Aonde você vai? O quarto é para cá - Pe Lu falou ao ver Patricia seguindo Koba.
- Preciso conversar com o Koba, é rapidinho. Qual o número do quarto?
- 1414 - ela sorriu, 14 é o número favorito dela e também é o dia do aniversário do Pe Lu - Não demora, não vou dormir enquanto você não entrar no quarto, não vai ficar andando pelo hotel não - ela riu.
- Tá bom papai! - ele riu também - Daqui a pouco estou lá para te atormentar.
- Começa a contar - Koba falou quando ficaram sozinhos no corredor.
- Você conhece a Ná?
- Se for a namorada do Pe Lu, sim - ele abriu a porta do quarto, ela sentou na cama e começou a contar tudo o que aconteceu desde que ela chegou. Ela não aguenta mais guardar isso e ela precisa de uma opinião de mais alguém que conhece o Pe Lu.
- Bom, é isso! - ela respirou fundo ao terminar de contar.
- Eu não sei o que falar.
- Eu sei que é difícil de acreditar, difícil de encontrar alguma coisa para dizer. Eu vou para o quarto, se não o papai vai ficar bravo - ele riu.
- Vou pensar em tudo que você me falou, depois te falo - ele sorriu, ela o abraçou.
- Obrigada.
- Obrigada você por ter confiado em mim - ela sorriu e abriu a porta.
- Dorme e a gente se vê no show! - ela deu um beijo na bochecha dele e foi para o quarto.
- Já ia te buscar no quarto do Koba - Pe Lu falou ao abrir a porta, ela riu e ele a abraçou - Odeio como você não me leva a sério!
- É engraçado te ver sério. O que você estava aprontando sem mim? - ela entrou no quarto, olhando tudo.
- Nada, eu quase dormi mas a ideia de ir te buscar no quarto do Koba não me deixava.
- Estou com sono - ela bocejou.
- Temos 2 horas para dormir - ela se jogou na cama, ele fez o mesmo.
- Cama de casal, mais espaço - ela falou com a cabeça contra o travesseiro.
- Espaço não é legal - ele a puxou para perto, ela se xingou de todos os jeitos por não conseguir dizer não, por não conseguir fazer a coisa certa, de um jeito ou de outro ela sempre cedia.
- Sonha comigo - ela falou se aninhando no pescoço dele como sempre faz.
- Sempre! - ele sussurou e sorriu.
To see you when I wake up (Ver você ao acordar)
Is a gift I didn't think could be real (É um presente que eu não acreditava que pudesse existir)
To know that you feel the same as I do (Saber que você sente o mesmo por mim)
Is a three-fold, utopian dream (É um sonho triplamente utópico)
You do something to me that I can't explain (Você me faz sentir de um modo que eu não consigo explicar.)
Ele cantarolou a música no ouvido de Patricia, ela sorriu ao acordar com a única voz no mundo que faz com que todos os problemas sejam esquecidos, todos os problemas se tornam bobeira quando ela ouve a voz dele.
- Acredita que está frio? É um sinal de que temos que usar o moleton! - ele falou e ela riu.
- Não acredito!
- Sério! Eu já tomei banho, agora você toma um banho e se arruma, em menos de uma hora a gente sai!
- Sim papai - ela levantou da cama, pegou suas coisas e foi para o banheiro - Esse moleton parece um vestido, qualquer dia desses vou pra balada usando ele e uma meia calça - ela falou ao sair do banheiro.
- Ah vai, vai sim! - ele olhou sério para ela.
- Fala sério, olha isso! Tampou o meu shorts! - o moleton tampou o shorts que ela está usando.
- Você vai de shorts para lá?
- Não, seu besta. Vou de calça, só coloquei o shorts para sair do banheiro. Eu tenho algum probleminha porque eu não consigo enxugar minhas pernas, ai a calça não sobe - ele gargalhou e colocou o moleton.
- Quero uma foto, vem - ele parou na frente do espelho que pega dos pés a cabeça, ela foi ao lado dele e começaram a fazer caretas para a foto.
- Você disse uma foto só, acho que já foram o que? Umas 10? E eu to com calor e tenho que terminar de me arrumar! - ela tirou o moleton e foi para o banheiro.
- Vou pedir alguma coisa para nós comermos, um chocolate. Quer? - ele perguntou quando ela saiu do banheiro.
- Chato, claro que quero! - ela se jogou na cama ao lado dele que pegou o telefone para pedir serviço de quarto, ela pegou o iPhone dele e colocou uma foto que eles acabaram de tirar no twitpic dele 'oi @pelurestart você é muito chato e gosta de me imitar, beijo da @_patthy'.
- Causando no meu twitter né? - ele falou ao desligar o telefone, ela sorriu.
- Quem está fazendo isso? Que coisa feia! É sério, me explica como vai ser hoje, não era para eu já estar vendendo as coisas do Merch?
- Hoje vai ser diferente, o Merch vai abrir no final do show já que você e o Lú não conseguiram chegar a tempo.
- Ah entendi, o Willy vai ajudar amanhã?
- Eu o obriguei a ajudar - ele riu.
- Que maldade, sai de perto de mim Pedro Lucas! - ela se afastou dele mas ele chegou perto de novo - Sai! Já falei!
- Não, não quero - ele sussurou.
- Já ligou para sua namorada?
- Porque você estraga tudo?
- Eu já disse que quero fazer o certo pela primeira vez na minha vida!
- Ligo mais tarde, satisfeita?
- Sim - ela sorriu e a campainha tocou, ele foi pegar o chocolate.
- Pena que eles mandaram uma barra só, ou seja, só para mim - ela ficou encarando-o séria.
- Não começa com essa! - ela ficou de pé na cama.
- Tira o pé da cama!
- Não, me dá!
- Tira o pé da cama!
- Não Pedro Lucas!!
- Não vai ganhar chocolate então - ela pulou nele e pegou o chocolate.
- Vou sim! - ela saiu de cima dele e sorriu, a campainha tocou.
- Vem comigo, você não vai ficar sozinha com esse chocolate - ele a puxou pelo braço e abriu a porta.
- Vocês estão bem? - Bruna perguntou.
- Estamos, porque? - Patricia falou.
- Ouvi gritos - os dois riram - O que aconteceu?
- Briga por chocolate - Pe Lu coçou a nuca.
- Entendi - ela riu baixo - Daqui 10 minutos nós vamos, parem brigar e se apressem.
- Sim senhora - Patricia falou e Bruna mostrou a língua virando de costas, Pe Lu fechou a porta do quarto e Patricia abriu o chocolate - Vou deixar para comer depois, agora só um pouco - ela tirou um pedaço e entregou para ele - Você é chato demais! Me deixou com uma música na cabeça.
- Qual?
When I see your face (Quando eu vejo o seu rosto)
There's not a thing that I would change (Não há nada que eu mudaria)
'Cause you're amazing (Pois você é incrível)
Just the way you are (Exatamente como você é)
And when you smile, (E quando você sorri)
The whole world stops and stares for a while (O mundo inteiro para e fica olhando por um tempo)
Ela cantou e ele completou.
'Cause girl you're amazing (Pois, garota, você é incrível)
Just the way you are (Exatamente como você é)
CAPITULO 34
- Eu sei, eu sei que sou - ela riu e ele mostrou a língua - Vou escovar os dentes e a gente pode ir.
- Bem lembrado! - os dois escovaram os dentes e foram ao encontro dos outros.
- Ah, Lú essa é a Patthy. Patthy esse é o Lú - Pe Lanza os apresentou.
- E ai, tudo bom? - ele perguntou ao cumprimentá-la.
- Tudo e você? - ela sorriu.
- Também.
- Ele sabe que eu sei? - Koba cochichou para Patricia, ela negou com a cabeça - Quer que ele saiba?
- Acho que não, não sei ainda.
- Então depois precisamos conversar - ele sorriu e ela também.
- Vamos? - Thomas falou e todos se dirigiram a van.
- A Bru disse que vocês estavam gritando no quarto, o que aconteceu? - Pe Lanza perguntou.
- Aconteceu que tinha uma barata no quarto! Ai o Pedro Lucas começou a gritar de medo! - Pe Lu começou a gargalhar - Pulou na cama e começou a gritar, ele está rindo agora porque na hora ele ficou todo tenso, ai quando eu matei a barata uma lágrima escorreu pelo olho dele, acho que ele estava tão tenso com a barata que não conseguiu nem chorar - todos começaram a rir e foram entrando na van.
- É mentira! A gente brigou por chocolate! Não foi Bru?
- Por chocolate? - Thomas perguntou desconfiado.
- É, quando eles abriram a porta a Patthy estava com o chocolate na mão e o Pe Lu segurando o braço dela - Naira falou.
- É, a briga foi feia - Patricia falou - Amanhã vocês vão ver umas marcas no meu braço. Brincadeira!
- Vocês repararam que estão com o mesmo agasalho né? - Bruna falou.
- Ele me imitou! - Patricia falou.
- Eu combinei de virmos iguais. Parecendo irmãos gêmeos.
- Agora vendo vocês assim com agasalhos iguais até senti uma semelhança entre vocês - Thomas falou sarcástico.
- É, o branco dos olhos quem sabe - Patricia falou.
- Isso mesmo, menina esperta!
- Até porque a Patthy não é feia como o Pe Lu né - Pe Lanza falou.
- Eu sei que a Patthy é bonita mas valeu pela parte que me toca!
- Eu já falei que você é bonitinho Pe Lu! - ela apertou a perna dele.
- Sempre soube que eu deveria ter ido para a gringa com a Demi - Pe Lu falou.
- Vai agora, pode ir - Patricia falou aparentemente irritada - Ela deve estar te esperando de braços abertos e com uma escadinha, é claro! - ela brincou, tentando esconder sua irritação e eles riram.
- O gente, eu tive um sonho estranho - Thomas falou e todos olharam para ele - Eu estava em uma floresta andando, aí começei a correr não sei porque, eu tropecei e cai de cara no chão ai eu acordei e estava deitado no chão do quarto.
- Vai saber se você não estava correndo pelo quarto e ainda por cima dormindo? - Patricia falou - Sorte que eu não divido quarto com você, sonâmbulo maluco.
- Você já foi em algum show nosso Patthy? - Pe Lanza perguntou.
- Já, em dois mas já faz um tempo - ela contou os meses nos dedos - 4 meses. Ei, eu fui na escola!
- Mas lá foi acústico, calminho. Você vai ver hoje, aliás, vai se lembrar de como é um show nosso!
- Eu tenho que arrumar as coisas com o Lú! Mas eu quero ouvir 'Pra você lembrar'.
- A gente toca depois de 'Amanhecer no teu olhar' - Koba falou como se lesse os pensamentos de Patricia.
- Então vou ficar esperta, dou uma corridinha para ver e depois volto a arrumar as coisas - ela sorriu - Essas pessoas não usam entrar não? - ela se referiu as fãs que começaram a bater no vidro da van.
- Só depois que a gente chega - Pe Lu falou.
- Para ter certeza de que vocês vem, ô falta de confiança! Brincadeira viu - eles riram.
- TU PA TU PIZZA! - os quatro deram seu grito de guerra e Patricia abraçou cada um desejando boa sorte.
- 'Amanhecer no teu olhar' não esquece! - Pe Lu falou.
- Pode deixar bonitinho! - ele sorriu e foi para o palco.
_patthy eu e a surpresa estamos aqui no camarim arrumando as coisas do merch, aliás, to pensando em revelar a surpresa, mm (:
_patthy tá bom, tá bom. a surpresa é o @luhdb !!! ele vai estar comigo no merch e amanhã tem mais uma surpresa no hrs!
ana_secco @_patthy COMO ASSIM? O LUH? SUA VACA!!
_patthy @ana_secco calma, eu te apresento pra ele depois (; HAUAHUAHAUH
- Aonde você vai de novo? - Pe Lu perguntou quando Patricia ia na direção oposta ao quarto deles, ela riu.
- Vou conversar com o Koba.
- Já sabe né?
- Sim papai - ele gargalhou e foi para seu quarto - Você já sabe o que vai me falar?
- Acho que sim - Koba respondeu pensativo, tentando se lembrar de tudo que pensara e ponderando as palavras que vai usar.
- E se eu disser que estou com medo? - ele riu baixo - A verdade sempre dói - ele abriu a porta do quarto - E tem como você falar tudo direto sem ficar enrolando, enrolando e enrolando?
- Você não tem jeito né?
- É que eu preciso voltar pro quarto logo mesmo - ela riu e sentou na cama, Koba sentou ao lado dela e respirou fundo.
- Já que o tempo é curto, vou falar! - ele parou por um segundo e organizou seus pensamentos - Bom, vocês dois não estão fazendo nada certo, não estão sendo certos com você, com ele e nem com a Ná, você já pensou que ele pode voltar a sentir o que sentia no começo pela Ná? Você vai ficar ai esperando ele terminar com ela para tentar voltar a ficar com ele? Eu sei que pela primeira vez na vida você está tendando não ser egoísta mas você vai deixar um amor escapar pelos dedos?
- Eu só acho que se for verdadeiro não vai acabar tão cedo e eu tenho meus medos - ela abaixou a cabeça.
- Quais?
- Ele tem a Ná e várias outras, pode dar uns 5 minutos nele e ele vai para outra, me deixando aqui. Eu sei que ele traiu a Júlia...
- Mas ele não faria isso de novo - Koba a interrompeu.
- Eu não sei.. para trair de novo é fácil, ele só precisa de uma menina e meninas aos pés de vocês é o que mais tem - ela sentiu algumas lágrimas chegando e engoliu seco - Não sei se eu ia aguentar a saudade... se bem que eu já aguento mas sei lá.
- Se ele disse que é só você pedir e ele deixa a Ná para ficar com você...
- Ele disse que larga para ficar comigo. FICAR! Eu não sei o que esse ficar significa, se é ficar de ficar ou ficar de namorar - ela começou a chorar e ele a abraçou.
- Se não der certo com ele, tem muitos outros caras por ai, você é bonita, inteligente, é impossível não gostar de você.
- Mas não é com nenhum deles que eu tenho sonhado estar há um ano, eu estou fazendo tudo errado eu sei, você já viu o sorriso dele quando ele está com a Ná? É um sorriso tão lindo, é o sorriso mais lindo dele.
- Eu já vi o sorriso dele quando está com ela e com você, ele parece muito mais feliz quando está perto de você... mas ele não tem um sorriso só? - ela limpou as lágrimas que cairam em seu rosto e respirou fundo, parando de chorar e agradecendo por ter um amigo como o Koba, ele tentando mudar de assunto.
- Claro que não, ele tem muitos sorrisos e todos são lindos mas o meu preferido é quando ele está feliz, tem o sorriso de quando ele está ansioso, quando está sem graça, quando faz uma brincadeira, quando é irônico, quando tenta esconder a tristeza e o meu segundo preferido, quando ele volta dos shows, o sorriso de quem está com saudades que se mistura com felicidade ao ver quem ele gosta - ela sorriu ao pensar no sorriso dele - Sabe, eu queria fazer a coisa certa mas eu acho que tem muita coisa para acontecer, vou dar tempo ao tempo.
- Bom, o que eu penso a respeito você já sabe mas eu vou estar aqui para te ouvir sempre - ele sorriu e ela apertou o abraço.
- Vou para o quarto, o menino é um amor mas quando está com sono vira uma chatície - os dois se levantaram e foram até a porta - Obrigada Kobinha! - ela o abraçou.
- Sempre que você precisar estou aqui - ela correu pelo hotel.
- Você chorou? - Pe Lu falou ao abrir a porta, ela pensou no que falar enquanto passava por ele.
- Talvez sim.
- O que aconteceu? - ele fechou a porta com força e foi para perto dela.
- Nada de mais, calma. O Koba me deu uns conselhos, só isso.
- Sobre? - ela sentou na cama e ficou olhando para ele - Ele sabe sobre.. nós?
- Talvez ele saiba mas o que nós temos? - ela sentiu uma lágrima escorrer pelo rosto, passou a mão pelo cabelo e olhou para o teto.
- Nós só não estamos juntos porque você me fez voltar com a Ná - ela bufou e ele sentou na beirada da cama.
- Ah é claro, a culpa é minha como sempre! - ela riu irônica enquanto mais lágrimas escorriam pelo seu rosto.
- Ei, ei, ei! Calma - ele se aproximou e enxugou as lágrimas do rosto dela - Deixa eu te mostrar como seria se nós estivéssemos juntos - ela olhou para ele sem saber o que dizer, seu coração acelerou conforme ele se aproximava.
- Pe Lu - a voz quase não saiu pela proximidade deles.
- Por favor Patthy, só hoje - ele falou ao encostar suas testas, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha dela, ele roçou os narizes e por fim seus lábios se torcaram, Patricia quer fugir mas não consegue, ela esperou esse momento por tanto tempo, já adiou demais. Quando ele pediu passagem ela concedeu e eles ficaram se beijando, apenas aproveitaram um ao outro, as mãos de ambos ficaram enroscadas no cabelo do outro, pararam de se beijar umas três vezes quando precisaram de fôlego.
- Pe Lu - Patricia sussurou ao partirem o beijo, abraçando-o, ambos sorrindo e controlando a respiração.
- Fala pequena - ele também sussurou e então ela percebeu que está no colo dele mas não se importou.
- Nada.. é que eu gosto de te chamar - ele riu - O que foi?
- Eu acabei de pensar que gosto quando você me chama, pode me chamar de Pe Lu, Pedro, Pedro Lucas, bonitinho, chato ou de qualquer outra coisa, eu gosto quando você me chama - ela deu vários beijinhos no pesçoco dele que apertou os braços na cintura dela, alguém chamou Pe Lu no rádio, ele resmungou quando olhou no visor, Patricia olhou e viu o nome de Natalia, ela fez menção em sair do colo dele mas ele a segurou.
CAPITULO 35
- Mas... - ela ficou sem saber o que falar.
- Oi Ná - ele falou e Patricia encostou a cabeça na testa dele.
- Oi amor, tudo bem? - Patricia sentiu pontadas ao ouvir a amiga dizer 'amor' e no instante se lembrou do que acabara de acontecer entre ela e Pe Lu.
- Tudo e com você?
- Também, e o show como foi? E a viagem? - a culpa começou a bater em Patricia, ver como Natalia tenta puxar assunto com Pe Lu e ele responder com poucas palavras, ela encostou no pescoço dele e começou a chorar.
- Foi tudo muito bem! Eu estou morrendo de sono Ná e as fãs hoje ficaram gritando na minha cabeça quando entraram no camarim, minha cabeça está para explodir e o remédio já está fazendo efeito - ele tentou controlar a velocidade que sua voz saiu para não demonstrar seu desepero - A gente se vê amanhã lá no HSBC, ok?
- Ah tudo bem bebê - o choro de Patricia aumentou um pouco ao ouvir a última palavra que Natalia falou - Dorme bem, eu te amo.
- Eu também - ele quase cuspiu as palavras e jogou o rádio em qualquer lugar - O que aconteceu pequena? - ele começou a acariciar o cabelo dela.
- Culpa.
- Olha para mim - ela olhou para ele que enxugou as lágrimas do rosto dela - Esquece isso pelo menos por hoje - ele pegou o rádio e o celular dele - Vou me desligar de tudo, só eu e você - ela sorriu e fez o mesmo que ele.
- Mas Pe, eu não estou conseguindo raciocinar em como vai ser amanhã, tipo, nós.
- A gente conversa amanhã.
- Ei, eu estou vendo que tem alguma coisa errada. Não tomei banho ainda.
- Não tem problema, eu ainda gosto de você fedidinha - ela riu e deu um tapa nele.
- É sério, eu preciso tomar banho Pedro Lucas!
- Você cheirosa é melhor, então eu deixo você ir - ela riu e se levantou.
- Você é idiota.
- Eu sou o que? - ele a puxou pelo braço.
- Lindo.. mas idiota - ela deu um selinho nele e foi pegar um pijama na mochila - Faz um favor?
- Claro, quantos você quiser - ele sorriu.
- Você é lindo! Liga o note e põe uma música por favor.
- Já até sei qual você quer - ele falou enquanto ela ia para o banheiro.
- Quero só ver! - ela falou e fechou a porta do banheiro.
Pe Lu pegou o notebook e ligou, deitou na cama enquanto carregava e começou a pensar se deve ou não continuar com Natalia, não tem muito sentido ele continuar com ela quando ele quer ficar com Patricia mas no fundo tudo depende ela, ele acabou virando um cachorrinho dela e não se importou ao pensar assim, ele sorriu mas voltou a pensar no que fazer, só saiu dos pensamentos quando ouviu o chuveiro desligar.
pelurestart cheguei no hotel, agora vou dormir porque daqui a pouco voltamos pra sp!
Ele começou a procurar algumas letras de músicas por puro tédio.
- Está fazendo o que? - Patricia falou ao sair do banheiro com uma toalha enrolada na cabeça.
- Vendo umas letras de músicas já que você me deixou aqui né - ele fez bico.
- Ô bonitinho - ela guardou as roupas na mochila e tirou a toalha da cabeça e penteou o cabelo - Que letras de músicas você está vendo?
- Umas da Pixie Lott - ela revirou os olhos.
- Depois do tanto que Koba atormentou se ninguém olhar as letras das músicas dela hoje amanhã fica sem audição de tanto que ele vai enxer. As letras são legais?
There something about you (Há algo em você)
That's like the sun (Que é como o sol)
You warm up my heart when I come undone (Que aquece meu coração quando eu fico sem jeito)
You like my soul mate (Você é como minha alma gêmea)
And all those things (E em todos aqueles dias)
When I hurt (Quando eu me machuco)
When I break (Quando eu me parto)
You are my band aid You are, you are (Você é minha atadura, você é, você é...)
When I hurt (Quando eu me machuco)
When I break (Quando eu me parto)
You are You are, you are (Você é, você é...)
When I hurt (Quando eu me machuco)
When I break (Quando eu me parto)
You are (Você é)
Isn't it funny how these things get turned around? (Não é engraçado como as coisas mudam?)
Just when I thought I knew you (Apenas quando eu achava que te conhecia)
You prove me wrong (Você me prova que eu estava errado)
They say if it doesn't kill you it'll make you stronger (Eles dizem que o que não mata te torna mais forte)
Oh, but I can't be without you any longer (Oh, mas sem você eu não posso ir muito longe.)
Everytime I let it go, baby it's you. (Toda vez que eu deixá-la ir, baby é você.)
Nothing compares to you. (Nada se compara a você.)
Nothing compares to you. (Nada se compara a você.)
- É uma música só? - ela sentou ao lado de Pe Lu que passou a mão pela cintura dela.
- Não, eu peguei a parte que eu mais gostei dessas músicas e cantei pra você - ela sorriu e o beijou.
- Deixa eu ver alguma para você - ela colocou o notebook no colo dela e tampou um pouco - Não é para você olhar.
I don't need a parachute (Eu não preciso de pára-quedas)
Baby, if I've got you (Querido, se eu tiver você)
Baby, if I've got you (Querido, se eu tiver você)
I don't need a parachute (Eu não preciso de pára-quedas)
You're gonna catch me (Você vai me pegar)
You're gonna catch if I fall (Você vai segurar se eu cair)
Captivated by the way you look tonight the light is dancing in your eyes (Cativado pelo jeito que você está essa noite a luz está dançando em seus olhos)
Your sweet eyes (Seus doces olhos)
Times like these we'll never forget (Tempos como esses nós nunca esqueceremos)
Staying out to watch the sunset (Ficar fora para assistir o pôr-do-sol)
I'm glad I shared this with you (Estou contente que compartilhei isso com você)
You set me free (Porque você me libertou)
Showed me how good my life could be (Me mostrou quão boa minha vida podia ser)
How did this happen to me? (Como isso aconteceu comigo?)
- Essa última não tem muito a ver mas eu sempre pensei em você quando ouvia essa música - ela voltou a se encostar nele.
- Porque?
- Não sei direito mas acho que eu pensava em te ver na praia, no Guarujá no final do ano, ai pensava em ver o por do sol na praia - ela riu - É bobo.
- E como você sabe que se eu vou ou não para lá no final do ano?
- Minha intuição diz que vai assim como disse no final do ano passado. Eu ia ano passado nos mesmos dias que você estava lá, eu escolhi os dias de ir mas eu nem sabia que você ia mas acabou que não consegui ir, eu gosto bastante da minha intuição, principalmente com você, parece que é maior.
- Parece que eu também tenho, durmo com o urso que você me deu, quero dizer, agora não durmo tanto..
- É por isso que eu sei que não importa o quanto nós vamos demorar para ficarmos juntos, tem algo bem mais forte do que qualquer coisa me grudando à você - ela o beijou temendo não beijá-lo novamente tão cedo.
- Ainda não sei o que você faz mas você é a única que me faz dormir de luz acesa - ela riu.
- E eu ainda não entendi a importância disso.
- Um dia você vai entender - ele abraçou-a mais forte, acabando com qualquer espaço que havia entre eles, ela colocou o notebook atrás dela logo que os lábios dele tocaram os dela. Ela sentiu a mesma coisa que sentiu na primeira vez que o abraçou, ela uma fã boba correndo atrás de seus ídolos, ao abraçá-lo seus braços começaram a formigar e suas pernas não demoraram ao fazer o mesmo, o cheiro dele já a deixara maravilhada, o vício começara naquele dia, o estômago dela dava violentas voltas, o mundo em volta parecia parar porque até então conseguir um abraço de Pedro Lucas Convá Munhoz parecia ser surreal e beijá-lo como ela faz agora ficava para os sonhos, mas agora a intensidade desses sentimentos aumentaram e ela fez uma nota mental de não beijá-lo de pé por não saber se conseguiria permanecer de pé, se suas pernas aguentariam. A única coisa que não mudou é a segurança que os braços dele em volta dela passavam, desde aquele dia ela soube que o porto seguro dela são os braços dele, naquele dia ela se sentiu protegida como nunca se sentira e isso se repete todas as vezes que eles se abraçam, ou nem precisa ser um abraço, apenas um toque dele ou o olhar já a deixa segura.
Do you know you're unlike any other? (Você sabe que você é diferente dos outros?)
You'll always be my thunder, and I said (Você sempre será meu trovão, e eu digo)
Your eyes are the brightest of all the colors (Seus olhos são os mais brilhantes de todas as cores)
I don't wanna ever love another (Eu não quero amar mais ninguém)
Patricia sussurou ao partirem o beijo e depositou vários beijos pelo rosto de Pe Lu, que tinha um sorriso bobo no rosto.
- Pe Lu - ele sorriu ao ouví-la dizer seu nome - Só para não perder o costume, é melhor você dormir - ele riu.
- Tá bom mamãe - ela o puxou para si fazendo ele deitar em seu ombro, como ela sempre faz com ele. Papéis trocados e eles dormiram.
CAPITULO 36
- Não gosto do despertador - Patricia falou enrolado e baixo ao acordar com o despertador, Pe Lu desligou o despertador e Patricia respirou fundo unindo coragem para abrir os olhos enquanto Pe Lu a observava sorrindo, ela abriu os olhos e viu o sorriso e o dono do sorriso que ela mais ama não deixando de sorrir também.
- Bom dia pequena! - ele deu um selinho nela.
- Bom dia meu amor! - ela espreguiçou e levantou da cama - Que preguiça.. a gente sai em quanto tempo?
- 10 minutos - ele levantou e fez uma careta, ela o abraçou.
- Me leva no banheiro - eles riram e ele a levou ao banheiro - Aonde você colocou meu óculos? - ela perguntou quando Pe Lu fechou a porta do quarto.
- No bolso menor - ele virou a mochila para ela que abriu o zíper e pegou seu óculos de sol - Para quê óculos de sol? - ele riu.
- Olheiras e cara de sono - ela colocou o óculos no bolso do moleton - Me dá essa mochila.
- Porque?
- Eu levo - ele entregou a mochila para ela que colocou em suas costas e o abraçou por trás encostando a cabeça nas costas dele.
- Ah entendi! - ele riu, ela colocou as mãos no bolso do moletom dele, ele fez o mesmo, entrelaçou os dedos deles e começaram a andar.
- Bom dia!! - Thomas falou quando os dois chegaram na recepção do hotel.
- Cadê a Patthy? - Koba perguntou.
- Bom dia - Pe Lu sorriu para todos - Ela está aqui atrás - ela tirou as mãos do bolso, pegou seu óculos e colocou.
- Bom dia - ela tentou sorrir ao aparecer, todos riram.
- Que sol né Patthy? - Pe Lanza falou, ela esticou o dedão.
Patricia ligou o celular ao sentar em sua cadeira no avião, todos na mesma posição em que vieram. Ela viu uma mensagem de Natalia: 'o pe lu não tá bem, cuida dele pra mim? beijo, te amo (L)' ela encostou a cabeça no banco e fechou os olhos, sua cabeça começou a girar e quando ela percebeu, uma lágrima começava a escorrer em seu rosto, ela limpou antes que alguém visse mas não adiantou.
- O que aconteceu? - Koba perguntou.
- Lê, eu vou dormir - ela entregou o celular para Pe Lu, segurou o urso forte e fechou os olhos tentando se desligar de tudo, tentando tirar toda a culpa que está sentindo mas apenas as cenas da noite passada vinham em sua cabeça e ela dormiu pensando em Pe Lu.
- Vai falar? - Koba perguntou para Pe Lu que olhou se Thomas e Pe Lanza estão dormindo.
- Eu e a Patthy ficamos ontem.
- Então porque ela chorou?
- Culpa - a boca dele ficou em uma linha reta - Ela é amiga da Ná, elas se consideram bastante.
- Mas e agora, vocês vão ficar como? E você com a Ná?
- Eu e a Patthy vamos conversar hoje e com a Ná não sei. Eu sei que a Patthy está confusa com isso, eu também estou mas o que ela quiser fazer por mim tudo bem porque é como ela falou ontem, nós temos uma conexão muito grande, antes de conhecê-la eu tinha um carinho pelo urso que ela me deu e ela me contou coisas que me deram medo no começo mas agora eu acho genial, uma ligação muito forte então eu sei que eu vou continuar amando ela e eu sei que ela ainda vai me amar.
- E ela te faz dormir com luz acesa! - Koba falou e riu, Patricia se mexeu, ela ouviu a conversa toda e chegou na parte em que ela não entende.
- Sim, durmo de luz acesa com ela. Lembra o que minha mãe diz sobre isso?
- Claro que lembro, ela diz que quando você encontrar a menina que te faz dormir de luz acesa é pra casar com ela! - Patricia se segurou para não sorrir.
- Olha, ela diz que quando sorri é que está sonhando comigo - ela se xingou de todos os nomes por não conseguir esconder o sorriso e não se lembrou de ter dito que quando sorri é porque sonha com ele.
- Sua mãe sabe?
- O que?
- Da luz.
- Acho que não, não vou contar não, ela vai deixar a Patthy com medo - eles riram, Patricia aproveitou que a risada deles foi alta e abriu os olhos.
- Nós te acordamos né? Desculpe.
- Parem de ser bobos, não tem problema! - ela sorriu.
- Você estava sorrindo - Pe Lu falou.
- Que novidade - ela arqueou as sombrancelhas e fez uma careta.
- Eu já disse, você não presta! - Patricia falou para Pe Lu que gargalhava - Não tem graça! - ela deu um tapa no braço dele, jogou a latinha de energético no lixo e pegou o rádio - Oi!
- Oi Patthy, tudo bem? - Lucas falou.
- Tudo e você?
- Também, você já está no HSBC?
- Já, porque?
- Estou aqui do lado de fora, tem como você vir aqui? - ela ficou de boca aberta e Pe Lu ficou olhando para ela.
- Você está aqui no HSBC?
- É! - ela balançou a cabeça e fechou a boca.
- Estou terminando de arrumar umas coisas aqui, daqui uns 10 minutos eu apareço por aí, tudo bem?
- Ah sim, sem problemas.
- Beijo - ela sentou no sofá e começou a tentar entender o que ele está fazendo lá.
- Você chamou ele para vir? - Pe Lu perguntou e tentou não transparecer sua irritação.
CAPITULO 37
- Não - ela levantou e respirou fundo - Vou ver qual dos dois vai lá fora comigo para vender os kits.
- Você está bem?
- Não, eu estou confusa - ela colocou as duas mãos na cabeça - Muito confusa! - e saiu do camarim procurando por Lú ou Willy.
- Vamos? - Willy segurou-a pelo braço, ela estava andando tão rápido e olhando para baixo pelos corredores que nem percebeu a presença do amigo.
- Ahh.. vamos! - ela tentou sorrir.
- O que aconteceu? - eles começaram a andar enquanto ela procura uma desculpa.
- O.. Lucas está lá fora... veio me ver - Willy sorriu maroto.
- Ele está na sua hein? - ela riu - Porque essa cara de enterro? Não era para você estar feliz?
- Eu estou assustada! Não esperava que ele viesse! Vamos logo! - ela pegou uma prancheta, caneta e a folha para anotarem os nomes - Você está com o dinheiro?
- Sim senhora! - eles foram para o portão, o segurança abriu e algumas meninas começaram a gritar, ela respirou fundo.
- É isso aí - eles se olharam e riram, começando a vender o kit camarim para as pessoas na fila, 10 minutos depois já venderam tudo, ela pegou o rádio e respirou fundo antes de chamar Lucas.
- Oi Patthy!
- Eu já estou aqui fora, aonde você está? - ela e Willy se aproximaram da grade para voltarem para dentro do HSBC.
- Me fala aonde você está que eu vou até você!
- Estou aqui na entrada.
- Já chego ai!
- Se ele pudesse vinha voando - Willy falou, ela riu e deu um tapa nele.
- Para de ser bobo! Eu não mereço ter que te aguentar!
- Mereçe sim - ele a abraçou de lado e ela encostou e cabeça no ombro dele.
- Nunca senti tanto sono! Que horror!
- Imagina os meninos que aguentam isso todos os dias.
- Pois é, e eu que pensava que vida de famoso era fácil - ela bufou e riu.
- Patthy! - ela procurou quem estava chamando seu nome e viu Lucas seguido por Leonardo, ela sorriu.
- Não acredito! - várias meninas começaram a gritar e a empurrar - Vem comigo! - ela, Willy, Lucas e Leonardo entraram, as luzes agora estão baixas, os meninos da banda estão ensaiando, Patricia abraçou Lucas e depois Leonardo - Não acredito que vocês vieram!
- A gente quis fazer uma surpresa - Leonardo falou.
- Surpresa! - Lucas levantou as duas mãos e fez uma cara boba fazendo Patricia gargalhar - Você não foi ontem na Royal, sentimos sua falta.
- Na verdade nem ele foi na Royal - Leonardo rolou os olhos.
- Calma, calma! Léo, Lucas, esse é o Willy! - os meninos se cumprimentaram.
- Eu vou procurar alguma coisa para comer, os meninos estão ensaiando, vão lá ver! - Willy falou, Patricia assentiu e ele saiu.
- Vamos mais para lá - ela foi e os meninos foram atrás, pararam há uns 10 metros do palco - Mas então, porque você não foi na Royal?
- Você não ia pra me ensinar a dançar, eu não ia lá para pagar mico - Lucas deu de ombros.
- Para de ser bobo, todo mundo sabe dançar! Até o Léo sabe dançar! - Patricia e Lucas riram da cara de indignado que Leonardo fez - Brincadeirinha xuxuzinho - ela o abraçou e deu um beijo na bochecha - Presta atenção, você só tem que seguir o ritmo da música - ela falou enquanto Pe Lanza cantava 'Pedindo a Deus para que isso nunca tenha fim', ela começou a dançar com a música, olhou para Lucas e ele apenas a observava - Não é pra ficar só me olhando.
- Mas é bom - ela riu e segurou as mãos dele, puxando-o para mais perto, ele continuou parado.
- Você não quer que eu mexa suas pernas também né? É melhor aprender aqui do que na balada.
- Acredita em mim, é pior - Leonardo falou, Patricia sorriu para ele.
- Viu, até o Léo concorda! Ouve a música e segue o ritmo.
Já não importa o que passou
Ou se em tudo a gente errou
Deixa eu te fazer feliz
Como eu sonhei
Como você sempre quis
Patricia e Pe Lu cantaram o refrão olhando um para o outro, ela fez uma careta para disfarçar e foi acompanhada por ele. Patricia balançou o braço de Lucas e ele começou a mexer as pernas, ela sorriu encorajando-o.
- Mas me conta como foi na Royal ontem - Patricia soltou uma mão de Lucas e puxou Leonardo para frente dela voltando a segurar a mão de Lucas que entrelaçou os dedos deles.
- Todo mundo reclamou que você ficou agitando para ir e acabou não indo!
- Ah não tenho culpa, foi uma emergência deles.
- Eu sei, não tem como dizer não - ela sorriu.
- Isso - ela levantou os braços e Lucas riu baixo - Dança, vai!
- Está bem - ele se soltou mais, ela sorriu para ele e olhou Leonardo para ele continuar a falar.
- Fora isso foi normal, todo mundo ficou dançando e como sempre tem uns que exageram, sairam de lá quase carregados e falando mais merdas do que o normal.
- Sempre acontece isso - ela negou com a cabeça - Mas e você na sexta, bebeu mais depois que eu sai?
- Não - Lucas começou a rir.
- Bebeu sim!
- Que nada!
- Claro que bebeu, seu pai ficou brigando com você, lembra?
- Não - Patricia começou a rir e Lucas puxou os braços para trás fazendo Patricia ficar abraçada nele - Só lembro até a hora que você voltou depois que a Patthy foi embora - ele coçou a nuca.
- Ai você bebeu alguma coisa forte que subiu na hora e ai já era! Seu pai falou muito na sua cabeça cara.
- Engraçado que ele falou pra mim mas foi você que ouviu - Patricia não conseguiu conter uma gargalhada.
- Ai desculpa - Lucas sorriu e ela encostou a testa na bochecha dele - De boa, não sei se vou conseguir ir na escola amanhã! Eu praticamente não dormi!
- O que você ficou fazendo? - Leonardo deu um sorriso safado e olhou para Pe Lu, Patricia riu de nervosismo ao ver que Pe Lu a observava abraçada com Lucas.
- Nossa seu idiota! Sexta cheguei em casa umas 6 da manhã, acordei as 11, quando cheguei no Paraná dormi um pouquinho de tarde e depois fui dormir só 2 da manhã, acordei umas 5 horas depois e estou acordada até agora. Depois dessa não quero mais ser famosa, dá muito trabalho credo!
- Você não pode dormir até abrirem o portão? - Lucas perguntou.
- Abre em menos de 2 horas, ainda tenho que ir arrumar o stand com os meninos mas eu tomei meio energético porque a outra metade o idiota do Pe Lu derrubou no chão, vou aguentar - ela sorriu para eles - Vocês querem comer? - os dois negaram.
- Patthy - Pe Lu a chamou pelo microfone, ela olhou para ele - Sobe aqui no palco, alguém está precisando da sua ajuda. Ah e aó Léo e Lucas, certo? - ele sorriu cínico para Lucas, os meninos acenaram - Podem vir com ela também - Patricia puxou os dois pela mão.
- Quem precisa de mim? - ela olhou desconfiada para Pe Lu.
- O Koba, ele insiste em não querer dançar. Hoje todos nós vamos dançar - ela sorriu para Koba.
- Porque não Kobinha? - ela chegou perto dele.
- Não ué, não gosto de dançar.
- Não sabe dançar? - ele afirmou - Ok, temos um problema que passa de Lucas Oliveira para Lucas Oliveira - todos ficaram sem entender - Tá, tá, tá, eu explico! Lucas vem aqui - ela sorriu para ele enquanto ele ia até ela - Vocês dois - ela olhou para Lucas e para Koba - São uns bobos por dizerem que não sabem dançar e por incrível que pareça, os dois tem Lucas Oliveira no nome! Preciso de uma música animada para fazer os dois dançarem. Pe Lu - ela olhou para ele que sorriu, ele sabe qual música por - Aliás, você não colocou a música ontem né.
- Eu ponho agora pequena - ela sorriu e ele foi até a mesa de som.
- É só seguir o ritmo da música, deixar seu corpo seguir as batidas da música, você tem que ficar com o corpo solto e se deixar levar, não é difícil e eu sei que vocês dois conseguem - Party Girl começou a tocar, Patricia ficou esperando Pe Lu aparecer e sorriu para ele, todos se juntaram no meio do palco dançando, Patricia não saiu de perto de Lucas e Koba até que eles começaram a dançar um pouco.
- You're such a little party girl (Você é uma garotinha tão baladeira) - Pe Lu sussurou quando ela passou por ele, ela olhou para ele, sorriu e jogou o cabelo, pegando um pouco no rosto dele que sorriu.
CAPITULO 38
- Você não vai ficar ai sozinho! - ela fez um bico para Leonardo - Vamos mais para o meio, eles não mordem!
- Que isso? Festa sem mim? - Willy apareceu de braços abertos e bravo, Patricia riu.
- A gente começou agora, relaxa, você pegou a festa ainda no começo - ela piscou para ele que foi dançar.
- Vem, vem, vem - Patricia puxou Leonardo, logo Memories começou a tocar, Patricia pulou no pesçoco de Pe Lu abraçando-o - Você sabe mesmo o que eu gosto - ela sussurou e deu um beijo na bochecha dele antes de voltar a dançar - Ô meu Deus, que orgulho de vocês! Você conseguiu Kobinha! - ela o abraçou - E Parabéns novinho! - ela abraçou Lucas.
- Novinho? - Pe Lanza perguntou.
- É, ele está no primeiro ano aé eu chamo de novinho.
- Mas..
- Mas ele tem a mesma idade que eu - ela não deixou Lucas falar, revirou os olhos e ele riu - Ele repetiu de ano - ela falou baixo e gargalhou - Brincadeira mas eu to ligada em você, viu pancinha de leite - Willy gargalhou e Pe Lanza fez uma careta.
- Eu estou com fome, a gente pode terminar o ensaio? - Thomas falou.
- Vamos terminar, faltam só mais duas músicas. Vocês podem ir comer se estiverem com fome - Pe Lu falou.
- Isso se o Willy não comeu tudo né - Patthy falou enquanto descia do palco seguida por Lucas, Leonardo e Willy.
- Ow e aí? Eu não sou assim não - ela olhou para Willy - Tá bom, talvez um pouco - ele riu - Mas tem muita comida lá, um banquete!!
- Então mostra aonde está esse banquete - Willy tomou a frente e os levou até uma sala com uma mesa grande cheia de comida, quase um banquete mesmo - Cadê o note do Pedro Lucas? - Patricia perguntou quando pegou um salgadinho.
- Ui, Pedro Lucas? Está brava? - Leonardo falou.
- Não, é legal falar Pedro Lucas! - ela riu.
- Acho que está dentro da mochila - Willy falou, Patricia foi até a mochila e pegou o notebook, sentou no sofá e ligou o notebook.
- Algum anjo pode pegar alguns salgadinhos e por em um prato para mim? Ah, e pegar um pouco de refrigerante, por favor? - Willy e Lucas reviraram os olhos.
- Qual refrigerante? - Willy perguntou e Lucas foi pegar os salgados, Leonardo sentou ao lado dela.
- Guaraná né bebê e você seu folgado, não vai fazer nada pra mim? - ela riu.
- Estou te fazendo compania, não está bom?
- Talvez - ela olhou superior para ele e o abraçou - Brincadeira.
_patthy quem está aqui no hsbc já sabe quem é a outra surpresa! vocês já estão sabendo quem é?
_patthy além do @luhdb o @Willy24horas vai estar comigo no merch hoje!!
_patthy e eu recebi duas surpresas aqui no hsbc! hoje ninguém estraga minha felicidade ((:
_patthy quem eu vejo aqui no hsbc?
nahcardoso @_patthy eeeei gatinha, recebeu minha msg?
_patthy @nahcardoso não, celular e rádio sem bateria ://
- Porque você está mentindo para ela? - Leonardo falou e Patricia deu um cutucão nele.
- Shiu, fala baixo! É um rolo, depois eu te conto - ela falou baixo.
- Estou até com medo de saber - Willy entregou o refrigerante para ela, se intrometendo na conversa.
- Obrigada coisinha linda - ela sorriu - E eu não sei como isso vai acabar - ela respirou fundo e Lucas sentou ao lado dela com um prato de salgadinhos - Aun, obrigada meu amor. Sério, vocês são muito fofos, estou com vontade de apertar a bochecha de vocês! - eles riram
nahcardoso @_patthy mas deve estar tudo bem. depois a gente se encontra ai o hsbc! :) que saudade
_patthy @nahcardoso sim simm! saudades mesmo cabeçinha ):
- Quem é ela? - Lucas perguntou.
- Tira o olho, ela já tem dono! É namorada do Pe Lu! - ele riu.
- Não perguntei por isso, é que eu já vi ela em algum lugar.
- Sexta, dentro do carro.
- Ah é mesmo!
- Mas e você e o Pe Lu, brigaram de novo? - Willy perguntou.
- Vocês brigaram?! - Lucas ficou assustado e começou a pensar em mil motivos para os dois brigarem.
- Não brigamos mais não. Relaxa novinho! Não foi uma briga, foi uma discussão porque o Pe Lu ficou insistindo que eu fiquei com você na sexta, eu falei que não aá ele ficou dizendo que não tinha problema eu contar a verdade, fiquei brava mas depois a gente ficou de boa.
- Você é o menino que estava com a Patthy lá no bar sexta! - Willy falou.
- Finalmente! - Patricia bateu palmas - Demorou hein?
- É sou eu e pelo jeito fui o motivo da briga.
- É legal né ser o motivo de briga de outras pessoas - Patricia falou - Eu já fui o motivo de umas brigas, é engraçado.. Quando as brigas acabam bem, claro! - Lucas riu.
- Olha as coisas que você fala! Você ouve o que você fala? - Leonardo falou e Patricia deu um tapa nele.
- Claro que ouço! Eu quero a foto que a gente tirou agora de pouco. Os meus homenzinhos juntos! - eles riram.
- Você e seus homens, se sentiu toda, toda, tenho certeza! - Willy falou.
- Claro! Só os mais lindos e todos meus - Patricia passou o braço pelo pescoço de Lucas.
- Como a gente não tinha pensado nisso antes? - Pe Lu entrou com Marcos, o 'chefe' dos meninos da banda.
- Olha a mente brilhante que pensou nisso - Pe Lu apontou para Patricia e ela ficou sem entender.
- O que eu tenho a ver com isso?
- Do kit camarim, colocar o nome da pessoa que comprou em uma lista, pegar o kit antes ou depois de entrar no camarim. Você é uma gênia! - ele deu um beijo na cabeça dela que riu.
- Menos Pe Lu, menos! - ele sorriu ao ouví-la dizer seu nome.
- Obrigada - Marcos falou.
- Imagina! - ela sorriu e Koba, Pe Lanza e Thomas entraram na sala gritando.
- Eu preciso falar com você - Lucas cochichou para Patricia que assentiu com a cabeça.
- Vou conversar com o Lucas, já volto - ela falou para Leonardo e os dois levantaram, Lucas segurou a mão dela e começou a andar.
- Aonde vocês vão? - Pe Lu perguntou.
- Conversar, quando o Lú chegar fala para ele ou para o Willy me chamarem no rádio se eu não tiver voltado!
- Está bem.
- Ah, a Ná pensa que o meu celular e o meu rádio estão sem bateria, se ela te ligar ou sei lá - ele assentiu e ela saiu com Lucas - É sério, eu estou preocupada, você ficou quieto de repente - eles foram até perto do palco.
- É que eu queria te falar só que não sabia como começar, até agora eu não sei como começar, eu nunca contei isso para ninguém. É sobre eu ter entrado depois, eu disse que ia te contar.
- Mas se você quiser não precisa.
- Eu quero, eu quero que você saiba isso sobre mim.
- Pode levar o tempo que quiser, eu vou estar aqui ouvindo - ela sorriu e ele respirou fundo.
- Quando eu tinha uns 8 anos minha mãe saiu de casa, ou melhor, fugiu. É, fugiu é a palavra certa. Ela deixou uma carta dizendo que estava cansada de tudo, escrevendo a palavra tudo em letras maiúsculas. Eu estava na segunda série, fiquei desconcertado, minha mãe era tudo para mim até então. Ah sim, meu pai disse que ela tinha ido viajar mas isso só funcionou nas primeiras semanas ai ele me contou que ela tinha ido embora e que não ia voltar mais, foi ai que eu fiquei desconcertado - ele olhou para Patricia que está o olhando de boca aberta, tentando absorver tudo - Eu não dormia porque eu estava acostumado a dormir com a minha mãe me contando histórias, eu tirava cochilos de 20 minutos no máximo então acordava torcendo para ouvir a voz dela em qualquer canto da casa ou então entrar no quarto dos meus pais e vê-la dormindo, pular em cima dela e ela me dar bronca mas isso não acontecia e então eu chorava - Patricia percebeu que os olhos dele começaram a marejar e segurou as mãos dele - Nesse ponto meu pai já se amaldiçoava o tempo todo por não ter sido tão presente na minha vida até aquele momento, ele se culpava porque se ele tivesse contado histórias para mim algumas noites quem sabe eu não sofresse tanto. Ele sofreu mais por mim do que por ele mesmo que sabia que uma hora ou outra ia se separar da minha mãe mas ele não pensou que ela faria o que fez, então, ele conheceu a mulher que ele é casado hoje, quero dizer, eles já se conheciam há muito tempo, trabalhavam juntos, ela percebeu a situação que ele estava e se ofereceu para ajudar e aí foi aquela coisa, eles se apaixonaram e eu passei a gostar dela, passei a aceitar a ideia de tê-la no lugar da minha mãe. Eles se casaram e ela me ajudou a voltar ao normal, ela lia as histórias para mim e fazia tudo que minha mãe sempre fazia para mim mas eu percebia que ela fazia porque queria, eu era pequeno mas sentia que minha mãe, na maioria das vezes, fazia por obrigação. Até uns 10 anos eu acreditava que minha mãe ia voltar mas um dia parei e começei a pensar, se ela não estivesse realmente cansada de mim ela teria me levado junto, a partir desse dia começei a deixá-la de lado mais e mais, passei a chamar a mulher do meu pai de mãe e é isso.
- Você... - ela o abraçou - Você é muito corajoso. Você se tornou meu exemplo, sério - ela começou a pensar em tudo que ele acabara de falar e não se conformou, não conseguiu entender como alguém consegue deixar uma criança pequena, ela começou a chorar.
- Ela me procurou esses dias - Patricia se afastou dele e enxugou as lágrimas, o choro foi embora ao ouvir o que ele disse.
- O que?
- É, ela falou com o meu pai, ele até tentou passar o telefone para mim mas eu não quis, ela insistiu para que o meu pai anotasse o telefone dela e deixou lá na minha mesa do computador para quando eu quiser telefonar para ela.
- E você vai ligar?
- Não sei, eu estou confuso.
- Eu te entendo. O melhor que você tem a fazer é seguir seu coração, só ele sabe o que fazer - ela sorriu e o abraçou de novo - E se você precisar, nem precisa pensar duas vezes em me chamar.
- Eu sei que posso, por isso te contei isso. Você está com dó de mim?
- Tive dó de você quando você era pequeno, agora eu tenho orgulho de você e um pouco de inveja, não sei se eu conseguiria passar por isso - ela colocou uma mão no cabelo dele e começou a fazer carinho, deu um beijo demorado na bochecha dele.
- Eu passei por aquilo com a ajuda do meu pai e da minha mãe, não sei porque mas eu estou sentindo que vai ser difícil de novo mas dessa vez você vai me ajudar.
- Pode ter certeza que tudo que eu puder e conseguir, eu vou fazer e obrigada por confiar em mim - ela sentiu uma vontade imensa de beijá-lo mas se segurou.
- Obrigada você por me passar confiança - ele voltou a abraçá-la e ficaram ali abraçados até que alguém a chamou no rádio.
- Oi.
- Daqui 5 minutos a gente se encontra no stand, pode ser? - Willy falou.
- Tudo bem - ela desligou o rádio - Eu quero tomar alguma coisa, vamos lá? - ele confirmou com a cabeça e estendeu uma mão, Patricia ficou apreensiva, entrar na sala de mãos dadas com Lucas, ela colocou a mão sobre a mão dele que entrelaçou os dedos, eles começaram a andar e ela começou a torcer para o Pe Lu não estar mais na sala.
CAPITULO 39
- Achei que vocês tinham se perdido por aqui! - Leonardo falou ao vê-los na porta, ela passou os olhos pela sala e viu Pe Lu de costas.
- Você vai querer tomar alguma coisa? - ela perguntou.
- Uma coca.
- Então eu pego para você dessa vez - ela se soltou dele e foi até a mesa com copos, que por sinal é perto de onde Pe Lu está.
- Ei, você apareceu! Eu e o Léo começamos a ficar preocupados! - ela pegou dois copos, Pe Lu pegou uma garrafa de guaraná e entregou para ela que sorriu.
- Vocês dois juntos vou te contar viu! Pega a coca por favor? - ela falou enquanto coloca o guaraná no copo.
- Ah o Willy também! - ele pegou a coca.
- É mesmo, vocês três acabam com a minha vida - ela deu um beijo na bochecha dele e fechou o guaraná - Quero dizer uma coisa que acho que vai te deixar sem graça! - ela riu e pegou a coca.
- Vish, lá vem. O que é dessa vez?
- Espera, deixa eu terminar de colocar a coca, eu quero olhar para você quando eu disser - ela colocou coca no copo para Lucas e Pe Lu esticou o dele, ela tampou a garrafa e olhou para ele.
- Pode falar - ele ficou com medo.
- Ahn, hoje no avião eu ouvi sua conversa com o Koba - Pe Lu quase cuspiu coca em Patricia e engasgou - Pe Lu!!! - ela começou a bater nas costas dele que começou a tossir e rir, ela começou a rir da cara de susto que ele fez.
- Você ouviu? - ele falou em meio a várias tosses, ela continuou rindo.
- Ouvi, não precisava ter feito tudo isso Pedro Lucas! Eu nunca disse que quando eu sorrio enquanto durmo é porque estou pensando em você seu exibido! - ela deu um tapa no braço dele que gargalhou.
- E você falou o que?
- Eu sorrio enquanto durmo quando estou feliz!
- Não é a mesma coisa? - ela riu.
- Claro que não seu idiota! E eu realmente estou com medo dessa de me casar com você, estou oficialmente fugindo de você - ela começou a andar com os copos na mão.
- Epa, epa, epa! Não conta para a minha mãe - ele seguiu ela.
- De boa, eu acho que já contei! Ela não fez nada - ela entregou o copo para Lucas e sorriu.
- Você contou? Ela não falou nada?
- Acho que não, eu não lembro se contei ou não, se ela falou ou não. Pelo menos eu não me lembro dela ter dado nenhum chilique nem nada mas pode deixar que agora eu não toco mais no assunto perto dela - eles riram.
- Segredos de irmãos - Leonardo negou com a cabeça - Que coisa feia mentir!
- Se fecha Leonardo, muito obrigada! - Patricia falou.
- Vamos? - Willy apareceu.
- Vamos - Patricia sorriu - Eu vou arrumar as coisas, se vocês quiserem podem ir comigo mas eu acho que aqui está melhor né, comida e bebida, daqui a pouco estou de volta, não chorem - ela fez bico e Pe Lu olhou para ela dizendo que aquele bico tem que sumir - Tchau Pedro Lucas! E olha que beleza, o Willy está indo para lá, vai sobrar mais comida.
- Pô é agora que eu fico! - Leonardo falou.
- Aproveita e apresenta o Lucas para eles - Patricia sorriu e saiu acompanhada de Willy.
- O que você foi conversar com o Lucas que voltou de mãos dadas com ele? - Willy sorriu maroto, Patricia gargalhou e sacudiu a cabeça negando.
- Nada do que você pensa, você só pensa besteiras!
- Você não sabe as coisas que eu penso.
- Mas o seu rosto diz tudo! Eu conversei com ele sobre uns problemas dele, não sei mas eu acho que a coisa está ficando meio séria, ele disse que nunca contou para ninguém.
- É, é sério sim. Agora todos os meninos dessa nossa linda São Paulo vão ficar tristes, menos uma menina linda livre - ela riu.
- Para seu besta, com ele eu tive o que aconteceu com o Léo, a afeição instantânea mas é diferente, eu tenho vontade de estar perto dele e com o Léo eu quero conversar e falar besteiras.
- Apaixonada!
- Vocês viram esse jornal que genial? - Pe Lu correu até o stand seguido de Leonardo e Lucas, Patricia pegou da mão dele e começou a ler, com notícias da Restart.
- Ah que lindinho! Eu quero um pra mim.
- Pode ficar com esse pequena, lá dentro tem mais - ela sorriu, Lucas chegou perto dela e bateu de leve com o jornal na cabeça dela.
- Você pensa que é quem menino? - ela enrolou o jornal e bateu no braço dele, ele bateu de volta e eles começaram a um bater no outro - Chega, está coçando meu braço - ela coçou o braço.
- O meu está ardendo!
- Bem feito - ela riu - Vem aqui, deixa eu ver - ele mostrou o braço todo vermelho para ela - Ah, como eu sou fortinha! Desculpa - ela passou o braço dela pelo dele - Pe Lu, preciso de outro jornal - ele riu.
- Não mandei você amassar para bater no Lucas!
- Acho que mais alguém aqui quer ficar com o braço vermelho! - ela falou e olhou para Pe Lu - Não precisa de outro não, esse só amassou um pouquinho, ainda dá pra ler!
- Eu vou para lá, daqui a pouco eles abrem esse portão e se eu estiver aqui já era! Então antes do show começar eu te bipo para você ir para lá! - Pe Lu falou olhando para Patricia.
- Entendi bonitinho, relaxa! - ele saiu correndo.
- Você é cheia de inventar apelidos para os outros né? - Luis falou.
- Sim, é legal! Não são apelidos, são jeitos fofos para chamar as pessoas, eles sempre dão risada, eu chamo o Pe Lu de bonitinho ele ri, o Lucas de novinho e ele também ri, o Léo de xuxuzinho e também ri! Willy, você ri quando eu te chamo de bebezinho? Nunca reparei - ele riu.
- Não mas acho engraçadinho.
- Viu! Eu devo ser uma palhaça. Vou te chamar de fofura, tá bom Lú? - Luis riu - Até você ri!
- É engraçado! Meninos, acho melhor vocês virem para cá, as meninas lotam aqui - eles pularam uma grade e ficaram dentro do stand.
- Acho que daqui a pouco o show começa, vamos - Patricia falou para Lucas, Leonardo, Willy e Luis, eles foram desviando das pessoas, parando algumas vezes para alguém tirar foto com Willy ou com Luis - Ê chegamos! - Patricia falou ao entrar no camarim.
- Ei gatinha! - Natalia falou ao vê-los entrando, elas se abraçaram e Patricia se sentiu mal mas tentou esconder.
- Tudo bem?
- Ótimo e você?
- To bem, deixa eu te apresentar os meus dois xuxuzinhos, esse é o Léo - ela apontou para a sua direita - E esse é o Lucas - apontou para a esquerda - E ela é a Ná.
- Oi meninos - Natalia sorriu para eles que fizeram o mesmo, ela foi falar com Willy.
- Desculpa - Pe Lu sussurou e Patricia ficou sem entender.
- Porque?
- Por isso, pela culpa que você está sentindo, eu vi o jeito que você tentou disfarçar, você conseguiu enganar os outros mas a mim não - ela deu um meio sorriso.
- Para com isso, a gente conversa sobre isso em casa. Lá está lo-ta-do, se concentra no show! A tia já está chegando?
- Eu falei com ela antes de vocês entrarem, ela disse que já está no bairro.
- Acho que eu já vou para lá, daqui a pouco todos chegam e vai ficar cheio - ela o abraçou - Bom show bonitinho - ela sussurou.
- Isso é o que eu precisava ouvir, obrigada meu amor - ele usou o mesmo tom que ela, eles se soltaram e ela foi até Thomas, Pe Lanza e Koba.
- Eu já vou para o meu lugarzinho, bom show para vocês meus amores! - ela abraçou cada um deles - Vamos lá para o camarote? - ela perguntou para Lucas e Leonardo.
- Vamos, quero sentar! - Lucas falou.
- Eu também! Ná! - Natalia olhou para ela - Eu já estou indo, você vem também?
- Espera que eu vou com vocês! - Natalia foi se despedir dos meninos e Patricia virou a cara quando ela foi com Pe Lu, Leonardo colocou a mão no ombro dela.
- Calma - ele falou, ela passou a mão pelo cabelo e respirou fundo.
- Obrigada - ela sorriu.
- Vamos! - Natalia correu até eles.
- Sua mãe veio? - Patricia e Natalia foram na frente e os meninos logo atrás.
- Veio, ela está morrendo de saudades de você e mimimi, daqui a pouco vai me trocar por você! - Patricia riu - Meu irmão também!
- Ele vai te trocar ou ele veio?
- Os dois!
- Eu estou com saudades deles.
- Também faz o que? Umas duas semanas que você não aparece lá em casa?
- Eu vou arrumar um tempinho para levar a tia na piscina! - elas riram.
- Ei, você é o menino do bar né? - Natalia virou para Lucas.
- Eu mesmo, o que causou a briga.
- Para de ficar falando na briga! Já passou!
- Patthy! - Cristina, a mãe de Natália falou ao ver as meninas.
- Tia! - Patricia a abraçou - Tudo bem?
- Tudo e você? Ah que saudades!
- Nem me fale em saudade! Jú! - Patricia abraçou Júnior, o irmão de Natalia.
- Tudo bem? Você tem que parar de sumir.
- Pode deixar, eu paro de sumir!
- Esses são Léo e Lucas, Cristina e Júnior - Patricia apontou conforme falava os nomes, eles sorriram e acenaram com a cabeça.
- Você está aqui há quanto tempo mesmo? A vida inteira? Você conhece muita gente! - Lucas falou quando se sentaram e Patricia riu.
- A família que eu fui me meter, deu nisso! Mas é sério, na minha vida nunca conheci tanta gente como conheci agora que vim para São Paulo, eu sempre fui de poucos amigos, é estranho para mim. Conheco muito mais gente, ainda mais agora que me chamaram para ser uma YesGirl, geralmente todas são amiguinhas, fazem fofoquinhas e tal, coisas fúteis.
- Porque você aceitou? - Leonardo perguntou.
- Ah, a Ná me implorou para aceitar, estou lá mais por causa dela mas quem sabe eu não gosto? Só não quero me tornar uma fútil.
- A gente não deixa você se tornar uma fútil - Lucas sorriu para ela.
- Oun, obrigada!
- Acho que agora é a hora que todo mundo vai rir! - Pe Lu falou - Cada um de nós escolheu uma música para dançar mas a gente não queria ter que dançar sozinho, então os quatro chegaram em uma música.
- Eu não acredito! - Patricia começou a rir e cutucou Natalia - Eu sei qual música eles vão dançar.
- Qual?
- A nossa! O Pe Lu me perguntou o nome dela hoje, deve ser para isso - as duas começaram a gargalhar.
- Bota o som na caixa! - Pe Lanza falou.
We R Who We R da Ke$ha começou a tocar, as duas se olharam e começaram a dançar, como fizeram na primeira vez que foram na balada, como sempre fazem, basta um olhar e elas entendem o que a outra quer dizer, Patricia agradeceu por Natalia entender seus olhares só quando tem música envolvida.
Patricia levantou com sede, olhou no relógio 02:20, ela fechou os olhos e desejou que tudo se resolva, respirou fundo e foi até a cozinha, colocou água no copo e ficou observando o copo com água, começou a pensar que ela quase beijara Lucas, vontade não faltou e então ela se lembrou de Pe Lu, tudo que acontecera na noite passada, um barulho na porta da sala a fez pular, ela pegou o copo e começou a tomar a água, a porta da sala se abriu, Pe Lu entrou e logo olhou na cozinha que está com a luz acesa.
CAPITULO 40
- Ei pequena, ainda está acordada? - ela olhou para ele e sorriu.
- Só vim tomar água. Você em casa antes das 3 da manhã? Que estranho - ele riu baixo.
- A gente vai conversar amanhã?
- É, nem que eu quisesse conversar hoje não dá, eu não sei o que falar, eu estou tão confusa. Parece que a cada hora só piora! - ela sentiu algumas lágrimas que teimam em vir, fechou os olhos e respirou fundo, quando abriu os olhos viu Pe Lu tão perto e sentiu seus braços em volta dela.
- Calma. É o Lucas, né? - as lágrimas escorreram quando ela se lembrou do que Lucas contara, ela deixou o copo na mesa e enxugou as lágrimas.
- É, é o Lucas... mas... mas não é o que você está pensando, eu acho. O que você está pensando?
- Que você está começando a gostar dele.
- Não e acho que você deveria desistir da carreira de go go boy depois daquela sua dança hoje - ela mudou de assunto, ele riu.
- Mas as meninas que entraram no camarim disseram que eu dançei bem.
- Então tá, quem sou eu para contrariar todas as meninas? - ela deu de ombros - Preciso dormir, amanhã a gente conversa, pode ser?
- Quando você quiser - ele deu um beijo nela que agradeçeu por ele ter segurado sua cintura porque se dependesse das pernas dela, ela já estaria no chão - E uma última coisa, deixa um espaço na sua cama para mim - ela riu e revirou os olhos.
- Você não tem jeito né Pedro Lucas?
- Eu não mandei você me deixar mal acostumado - ele disse enquanto distribuia beijos no rosto e no pescoço dela.
- Capaz de eu chegar da escola amanhã e você ainda vai estar dormindo - ela deu um selinho nele - Tá, eu tenho que ir.
- Ah não - ele a beijou e começou a andar pela casa sem partir o beijo.
- Vai tomar banho - ela falou entre selinhos - Vai amor da minha vida - ele se arrepiou com o que ela falou e ficou olhando para ela que riu baixo - Sabia que se eu dissesse isso você ia parar. Eu vou te amar mais ainda se você for tomar banho agora - ela fez bico.
- Patricia! Não faz esse bico! - ele tentou ficar bravo e ela gostou de ouví-lo chamando-a de Patricia, até então ela odiava que a chamasse assim mas apenas na voz dele ficou bom, para ela qualquer coisa que ele diz fica bom, a voz dele é a paz dela.
- Estou te esperando no quarto. Essa frase foi sexy, eu sei - eles riram, ela o empurrou para dentro do banheiro e foi para o quarto, deitou na cama e sorriu por não ter caído quando o beijou de pé, ele ficou se xingando por não resistir a cara manhosa dela e tratou de tomar banho rápido. Pe Lu saiu do banheiro, foi para seu quarto, vestiu uma roupa e entrou no quarto de Patricia que mexia no urso que ela lhe dera.
- Ei pequena, ainda não dormiu?
- Não foi só você que ficou mal acostumado - ele sorriu.
- Achei que era só eu que fico rolando naquelas camas de casal gigante tentando dormir.
- Nunca! Eu só dormi fácil quando a gente chegou no HSBC porque eu estou cansada demais, eu dormiria facilmente agora se eu não soubesse que você está aqui, está fazendo o que ai de pé? - ela levantou o edredom para ele deitar.
- Adoro as mandonas - ela riu e ele deitou ao lado dela, eles ficaram se olhando, cada um olhando o rosto do outro, na opinião dele, mesmo ela estando com sono continua linda e na opinião dela, mesmo com a cara de bobo que ele está continua lindo. Ela colocou a mão no rosto dele e acariciou sua bochecha, ele colocou a mão na nuca dela e a beijou, ele gosta do que sente quando se beijam, suas bocas parecem ter o encaixe perfeito, suas línguas parecem se conhecer há tempos, ela torce para que ele não sinta quão acelerado seu coração está e também pensa quando tudo que ela sente no momento em que o beija vai passar, esse turbilhão revirando em sua barriga, pernas e braços dormentes - Hora de dormir - ele disse relutante ao partir o beijo, já não basta ela estar confusa e chorar por isso toda hora, dormir nas aulas amanhã por culpa dele também? Ele não queria atrapalhá-la mas é isso que está fazendo, ela se encostou entre o ombro e o pescoço dele como sempre faz, ele puxou a mão dela até seu peito - Não é só você que fica assim - ela sentiu o coração dele acelerado e sorriu.
- Bom saber - ela deu vários beijinhos no pescoço dele que a abraçou - Não esquece de sonhar comigo.
- Você também pequena.
- Eu definitivamente também não gosto de despertador - Pe Lu falou e se mexeu na cama, Patricia desligou o despertador e coçou os olhos.
- Bom dia - ela sussurou, deu selinho nele e se levantou, pegou camiseta da escola, o shorts, lápis de olho e foi para o banheiro enquanto Pe Lu ficou tentando abrir os olhos.
- Uou, vai de calçinha para a escola? - Pe Lu falou do shorts de Patricia quando ela voltou para o quarto, ela riu e revirou os olhos.
- Besta, não é tão curto - ela olhou para o shorts, um pouco acima do meio da coxa.
- Não, imagina! Os meninos da sua escola vão amar! - ela pegou um moleton e vestiu.
- Você já olhou para os que a sua irmã usa? - ela pegou meias, tênis e sentou na ponta da cama.
- Minha irmã é minha irmã - ele deu de ombros e ficou olhando para as pernas de Patricia.
- Mas eu também sou sua irmã! - ele riu e a puxou pelo braço, trazendo-a para cima de si - Não sou?
- Bom - ele deu um pigarro e colocou as mãos nas coxas dela que o beijou.
- Pe Lu - ela puxou o cabelo dele para trás - Sua mãe pode entrar aqui a qualquer momento para me chamar porque eu estou demorando para ir tomar café da manhã - ele bufou.
- Ok - e saiu de cima dela que colocou o tênis rápido e chegou perto dele, beijando-o de novo.
- Agora eu vou - ela falou dando selinhos nele, levantou da cama e saiu do quarto - Bom dia!!! - Patricia falou para Naira e Teresa.
- Bom dia filha, descansou?
- Descansei sim - ela sorriu e sentou na frente de Naira.
- Vou ver se os tostex estão prontos - Teresa foi até a cozinha e Patricia colocou as pernas na cadeira do lado.
- Bom dia NaiNai, acorda! - Naira deu um meio sorriso - O que aconteceu?
- Marcos.
- Então depois você me fala - Patricia sorriu e Teresa voltou com os lanches para as meninas, cada uma pegou um.
- Bom dia meus amores! - Pe Lu apareceu na copa, Patricia viu Naira e Teresa olharem para ele assustadas e tentou imitar.
- Você acordado essa hora? - Naira falou.
- Eu fiquei com sede, calma - ele foi para a cozinha.
- Ressaca! - Patricia falou alto e ele gargalhou - Pedro, traz uma colher para mim por favor?
- Você quer comer? - Teresa falou e se levantou para dar um beijo no filho.
- Ah, eu quero - ele entregou a colher para Patricia - Mais alguma coisa madame?
- Por enquanto não - ela sorriu.
- Eu vou fazer um tostex para você - Pe Lu deu um tapa na perna de Patricia, ela fez uma careta e tirou a perna, ele sentou e ela colocou as pernas no colo dele.
- Que isso? - ele fingiu indignação, ela fez uma careta e o ignorou.
- Pega metade do meu, depois me dá metade do seu e fica quieto - Patricia falou dividindo o dela e entregando para ele que sorria, ela se lembrou do que ele dissera noite passada sobre gostar das mandonas e riu.
- A propósito, eu vou voltar para a sua cama, já está quentinha.
- Tenho outra opção? - ele negou com a cabeça.
- Você não está com frio Patthy? - Naira perguntou e Pe Lu olhou para Patricia com uma cara de 'não te falei?'
- Ah, não e outra, tenho educação física e eu gosto desse shorts da escola.
- Gosta porque você tem corpo - Naira falou com desdém, Pe Lu olhou para as pernas de Patricia e colocou uma mão no joelho dela.
- Nada a ver! Não tenho corpo, eu só gosto das minhas pernas - Pe Lu começou a se lembrar dos dias que eles foram na piscina, se perdendo nos pensamentos.
- Como você consegue?
- Já ouviu falar em academia? - Teresa apareceu com o lanche para Pe Lu, colocou o prato na frente dele e ele continuou em seus pensamentos.
- Ah não, academia não! - Naira fez uma careta.
- Eu já falei para ela ir mas ela insiste em dizer que não - Teresa falou se sentando na cadeira.
- Você quem sabe - Patricia deu de ombros e estalou os dedos - Pedro Lucas! - ele piscou rápido e balançou a cabeça.
- Hã?
- Acorda, come logo e vai dormir - Patricia falou, ele riu.
- Você e essa mania de me mandar dormir.
- Meninas, vocês tem 10 minutos - Teresa falou, Naira saiu correndo da mesa.
- Então tá né - Patricia riu, pegou metade do lanche do Pe Lu e tomou suco.
- Ontem alguém gostou muito do show de vocês - Teresa falou apontando para Patricia com o olho.
- Quem gostou muito? - Patricia falou e riu - Eu sempre quis ir no Happy Rock Sunday, foi muito bom mesmo!
- Mas você tinha que ver o tamanho do seu sorriso - Teresa falou - Não cabia no seu rosto - Patricia sentiu suas bochechas queimarem - E ela dançando com a Natalia?!
- As duas juntas, vish!! - Pe Lu falou - Você tem que ver as duas na balada mãe! - Patricia revirou os olhos.
- Quem ouve até pensa que a gente acaba com todos.
- E não é? - Pe Lu levou um tapa ao falar isso.
- Claro que não, a gente só dança e aquela música é minha e da Ná! Não era para vocês dançarem!
- Fazer o que se vocês tem bom gosto? - ela deu a língua para ele.
- Eu não vou acreditar nessa - ela tirou as pernas do colo do Pe Lu, levantou e foi para o banheiro.
- Termina de se arrumar logo! - Naira falou e saiu do banheiro correndo.
- Calma Naira!! - Patricia falou, escovou os dentes e foi para o quarto, Pe Lu já está deitado na cama - Já terminou de comer?
- Já - ela começou a pegar seus livros - Você está bonita.
- Achei que eu estivesse de calçinha - ele sorriu.
- É uma calçinha mas ficou bem em você - ela está de all star branco, o shorts azul marinho com o nome da escola em branco e com um moleton da GAP azul marinho com branco, ela fechou a bolsa, enrolou o cabelo, jogou para trás e foi até a cama.
- Sério, sua irmã está prestes a ter um ataque de nervos, não posso demorar - ele sorriu entendendo o que ela falou e a beijou, quando o beijo começou a tomar outra direção Patricia partiu o beijo - Pe, Pe, Pe! Eu tenho que ir - ela deu um selinho, outro, outro, outro e outro até que se levantou, pegou sua bolsa, escreveu alguma coisa na lousa e abriu a porta do quarto.
- Ei - ela olhou para ele - Eu te amo pequena - Patricia sentiu suas pernas ficarem bambas, ela segurou o trinco da porta com força e sorriu.
apítulo 41
- Eu também te amo Pe Lu e olha a lousa depois - ele sorriu e ela saiu do quarto, fechou a porta e se encostou na parede tentando respirar e se recuperar.
- Você está bem? - Naira falou, Patricia deu um pulo e colocou uma mão na testa.
- Estou, vamos? - Naira concordou com a cabeça e elas foram para a sala.
Patricia foi para a escola em silêncio, perdida em seus pensamentos, no começo ela pensou em Pe Lu mas depois passou a pensar no Lucas, está com uma vontade imensa de vê-lo, precisa tocá-lo, olhar nos olhos dele e então ela não entendeu mais nada, há poucos minutos ela desejava Pe Lu e agora deseja Lucas.
- Saco! - ela murmurou, balançou a cabeça para afastar os pensamentos.
- Falou alguma coisa Patthy? - Teresa perguntou.
- Não, pensei alto, só isso - para a sorte dela chegaram na escola - Tchau tia - ela desceu do carro e viu que Leonardo está descendo do carro do pai que acenou para Patricia, ela sorriu e acenou de volta.
- Ei! - Leonardo a abraçou - Você está com uma cara estranha.
- Eu estou bem, é coisa da sua cabeça! - ele a olhou sério.
- Começa a contar - ela revirou os olhos e começou a falar, parou quando encontraram com seus amigos, ela teve que se explicar e ouví-los dizer que ela perdeu, que a Royal estava realmente boa.
Entrando na sala, Patricia conversou com as pessoas e faltando uns 10 minutos para a primeira aula acabar conseguiu continuar a contar o que acontecera para Leonardo, ela ainda não está nem na metade.
‘pede para ir no banheiro as 8:00 :)’ Lucas mandou para Patricia, ela respondeu: ‘vou ter ed fisica, vou estar na quadra. me dá um toque quando você sair da sala ((:’
Patricia foi para a quadra tentando contar para Leonardo mas é impossível, todos da sala gritando e fazendo brincadeiras incluindo Patricia e Leonardo instantaneamente, chegando na quadra os meninos foram de dividir para jogar futebol e as meninas vôlei. Uma mensagem de Lucas chegou ‘estou saindo da sala’ Patricia procurou pela professora.
- Professora, eu preciso ir no banheiro antes de começar a jogar sabe… - a professora na hora deduziu que são problemas femininos, como ela diz.
- Pode ir, você tem certeza de que vai fazer a aula?
- Eu quero fazer a aula, é só pra me certificar - ela sorriu e saiu da quadra em passos rápidos.
- Patthy! - Lucas gritou, Patricia olhou para ele e correu para abraçá-lo.
- Parece bobo mas eu senti sua falta - ela riu para esconder a vergonha.
- Eu também senti sua falta, sem brincadeira - ela sorriu.
- Você não parece estar bem, o que aconteceu?
- Falei com ela ontem.
- O que? Como foi?
- Foi ridículo. Ela ligou para falar com o meu pai mas ele tinha ido na sorveteria com a minha irmã porque ela ficou fazendo um escândalo lá em casa ai eu atendi, ela perguntou quem é, eu falei que era eu e ela ficou muda, eu falei ‘Não vai falar mais nada? Vou desligar’ acho que ela se recuperou e falou quem era. Fiquei sem saber o que falar e ela perguntou se meu pai estava em casa, falei que não, que eu tinha que estudar e desliguei o telefone - ela colocou as mãos no ombro dele que passou as mãos pela cintura dela.
- Querendo ou não você não estava pronto para falar com ela, aliás, você quer ou queria falar com ela?
- Eu vou falar com ela só para saber porque ela foi embora sem pensar em mim, sem pensar que eu era uma criança que não tinha culpa de nada, pelo menos eu acho que eu não tinha, eu quero saber isso - ele ficou nervoso.
- Calma, calma - ela segurou o rosto dele em suas mãos e eles se olharam nos olhos - Então pronto, você liga para ela e pergunta isso, você pensa no que falar e se você quiser eu te ajudo a pensar, sem pressa. Você não esperou que ela voltasse por tanto tempo? Ela pode esperar por alguns dias a sua ligação - ele assentiu com a cabeça e encostou o nariz na testa dela já que a diferença de altura entre eles é pouca, a respiração dele batendo no nariz dela fez com que a vontade de beijá-lo voltasse, ela o abraçou tentando amenizar - Acho que eu tenho que ir - ela falou depois de ficarem uns 5 minutos abraçados.
- Pois é, aula - ele bufou e se separaram.
- Ê novinho, relaxa, daqui a pouco tem o intervalo e não sei porque mas o meu braço está doendo. Ah! Acho que foi porque alguém me bateu ontem né - ela ficou olhando para ele séria enquanto ele ria - No intervalo você me paga! - ela saiu andando.
- Tchau hein! - ele falou, ela abanou a mão, olhou para ele e sorriu.
Na terceira aula Patricia decidiu terminar de contar custe o que custar. Quando ela terminou Leonardo começou a rir.
- Qual a graça?
- Ontem, o Lucas e o Pe Lu no mesmo lugar! - ele começou a gargalhar - Eu estava lá e não sabia de nada! Que injusto! Por isso que as vezes você fazia umas caras, achei que você precisava ir no banheiro - Patricia começou a rir.
- Cala a boca! Fala o que você acha.
- Acho que você está fudida. Espera, deixa eu entender tudo - o sinal tocou, ela pegou dinheiro na carteira, celular e o rádio, colocou o moleton e deu um tapinha em Leonardo.
- Vamos! - ele se levantou e eles sairam da sala.
- Acho que você tem que escolher entre eles. Primeiro você tem que conversar com o Pe Lu e depois você pensa.
- É então, vou conversar com ele hoje. Pega para mim algum salgado de frango? E leva meu celular e meu rádio? - ela entregou o dinheiro, celular e rádio para Leonardo, ele foi com alguns meninos para a cantina e ela foi andando até o canto que sempre ficam com os resto do pessoal.
- Patthy, você tinha que ver o Adam dançando na Royal depois de ter tomado umas! - Matheus falou, Adam ficou vermelho e Lucas abraçou Patricia por trás.
- Sério Adam? - Patricia passou os braços pelas costas de Lucas - Se eu soubesse teria ido no sábado!
- Você ia deixar todo mundo na mão por mim? - Adam falou.
- Claro! Você não sabe o quanto eu sou louca por você - todos riram - Deixo tudo por você - Adam não é nem um pouco feio na opinião de Patricia, todos os amigos dela são bonitos mas ela já está com problemas suficientes com meninos e claro que todos entenderam que é só brincadeira o que ela falara.
- Mas se eu sou tudo isso para você porque você está ai com o Lucas?
- Ah então né, ai é complicado!
- Acho que você nem é tudo que ela falou. Foi mal ai cara! - Lucas falou, Adam esticou o dedão e Leonardo chegou com o salgado de Patricia.
- Obrigada xuxuzinho - ela pegou o salgado - Alguém aceita? Ah, espera eu dou a primeira mordida não quero ver nenhum desses marmanjos roubando meu namorado! - eles riram, ela mordeu e passou para quem aceitou, ela virou para Lucas - Não vai querer?
- Não - ele sorriu.
- Aliás, oi - eles riram.
- Oi. Eu pensei no que falar para ela.
- O que você pensou? Quer andar para me contar?
- É melhor.
- Só espera meu salgado voltar - ele riu baixo.
- Mas e você, conseguiu descansar?
- Ah, descansar sim mas eu ainda estou com sono acumulado, vou ver se durmo hoje de tarde.
- Ficasse em casa hoje, para colocar o sono em dia - Leonardo ouviu e riu, Patricia cutucou Leonardo.
- Fala pro Lucas como eu ia descansar se eu ficasse em casa, o Pe Lu está lá hoje.
- Ah, ele ia te deixar dormir até ele acordar.
- É por isso que eu vim para a escola e sei lá, eu gosto de vir para a escola - o salgado voltou para Patricia - Eu vou andar com o Lucas e volto daqui a pouco! - Leonardo assentiu, Patricia puxou Lucas pela mão - Ok, vai falando.
- Na verdade não tem muito o que pensar, eu só vou perguntar porque ela foi embora e eu também pensei que ela vai inventar uma história e colocar a culpa no meu pai, eu já vi isso acontecer em filmes é ai que eu fico em dúvida se meu pai ou minha mãe está me dizendo a verdade, fujo de casa ou me mato - Patricia riu.
- Exagerado! - ele passou o braço pelo ombro dela, trazendo-a para perto e ela passou o braço pela cintura dele - Sabe o que você pode falar? Fala que qualquer coisa que ela disser não vai mudar nada mas que você quer saber a verdade, fala bem seco ou se a história parecer bem coisa de filme fala que não te convenceu!
- Talvez seja uma boa.
- Não! Fala que o único motivo de você ligar para ela é querer saber o que aconteceu porque você sofreu demais por muitos anos sem saber o porque e agora que já está recuperado quer entender.
- Vou falar que sofri?
- É, ela vai ficar com peso na consciência, quem sabe não ajuda a ela dizer a verdade?
- Você tem uma mente do mal - ela riu.
- Patthy - Naira encostou no braço de Patricia.
- Oi Nai.
- Minha mãe disse que nós vamos no shopping depois da escola e na academia, ela insiste que eu faça.
- Ah Nai, não tem como eu ir para casa? Eu preciso muito dormir! - Patricia não pensou em dormir, pensou em conversar com Pe Lu.
- Eu vou ver com a minha mãe, acho que ela te deixa em casa sim.
- Qualquer coisa pede para o Pe Lu vir me buscar - Naira riu.
- Folgada!
- Folgada nada, semana passada ele não veio buscar a gente?
- O namorado veio te buscar - Leonardo falou para Patricia, ela olhou para ele assustada - Não é namorado! - ele percebeu que falou besteira - Eu estou acostumado a falar namorado, é o irmão. O irmão veio te buscar - ela procurou por Pe Lu e o encontrou do lado de Teresa.
Capítulo 42
- Mamãe e irmão - Patricia falou brincando e começou a se despedir de seus amigos.
- Meu pai está ali perto de onde você vai - Lucas falou.
- O meu está na frente - Leonardo falou.
- Ah então vamos - os três começaram a andar - Hoje eu não me vinguei de você como eu falei né? - ela olhou para Lucas e deu um chute na bunda dele - Amanhã então! - ele tentou chutar a bunda dela mas ela desviou e se segurou em Leonardo - Sai daqui Lucas! - ela riu.
- As vezes vocês são piores do que duas crianças - Leonardo falou em um tom superior, Patricia riu da cara dele.
- Como se você fosse muito diferente!
- E ai pai?! - Leonardo cumprimentou o pai com um toque estranho, Patricia ficou olhando.
- Oi Patthy, tudo bem? - o pai dele perguntou, Patricia sorriu enquanto tentava lembrar o nome dele mas não conseguiu.
- Tudo sim e você?
- Tudo, e ai Lucas?
- Oi Alexandre - Lucas sorriu, Patricia tentou gravar o nome dele para não acontecer isso da próxima vez.
- Eu já vou - Patricia falou e abraçou Leonardo - Até amanhã.
- Qualquer coisa me liga - ela concordou com a cabeça.
- Tchau - ela sorriu para Alexandre e esperou Lucas - Você vai ligar para ela hoje?
- Pretendo - eles começaram a andar.
- Se você precisar me liga.
- Mas você não vai dormir?
- Eu acordo, não tem problema. É pra você me ligar se precisar, entendeu?
- Entendi mandona!
- Você não cansa de mandar nas pessoas? - Pe Lu falou, se intrometendo na conversa, ela deu a língua para ele.
- Em vocês dois nunca!
- E ai Lucas, tudo bem cara? - os dois apertaram as mãos e Patricia olhou para Leonardo e o viu gargalhando dentro do carro, ela revirou os olhos e riu.
- Fala Pe Lu, beleza e você?
- Tranquilo.
- Oi tia! - Patricia precisava de uma saída e gritou por Teresa.
- Você está cansada minha filha? - Teresa chegou perto de Patricia.
- Um pouco tia.
- Oi Lucas - Patricia se impressionou por Teresa lembrar o nome dele.
- Oi Teresa - e se impressionou mais com Lucas - Eu já vou, minha irmã deve estar atormentando meu pai no carro - ele abraçou Patricia, deu beijinho em Teresa e apertou a mão de Pe Lu.
- Não esquece de me ligar se precisar! - ela falou logo que ele deu as costas, ele olhou para ela e piscou - Agora cadê a Naira?
- Vocês dois podem ir - Teresa falou - Você precisa descansar Patthy.
- Então vamos, porque eu estou com fome - Pe Lu falou.
- Quando você não está com fome Pedro Lucas? - ela riu e entrou no carro, sentando no banco do passageiro e ele sentou no banco do motorista - Aonde a gente vai comer?
- Pensei em Mc - ele começou a dirigir.
- É, eu já tinha imaginado isso. Por mim tudo bem!
- Gostei do que você escreveu na lousa hoje ‘I don’t tell anyone about the way you hold my hand, I don’t tell anyone about the things that we have planned, I won’t tell anybody’ (Eu não digo a ninguém sobre o jeito que você segura a minha mão, eu não digo a ninguém sobre as coisas que nós planejamos, eu não vou dizer a ninguém).
- Hmm, e você decorou o que estava escrito - ela arqueou as sombrancelhas - Você sabe que eu não quero dormir coisa nenhuma, eu falei para você vir me buscar para nós conversarmos.
- É, eu pensei nisso mas você também está com sono, sua carinha não mente.
- Estou mas o principal é nós conversarmos. É bom que você tenha alguma coisa para falar porque eu não tenho nada.
- Aleluia você não ter nada para falar! - ele riu e levou um tapa no braço - Mas eu sei o que falar.
- Estou com medo!
- Vai comer o que no Mc?
- O mesmo que você, nuggets e batata frita.
- Desde quando você gosta?
- Desde que eu me conheco por gente, meu McLanche Feliz era nuggets e batata frita!
- O meu também! Minha mãe ficava brava porque nuggets vem menos do que hamburger e pagava a mesma coisa.
- A mesma coisa acontecia comigo! - os dois começaram a gargalhar.
- Como pode?
- O que?
- Você ser tão compatível comigo - ela respirou fundo.
- Já passei muitas tardes pensando sobre isso, nunca consegui entender.
- O que mais? - ela encostou a cabeça no banco e fechou os olhos.
- Minha cor preferida é verde, não suporto e vou muito mal em química, ‘Eu vim de Santos, sou Charlie Brown’ é uma das minhas preferidas, ‘Levo Comigo’ e ‘Final Feliz’ são as que eu mais gosto do cd, meu número preferido é 14 que conhecidentemente é o dia do seu aniversário, até os 10 anos eu era palmeirense mas ai me desliguei de futebol e começei a torcer pro São Paulo porque o Cicinho jogava nele, ele saiu e eu continuei mas é só de faixada, tenho sérias dúvidas de que eu sou palmeirense até hoje e ainda não me dei conta - ela riu - Não consigo me lembrar de mais coisas, não sabendo que você está esperando que eu diga. Ah sim, ‘Um amor para recordar’ se tornou o meu filme.
- Você se lembra do que eu disse sobre o Landon? - ela olhou para ele.
- Cara, você é o meu Landon, não tem jeito. Meu sonho era estar perto de você sempre e eu estou, só continua perto de mim - eles sorriram.
- Pode deixar - ele pegou a mão esquerda dela e beijou - Vai tomar o que? - Patricia olhou pela janela e eles estão entrando no drive thru.
- Nada daqui, em casa tem coisa para tomar.
- É mesmo! 3 batatas grandes e 2 nuggets com 10, obrigada.
- Sério que precisa de 3 batatas?
- É melhor sobrar do que faltar.
- Ok, chega de enrolar! - Patricia sentou no sofá e bateu ao lado dela para Pe Lu sentar.
- Você não tem nada para falar? - ele sentou ao lado dela.
- Não - ela respirou fundo e ficou de frente para ele - Pode falar.
- Me responde a verdade.. o Lucas gosta de você?
- Eu juro que não sei, não sou boa para perceber essas coisas - ela fez uma careta, ele riu baixo.
- E você, sente alguma coisa por ele?
- Vou ser sincera… estou confusa entre você e ele.
- O que eu vou dizer é simples, ah sim, me deixa falar tudo se não eu não consigo falar - ele sorriu desconcertado - Eu já estraguei demais sua vida, tipo ontem e antes de ontem, eu via que você não aguentava a culpa perto da Ná ou quando falavam dela, aquilo me deixou mal porque é minha culpa, as vezes que você chorou me deixaram sem chão. Eu vou terminar com a Ná, não dá certo ficar com ela, eu achava que ela era a melhor mulher no mundo até que eu te conheci - Patricia sorriu boba e ele segurou as mãos dela - E agora eu quero que você dê chance para o Lucas ou para qualquer outro menino até porque se eu e você começarmos a namorar ou ficar, não sei o que você prefere falar, logo que eu terminar com a Ná vai ficar na cara e eu não quero que sua amizade com ela acabe por minha causa. Você aproveita a sua vida, eu aproveito a minha, não do jeito que eu quero porque você não vai estar comigo mas eu me viro e daqui algum tempo a gente se resolve, até porque namorar comigo não é fácil, não vou ter tempo para você e eu quero te dar toda a atenção possível e impossível, sem contar que fica mais fácil de nós dizermos para os outros que foi acontecendo com o tempo, que aquele olhar de irmãos acabou com o tempo - Patricia riu - Agora mais do que nunca eu acredito na nossa ligação, nós passamos esses anos todos separados, agora não tem mais como fugir, nós podemos ir para lados diferentes mas eu sei que uma hora nós voltamos a nos encontrar e nada vai ter mudado, só vai estar guardado. Eu sei que nós não vamos ficar distantes assim como eu falei mas era só um exemplo, eu vou continuar indo pelo Brasil todo com a Restart, te deixando aqui com o coração na mão mas quando eu voltar você ainda vai estar aqui, é por isso que eu consigo ir porque eu tenho a certeza de que vou te encontrar quando eu voltar.
- Você está falando para eu fazer o que eu falei para você fazer, é isso? - ela riu.
- É - Pe Lu pensou - É!!
- Eu faço isso só porque você deu chance para a Ná - ele a abraçou - E vocês homens deveriam ser proibidos de dizer coisas tão bonitas e proibidos de chorar!
- Acho que nós poderíamos falar coisas bonitas apenas se fossem reais, do fundo do coração e porque não podemos chorar?
- Eu choro quando vejo algum homem chorando. Você não imagina o quanto eu chorei quando disseram que você chorou na gravação de ‘Levo Comigo’ e depois quando vi o clipe, ah Pedro Lucas você é um saco! Minha mãe achou que eu estava chorando tanto porque algum menino tinha feito alguma coisa para mim - ele gargalhou - E como sempre eu falei ‘Não mãe, é só o Pe Lu, de novo’, não sei como aquele dia lá em casa ela não te deu uns tapas de tanto ter que me aguentar chorar, gritar e fazê-la gastar dinheiro com revistas, camisetas e etc.
- Tenho que agradecer sua mãe por não ter me batido então - ele olhou no relógio do celular - Daqui meia hora eu vou sair, é bom você dormir em meia hora - ele se levantou do sofá e estendeu a mão para ela - Vem - ela sorriu e segurou a mão dele, levantou e ele a levou até o quarto - Vai dormir com uniforme? - ele perguntou logo que ela se jogou na cama.
- Vou - ela tirou os tênis e jogou em qualquer lugar, ele deitou ao lado dela que se encostou nele como sempre faz - Você tem certeza de que quer assim?
- É o melhor para você - alguém chamou Patricia no rádio, ela bufou e colocou a mão no rosto.
Capítulo 43
- Pega para mim? - Pe Lu colocou o peso sobre ela para pegar o rádio na mesinha - Gordo! - ele riu e entregou para ela.
- Lucas.
- Obrigada - ela respirou fundo - Oi.
- Te acordei?
- Não, eu ia dormir agora mas pode falar.
- Eu falei para o meu pai que eu ia ligar para ela hoje mas ele disse que de segunda ela não fica em casa, disse que é para eu deixar para amanhã.
- É bom que você pensa direito no que vai falar com ela, vê se é isso mesmo que você quer.
- Vou pensar mas acho que é isso mesmo que eu quero agora vai dormir, a gente se fala mais tarde.. ou amanhã. Dorme bem minha linda - ela esboçou um pequeno sorriso.
- Qualquer coisa me liga viu! Beijos.
- Ele está correndo atrás de outra? - Pe Lu perguntou quando ela jogou o rádio na cama.
- Não, é outra coisa.
- Então o que é?
- É coisa pessoal.
- Mas eu não sou um desconhecido.
- Só que a única pessoa que sabe disso sou eu, entende porque eu não posso contar?
- Não é nada relacionado à drogas não né? - ela riu.
- Relaxa Pe Lu, não é nada disso.
- Então dorme e quando acordar olha a lousa, acho que vou escrever alguma coisa, não! Vou mandar por mensagem.
- Isso, assim eu guardo a mensagem - ela deu um beijo no pescoço dele e respirou fundo sentindo o cheiro dele invadir seu corpo, fazendo-a estremecer.
- Sonha comigo, Patricia.
- Sempre, Pedro Lucas - ele ficou passando a mão no cabelo dela, faltando pouco para ele ter que sair, se levantou da cama com cuidado, pegou a lousa e escreveu na outra metade que Patricia não usara ‘Lonely was the song I sang until the day you came showing me a another way and all that my love can bring’ (Sozinho foi a canção que eu cantei até o dia que você apareceu me mostrando um melhor caminho e tudo o que meu amor pode trazer), olhou para ela dormindo, respirando tranquilamente, aparentando estar leve, nos lábios tem um pequeno sorriso que o fez sorrir, ele se aproximou, passou a mão nos cabelos dela e deu um beijo no pescoço respirando fundo, sentindo mais um pouco do cheiro dela que ele tanto gosta e saiu do quarto, escovou os dentes, pegou alguns pertences e saiu, pensou em mandar a mensagem enquanto estava no elevador mas ficou com medo de acordá-la então deixou para mandar mais tarde.
_patthy ê, finalmente acordei! (: quem foi ontem no hsbc? gostaram dos meninos dançando? lindos né HAUAHUA
pelurestart @_patthy já que você já acordou fica grudada no seu celular!
brunaferrari @_patthy me passa seu msn por dm pra eu te mandar as fotos do final de semana
_patthy @pelurestart ok gogo boyyy! (:
_patthy @brunaferrari já te mando bru! (=
Logo a mensagem chegou ‘I’d catch a grenade for ya, throw my hand on a blade for ya, I’d jump in front of a train for ya, you know I’d do anything for ya. Oh, oh, I would go through all of this pain, take a bullet straight through my brain. Yes, I would die for ya baby. (Eu pegaria uma granada por você, colocaria minha mão numa lâmina por você, me jogaria na frente de um trem por você, você sabe que eu faria qualquer coisa por você. Veja, eu passaria por todo esse sofrimento, atire direto no meu cérebro. Sim, eu morreria por você baby) nao mandei antes com medo de te acordar, sonhou comigo ou com o lucas? hauhuah eu te amo’, ela sorriu e começou a procurar alguma música para poder respondê-lo.
pelurestart Oh girl, no one can do me the way you do, It’s always been you, I’m all about you… (Oh menina, ninguém pode me fazer da maneira como você faz, tem sempre sido você, eu estou pensando em você)
_patthy como bruno mars pode ter músicas que são para mim? hmm, acho que ele me conhece haha
_patthy It took us a lifetime to find each other, It was worth the wait cause I finally found the one (Levamos uma vida para nos encontrar, valeu a espera pois finalmente encontrei a pessoa certa)
‘I feel like you’re alive in me… I get ansious just to know that you’re the one… Being without you makes me suffocate cos baby I breath you, I breath you. I feel like something is special here, I feel like something is special, I feel like something is special here, I feel like something is special with you. (Eu sinto como se você vivesse em mim… Fico ansiosa só de saber que você é o único… Estando sem você me sufoca porque baby, eu respiro você, eu respiro você. Eu sinto que há algo especial aqui, me sinto como algo que é especial, eu sinto que algo está especial aqui, eu sinto que algo é especial com você) êê ciúmes, sonhei com você né. eu também te amo bobo’
_patthy será que a lua brilha sozinha ou você que faz ela brilhar?
Capítulo 44
Patricia ficou conversando com seus amigos, Bruna mandou as fotos, fotos que Patricia nem sabiam que existiam, ela pensara que era apenas a que tiraram no HSBC mas tem várias e descobriu que Bruna tem mania de ficar tirando foto das pessoas enquanto conversam. Patricia colocou a foto dela com os meninos no twitpic ‘dançar é bom! lindos (:’
Patricia narrando.
Desliguei o despertador, que pela primeira vez me lembrei de deixar para vibrar para não acordar o Pe Lu, acho que ficou bem claro que eu e ele estamos acostumados a dormir juntos, achei que ele não fosse mais dormir comigo depois da conversa de ontem, eu sei que ele me fez dormir mas, ah deixa para lá! Tirei o braço dele de mim e fui escorregando pela cama até encostar meus pés no chão, peguei meu celular e usei sua luz para pegar meu uniforme, aproveitei e já peguei meia e tênis para não ficar entrando e saindo do quarto toda hora. Fui para o banheiro, prendi meu cabelo em um coque, bem mal feito por sinal, joguei água no rosto e me olhei no espelho enquanto enxugava o rosto, minha vontade de ver o Lucas começou a aparecer novamente mas hoje estou mais tranquila em relação a essa vontade louca e mesmo assim não deixei de dar um tapa em mim, só para ver se eu não acordo de algum tipo estranho de sonho mas nada aconteceu, continuei vendo minha cara de retardada no espelho, respirei fundo e troquei de roupa, deixei meu chinelo no banheiro e corri para a sala, sentei no sofá e coloquei o tênis.
- Bom dia querida! - Teresa apareceu na copa com copos e um jarra de suco na mão, sorri para ela e me levantei.
- Bom dia tia! - dei um abraço nela e me sentei.
- Ontem pensei sobre o que você falou sobre a sua amiga vir para cá - ela voltou para a cozinha justo quando ela tocou no assunto que eu estava com vergonha de falar.
- Sério? - tentei não demonstrar ansiedade.
- Sim - ela apareceu com um prato, estiquei os olhos e vi alguns salgados que Pe Lu trouxera ontem, colocou o prato na mesa, peguei um salgado - Então, eu pensei e todo feriado alguma amiga sua de Campinas pode vir dormir aqui, e as outras da escola também mas elas não precisam vir no feriado, podem vir quando quiserem - minha tia não é a coisa mais linda? É, eu sei!
- Verdade? - foi a única coisa que consegui dizer, meus olhos enxeram de lágrimas e quase engasguei com o salgado, boa Patricia. Tomei um gole de suco e uma lágrima escorreu quando desceu arranhando minha garganta, que horrível! Enxuguei a lágrima e respirei fundo para organizar meus pensamentos - Obrigada mesmo!
- Você deve sentir falta dos seus amigos.
- Percebi que amigos mesmo lá em Campinas tenho poucos mas mesmo assim, eu vou chamá-las! - peguei meu celular novo, que a tia comprou ontem para eu poder usar 2 chips, o de Campinas e um daqui de São Paulo, e olhei no calendário - Próximo feriado é dia 7 de setembro, terça feira.
- Ela pode vir na sexta de noite e fica aqui até terça - eu sorri, quando eu penso que não tem como ela ser mais legal, ela consegue!
- Obrigada tia! - eu tive que ir abraçá-la de novo - E a Nai? Ela está demorando.
- Ela está com cólica, não vai hoje.
- Que pena - agora me lembrei que nem tive tempo de contar para a Nai o que aconteceu na viagem, depois que acordei fiquei no computador, tomei banho e então o carente do Pedro Lucas chegou, quando ele chega todos param tudo o que estão fazendo, grudam as bundas no sofá e ficam até o sono vencer. Não acho isso bom, a casa inteira para por ele, tá bom que ele fica a maior parte do tempo viajando, longe de casa mas sei lá, não me parece certo.
_patthy Tell me how am I supposed to get you off my mind? When you know I really couldn’t even if I tried (Me diga como eu estou suposto a te tirar da minha cabeça? Quando você sabe que eu realmente nunca poderia mesmo se tentasse)
Se vício matasse, eu estaria morta há muito tempo graças ao twitter, agora posso twittar do meu celular, já era tudo.
- Tchau tia - dei um beijinho na bochecha dela e abri a porta do carro.
- Tchau Patthy, boa aula - sai do carro e fechei a porta, olhei para os lados procurando pelo Léo e nada dele, dei alguns passos e cheguei perto da parede, fui no twitter do Pe Lu, pura mania.
pelurestart E ver você dormir me traz tanta paz, não canso de te olhar. Ah como é bom te ter e amar você…
Foi o que ele escreveu enquanto eu dormia, até porque é legal ficar me vendo dormir. Qual a graça? Eu devo ficar tão feia dormindo, cara de monga e uma babinha saindo da boca, que demais!
- Ei! - Leonardo gritou, eu não preciso olhar para saber que é ele e nem pretendo olhar, o pai dele vai acenar para mim e ele é bonito demais, tenho medo do que posso fazer, se controla Patricia! Respirei fundo e olhei para Léo, instantaneamente olhei para o pai dele, burra, burra, burra! Ele acenou para mim e sorriu, senti uma leve tontura com o sorriso dele, que isso? Tentei me recompor, acenei e sorri, do mesmo jeito que fiz ontem.
- Ei meu amor! - dei uns passos pequenos e o abraçei - Tudo bem? - me soltei dos braços dele e começamos a andar, eu esperaria pelo Lucas se ele não chegasse tão tarde na escola, a ponto de não conseguir entrar na primeira aula.
- Tudo e você? - eu sorri me lembrando que ele não sabe das minhas novidades… porque não entrou no msn, meu sorriso sumiu do rosto, fiquei séria.
- Porque você não entrou ontem? Eu tinha coisas para te contar!
- E porque você não me bipou? Dã!
- Fiquei tratando de assuntos importantes com a tia e depois o carente do Pedro chegou ai já sabe né - fiz uma careta, ele riu.
- Então fala o que você tinha para contar - me animei e dei alguns pulinhos idiotas.
- Ganhei um celular novo - mostrei o celular para ele - A tia Teresa comprou para mim, para eu poder usar o chip de Campinas e um aqui! E eu conversei com o Pedro.
- A conversa não foi boa? Você só chamou ele de Pedro - ele fez uma cara desconfiada, rolei os olhos.
- É legal chamá-lo de Pedro sabia? Enfim ele disse o que eu disse para ele da outra vez.
- Mandou você ficar com a Ná? - ele riu, dei um tapa na cabeça dele, como pode ser tão idiota?
- Retardado! Falou para eu dar uma chance para o Lucas ou para qualquer outro menino porque ele não quer atrapalhar minha vida com a vida louca que ele está vivendo - dei de ombros só para fingir mesmo, as mensagens dele, os tweets e as coisas lindas que ele me fala começaram a martelar na minha cabeça.
‘me encontra as 8:00 de novo?’ Lucas mandou, estou começando a gostar dessa minha vida clandestina, encontrá-lo durante as aulas, hmm muito interessante! Leonardo só riu quando leu a mensagem, idiota, apenas balaçei a cabeça negando. A primeira aula foi animada, como todas são, mas quando a segunda aula começou a ansiedade apareceu, em 10 minutos eu sairia para encontrar com o Lucas, adoro aventuras e com ele parece ser melhor ainda. Ouch, estou ficando muito tarada.
- Professor? - acho que respirei fundo uma dez vezes antes de chamá-lo, me levantei e fui até a mesa dele - Posso ir ao banheiro? - fiz uma cara de que é muito importante para mim ir ao banheiro agora, e de certo modo é importante.
- Pode sim - ele sorriu e eu agradeço pelo meu pouco talento em teatro ter me ajudado, ok nem tão pouco, já fiz uma peça de teatro na escola, eu era uma das principais, acho que isso é um bom sinal, sorri para o professor e sai da sala, tirei o moleton que começou a me encomodar e fiquei com ele na mão mesmo, começei a andar sem rumo esperando que Lucas me ligasse, se ele demorar eu vou ligar para ele.
- Hey! - levantei a cabeça sorrindo, a voz dele é outra inconfundível. Três vozes que sou capaz de reconhecer de longe, Pedro Lucas, Leonardo e Lucas, devem ter outras mas as dos três são as principais.
- Como você me encontrou? - perguntei enquanto andava para chegar até ele.
- Não sei - ele sorriu e me abraçou forte, fiquei acariciando o cabelo dele - Eu estava andando e quando pensei em te ligar, te vi - ele falou no meu ouvido, juro que senti um leve tremor nas pernas que passou logo.
- Mas você está bem? - me afastei um pouco para olhar no rosto dele sem tirar os braços do pescoço dele, claro.
- Aham e você? - respirei fundo e percebi que aceitei a idéia do Pedro em dar a chance ao Lucas muito rápido.
- Também, ganhei um celular novo! - sorri, meu sorriso deve ter sido igual de uma criança porque ele deu uma risadinha que eu não gostei.
- Cadê o celular?
- Deixei na sala e depois eu te passo o número, não me deixa esquecer. Ok, é muito bom ficar nessa de fugir da aula para te ver, não querendo ser chata, mas já sendo, tenho que voltar para a sala. Agora é aula de química.
- Avisasse que é química Patricia! - eu ri quando ele me chamou de Patricia, tão sério, tão sedutor, tão sexy mas não tanto quanto quando Pe Lu o faz, balançei a cabeça para tirar esses pensamentos da minha cabeça.
- 5 minutinhos não tem problema Lucas!
- Então volta para a sala - ele me puxou para perto acabando com qualquer espaço entre nós.
- Eu não te entendo - cochichei no ouvido dele - Você me dá uma bronca, me manda ir para sala e me abraça - ele riu e afrouxou os braços - Mas eu disse que queria que você soltasse? Eu disse que queria ir para a sala? - ele gargalhou e apertou os braços de novo, nunca tinha ouvido ele gargalhar assim, ele não é muito de sorrisos, é mais fechadão.
- É sério Patthy, é química, é melhor você ir - ele falou depois de alguns minutos, minha cabeça ficou vazia nesse tempo que fiquei abraçada com ele, foi bom tirar minha cabeça dessa loucura toda que tenho vivido.
- É né - bufei, dei um beijo na buchecha dele e nos separamos.
- Vê se presta atenção na aula! - olhei para ele e coloquei as mãos na cintura.
- Eu tenho cara de quem não presta atenção na aula?
- Tem - nós rimos.
- Ok, não presto muita mas beleza - coçei a cabeça.
- Daqui a pouco o intervalo chega - ele piscou.
- Hmm alguém aqui está se achando demais - olhei para ele e sorri - A gente se vê daqui a pouco novinho! - fiz uma careta e começei a andar para minha sala. Começei a pensar no que acabara de acontecer.
- O que aconteceu lá fora? - Leonardo perguntou me tirando dos pensamentos, percebi que estou sentada na minha cadeira, como cheguei aqui?
- Nada, porque?
- Você está sorrindo feito idiota que é - ele riu, dei a língua e me preocupei de novo sobre o Pe Lu - Eu vi vocês dois lá fora - ele sorriu maroto.
- Viu?
- Vi, você demorou para voltar, o professor pediu para eu ir ver se você estava bem.
- Ah, não aconteceu nada. A gente só conversou enquanto estávamos abraçados - sorri envergonhada - Será que eu vou me apaixonar pelo Lucas? E esquecer o Pe Lu? - entrei em pânico, respirei fundo e começei a pensar direito. Tantos meninos já apareceram na minha vida depois que fiquei loucamente apaixonada pelo Pedro sem ao menos conhecê-lo e não mudou nada o que sinto por ele, não vai ser agora que vai mudar, não vou me deixar estragar esse sentimento.
- Calma, calma! Não é você que diz que é eterno - ele fez uma voz afetada ao falar eterno - o que vocês sentem um pelo outro? Fica de boa!
- É, eu sei disso - respirei fundo mais uma vez e lembrei de Lucas - Vou prestar atenção na aula.
- O que? - Leonardo riu.
- Eu falei pro Lucas que ia prestar atenção, então eu vou prestar atenção - me ajeitei na cadeira, peguei meu caderno e caneta, começei a prestar atenção mas meus pensamentos voaram para Pe Lu, depois para Lucas, voltando para Pe Lu e para Lucas, indo e vindo, revezando entre eles. O sinal me despertou, coçei os olhos e me joguei sobre a mesa.
- Não prestou atenção em nada né? - Leonardo falou, como ele sabe?
- Claro que prestei - minha voz saiu abafada e ele riu.
- Você não me engana, você nem percebeu que duas mensagens chegaram para você!
- Bosta - resmunguei e peguei meu celular.
‘não te vi acordar hoje aposto que foi de calçinha para a escola! ): como você está? dormiu bem? só não vou dormir bem agora, você podia voltar para cá e me fazer dormir? hauahuah presta atenção na aula! eu te amo (L)’ nem preciso dizer quem foi, dei risada quando terminei de ler, Pedro Lucas acordado às 8:30 da manhã? Uau! Sem esquecer que eu me arrepiei dos pés à cabeça quando li ‘eu te amo’.
- De quem? - Léo apareceu do meu lado ou ele estava aqui o tempo todo? Ah, tanto faz, entreguei o celular para ele - Vem me fazer dormir - ele sorriu malicioso, revirei os olhos e ri, peguei o rádio e vi uma mensagem do Lucas, ótimo os dois me mandando mensagens, uhul adoro! Pura ironia, claro.
‘o que você acha em repetir de ano para estudar comigo ano que vem?’ também ri com a mensagem dele e já mostrei para Leonardo, certeza que ele ia querer ler, curioso demais.
Respondi para Pe Lu: ‘não vim só de calçinha, vim de SHORTS também ok? u_u HUAHUAHUA eu estou bem e você meu amor? hmm que perguntinha boba de se fazer, claro que dormi bem! o que você está fazendo acordado essa hora pedro lucas? eu te amo <3’ e para Lucas: ‘confesso que já pensei nisso HAUAHUAH mas acho que a tia teresa não vai ficar feliz se eu repetir de ano :/’
_patthy ok, confesso que daria tudo para estar na minha cama agora ):
‘aquilo não é shorts para mim, é calçinha! hauahua to com sono mas to bem. vou fazer coisas da banda, de tarde já to em casa! e pra sua informação, eu nao to mais na sua cama, não precisa dar tudo para estar nela =P minha pequena (L)’ eu juro que ele tem que parar de dizer que me ama e de me chamar de pequena, sempre fico sem ar quando leio ou ouço essas coisas.
_patthy @pelurestart não vou nem te responder, cada coisa que tenho que ler logo de manhã viu! HAUAHAUH
Digamos que na hora do intervalo fiquei agarrada com o Lucas, eu me sinto tão bem abraçada com ele, me sinto segura e isso é bom, dormi nas 3 últimas aulas, cheguei em casa, almoçei e dormi, agora Naira vai na academia logo depois do almoço e tia Teresa vai trabalhar, aproveito meu tempo sozinha para dormir, dormir e dormir. Acordei com nada mais, nada menos que Pe Lu deitado do meu lado, dormindo. Ele sim fica lindo dormindo, aliás, é lindo de qualquer jeito, a respiração calma dele me passou uma paz. Fiquei olhando ele dormir e sorri, coloquei a mão no cabelo dele e começei a acariciar, ele se mexeu, sorriu e abriu os olhos.
Capítulo 45
- Acordou faz tempo? - ele falou meio enrolado, que fofo.
- Não muito tempo. Oi para você também Pedro Lucas - fiquei séria e ele sorriu mostrando os dentes lindos dele, subiu em mim e riu.
- Oi pequena - ele encostou o nariz no meu, senti meu coração ir a mil e minhas pernas ficaram bambas, achei que ele quisesse que eu desse chance para os outros meninos, ele beijou minha bochecha e o telefone tocou, agradeci a Deus, ele bufou e foi atender o telefone - Patthy, para você! - ele me entregou o telefone.
- Alô?
- Patthy? - uma voz feminina, não reconheco e ela me conhece, ok.
- Sim, quem é?
- Eu sou Sandra, a mã… a madrasta do Lucas, tudo bem? - porque ela está me ligando? Alguma coisa não está certa.
- Oi! Tudo e você? - tentei ser simpática, ela parece ser simpática, enfim.
- Tudo, eu estou te ligando porque o Lucas está com um probleminha e pediu que eu te ligasse, tem como você vir aqui em casa?
- Claro que tem, me diz o endereço que eu vou, que horas?
- Tem como você vir agora?
- Sim claro - ela me passou o endereço e desliguei o telefone - Pe Lu! Pe Lu! Pe Lu! - ele apareceu correndo no meu quarto - Tem como você me levar na casa do Lucas? - ele me olhou como se eu estivesse brincando com ele.
- Na casa do Lucas? O que você vai fazer lá? - ele me olhou desconfiado.
- Ele não está bem, teve problemas. Eu preciso ir ajudá-lo - fiz cara de cachorro sem dono, ele bufou.
- Vamos! - eu sorri e pulei nele.
- Obrigada - dei alguns beijinhos no pescoço dele e peguei uma roupa - Que horas são? - perguntei indo para o banheiro.
- Quase 5 - ele gritou quando fechei a porta, me troquei rápido, peguei minhas coisas mais rápido ainda e saimos, alguma coisa me diz que tenho que ir logo.
- Ai Pe Lu, fala alguma coisa!! - falei dois minutos depois de sairmos da garagem, estou balançando a perna e batendo os dedos nos joelhos, mais nervosa impossível, ele riu.
- Calma pequena - ah pronto, me acalmei, parei de bater os dedos e parei de balançar a perna, ele sorriu ao perceber que conseguiu me acalmar - Porque você está tão aflita?
- Lembra do problema dele? - ele assentiu com a cabeça - Então, deve ser por isso que a madrasta dele me chamou para ir lá, não foi nem ele, foi a madrasta! - o sorriso dele sumiu, a boca ficou em uma linha reta.
- Faz sentido.. mas ainda sim não me sinto confortável te levando na casa dele.
- Eu não vou fazer nada! Ele não vai fazer nada, confia em mim.
- Em você eu confio, não confio nele! - revirei os olhos.
- Mas eu confio então é bom você confiar também - ele olhou para mim e eu sorri, ele sorriu também.
- Ah! Eu esqueci de te mostrar ontem, abre o porta luvas e pega o cd que está ali - abri o porta luvas e peguei um cd.
- Músicas da Patthy?! - arqueei uma sombrancelha e ele riu baixo.
- Gravei esse cd para você, com as músicas que você gosta, pelo menos acho que você gosta, foi o que eu percebi nesse tempo - ele se enrolou, eu ri.
- Entendi Pe Lu - ele olhou para mim e sorriu aliviado.
- E é para eu ouvir e me lembrar de você - sorri boba.
- Lindo! - coloquei o cd.
- Espera! Espera! - ele apertou o pause antes da música começar - Se você adivinhar qual a primeira música.. - ele ficou pensando.
- Eu ganho o que? - meus olhos brilharam e mil coisas vieram em minha cabeça.
- Você pode pedir qualquer coisa para mim, eu faço - meu sorriso aumentou, nem sei como coube no meu rosto.
- Tudo mesmo? - cerrei os olhos, ele riu.
- Tudo, qualquer coisa! Eu prometo! - ele olhou nos meus olhos, eu concordei e começei a pensar na música.
- Preciso de uma dica, a música é aleatória ou é especial? - ele fingiu que não ouviu - Pedro Lucas!
- Já disse como eu gosto quando você diz meu nome? - ele riu.
- E eu gosto quando você diz Patricia, só gosto quando você fala mas agora me fala da música, por favor - ele bufou e nem precisou olhar para mim para saber que estou com cara de cachorro sem dono.
- É especial - começei a pensar nas músicas.
- Teenage Dream? - para mim essa música é especial, sei lá se para ele é. Ele apertou o play e eu começei a rir quando ouvi Teenage Dream - Não acredito que eu acertei!
- Eu sabia que você ia acertar. Agora diz o que eu tenho que fazer para você - mais mil coisas passaram pela minha cabeça, algumas coisas imprórias, outras ridículas.
- Outro dia eu falo, preciso pensar e agora estou sem cabeça.
Pe Lu foi conversando comigo e me fazendo interpretar as músicas para passar o tempo enquanto ele dirigia até a casa do Lucas, quando entramos na rua da casa dele fiquei respirando fundo, ele parou em frente a uma casa azul bebê de dois andares, dá para ver um jardim bonito pelo portão branco.
- É aqui? - perguntei.
- Sim, quer que eu espere?
- Não, pode ir. Não sei quanto tempo vai levar ou você quer descer?
- Eles chamaram só você - ele sorriu amarelo - Quando você quiser ir embora me liga - ele me abraçou, enterrei minha cabeça no pescoço dele sentindo seu perfume, me tranquilizou um pouco, dei um beijo na bochecha dele e sai do carro.
- Você é a Patthy? - uma menina perguntou quando cheguei perto do portão, provavelmente é a irmã dele mas não são parecidos, ela tem cabelos castanho claro e olhos cor de mel, seus cabelos lisos chegam ao meio de suas costas e tem um cacho ou outro. Como ela chama mesmo? Júlia? Não! Joana? Isso!
- Sim, como você sabe? - sorri para ela.
- Meu irmão já me falou de você e disse que você era bonita, então te reconheci - senti meu rosto queimar um pouco, ele disse isso para uma menina de 9 anos? - Mãe! A Patthy chegou! - ela gritou e eu assustei um pouco.
- E você é a Joana né? - ela sorriu e concordou, Pe Lu buzinou, olhei para ele e acho que vi ele perguntar se está tudo bem, levantei o dedão e sorri.
- Aquele é o Pe Lu? - ela perguntou e os olhos dela brilharam, menininha esperta.
- É sim, você o conhece?
- Quem não conhece Restart? - eu ri a mãe dela apareceu na porta.
- Quer falar com ele? - os olhos dela cresceram e Sandra, é esse o nome dela né, abriu o portão para mim.
- Patthy, que bom que você veio! - ela me abraçou, ok as coisas não estão muito boas, ela me abraçou sem me conhecer e senti um pouco de tensão no abraço dela!
- Mãe! Mãe! Mãe! O Pe Lu está ali no carro, ela vai me deixar falar com ele! - Joana começou a pular, Sandra riu e eu também.
- Ela é louca por eles - ela balançou a cabeça como se estivesse com vergonha - Não vai atrapalhar?
- Imagina! Vem comigo - estendi a mão para Joana que segurou na hora, parei na janela do carro - Pedro, tem alguém aqui que quer falar com você - ele desceu do carro e Joana começou a se agitar do meu lado, meu Deus, ela vai ter um ataque ou algo do tipo?
- Oi! Como você chama? - ele ficou na altura dela e abriu os braços, ela o abraçou e eu começei a sentir ciúmes porque ele nunca ficou na minha altura para me abraçar mas ok, agora não é hora de ter ciúmes.
- Joana - ela falou com a voz trêmula, fiquei com dó.
- Tudo bem com você? - ele perguntou e desfez o abraço, muito bom, se demorasse mais eu ia dar um pigarro.
- Tudo.
- Então você é irmã do Lucas?
- Você conhece meu irmão? - ela ficou surpresa.
- Conheco, eu o conheci antes de ontem. Fala para ele te levar no próximo Happy Rock Sunday!
- Ele não vai me levar - ela fez uma carinha triste.
- Vai te levar sim, eu falo para ele ou eu mesma te levo - falei, ela olhou para mim e sorriu.
- Meu irmão não disse que você é tão legal assim, ele ficou só na parte que você é bonita - agora sim, meu rosto pegou fogo, droga! Pe Lu olhou para mim e eu não consegui entender o olhar dele talvez porque ele também não está entendendo o meu.
- Seu irmão sempre esquece das coisas, para no meio ou se perde - dei um meio sorriso - Falando nele, tenho que ir ver como ele está!
- Eu tenho que ir fazer lição de casa - Joana falou - Você volta outro dia? - me segurei para não rir, o que ele mais quer é distância daqui.
- Vou voltar mais tarde para buscar a Patthy! A gente se vê de novo, ok? - ele sorriu, um dos sorrisos que me matam, senti meus joelhos falharem, me encostei no carro.
- Então tá - ela sorriu e deu um beijinho na bochecha dele que ficou de pé após isso.
- Me liga hein! - ele deu um beijo na minha testa.
- Tá, tá, tá - ele riu - Tchau - encostei o dedo no nariz dele que fez a careta fofa que eu amo e entrei na casa com Joana.
- Desculpe por isso Patthy - Sandra falou ao fechar a porta da casa.
- Imagina, ele gosta de atender as fãs - eu sorri e olhei para a casa, grande e cheia de detalhes mas isso eu olho depois - E o Lucas? - coçei a nuca.
- Ele está lá em cima, no quarto dele. Pode subir, vira a direita, a porta do lado esquerdo - ela sorriu meio nervosa.
- Ok, com licença - começei a andar pela casa, subi as escadas devegar e quando parei na porta do quarto dele respirei fundo, dei duas batidas e abri - Lucas? - ele está jogado na cama com um travesseiro no rosto - Lucas - fechei a porta do quarto e fiquei esperando ele se mexer, depois de um tempo ele tirou o travesseiro do rosto, os olhos vermelhos dele me assustaram, ele chorou? Quando dei conta já estava sentada do lado dele - O que aconteceu? - ele me abraçou pela cintura, encostou a cabeça no meu ombro e começou a chorar, meu Deus, meu Deus, meu Deus! Mais um chorando no meu colo, eu vou chorar junto, senti meus olhos arderem, meu coração acelerou e um nó aparecer na minha garganta, respirei fundo e começei a acariciar o cabelo dele com uma mão e a outra ficou sobre os ombros dele - Calma… Você ligou para ela?
Capítulo 46
- Uhum - a voz saiu abafada e um soluço saiu junto, respirei fundo mais uma vez tentando engolir o choro.
- Calma meu amor - eu o puxei para mais perto em uma tentativa falha de fazer a dor ou seja lá o que ele está sentindo passar, nunca me senti tão desesperada, nem com o Pe Lu foi assim, é claro! Ele não chorou de soluçar. Quando ele parou de soluçar meu coração voltou a bater normalmente se é que ele ainda sabe o que é bater normalmente porque nesses últimos tempos ele tem estado a mil, pobre coração. Começei a olhar o quarto dele, deve ser do tamanho do meu quarto se não maior, as paredes brancas, um guarda roupa, mesinha do lado da cama, uma mesa com computador e uma prateleira com carrinhos, um típico quarto de menino que não consegue doar os carrinhos que colecionou a infância inteira ou talvez ainda goste deles, whatever. Ele desencostou de mim depois de um tempo e limpou os olhos, enxugou as lágrimas no rosto e sorriu para mim, não consegui evitar e sorri também, ele respirou fundo e eu segurei uma mão dele.
- Eu liguei para ela e falei que eu queria saber a verdade - ele olhou para o vazio e eu fiquei encarando-o - Falei aquilo que você disse, que eu queria saber o porque de eu ter passado alguns anos da minha infância sofrendo e esse era o único motivo de estar ligando para ela. Então ela disse que foi embora porque estava cansada de tudo, inclusive de mim - senti meu queixo cair, como uma pessoa pode ser tão rídicula desse jeito? - Eu perguntei porque diabos ela me procurou, ela disse que queria se acertar comigo, eu falei ‘Pode esqueçer’, desliguei o telefone e começei a chorar, não sei porque eu começei a chorar! Estou me sentindo idiota por chorar por causa dela - coloquei a mão no queixo dele e ele olhou para mim.
- Você não é idiota - acariciei a bochecha dele e pousei minha mão no ombro dele - Você chorou porque precisava tirar toda a pressão que tinha dentro de você, isso não é ser idiota, você não é nada disso, você é forte, conseguiu passar por isso. A única coisa que eu posso dizer é que eu tenho orgulho de você! - ele sorriu e se aproximou encostando os lábios nos meus, permancendo por alguns segundos talvez para ver qual minha reação, ele pediu permissão e eu concedi, quando nossas línguas se encontraram senti algo diferente, não é igual os outros meninos e nem tão exterminador como é do Pe Lu, é mais do que os outros meninos e menos que Pe Lu, odeio admitir que o Pe Lu não sai da minha cabeça em momento algum e quando sai é porque estou perto dele. Nos separamos em um pulo quando a mãe dele bateu na porta, agradeci pela luz do quarto estar apagada e o sol já se pôs, tem uma leve luz iluminando o quarto assim ela não vai ver meu rosto vermelho de vergonha pelo susto e nem nossas bocas que provavelmente estão vermelhas - Finge que ainda está chorando - falei baixo para Lucas quando ela abriu a porta, ele deu algumas fungadas para fingir que está chorando.
- Você está melhor? - ela perguntou.
- Estou sim - ele disse entre fungadas, me segurei para não rir.
- Posso acender a luz?
- Ele quis deixar apagada para eu não ver a cara dele de choro - falei tentando disfarçar.
- Vocês não estão com fome?
- A gente já vai descer para comer, mãe. Obrigada. Vou lavar o rosto e a gente já desce.
- Ok - ela fechou a porta e ele virou para mim.
- Desculpa.
- Pelo o que?
- Pelo beijo - rolei os olhos.
- Se eu não quisesse você acha que o beijo ia durar tanto tempo? - ele ficou pensando.
- É mesmo - ele sorriu e me beijou de novo.
- A gente tem que descer Luquinhas - sussurei no ouvido dele enquanto tento respirar com ele beijando e dando chupões em meu pescoço, a minha sorte é que eu não fico com marcas, ah como eu agradeço por não ficar com marcas, ele riu ao me ouvir chamando-o de Luquinhas.
- Luquinhas? - ele me olhou e consegui respirar direito, começei a rir.
- Foi o jeito de te distrair - pisquei para ele e me levantei da cama - Vamos - prendi meu cabelo em um coque.
- Estou com cara de choro?
- Nossa Lucas! - fingi estar assustada - Sua cara está horrível! - ele se assutou, começei a rir e o abraçei - Brincadeira, você está arrumadinho até - ele sorriu e segurou meu rosto com suas mãos.
- Linda - quase falei chato por puro impulso, ah Pedro Lucas sai da minha cabeça!
- Lindo - dei um selinho nele - Vamos - tirei meu rosto das mãos dele e começei a empurrá-lo para fora do quarto, ouvi algumas risadas que parecem ser de Joana, Lucas foi andando até a sala e eu fui junto já que coloquei minhas mão no ombro dele.
- Daqui a pouco seu pai chega com pizza - Sandra falou ao nos ver.
- Você vai comer o lanche ou esperar a pizza? - Lucas perguntou e me puxou para o lado dele.
- Não quero encomodar! Já vou ligar…
- Patthy - Lucas me interrompeu e me olhou no fundo dos olhos, ele não precisa fazer carinha de cachorro sem dono, os olhos dele me dizem que ele quer que eu fique, me imploram para ficar.
- Está bem, eu espero a pizza - ele sorriu satisfeito.
- Não quer comer nada antes da pizza chegar? - Sandra perguntou.
- Não, obrigada - sorri um pouco envergonhada, Lucas me puxou pela mão até o sofá.
- Patthy vamos brincar?! - Joana apareceu correndo.
- Não, não, não - Lucas falou - Não começa! - ela deu a língua para ele e olhou para mim, me segurei para não rir.
- Vamos sim, sem problemas. Ê chatinho! - apertei a buchecha do Lucas e me levantei, indo até uma porta na sala. Joana abriu a porta e me deparei com uma sala de jogos, computador e todos os controles imagináveis de Wii, pelo menos todos que eu já vi estão nessa sala, não que eu tenha visto muitos - A gente vai brincar de que? - olhei para ela desconfiada.
- Guitar Hero - ela sorriu e eu fiquei indignada, nunca joguei Guitar Hero.
- Não sei jogar, isso não é coisa de gente mais velha não? Na sua idade eu brincava de outras coisas.
- Tipo o que? Eu fico aqui porque não tenho mais nada para fazer - ela deu de ombros.
- Brincava de escolinha, casinha, pega pega, esconde esconde, pulava corda, ficava dançando as músicas dos meus cantores preferidos, assistia desenhos na tv mas na maior parte do tempo ficava correndo de um lado para o outro sem ter um porque.
- Mas eu não sei como brincar dessas coisas e não tem gente para brincar de pega pega comigo.
- Que tal você ir em casa essa semana? Lá no meu condomínio tem um parquinho muito legal, eu brinco com você - um sorriso enorme apareceu no rosto dela e ela me abraçou.
- Vamos brincar de que agora? - começei a pensar em alguma brincadeira para crianças da idade dela.
- Que tal cantar e dançar? - era o que eu mais gostava.
- Vamos!! - ela pegou minha mão e correu para a sala de novo - Cadê o meu cd com as minhas músicas? - me lembrei do meu cd com as minhas músicas, sai Pedro Lucas!
- Porque? - Lucas perguntou.
- Eu e a Patthy vamos dançar e cantar - ele começou a rir, peguei uma almofada e joguei nele.
- Se continuar rindo te faço dançar também - falei.
- Não faz não.
- Você que pensa - arqueei as sombrancelhas e sorri.
- Duvido - ah como essa palavra me irrita e ele sabe disso, ele arqueou as sombrancelhas, sorriu e piscou para mim, ele sabe o que está fazendo.
- Cadê o meu cd?! - ela gritou, eu e Lucas olhamos para ela, por um momento esquecemos dela.
- Deve estar no seu quarto, no meio da sua bagunça né.
- Vou procurar, já volto - ela saiu correndo, encarei Lucas.
- Duvida é? - ele assentiu com a cabeça e um sorriso maroto surgiu no rosto dele - Você sabe o que está fazendo né? - ele assentiu de novo - Que bom - sentei do lado dele e joguei meu cabelo em seu rosto fazendo-o rir, ele encostou o queixo no meu ombro, a respiração dele no meu pescoço me fez estremecer, fechei os olhos e respirei fundo.
- Ficou irritadinha? - por um momento esqueci a raiva que eu estava dele mas agora voltou.
- Desde quando você provoca as pessoas? - mordi a bochecha dele.
- Você despertou isso em mim - ele mordeu o lóbulo da minha orelha, mordi meu lábio inferior e fechei os olhos tentando me concentrar na conversa, se é que isso é uma conversa.
- Bom saber - sussurei no ouvido dele, em virei um pouco e começei a passar minhas unhas pelas costas dele, ele quer brincar? Vamos brincar! - Despertei só isso em você? - continuei sussurando, olhei para o braço dele todo arrepiado e olhei para o rosto dele, olhos fechados e a boca em uma linha reta apertada, dei uma pequena risada sem emitir nenhum som.
- Pára - ele disse entre os dentes, coloquei minha mão no ombro dele e começei a rir.
- É claro, sua mãe, sua irmã e seu pai podem aparecer aqui a qualquer momento - disse entre risos.
- Não tem graça - olhei para ele que começou a rir também - Você joga baixo!
- Sempre muito exagerado! Sua irmã me disse que a única coisa que você falou de mim para ela é que eu sou bonita - sussurei a última frase no ouvido dele.
- Você está fazendo isso de novo - começei a rir e me afastei.
- Desculpa, foi um impulso!
- Você faz isso com todos então?
- Só com os que dizem para a irmã de 9 anos que eu sou bonita.
- Eu só falei a verdade.
- Se você diz - dei de ombros e sorri para ele - Chamei sua irmã para ir em casa essa semana, acho que ela vai gostar bastante do quarto do Pe Lu.
- Não deixa ela entrar lá, sério. Ela vai ter uns ataques muito loucos!
- Mas você vai estar lá para controlar ela! - ele sorriu.
- Você acabou de me convidar para ir na sua casa?
- Ainda não convidei, espera! Você que ir em casa? Aproveita e leva a sua irmã!! - sorri ao ouví-lo gargalhar.
- Já ia te chamar - falei ao atender o rádio ofegante.
- Você está bem? - Pe Lu perguntou.
- Estou, eu estava dançando e cantando com a Joana e com o Lucas.
- Eles aguentaram sua voz? Coitados! Sério Patthy, a mãe deles não vai deixar você voltar mais.
- Hahaha, que engraçado Pedro Lucas! Você interrompeu o meu show, fala logo!
- Posso passar ai em 5 minutos? E depois vamos para o shopping.
- Eu não peguei agasalho! Não tem nenhum meu ai no seu carro né?
- Não mas você usa o meu, daqui a pouco eu chego ai!
- Tá, beijo - desliguei o rádio e senti os olhares de Lucas e Joana sobre mim.
- Vamos continuar? - Joana pulou, por um feliz momento achei que ela tinha cansado, me joguei no sofá ao lado de Lucas e encostei a cabeça no ombro dele.
- Continua você - dei um meio sorriso - A gente fica assistindo.
- Sorte que o Pe Lu ligou - Lucas cochichou, ri baixo.
- Verdade, tenho que me lembrar de agradecê-lo.
- Tem certeza que você quer brincar com ela?
- Tenho, ela é criança e não se diverte como você se divertiu.
- A diversão dela está chegando… Pe Lu - ele é a minha diversão, foi a primeira coisa que pensei, droga! - Ah claro, não posso me esquecer dos lindos Justin Bieber e Luan Santana - ele riu.
- Minha irmã também gosta de Luan Santana e Justin Bieber.
- E Restart?
- Ela gosta mas não assume só porque eu gosto, ela ficou toda boba quando chegou em casa e viu os quatro gritando e rindo na sala de casa - sorri ao me lembrar desse dia - Ela deve se gabar para as amiguinhas da escola mostrando as fotos dela com eles para todas.
- Patthy, o Pe Lu chegou - Fernando, pai do Lucas falou, nem percebi a porta ser aberta, Joana saiu correndo e nós rimos.
Capítulo 47
- Já estou indo, obrigada - Lucas levantou e estendeu a mão para me ajudar, segurei a mão dele e levantei - Obrigada - então percebi que estou grudada nele e indo embora, será que ele vai me beijar na frente do Pe Lu? Fim da minha vida! - A propósito - dei um selinho nele - Se eu te beijar na frente do Pe Lu ele pode complicar tudo lá em casa.
- Imaginei - ele sorriu, passou os braços pela minha cintura e me beijou mas logo partimos o beijo, ouvimos passos - Vem - ele sorriu, segurou minha mão e fomos até a sala, peguei minha bolsa no sofá.
- Vira… me leva nas costas - ele riu e dobrou um pouco os joelhos, subi nas costas dele que passou a mão pelas minhas pernas. É claro que isso é para causar um pouquinho de ciúmes no Pe Lu, sorri com a ideia - Essas músicas de Hannah Montana grudam na cabeça! - não que eu tenha algo contra, amo Hannah e amo a Miley mas a música gruda na cabeça!
- Já me acostumei e os gritinhos por Jonas? As declarações para o Joe? - começei a rir - Não dá risada, o peso aumenta.
- Para de falar para eu não rir! - falei entre risos - Deixa que eu ando agora - falei ao ver que ele vai descer as escadas, não são muitas mas sei lá.
- Já cheguei até a porta, agora vou descer as escadas.
- Joe eu te amo, você é lindo, casa comigo? - falei e ele riu.
- É assim mesmo!
- Tinha uma assim lá em Campinas - olhei para a rua e vi Pe Lu conversando com Joana e pela primeira vez não senti ciúmes porque olhando assim parece que são pai e filha - Vou escolher um dia que ele estiver em casa para vocês irem, ela vai gostar bastante.
- Obrigada pelo o que você está fazendo pela minha pirralha - desci das costas dele e ele me abraçou - E obrigada por hoje, obrigada por tudo.
- Até por despertar seu lado provocativo? - ele riu baixo.
- Isso principalmente - dei um tapa nas costas dele.
- Safado! E não precisa ficar me agradecendo, não gosto quando ficam me agradecendo quando eu estou só fazendo o que tem que ser feito ou quando faço o que está ao meu alcançe - ele distanciou seu rosto e olhou para mim.
- Você não existe! - ele respirou fundo - Saco! - revirou os olhos e me deu um beijo na buchecha, dei risada.
- Até amanhã meu amor - dei um beijo estalado na bochecha dele, me despedi de Fernando, Sandra e Joana.
- Ei pequena! - Pe Lu me abraçou forte, nesse tempo que fiquei aqui não percebi como senti falta dele, acho que ficar pensando nele o tempo todo é sentir falta, ok percebi mas não sabia que era saudade.
- Você está bem? - percebi alguma coisa estranha no olhar dele, pode ser 9 da noite, estar escuro mas ainda sim consigo ver tudo nos olhos dele.
- Estou - ele forçou um sorriso, me soltou e olhou para Joana - Então até a próxima Jo! - ela deu um beijinho nele, entrei no carro e ele entrou também.
- Ok, vai me contar agora - ele ligou o carro, nós acenamos e olhei para ele que respirou fundo.
- Vou terminar com a Ná - um nó apareceu na minha garganta, engoli seco.
- O que?! Porque?
- Não está mais dando certo, até o final do mês passado tudo estava bem mas começou a ficar estranho e chato, estou indo encontrá-la no shopping e provavelmente ela vai precisar de alguma amiga, liga pro Willy também, pede para ele ir até lá.
- Você tem certeza?
- Você não ouviu o jeito que eu falei com ela naquele dia? Não tenho mais vontade de falar com ela - respirei fundo e dei de ombros.
- Parece que você já arrumou alguém para ocupar o lugar da Ná, a Joana! - ele gargalhou.
- Só você para me fazer rir.
- É nessa hora que eu me sinto uma palhaça mas tudo bem - sorri para ele que sorriu de volta.
- Ela disse que vai em casa.
- Vou ver com a sua mãe se tudo bem, ela fica a tarde inteira trancada naquela casa, perdendo a infância no computador. O Lucas não sabe brincar de casinha ou de escolinha com ela então pensei em levar ela lá em casa, ficar brincando no parquinho..
- Treinando para ser mamãe!
- Cala a boca! Longe de mim ser mãe agora!
- Vamos esperar alguns anos né? - é nessas horas que o meu coração acelera, guenta coração!
- É melhor, mas você já pode comprar o terreno da nossa casa, começar a construir porque eu vou querer uma casa grande, obrigada!
- Amanhã vou procurar o terreno, pode deixar! - nós rimos - Mas e o Lucas, o que ele tinha? Carência? - senti um pouco de ironia no que ele falou.
- Não - falei seca, respirei fundo e relevei o que ele falou - Ele teve problemas com o problema pessoal - respondi no meu tom habitual, olhei para a rua e encostei a cabeça no banco, não começei a pensar em nada, só estou acompanhando as imagens de casas e carros passando pelos meus olhos - A Ná vai vir que horas?
- Marquei as 9 com ela - olhei no relógio 21:10 e olhei para a rua de novo, agora para ver aonde estamos, já estamos perto do shopping.
- Vão se encontrar aonde?
- No primeiro andar, é mais calmo.
- Entendi - peguei o rádio e chamei o Willy.
- Fala minha linda!!
- Nossa que animação, tudo isso por falar comigo? - dei risada.
- Pra você ver, é saudade!
- Então vem me ver agora, eu não estou em casa.
- Aonde você está?
- Chegando no Morumbi, vem para cá!
- Saio de casa em 5 minutos!
- Quando chegar avisa. Beijo!
- Tá bom, beijo - desliguei o rádio.
- Que fácil de convencer, eu não seria tão fácil assim não.
- Seria mais fácil do que ele - dei risada - Não se faça de difícil Pedro Lucas, eu te conheco bem.
- Eu também te conheco bem e sei que você está me escondendo alguma coisa - senti um calafrio, é claro que não vou contar o que aconteceu, claro que não, é pedir para ele bater o carro. Pensa em uma desculpa Patricia, pensa, pensa - Não está?
- O Lucas tentou me beijar - parei de falar e ele ficou esperando eu continuar - E eu desviei, só.
- Porque? - porque ele insiste em fazer perguntas difíceis?
- Ahn… porque foi muito de repente, eu não estava preparada - sinceramente? Eu não trabalho muito bem sob pressão de Pedro Lucas.
- O que você vai fazer se ele tentar te beijar de novo? Vai desviar? - coçei a nuca.
- Não, acho que não - fingi estar pensando sobre o assunto.
- É, você está fazendo o que eu te pedi - ele pareceu relutar para dizer isso.
Capítulo 48
- Oi Ná - falei ao atender o rádio, eu e Willy já estávamos impacientes.
- Vocês podem vir aqui? - a voz dela é de quem chorou - Primeiro andar, no corredor dos banheiros.
- Estamos indo, beijo! - olhei para Willy e começamos a andar rápido, chegamos no corredor em menos de 3 minutos, ela nos abraçou ao mesmo tempo e começou a chorar, começei a acariciar o cabelo dela e olhei para Pe Lu como se perguntasse se ele está bem, ele sorriu de leve, eu gosto da minha conexão com ele. Uns cinco minutos depois Willy foi falar com Pe Lu.
- Dorme lá em casa? - Ná me perguntou entre fungadas e soluços, fiquei sem saber o que responder.
- Durmo sim - foi a primeira coisa que veio na minha cabeça.
- Vamos? - Willy se aproximou de nós.
- A Patthy vai para minha casa - ela falou para Willy.
- Vou avisar o Pe Lu - fui até ele e o abraçei - Ela quer que eu vá dormir na casa dela, eu não vou conseguir ficar lá, eu tenho um pouco de culpa nisso. Você disse que eu podia te pedir qualquer coisa que você vai fazer então inventa alguma coisa para me tirar dessa de ir para a casa dela - sussurei no ouvido dele.
- Pode deixar - ele beijou minha testa e eu me distanciei, fui até Willy e Natalia.
- Ele disse que não dá mais - Natalia falou depois de uns 10 minutos que entramos no carro, ela se jogou no banco de trás e ficou calada, eu e Willy ficamos quietos também - Disse que, não sabe como, acabou aquela coisa toda que ele sentia por mim - senti uma pontada ao ouví-la dizer isso - Disse que não tinha porque continuar fingindo uma coisa e me iludindo, que ele não quer o meu mal e que seria melhor terminar - olhei para Willy sem saber o que falar, ele também não sabe, começei a pensar no que dizer.
- Talvez seja melhor vocês serem só amigos, é melhor terminar antes que vocês se odeiem e acabem com uma amizade - falei e falei bonito! Alguém me chamou no rádio, ok é o Pe Lu, pelo menos espero que seja, peguei o rádio e sim é ele - Oi.
- Sem querer ser chato mas minha mãe pediu para você ir para casa, eu expliquei tudo mas ela disse que tem uma coisa muito importante para dizer e precisa ser hoje, uma reunião em família de última hora - olhei para Ná.
- Tudo bem - ela sorriu e eu sorri também.
- Está bem, o Willy vai me deixar em casa, beijo - desliguei o rádio e guardei - Amanhã depois da aula, se você quiser, a gente pode fazer alguma coisa.
- Eu vou gostar muito.
- Então quando a tia for levar a Nai na academia eu peço para ela me deixar na sua casa.
- Não, minha mãe te busca na sua escola.
- Certeza?
- Absoluta! Ela vai buscar meu irmão mesmo, que horas você sai?
- Meio dia e meio.
- Minha mãe te busca - ela sorriu fraco, fomos em silêncio o resto do caminho, senti meu coração apertar quando fechei a porta do carro, eu quero ir para a casa da Ná e ajudá-la mas eu tenho um pouco de culpa nisso, mesmo se eu não tiver me sinto culpada, querendo ou não faz sentido eu ter culpa nisso. Abri o portão, dei boa noite para o porteiro, subi as escadas e sorri ao ver uma pessoa magra e alta encostada em uma das árvores, corri até ele e o abraçei, incrível como eu me senti bem no momento que o abraçei, parece que só consegui respirar de verdade depois disso e começei a chorar, nem consegui segurar, quando me dei conta as lágrimas já escorriam, Pe Lu começou a acariciar meu cabelo e encostou o queixo no topo da minha cabeça.
- Porque você está chorando? Não é porque você está se sentindo culpada, é? - ele falou e começei a pensar porque estou chorando.
- Não sei - ri um pouco - Acho que depois do Lucas e da Ná chorando no meu ombro fiquei carregada, peguei um pouco da dor deles que se juntou com a minha - bufei - Não quero mais chorar Pe Lu - olhei para ele que riu e limpou as lágrimas no meu rosto.
- Acho que eu tenho um Percy Jackson para assistir - eu sorri, desde que lançou no cinema quero ver Percy Jackson, ele segurou minha mão e começou a andar mas o que ele não entende é que tenho pernas pequenas em comparação as dele, um passo dele equivale á três meu.
- Então eu te pego depois que eu pegar a Naira na academia - tia Teresa falou, assenti sorrindo - Boa aula para vocês meninas.
- Obrigada tia, bom dia para você - desci do carro e fechei a porta, Naira fez o mesmo.
- O que você e o Pe Lu ficaram fazendo ontem? - ela me olhou desconfiada.
- A gente viu um filme, porque?
- Fiquei ouvindo zumbidos, qual filme vocês viram?
- Do Percy Jackson lá que eu queria ver!
- Percy Jackson lá? E você diz que queria ver? - dei risada.
- Não sei o nome poxa.
- Patthy - Naira apontou para alguma coisa atrás de mim, me virei e vi Lucas saindo do carro, como assim? Ele olhou para mim e sorriu, sorri para ele - Vai lá, depois a gente conversa - olhei para Nai e concordei, abanei a mão e começei a andar até Lucas que já está andando na minha direção.
- Que milagre é esse? - falei alto, ainda distante dele e acenei sorrindo para Fernando que buzinou.
- Cheguei mais cedo para te ver - ele me abraçou e beijou, por essa eu não esperava, ok.
- E essa pouca vergonha antes das 7 da manhã? - reconheci a voz de Leonardo, sorri e partimos o beijo.
- Bom dia Léo! - o abraçei e vi que o carro do pai dele ainda está parado, o homem dentro do carro sorriu e acenou, como fez esses dias, apenas sorri e arqueei as sombrancelhas.
- Bom dia, aliás para vocês já está sendo bom - dei risada.
- Aproveita que hoje estou de bom humor.
- Pô cara, o que você fez com ela? Ela está de bom humor, não vou aguentar reclamações na sala! - Léo falou para Lucas, cruzei os braços e fiquei observando a cena.
- Ela não vai me deixar falar o que eu fiz - a boca do Lucas ficou em uma linha reta e eu gargalhei.
- Quanta bobeira eu tenho que ouvir de manhã - revirei os olhos - Vamos entrar logo!
O período de aula passou normal, fui para a casa da Ná, conversamos, fomos na piscina, conversamos, conversamos e conversamos, consegui animá-la um pouco, no dia seguinte Lucas e Joana foram para minha casa direto da escola, passei a tarde toda entre o parquinho e a piscina, e claro, toda hora ouvia ‘Cadê o Pe Lu?’, quando ele finalmente chegou eu e Lucas tivemos descanso. Depois desse dia as coisas com o Pe Lu mudaram, ele passou a implicar com todos os meninos, até com o Léo, acho que só não implicou com o Willy porque é melhor amigo dele, quando ele está em casa não nos olhamos, de noite ele volta a ser legal, nós conversamos e dormimos, eu preciso parar de dormir na mesma cama que ele, foi complicado explicar para o Lucas o porque de eu dormir com o Pe Lu, não que eu tenha dito tudo, falei que uma noite ou outra nós acabamos dormindo na mesma cama por pura de preguiça de levantar e ir para a cama. Sempre que o Pe Lu tem ataques de ciúmes, eu ignoro e depois ligo para o Koba, conto tudo que aconteceu, xingo o Pe Lu e choro, choro, choro, choro e choro. E quando eu falei que o aniversário do Léo ia ser comemorado em uma chácara que eu vou na sexta depois da aula e só volto no domingo de tarde, que o Lucas vai, que vou dormir lá? Ele ficou de cara fechada por alguns dias e até tentou convencer a tia a não me deixar ir, que absurdo!
- Patthy não vai beber? - Anne gritou, acho que já bebi bastante, não gosto de ficar bêbada, falar coisas que não devo e depois ficar com vergonha, não obrigada.
- Daqui a pouco, quando eu sair daqui eu vejo - na verdade entrei na piscina para passar um pouco a tontura que começou a me dar, abraçei Lucas e encostei a boca no ombro geladinho dele, olhei para frente e vi Léo conversando com o pai dele, de novo não consegui evitar e fiquei olhando para o corpo do Alexandre, certeza que ele tem 40 anos? Para mim ele deve ter uns 30, isso sim, musculoso e definido. Ontem também não consegui deixar de olhar para o corpo dele e ainda tenho o resto do dia para ficar olhando-o.
- Você está bem? - Lucas perguntou, tirando minha atenção do Alexandre, pisquei algumas vezes e olhei para ele.
- Estou sim e você? - ele riu, não entendi o motivo.
- Sim mas você ficou quieta.
- É a bebida e o Léo é igual ao pai dele, acho que eles são irmãos e não pai e filho.
- Então é por isso que você está quieta? - fudeu, pensa Patricia, pensa no que falar.
- É… nunca vi pessoas tão iguais, fiquei intrigada - a bebida também não me ajuda a formar uma resposta, ou melhor, mentira decente! - E eu me lembrei que tenho que ver minha roupa para ir no Prêmio Multishow! Já é terça e eu não achei nada - respirei fundo, eu estou preocupada com a minha roupa mas usei como uma desculpa por estar quieta.
- Você fica linda com qualquer roupa - dei um sorriso gigante.
- E você fica lindo quando me diz essas coisas - eu o beijei.
- Vou andar um pouco - falei e sai da sala onde os meninos estão jogando bilhar, o Léo tinha me dito que era uma chácara mas isso é quase um sítio, é um rancho. Começei a andar por uma trilha fechada e começei a pensar sobre Lucas, estou ficando com ele há quase 2 semanas e a cada dia vai ficando mais sério, já não me importo mais em namorar com ele, o Pe Lu tem me irritado tanto que as únicas coisas que penso dele é a implicância, o carinho que ele tem comigo aparece pouco, bem pouco. Acho que depois da noite de hoje, consigo dormir sem o Pe Lu, talvez não. Me abraçei ao Lucas do jeito que faço com o Pe Lu e começei a imaginar o perfume dele, só assim consegui dormir, foi difícil mas nada impossível, o barulho de gravetos sendo quebrados atrás de mim me assustou, me virei e vi Alexandre, ele deve estar preocupado comigo, afinal a noite está caindo e eu andando entre as árvores, faz sentido.
- Até que enfim te achei - ele falou ainda andando em minha direção, há quanto tempo estou aqui? Deve ser bastante pelo jeito que ele falou.
- Eu estou bem - sorri e então reparei que ele está sem camisa, droga! Ele parou bem perto de mim, me olhou no olhos, passou uma mão pelo meu cabelo e parou na minha nuca, senti calafrios quando ele deu mais um passo e meu corpo grudou ao dele que colocou a mão livre na minha cintura e aproximou o rosto do meu, a respiração dele batendo no meu rosto fez minha respiração falhar.
Capítulo 49
- Se você não quiser, é só me parar - ele sussurou e eu pensei em dizer que não mas algo muito forte dentro de mim diz que sim então deixei ele tocar seus lábios nos meus e logo pediu passagem, o beijo foi calmo apenas nos primeiros segundos, o beijo ficou intenso e percebi o quanto ele esperou por isso, então ele acenava para mim todos os dias por isso? Ele começou a dar beijos e chupões no meu pescoço, eu começei a arranhar as costas dele conforme o que ele fazia em meu pescoço, logo “cansei” disso e me afastei dele.
- Tchau - sorri para ele e começei a andar para voltar.
- Se eu fosse você escondia seu pescoço - ele falou no meu ouvido.
- Você é louco?
- Sério, ficou marcado - entrei em choque, nunca ninguém me deixou com marcas no pescoço, como ele fez isso? - É bom você ter uma boa desculpa para o seu namoradinho - ele riu.
- E tenho - soltei meu cabelo e coloquei na frente do ombro - É bom você colocar uma camiseta, vai por mim, essas marcas vão sair só daqui uma semana querido - entrei e me joguei no sofá da sala. Começei a pensar no que acabei de fazer, que tipo de biscate eu estou me tornando? A culpa apareceu, um nó na garganta começou a subir e meu olhos começaram a arder. Me levantei e fui até o quarto, peguei meu rádio.
- Oi meu amor! - Willy falou, sorri fraco.
- Você está ocupado? - respirei fundo tentando afastar a vontade de chorar.
- Não, o que aconteceu?
- Eu… eu não estou passando bem - as lágrimas começaram a escorrer - Você pode vir me buscar?
- Calma Patthy, me diz aonde é que eu já estou indo - falei o endereço para ele e deitei na cama, as lágrimas escorreram sem vergonha alguma, pelo menos alguma coisa em mim não tem vergonha porque o resto…
- Patthy? - ouvi a voz do Lucas, olhei para a porta e o vi entrando no quarto - Você está bem? - ele se aproximou rápido ao ver minhas lágrimas e sentou do meu lado, o abraçei, por mais que eu esteja sentindo culpa, me sinto um pouco melhor com ele em meus braços.
- Estou sentindo umas dores no estômago, liguei para o Willy, ele está vindo me buscar.
- O que é isso no seu pescoço? - me soltei dele e sentei na cama.
- Levei picadas de pernilongo quando estava andando, fui na trilha sabe? - coçei o pescoço como se as picadas estivessem coçando, isso deve colar, agora deve estar vermelho, sem formato nenhum, depois me viro com maquiagem.
- Você está sentindo só dores no estômago? Será que foi alguma coisa que você comeu? Ou foi bebida demais? - passei meus braços pele pescoço dele e o puxei para mim.
- Deve ser a bebida mesmo - permaneci uns 15 minutos no quarto, fui avisar Léo, pedi desculpas por estar indo embora, ele ficou meio emburrado mas depois aceitou, me despedi de todos e Willy chegou.
- O que você tem? - ele perguntou ao me abraçar.
- Algumas dores no estômago - sai dos braços dele e olhei para Lucas.
- Depois eu te ligo - me abraçou e beijou, eu o forçei a continuar na festa, ele insistiu muito em ir embora comigo, não vou acabar com o final de semana dele, de uma certa forma já estou acabando com a vida dele, é isso que eu penso.
- Aproveita a festa - falei, o abraçei e fui para o carro.
- Direto para o hospital! - Willy falou quando o carro começou a andar.
- Não tem dor nenhum no estômago Willy - falei com a voz fraca, encostei a cabeça no banco e as lágrimas voltaram.
- Então o que foi?
- Eu fiz o que não devia fazer… não quero falar sobre isso - começei a olhar a paisagem passando pelos meus olhos e os pensamentos de culpa me invadiram.
- Nós vamos para o Rio agora - Willy falou, pulei do sofá.
- O que?
- É, falei com o Pe Lu, ele ficou preocupado, quer conversar com você e a gente já ia para lá na segunda de noite, alguns dias antes não tem problema.
- Você ligou para ele?! Ficou louco?
- Vou arrumar minha mala e depois te levo na sua casa para você fazer sua mala e nós vamos, já reservei as pessagens, daqui 3 horas estaremos voando - ele saiu da sala, peguei o rádio e chamei Pe Lu.
- O Willy já te falou né?
- Já, mas isso fica para depois, o que eu vou falar para a sua mãe? Vou dizer que tive uns problemas e que agora estou indo para o Rio conversar com você, ah que lindo!
- Diz que… que… que surgiram alguns problemas aqui na equipe e como a festa não estava tão legal você vai para o Rio dar uma mãozinha - bufei.
- Ok.
- O que aconteceu?
- Não quero falar sobre isso, não agora.
- Conversamos depois então, o Willy vai te ajudar com o avião, eu te amo.
- Tá bom, também te amo - desliguei o rádio e me joguei no sofá de novo, olhei no relógio 22:03, o voo deve ser no começo da madrugada, provavelmente vamos chegar junto com os meninos.
Uma hora depois saimos do apartamento do Willy, cheguei em casa e falei o que Pe Lu mandou, eles aceitaram bem e eu me apavorei ao lembrar que não tenho roupa para ir no Prêmio Multishow, Lucas me ligou, falei que melhorei e que vou para o Rio, só volto na quarta de tarde. Liguei para Pe Lu e disse que não vou porque não tenho roupa, ele disse que na segunda vai comigo encontrar alguma coisa para usar no Prêmio, que saco as coisas são fáceis para ele!
- Eles chegaram - Willy me cutucou, olhei no relógio 02:34, chegamos há uns 20 minutos e sentamos no hall do hotel para esperá-los, ele se levantou, esperei algum deles se aproximar para me levantar, o primeiro foi Thomas.
- Ei gordo! - falei e o abraçei.
- Tudo bem meu amor?
- Tudo e você? - ele sorriu confirmando, abraçei Pe Lanza e Koba, olhei para o Pe Lu com cara de bravo e preocupado, fiz uma careta e sorri, ele abriu um pequeno sorriso e me abraçou, senti um alívio tão grande e agradeçi por estar nos braços do Pe Lu - Não precisa ficar com essa cara - sussurei.
- Vou deixar minha mala no quarto e depois vou no seu quarto Pe Lu - Koba falou, soltamos o abraço.
- Não, eu vou no seu quarto depois, é melhor - falei.
- Só a gente não recebe visita da Patthy no quarto - Pe Lanza falou para Thomas.
- Vocês querem a minha visita?
- Ia ser bom, não vamos nos sentir excluídos - Thomas falou.
- Ô exagerado! - dei risada - Então amanhã eu apareço no quarto de vocês mas é bom ter chocolate para eu comer.
- Não, vai ter sim! - Thomas falou e Pe Lanza concordou.
- Vamos? - Willy falou impaciente, ele e Pe Lu já estão indo para o quarto.
- Estressadinhos! - começei a andar - Tchau meninos! - acenei, continuei andando no meu ritmo e os dois no deles, obviamente fiquei para trás, entrei no quarto, fechei a porta e Pe Lu já está sentado na cama e Willy em um sofá pequeno que tem do lado da cama, os dois me encarando.
- Você vai nos contar o que aconteceu? - Willy perguntou sério, afirmei com a cabeça e me encostei na parede.
- Me diz que esse seu ‘fiz o que não devia fazer’ não é o que estou pensando - a voz de Pe Lu saiu fraca.
- Ainda sou virgem se essa é a sua preocupação - olhei para ele que soltou o ar como um sinal de alívio e olhei para Willy, sua feição ficou tranquila, respirei fundo - Eu e o pai do Léo nos beijamos - voltei a olhar Pe Lu que agora está de boca aberta e olhos fixos em mim, Willy está do mesmo jeito.
- Explica isso direito - Pe Lu falou entredentes, respirei fundo de novo e começei a contar, desde a primeira vez que vi Alexandre.
- E pela primeira vez na minha vida alguém deixou marcas no meu pescoço - Pe Lu levantou da cama com as duas mãos fechadas.
- O QUE? ESSE CARA PENSA QUE É QUEM? Vou na polícia denunciar esse… esse…
- Calma Pe Lu - segurei os pulsos dele e o olhei nos olhos.
- Ele te beijou!
- Mas ele só me beijou porque.. porque eu quis - ele tirou os pulsos das minhas mãos e meu olhar foi para o chão.
- Se você quis, não tem nada a fazer. Então porque você estava chorando tanto? - Willy perguntou e Pe Lu se jogou na cama, me encostei na mesa atrás de mim.
- Culpa. Estou ficando com o Lucas e… - olhei para Pe Lu que está olhando para o chão, seus ombros sobem e descem rápido, olhei para as mãos dele esmagando o edredon e respirei fundo.
- Você só está ficando com ele, calma.
- Não Willy, você sabe que não estou só ficando com ele, a cada dia fica mais sério - senti o nó subindo na minha garganta e meu olhos começaram a arder - E ele estava lá no lugar, estava por perto, podia ter visto! - deixei as lágrimas escorrerem, Willy me abraçou e ouvi a porta bater, olhei no quarto e não encontrei Pe Lu.
Capítulo 50
- Ele vai voltar - Willy falou quando tentei sair do abraço - É mais um ataque de ciúmes.
- E se ele for na polícia? E se ele fizer alguma loucura? Vai atrás dele, por favor - as lágrimas só aumentaram porque começei a me preocupar com Pe Lu e com o que ele pode fazer, não me importo se ele for na polícia, eu me importo com ele, o que pode acontecer no caminho ou sei lá.
- Fica bem - ele deu um beijo na minha testa e saiu correndo do quarto, fui até o banheiro, joguei água no rosto e fui para o quarto do Koba mas antes tentei chamar Pe Lu no rádio, ele não me atendeu, eu sabia que não ia mas tentei.
- Koba - falei quando ele abriu a porta, as lágrimas voltaram e começaram a escorrer, eu o abraçei.
- O que o Pe Lu fez dessa vez? - ele passou a mão no meu cabelo e começou a andar ainda me abraçando.
- Eu contei o que aconteceu, ele ficou bravo e saiu correndo do quarto, não sei aonde ele foi, não sei o que ele vai fazer, Koba - falei entre lágrimas e soluços, sentamos na cama, continuei abraçada nele.
- Ele tem a cabeça no lugar, ele sabe o que faz e você sabe disso, calma.
- Mas ele estava muito bravo, muito bravo mesmo!
- Me conta tudo que aconteceu - começei a contar para Koba, meu choro foi e voltou muitas vezes, quando eu estava terminando de contar Willy me chamou no rádio e disse que encontrou o Pe Lu, que ele já está no quarto e disse que qualquer coisa era para eu ligar. Koba disse que tenho que conversar com Pe Lu e esclarecer tudo aproveitando que Willy não está mais lá, voltei para o quarto e toquei a campainha, um tempo passou e ele não abriu a porta, respirei fundo, ele tem razão em não querer me ver, ele abriu a porta quando decidi ir para o quarto do Koba chorar mais um pouco, bem depressiva, eu sei.
- A gente pode conversar? - olhei para ele que ainda está sério mas não tem mais raiva e ódio no olhar, ele abriu a porta e deu espaço para eu entrar, entrei e sentei no sofá, ele sentou na cama - Você está bem? - ele assentiu com a cabeça, odeio quando ele faz isso, ele sabe que me irrita - Não sei explicar direito o porque de eu querer beijar o Alexandre, acho que cai no jogo dele, desde o começo ficou me olhando, fazia questão de falar oi todos os dias, ficou andando de um lado para o outro sem camiseta sabendo que tem um corpo bonito e eu respondendo a tudo, cai feito idiota no joguinho dele… mas essa sou eu né - dei de ombros.
- Mas você não tem que dar satisfações para mim - ele falou.
- Para de fingir que você não importa porque se não se importasse não teria ficado bravo, não teria saido daqui batendo porta! - ele abaixou a cabeça, respirei fundo - Você sabe que eu não estou me sentindo culpada só pelo Lucas, não é?
- Não foi o que pareceu.
- Você queria que eu falasse na frente do Willy que eu me senti culpada porque eu te amo e sabia que você ia se sentir traído tanto quanto o Lucas? - ele voltou a me olhar, o choro começou a voltar, mordi meu lábio inferior - Aonde você foi quando saiu daqui correndo?
- Fui para o bar pensando em enxer a cara para esquecer de tudo e depois me jogar por ai mas o Willy apareceu, me convenceu a não beber e a voltar para o quarto, pensar nesse ciúme que eu tenho de você e te chamar para conversar, até porque você ficou preocupada comigo - fiquei olhando para ele esperando que ele continue - Vou ser sincero.
- Nunca pedi para você mentir para me agradar - ele sorriu e não pude deixar de sorrir.
- Eu pensei em desistir dessa coisa de esperar o tempo que for, largar tudo, te deixar ser feliz com o Lucas ou com sei lá quem - meu coração ficou pequeno - Eu sei que em um mês e meio muita coisa aconteceu entre nós, estava decidido a fazer isso até você dizer que me ama - um alívio passou pelo meu corpo, dei um sorriso - Na verdade, acho que eu voltaria atrás se você pedisse, você sabe disso.
- Sabe, eu nem sei mais o quanto eu te amo e o quanto eu preciso de você, saiu do meu controle - me levantei, dei um passo e me joguei em cima do Pe Lu, caimos deitados e começamos a rir.
- É tanto amor que esqueço até de mim, você tem carta branca nesse meu coração - ele cantarolou, sorri boba e sai de cima dele antes que eu o beije e fique me sentindo culpada de novo.
- Preciso dormir, Pedro Lucas - sentei, olhei para ele e começei a mexer os dedos dos pés, ele sorriu e sentou do meu lado.
- Você gosta do meu nome né?
- Gosto, meu filho vai se chamar Pedro Lucas!
- Júnior ou Filho? - gargalhei.
- Não gosto de Júnior, muito menos de Filho!
- Então a gente arruma outro nome para ele - quanta besteira, começei a rir e me deitei, ele fez o mesmo.
- Mas eu gosto de Pedro Lucas. Então um chama Pedro e o outro Lucas.
- Vai querer ter dois meninos?
- Uma menina também, que ela seja a do meio, de preferência - ele riu - O que foi?
- Quantas exigências! Eu vou sofrer demais!
- Eu sei, mas eu não posso ficar com você, não quero que ele seja Júnior ou Filho! - ele me abraçou e encostou o queixo no meu ombro.
- Você já falou que pode ser Pedro e Lucas, pronto!
- Mas não quero Pedro e Lucas, quero Pedro Lucas tudo junto, em um menino só - ele riu e deu um beijo no meu pescoço que arrepiou até o meu último fio de cabelo.
- Sorte que a gente tem tempo para decidir. Já sei um nome para a menina.
- Qual?
- Patricia - gargalhei e dei um tapa no braço dele.
- Bobo! Já não basta eu querer que o menino tenha o seu nome, agora você? - ele riu e apertou os braços em mim.
- Nossa família vai ser diferente.
- Espero que esse diferente seja por causa dos nomes porque se for diferente no sentido de você ter mais de uma mulher eu arrumo mais de um homem para mim! - ele gargalhou, ele tem a gargalhada mais gostosa de ouvir.
- Nem vem com essa! Já não basta eu ter que te dividir com o Lucas, você vai ser só minha!
- Que homem ciumento meu Deus! - me encostei nele como sempre faço e respirei fundo sentindo o perfume dele, ah como isso me faz bem - Sonha comigo hein - coloquei uma mão na nuca dele e começei a acariciar o cabelo dele.
- Não precisa nem pedir - ele sussurou e começou a acariciar meu cabelo, isso me fez dormir mais rápido do que eu imaginei.
Capítulo 51
Fui para o Vivo Rio junto com os meninos, fiquei fazendo nada lá, na verdade fiquei bagunçando, me senti uma criança de 8 anos em uma festa de aniversário mas tudo isso junto com o Willy e com os meninos quando eles não estavam ensaiando ou dando entrevista. O show foi lindo, assim como foi o Happy Rock Sunday de São Paulo, só que dessa vez assisti tudo do palco e quase não acreditei quando receberam o Disco de Ouro no palco, começei a chorar de emoção e Willy não parava de pular e gritar do meu lado, quando vi Pe Lu e os meninos chorando nem preciso dizer que meu choro só aumentou né? Pois é, só aumentou. Depois do show fomos comemorar e é claro que Pe Lu não pode deixar de dar seu showzinho, teve mais um ataque de ciúmes quando um menino veio falar comigo, fiz como sempre faço, ignorei o Pedro Lucas e continuei conversando com o menino, só estou conversando que mal há nisso? Que coisa! É também é óbvio que ele voltou ao normal quando entramos no quarto.
Na segunda fui para a praia com Willy e Bruna já que os meninos tem coletiva o dia inteiro, isso que dá ser famoso. Pe Lu prometeu que de noite ia ver uma roupa para amanhã, levei um susto quando o Di do Nx apareceu na praia, o Willy nem me avisou que tinha chamado o Di, não consegui me preparar emocionalmente mas consegui ir bem, não gaguejei ou falei besteira, pelo menos acho que não. Depois o Gee apareceu, uns caras do Replace, Fresno e etc apareceram, eu me sentia um peixinho fora d’água quando eles falavam sobre show mas logo mudavam, Lucas ligou no meio da tarde, voltamos para o hotel no começo da noite, tomei banho e fui jantar com Willy e Bruna, encontrar com os meninos só depois das 9 da noite e olhe lá.
- Oi - falei ao atender o rádio, é o Pe Lu.
- Vai continuar causando pelo Rio ou vai vir aqui no quarto para você resolver que roupa vai usar amanhã?
- Sério?
- Claro.
- Estou indo!
- Vem sozinha, é pra ser surpresa - Bruna e Willy rolaram os olhos, ri baixo.
- Como o senhor quiser - desliguei o rádio - Tenho que ir, algumas roupas me chamam - me levantei.
- Quando você terminar dá um toque - Bruna falou.
- Pode deixar - pisquei e sai correndo pelo hotel, não correndo mas andando rápido, toquei a campainha do quarto e Pe Lu logo abriu a porta.
- Que demora!
- Ah não enxe! - ele riu e eu entrei - Esse hotel é grande sabia?
- Percebi isso hoje, andei pelo hotel todo. Deixa eu te apresentar - olhei pelo quarto e vi uma mulher loira, com uns 30 anos sorrindo - Esta é a Malena, nossa stylist. E esta é a Patthy! - ela começou a andar na minha direção.
- Prazer Patthy, tudo bem? - ela me deu beijinho.
- Prazer é meu! Tudo e você?
- Tudo também. Então, você vai querer usar o que? - uau, por um tempo vou ter uma personal stylist? Meu Deus! Tentei organizar meus pensamentos e dizer o que quero.
- Pensei em um vestido mas não pensei em nenhum modelo.
- Agora é a hora que eu saio - Pe Lu falou e deu um beijo na minha testa - Não esquece, azul! - ele falou antes de fechar a porta, Malena riu e concordou com a cabeça.
- Azul? - perguntei.
- Sua roupa tem que ser azul, coisa dele - ela levantou as duas mãos como se estivesse tirando a culpa de si.
- A sorte é que eu gosto de azul - dei de ombros.
- Trouxe alguns modelos de vestido, se você gostar de algum bom, se não gostar eu procuro outros - concordei com a cabeça e ela abriu uma mala com vestidos de todos os tons de azul, começei a experimentar os vestidos, de 20 que experimentei, gostei de 5, odeio ter que decidir.
- Me ajuda, estou em dúvida entre esse e esse - peguei dois vestidos, eu realmente amei os dois, os dois são curtos até porque não dá para usar um vestido muito longo no Rio de Janeiro, o calor não permite, um é azul escuro, bem escuro, colado no corpo e tomara que caia, o outro é larguinho com camadas e azul marinho.
- Acho que - ela colocou a mão no queixo e ficou olhando os dois vestidos - O azul escuro, você é nova, tem que usar e abusar dos vestidos apertados! - começei a rir por pura vergonha do que ela falou.
- Então vai ser o azul escuro!
- Vou levar o vestido e trago amanhã junto com a roupa dos meninos, para garantir que ninguém veja - não entendi porque de tanto segredo, ela pegou o vestido da minha mão e colocou dentro da mala.
- Tudo bem - sorri para ela.
- Tchau Patthy - ela pegou a mala.
- Obrigada - peguei o rádio, abri a porta do quarto - Tchau - ela saiu e eu chamei Bruna no rádio.
- Todo mundo está aqui, pode vir! - ela falou.
- Aqui aonde, minha bola de cristal parou de funcionar!
- Aonde nós estávamos né, vem logo!
- Ô nervosinha, estou indo! - desliguei o rádio, fui no banheiro e sai.
Ficamos conversando até bem tarde, eles na ansiedade para o Prêmio não tinham sono algum, Pe Lu demorou para dormir e logo acordou para dar mais entrevistas, fui para a piscina sozinha já que Willy e Bruna ficaram dormindo.
_patthy piscininha logo de manhã e sozinha já que os folgados @brunaferrari e @Willy24horas estão dormindo u_u
_patthy estou ansiosa para hoje, ansiosa pelos meninos e porque me apaixonei pelo meu vestido que vou usar ((:
- Fecha o olho! - Pe Lu gritou, revirei os olhos, como é bobo, tudo isso só por causa da roupa.
- Fechei! - fechei os olhos.
- Pronto - abri os olhos e o vi de terno branco e calça rosa, abri a boca - Gostou da calça rosa? Fiz questão de usar rosa porque você disse que eu fico bem com a rosa - ele ficou sem graça com o meu silêncio.
- Você está lindo - calça rosa, terno branco, camisa gola V branca - É sério, você está lindo. Não sei nem o que falar!
- Eu estou sem graça - dei risada.
- Pedro Lucas ficando sem graça? Que isso?! - ele sorriu e eu o abraçei.
- Quero ver seu vestido - soltei o abraço e tirei o roupão que coloquei para ele não ver o vestido, acho que a cara que fiz quando abri os olhos foi a mesma que ele está fazendo agora. Malena trouxe um scarpin de bico redondo preto para eu usar.
- Gostou? - minha vez de ficar sem graça, coçei a nuca e mordi o lábio inferior.
- Fala sério! Você está maravilhosa! - dei risada por pura vergonha, claro.
- Exagerado! Pára! - tampei o rosto com as mãos e senti suas mãos me puxando para ele.
- Linda, linda, linda, como sempre! - passei os braços pelo pescoço dele e encostei minha cabeça em seu ombro.
- Estamos lindos - continuamos abraçados com as leves batidas na porta - Acho melhor irmos - ele respirou fundo e nos afastamos, peguei a pequena bolsa de mão que Malena trouxe também, coloquei o celular, o rádio e meu RG na bolsa enquanto Pe Lu abre a porta.
- Ei casal - ouvi a voz de Koba, espera, casal? Começei a rir, não que eu nunca tenha me imaginado com o Pe Lu, como um casal mesmo mas é engraçado ouvir isso de uma terceira pessoa - Patthy?!
- Oi Kobinha! - me virei para ele que ficou boquiaberto.
- Muito linda, não? - Pe Lu parou ao lado dele e então olhei para a roupa de Koba, uma camisa social e um colete branco com calça azul, Pe Lanza e Thomas devem estar de branco em cima e da calça colorida.
- Está sim - ele sorriu e voltei a ficar com vergonha.
- Você também está! Vocês quatro estão combinando?
- Estamos - Pe Lu se aproximou e passou a mão pela minha cintura - E você também está combinando comigo e eu combinando com você - foi ai que eu entendi.
- Por isso que minha roupa tinha que ser azul? - ele concordou com a cabeça e sorriu, é óbvio que sorri também - Hmm, gostei.
- Vamos? - Koba fez uma careta fofa ao falar.
Como imaginei, Pe Lanza de terno branco e calça laranja, Thomas com uma camiseta e colete branco com calça amarela. Devo ter desejado boa sorte a eles umas mil vezes antes de ir para meu lugar com Willy, as vezes acho que estou mais ansiosa do que eles mas percebi o quanto Pe Lu demorou para dormir e pelos bocejos que os outros deram, não devem ter dormido muito também. Eu e Willy gritamos muito quando eles ganharam o prêmio, nos seguramos para não levantarmos e começarmos a pular feito crianças, quando a premiação finalmente terminou corri até os meninos e os abraçei tanto, tenho muito orgulho deles, acompanho o trabalho da banda há um ano, tanta coisa aconteceu, eles lutaram bastante e vê-los ganhar o prêmio e poder abraçá-los, dizer o quanto de parabéns e dizer o quanto estou feliz por eles é a melhor coisa, segurei o choro e logo fomos para a festa.
Olhei para o lado e vi Pe Lu beijando uma mulher, o ciúmes apareceu na hora, eu sei que não deveria porque ele é livre e eu estou com o Lucas, tenho que continuar a curtir a festa, é o melhor que faço. Em 2 horas me diverti tanto, conheci tanta gente que sempre admirei, não vai ser o Pedro Lucas que vai acabar com a minha felicidade, conheci a Sandy, sempre fui muito fã, a Sandy!!! Peguei um coquetel e olhei de novo na direção de Pe Lu, apertei os olhos e reconheci a mulher, é Maiara, mais uma das que ele é enrolado e claro que estou nessa lista, me lembrei de tudo que sei sobre Pe Lu, ele é pegador e agora pode ter qualquer uma que quiser, é pura ilusão pensar que ele um dia vai ser só meu. Realmente não quero estragar minha felicidade, respirei fundo e fui para longe, fui para a pista dançar um pouco e sozinha.
- Oi - uma voz masculina soou no meu ouvido, me virei e vi um menino bonito, moreno, alto, cabelo castanho jogado para cima, calça jeans, camisa branca e jaqueta preta.
- Oi! - ele sorriu para mim.
- Tudo bem? - desde que vim dançar, há uns 15 minutos, não pensei no Pedro Lucas e quando me perguntam se estou bem penso nele, que ótimo.
- Tudo sim e você?
- Também, meu nome… - alguém pulou nas costas dele, olhei para a pessoa e vi Gee.
- Já conheceu a Patthy né? - ele falou.
- Ela é a Patthy? - que legal, virei assunto entre as pessoas?
- Hmm, andaram falando de mim? - cruzei os braços e encarei Gee que sorriu.
- Pois é, o Pe Lu não mandou você vir tão bonita - Pe Lu, argh!
- Tá, você sabe o meu nome mas eu não sei o seu - tentei mudar o assunto.
- Vinícius mas me chama de Vini.
- E vocês são o que? Amigos? Parentes?
- Volto depois! - Gee gritou e sumiu entre as pessoas.
- Sou primo dele - Vinícius fez uma careta.
- É tão ruim assim ser primo dele?
- Claro que é, olha para ele, é o Lê! - dei risada.
- Verdade, não dá para esperar coisa muito boa dele - começamos a conversar e fomos para o bar, não dá para conversar direito com o barulho da música, uns 30 minutos depois, Pe Lu apareceu na minha frente.
- Vem aqui por favor - ele falou sério e olhou para Vini.
- Vem você - sorri, ele continuou sério e se aproximou - Esse é o Vini, primo do Lê.
- E ai? - Pe Lu falou sem ao menos olhar para Vini, respirei fundo porque já sei o que está por vir - Vem comigo, não quero que você fique com ele.
- Não Pe Lu, eu não vou! E só para você saber eu estou cansada disso.
- Disso o que? - gargalhei, como ele pode ser sínico, cheguei no meu limite.
- Dos seus ataques de ciúmes, eu não posso nem conversar com ninguém que você já começa - respirei fundo, não vou brigar com ele aqui - Deixa para lá, aproveita a sua noite, volta para a Maiara e eu vou ficar aqui!
- Mas Patthy…
- Não tem mas Pedro Lucas! - interrompi o que ele ia falar, me levantei - Vamos para lá Vini - e começei a andar sem saber aonde estou indo, olhei para o lado e vi Vini, me senti bem por não ser o Pedro Lucas.
Vinicius percebeu que fiquei muito nervosa e me levou para uma roda que tinha alguns meninos do Etna, Replace e Nx, não parei de rir um segundo sequer. Alguém tocou meu braço, olhei e vi Pe Lu.
- Vamos? - perdi a noção da hora, deve ser tarde.
- O Koba já está indo também?
- Já.
- Tá, eu vou com ele - me virei e começei a me despedir dos meninos. Vi Koba me esperando na saída, fui até ele que me abraçou.
- O que foi dessa vez? - começamos a andar em direção a van.
- Cansei das ataques dele - respirei fundo - Posso dormir no seu quarto essa noite?
- Claro que pode - entramos na van, me sentei no canto, Koba sentou ao meu lado e fiquei em silêncio o caminho todo, fiquei me lembrando de todas as vezes que ele teve ataque de ciúmes, desci da van e Koba foi comigo até o quarto.
- A gente vai embora que horas amanhã? - perguntei pegando minhas coisas que estão jogadas pelo quarto, preguiça de colocar tudo dentro da mala organizado como Pedro Lucas faz dá nisso.
- No meio da tarde, umas 4 da tarde - Koba respondeu - Porque?
- Só para saber mesmo - peguei o urso que dei para Pedro Lucas porque está com o meu cheiro, não quero o urso com o cheiro dele, Koba pegou minha mala e Pe Lu entrou no quarto.
- O que você está fazendo? - ele abriu os braços.
- Vou dormir no quarto do Koba.
- Porque? - automaticamente começei a pensar no porque de estar indo para o quarto de Koba, senti minha garganta arder e as lágrimas escorreram pelo meu rosto.
- Eu cansei - falei e fui em direção a porta mas Pe Lu segurou meu braço.
- Vocês conversam amanhã - Koba falou, puxei meu braço das mãos de Pe Lu e sai do quarto mas não deixei de ouvir - Eu falei para você maneirar! - e Koba saiu do quarto, fui chorando para o quarto dele.
- Que odio! - me joguei na cama.
- Fala o que aconteceu - senti a cama se mexer, acho que Koba sentou.
- Preciso dizer? Ele estava lá com a Maiara e ainda quer cuidar da minha vida? Ah, francamente! Faz um favor? - ele afirmou com a cabeça - Pede para ele me avisar quando acordar amanhã, preciso resolver isso logo.
- Pode ir tomar banho primeiro, vou ligar para ele.
- Mas não fala nada sobre o que falei agora, por favor.
- Tudo bem - ele sorriu, me levantei da cama, peguei meu pijama e fui para o chuveiro.
Capítulo 52
‘acordei (:’ Pe Lu mandou, continuei olhando para o teto e pensando o que vou falar. Respirei fundo e me levantei um tempo depois, arrumei o cabelo e fui para o quarto dele, toquei a campainha e ele logo abriu a porta.
- Bom dia! - ele falou animado e me deu passagem.
- Bom dia - tentei responder com um pouco de animação e entrei no quarto, me sentei no sofá e ele na cama, de novo. Será que é tão difícil ficar sem brigar com ele?
- Porque você não dormiu aqui? Senti sua falta - meu coração acelerou e meu estômago revirou.
- Para de agir como se nada tivesse acontecido! Por favor! - senti minha garganta arder e meu olhos encherem de lágrima, engoli seco e fechei os olhos.
- Então me fala.
- Eu estou cansada dos seus ataques bobos de ciúmes! Não sei como até hoje você não falou nada do Willy, aliás, você deve xingá-lo nos seus pensamentos né? Você percebeu como isso está soando ridículo? Porque você faz isso?
- Não confio neles.
- Pára Pedro Lucas! Eu não sou retardada para não conseguir diferenciar o certo do errado, eu sei em quem confiar, eu sei quando as pessoas estão sendo falsas ou não. Eu me sinto sufocada! Agora você pode ficar com qualquer uma que quiser, para você está bom ficar com as outras e controlar a minha vida, quero dizer, tentar controlar a minha vida - dei ênfase em ‘tentar’.
- O problema é a Maiara?
- Não, não é a Maiara! O problema é que eu sei como você é, se você não se lembra eu ficava o dia inteiro vendo coisas sobre você, sei muito sobre a sua vida e tudo que eu vi com os meus próprios olhos.. - neguei com a cabeça e respirei fundo - Você fica com quantas ao mesmo tempo? Digo, ao mesmo tempo não, você tem uma em cada cidade né? Traiu a Ná com mais quantas além de mim?
- Eu não sou mais assim - gargalhei.
- Não me vem com essa! É ridículo te ouvir dizer isso sabendo que é uma mentira. O que eu não entendo é que você disse que eu tinha que dar uma chance para Lucas ou para qualquer outro menino, quando eu faço isso você começa a dar seus ataques de ciúmes!! Se não quisesse que eu desse chance para eles era só falar e não ficar fazendo isso comigo! Faz o seguinte, quando você crescer vem falar comigo - me levantei e dei alguns passos, parei e olhei para ele com cara de bobo sentado na cama - Estou começando a duvidar dessa conexão entre nós.
Pe Lu narrando.
Não, ela não disse isso. Duvidar dessa conexão que ela tanto fala e que me fez acreditar? Ela voltou a andar em direção a porta, pensei em me levantar mas ela parou de novo.
- Não vem atrás de mim - não gosto do jeito que ela me conhece, ela sabe que sou fraco, que vou atrás dela. Olhei em seus olhos e percebi a merda que fiz, ela tem tristeza no olhar e voltou a andar até a porta, me joguei na cama derrotado.
Burro, idiota, retardado, otário, sem noção, botei tudo à perder por uma infantilidade. Qual o meu problema? Eu não percebi isso antes e não quis ouvir o Koba, ele me avisou muitas vezes, por sinal, sempre tive o controle de tudo e achei que dessa vez ia ser como sempre é mas a Patthy é diferente, ela faz tudo diferente e eu não me importei em ser diferente dessa vez mas esqueci o meu jeito, acho que fiquei tão encantado, ou melhor, bobo que esqueci disso. Eu deveria ter pegado mais leve, eu deveria ter prestado atenção mas me deixei levar pelo impulso, me deixei tratá-la como mais uma, eu sei e sempre soube que ela é diferente, ela me faz dormir com luz acesa! Não dei o tratamento que ela merece e que tipo de monstro eu sou? Só a faço chorar, quantas vezes eu não vi Patthy chorando por minha culpa? Já perdi as contas de quantas vezes, ainda tenho a capacidade de dizer que a amo quando o que mais faço é deixá-la triste. Parece idiota mas como o Pedrinho sempre diz ‘Agora é hora de recomeçar’.
Patricia narrando.
Assim que o avião pousou liguei para Lucas, marquei de encontrar com ele no shopping, Willy me levou e os meninos foram fazer um vídeo para não sei qual promoção, tanto faz. Pelo que eu entendi, eles terem ganhado o prêmio de melhor música só aumentou a fama deles, se é que pode aumentar, eles eram muito requisitados antes, agora triplicou, eles tinham 1 ou 2 dias de folga, agora não tem mais, eles tinham tempo para ficar com a família e com os amigos, agora quase não vão ter e o Pe Lu vai passar a responder algumas entrevistas por e-mail de tão sem tempo, foi isso que Marcos falou, fiquei feliz porque não vou ver a cara do Pedro Lucas todos os dias de noite porque vão ter coisas para fazer até de noite!
- Ei! - Lucas falou e me tirou dos pensamentos, me virei e o abraçei, percebi quanto senti a falta dele.
- Ah, que saudade de você! - sussurei.
- Você fez tanta falta aqui - fofo né? Eu sei, sorri feito boba e o beijei.
Ficamos andando e conversando, contei as coisas legais que aconteceram no Rio e ele contou o que aconteceu de bom por aqui, quando olhei no relógio já eram 21:03, liguei para casa e pedi para me buscarem, Lucas fez o mesmo e começei a pensar em contar sobre Alexandre mas não sei como ele vai reagir, eu quero que ele fique como o Pe Lu e se ele não fizer o mesmo eu vou ficar brava porque eu queria que ele fizesse como Pe Lu, as vezes prefiro ficar na dúvida do que me decepcionar, quem sabe mais para frente eu não conto? Ah sim, as marcas que o fofuxo deixou quase não aparecem mais, sorte porque eu não quero ter que inventar mais uma mentira em casa.
Me deitei na minha cama e respirei fundo, querendo ou não vou ter que dormir sozinha, será que peguei pesado demais dizendo que estou começando a duvidar da conexão entre eu e ele? Posso ter mas eu não disse a única coisa que o deixaria realmente triste e bravo comigo, que horas ele vai chegar? Com certeza vai sair com os amigos e porque eu estou me importando com que horas ele vai chegar? Pára de ser burra Patricia!
03:30, me levantei e fui até a cozinha, peguei um copo e ouvi um barulho na porta, oh quem mais pode ser uma hora dessas? Claro que é Pe Lu, me arrepiei ao me lembrar da outra vez que ele chegou e eu estava na cozinha, fechei os olhos, respirei fundo e ouvi a porta abrir, peguei a garrafa de água na geladeira e coloquei água no copo torcendo para ser o tio ou a tia ou que ele não me note aqui na cozinha, deixei a garrafa na geladeira, olhei para a porta da cozinha e Pe Lu está parado, me olhando, tomei a água sustentando o olhar. Ele está bêbado, não tanto porque ele não aparenta estar mas os olhos dele dizem tudo, ele está bêbado, cansado e acho que arrependido, talvez esse último seja minha imaginação porque é o que quero que seja, respirei fundo, desviei meu olhar do dele, deixei o copo na pia e começei a andar em direção a porta, e consequentemente, em direção a ele.
- Patthy - ele falou quando passei ao seu lado, estremeci e continuei andando.
- Agora não - falei baixo mas sei que ele ouviu, entrei no quarto e fechei a porta, me joguei na cama e enterrei minha cabeça no travesseiro, ouvi os passos do Pe Lu, a porta do quarto dele se abrindo, mais alguns passos, uma gaveta batendo, mais passos, a porta do banheiro fechando, o chuveiro sendo ligado, o que está acontecendo? Justo agora um surto de audição? Quero dormir, não ficar ouvindo o que Pe Lu faz ou deixa de fazer, confesso que fiquei com medo de ouvir os barulhos se ele tivesse utilizado a privada, coloquei o travesseiro na minha cabeça mas continuei ouvindo o chuveiro como antes, bufei e peguei meu celular, vou ver se tem alguém no twitter.
Começei a responder as pessoas que falaram comigo.
pelurestart Sometimes I feel like we’ll be together forever but you’re so complicated… (Às vezes eu sinto que nós estaremos juntos para sempre mas você é tão complicada)
Ele vai ficar dando indiretinhas por twitter? Uma raiva gigante me dominou, bufei, como ele pode ser tão infantil?
_patthy em pouco mais de duas horas tenho que estar de pé, vou ver se durmo pra não fazer uma coisa que eu vou me arrepender ;**
Coloquei o celular do lado do travesseiro e fiquei olhando para o teto ouvindo Pe Lu digitar freneticamente, o que ele tanto digita? Não é da minha conta, respirei fundo e começei a pensar em Lucas, depois de um tempo não consegui mais pensar no Lucas, peguei o urso do Pe Lu e abraçei, fechei os olhos e me imaginei em uma praia, sozinha na praia, sem Pedro Lucas, Lucas ou qualquer outra pessoa, eu feliz correndo pela praia, eu feliz tomando sol, eu feliz tomando água de coco, somente eu! Eu na cadeira, tomando sol e pensando aonde Pedro Lucas e Lucas estariam? Não importa porque eles deveriam estar felizes como eu estaria, acabou a graça pensar nisso, me virei na cama e resolvi chamar Willy no rádio.
- Porra Willy, eu estava com você até agora! - Pedro Lucas falou e riu, alguém já teve essa ideia ou Willy o chamou, tanto faz, bufei e tentei não ouvir a conversa deles, deve ser nojento, eles devem falar sobre meninas como se fossem putas ‘Olha aquela é gostosinha’ e o outro retardado diz ‘Passaria a noite com ela’, sinceramente? Se eu tivesse nascido um homem, com certeza viraria gay. Enfim, todos sabem da minha briga com Pe Lu, sabem que briguei com ele por estar cansada dos ciúmes dele e que só vou voltar a falar com ele quando ele parar de ser tão criança, é isso o que sabem.
- Preciso terminar de escrever na minha coluna para a Up! - ele falou, então é isso que ele tanto digitava.
- Falou com a Patthy?
- Ela não quis falar comigo - peguei meu celular e começei a digitar uma mensagem para ele.
- Vocês vão ficar nessa briga boba até quando? - acho que Pe Lu respirou fundo, não tenho certeza.
- Não sei.
- Volta a escrever, a gente se fala depois. Se cuida e dorme bem irmão - terminei de digitar a mensagem e mandei, nem ouvi o que ele responder para Willy.
‘no dia que você parar de mandar indiretas idiotas pelo twitter posso pensar em falar com você’, coloquei o celular do lado do travesseiro, me virei e com raiva do Pe Lu, consegui dormir.
Quinta foi normal na escola, quero dizer, o cara de pau do Alexandre acenou e sorriu para mim, como assim? E todos vieram me falar que eu perdi muita coisa, de novo, mas também contei tudo que aconteceu no Rio, no final das contas acho que não perdi muita coisa, tirando a parte da briga com Pedro Lucas. Voltei para casa, fiz minhas lições e peguei a carta que escrevi para Pe Lu, li a carta toda, dei risada com algumas coisas bobas mas que na época faziam todo sentido para mim, é engraçado como as coisas mudam, não tem nem dois meses que estou aqui e já estou brigada com Pedro Lucas, o cara que eu nunca pensei em brigar na minha vida toda, o único que eu nunca quis brigar mas que ele mesmo nos trouxe a esse ponto, a nossa primeira briga me veio à cabeça, quando ele me viu com Lucas, começou a gritar comigo com Ná no carro, a sorte é que ela achou que era preocupação de irmão, depois do Happy Rock tudo piorou, várias vezes ele disse que eu não estava em casa quando meus amigos ligavam e ele atendia ou ele era ignorante com meus amigos, diz se não é para ficar brava? De repente ele parava de ser chato e voltava a ser um amor, acho que ele é bipolar, tem dupla personalidade, duas caras, essas coisas. Senti uma vontade imensa de rasgar a carta mas me lembrei do tempo que passei escrevendo-a, eu ficava escrevendo durante a aula, passava tardes escrevendo e não me cansava, o que eu queria dizer parecia não ter fim, isso ainda acontece, nós conversamos tanto e sobre tudo, é difícil não ter assunto entre nós, seja uma folha caindo da árvore, uma formiga andando, um acidente na rua, algo que aconteceu no dia ou alguma lembrança do passado, tudo é assunto e no final sempre tem uma piadinha boba que nos faz rir por vários minutos e depois começa tudo de novo, me lembrei de um dia que estávamos, eu, Pe Lu e Ná.
Início do flashback
- Eu amo beber - Ná falou, eu e Pe Lu não entendemos porque ela disse isso e esperamos ela continuar - Você esquece seus problemas e curte seus amigos - ela sorriu.
- Não acho que é tão bom assim beber - falei e minha boca ficou em linha reta.
- Eu também não - Pe Lu falou.
- Como não? Vocês tem probleminha?
- Você bebe, fica bêbada e esquece seus problemas, tá. Depois seus problemas voltam junto de uma ressaca e você nem se lembra do que fez enquanto estava bêbada o que pode trazer outro problema junto - falei.
- E para curtir seus amigos você não precisa estar bêbada, só precisa estar com eles - Pe Lu falou e Ná fechou a cara.
- Ah seus politicamente corretos! - ela se levantou - Fiquem ai, vocês se mereçem! - eu e ele começamos a rir enquanto ela saia nervosa.
- Até ela sabe que a gente se mereçe! - ele falou, dei um tapa em seu braço.
- Cala a boca!
Fim do flashback
A Ná sempre ficava brava quando eu e Pe Lu discordávamos dela, sempre falava ‘Vocês se mereçem’ e saia batendo pé, chamei Ná no rádio e ficamos conversando até a hora da janta, como Pe Lu ia sair depois da janta, fui para meu quarto logo que terminei de jantar.
- Patthy?! - Pe Lu abriu a porta do meu quarto, olhei para ele - Já estou indo.
- Tchau, boa viagem e bons shows - falei séria e voltei a olhar para o computador.
- Para com isso Patthy.
- Para você de ser infantil, quando eu perceber que você cresceu, volto a falar com você - falei sem tirar os olhos da tela do computador - Você vai se atrasar, tchau - senti uma dor no coração sendo tão seca com ele quando na verdade quero abraçá-lo e pedir para ele não ir porque eu quero conversar com ele a noite toda e depois dormir do lado dele. Nem lembro quando foi a última vez que senti o perfume dele, faz tanto tempo, mentira, foi quando o Prêmio Multishow terminou mas não senti o cheiro dele direito, antes disso só quando mostramos nossas roupas para o prêmio, a porta do quarto batendo me acordou dos pensamentos, olhei para a porta e pelo quarto, ele não está mais aqui, olhei na minha mesa e vi alguma coisa escrita na lousa que até então estava limpa.
‘I realize I let you down… I’m building up the strength just to say I’m sorry’ (Eu percebi que eu te magoei… obtive força apenas para dizer me desculpa.) Algumas palavras não vão me comprar, se eu simplesmente disser ‘Vou esquecer tudo isso, fingir que nada aconteceu’ vai voltar a ser o que era, não quero mais aquilo, não quero passar mais nervoso por bobeira dele! Chega!
Alexandre acenou para mim de novo na sexta, acho que ele vai continuar como se nada tivesse acontecido, talvez ele esteja certo, mas é talvez! De tarde fiquei no rádio com minhas amigas e de noite sai com a Ná, com o Willy e com mais um monte de gente. Sábado fiquei com vergonha de pegar carona com Léo mas ele insistiu e não tive escapatória, quando entrei no carro, Alexandre falou que foi uma pena eu ter passado mal na festa, que eu perdi muita coisa, perguntou se eu melhorei e quis saber o que eu tive de verdade, me eu uma vontade imensa de pular no pescoço dele e arrancar a cabeça dele!
A semana passou e tudo continuou na mesma, a única coisa que mudou é que começei a namorar com Lucas, eu ficaria em dúvida em aceitar se eu não estivesse brigada com Pe Lu. Fiz questão de pedir para Willy ir comigo buscar Jéssica na rodoviária e já pedi para ele parar em uma sorveteria, ficamos por lá conversando por um tempo, eles ficaram amiguinhos, eu sou um anjo, ou melhor, um cupido!
- Ainda está brigada com o Pe Lu? - Jéssica perguntou, me joguei na minha cama.
- Sim - ela sentou na ponta da cama, olhei para o teto.
- Vai continuar por quanto tempo?
- O tempo que eu achar necessário.
- Mais de uma semana não é tempo bastante? - respirei fundo.
- Não, ele tem que crescer.
- Com você agindo como criança também? - me sentei e olhei para ela.
- Como?
- É claro! Você está deixando o menino de lado, infantil!
- Talvez, vai tomar banho que o Willy passa aqui daqui a pouco! - ela sorriu boba e correu para o banheiro, dei risada e deitei de novo.
Será que ela está certa? Estou sendo infantil como ele? Não estou deixando-o de lado, só quero que ele pense no que fez, tá, ele já deve ter pensado bastante, todos os dias ele me manda uma ou mais mensagens pedindo desculpa, acho que o tempo de deixá-lo pensar no que fez já passou, agora virou infantilidade mesmo mas e o meu orgulho? Sou orgulhosa, como vou falar com ele?
Capítulo 53
- Liga para ele logo! Você está enrolando desde sexta, hoje já é domingo - Jéssica falou, estou tentando criar coragem desde sexta para falar com Pe Lu, não que eu vá falar tudo por rádio mas vou dizer que preciso conversar com ele, só para dizer isso preciso de 2 dias de preparação, pois é.
- O Willy já deve estar chegando! - tentei deixar para mais tarde.
- Ele não vai se importar de esperar se for para você ligar para o Pe Lu, eu tenho certeza.
- Está tendo certeza demais com o meu amigo! - falei, ela riu e pegou meu rádio, estendeu para mim, bufei e peguei - Está bem - o chamei.
- Oi pequena - ele falou ofegante, a raiva tomou conta de mim, ofegando? Ele está com alguma vadia qualquer, olhei para Jéssica e fechei os olhos, como ele tem a capacidade de me chamar de pequena?
- Você está ocupado né? - falei seca. Com certeza ele está pegando alguma menina.
- Não, eu só estava… estava brincando de Wii com os meninos - ele falou ainda um pouco ofegante, respirei fundo e toda vontade de falar com ele foi embora, toda vontade de voltar as boas com ele sumiu.
- Ah Pedro Lucas conta outra vai! Tentar falar com você é uma perda de tempo mesmo e não tenta me ligar, não vou te atender, tchau! - me joguei na cama e desliguei meu rádio - Você viu que eu tentei, quem eu quero enganar? Ele nunca vai mudar, ele vai ser para sempre esse pegador, o mulque piranha, não vai crescer!
- Não fica triste.
- Eu não estou triste.
- Claro que está!
- Não vou ficar assim por muito tempo, vou ver meu namorado! - sorri e me levantei, terminei de me arrumar e fomos para uma balada que eu não lembro o nome.
- O que aconteceu? Você não está bem - Willy falou, olhei para os lados e não vi mais ninguém que conhecemos, por isso que ele perguntou como estou.
- Fui falar com Pe Lu hoje mas ele estava com uma menina, é engraçado que ele pode ficar com quantas ele quiser e eu não posso chegar perto de nenhum! - um nó começou a subir pela minha garganta.
- Como você sabe que ele estava com uma menina?
- Ele atendeu o rádio ofegando e veio com uma desculpa de que estava jogando Wii - rolei os olhos e começei a rir para disfarçar minha raiva, decidi ir para fora, tomar um ar e começei a andar mas uma mão segurou meu braço.
- Aonde você vai? - olhei para Willy tentando achar uma desculpa, preciso sair daqui logo.
- Vou… procurar o Lucas! - sorri e tirei meu braço da mão dele, começei a passar entre as pessoas, muitas pessoas, sai empurrando alguns e sendo empurrada por outros, devo ter levado uns 5 minutos para conseguir sair, não tem muita gente aqui fora, umas 10 pessoas no máximo, isso é bom. Estou sentindo ódio de mim mesma, me deixo ser afetada tão fácilmente e depois quero criticar o Pedro Lucas quando ele fica triste com algumas coisas que escrevem no twitter, estou fazendo igual à ele. Bosta de sapato que prendeu em alguma coisa, começei a cair e bati a cabeça em uma árvore.
Lucas narrando.
Caramba, aonde a Patthy foi? Acho que já procurei por ela nessa balada toda.
- Achou ela? - Natalia apareceu do meu lado.
- Não - falei bravo, ela sumiu tem uns 10 minutos, não que eu esteja pensando que ela está com outro, claro que não, mas ela pode estar precisando de mim.
- Já perguntou para o Willy? - neguei com a cabeça e me lembrei que da última vez que a vi estava dançando com ele, começei a procurar por ele, difícil encontrar nesse lugar, aqui parece um formigueiro, não sei como a Patthy gosta tanto de vir aqui, só vim porque agora ela é minha namorada e por mais que ela esteja com o Willy para cuidar dela, quero estar por perto. Consegui encontrá-lo, o problema é chegar até ele, começei a empurrar todos, algumas pessoas nem sentiram de tão bêbadas que estão e outras reclamaram um pouco.
- Aonde a Patthy foi? - perguntei logo que fiquei de frente para ele.
- Ela disse que foi te procurar - vi o rosto dele se fechar, acho que ele está preocupado também, só acho.
- Venham aqui! - uma menina que é amiga da Patthy, que eu sempre esqueco o nome puxou eu e Willy pela mão.
- O que foi? - Willy falou enquanto somos puxados pela menina.
- A Patthy! - meu coração acelerou apertado.
- O que tem ela? - perguntei mas ela não me respondeu, gosto bastante quando fazem isso comigo, ela abriu a porta e a primeira coisa que vi foi um amontoado de pessoas, não pode ser a Patthy lá no meio, ela deve estar ali tentando ajudar alguém, corri quando vi o corpo dela entre os pés das pessoas, empurrei todos de novo e me ajoelhei ao lado dela - O que aconteceu? - perguntei para Ná.
- Disseram que ela veio para fora, caiu e bateu a cabeça na árvore, já chamaram a ambulância e eu já liguei para a casa dela, eles já estão indo para o hospital e estão levando os documentos dela - assenti com a cabeça e olhei para Patthy, ela parece não ter se machucado, tipo, não tem nenhum corte nem arranhão, acho que bater na árvore quando você tem um pouco de álcool no sangue não é muito bom, segurei a mão dela, tirei algumas mechas de cabelo de seu rosto e começei a desejar que a ambulância chegue logo e que ela acorde, eu preciso ouví-la dizer ‘Estou bem seu bobo, você se preocupa demais’, dei um pequeno sorriso involuntário.
- Ela não acorda, será que está tudo bem? - falei, essa demora da ambulância e ela desacordada estão me deixando muito nervoso.
- Calma, bater com a cabeça na árvore não deve ser fraco não mas vai dar tudo certo - Natalia falou mas não adiantou muito, dei um sorriso amarelo só para ela achar que conseguiu me ajudar.
Depois de 10 minutos de agonia, a ambulância chegou, nesses 10 minutos pensei em tantas coisas, tantas besteiras, eu não deveria ter saído do lado dela em nenhum segundo, como eu sou idiota! Burro! Retardado!
- Olha o médico! - Naira falou, me levantei no instante, Cesar e Teresa se levantaram e ficaram do meu lado.
- Vocês são os acompanhantes da Patricia Matsumoto? - Cesar concordou com a cabeça e passou a mão pela cabeça, bom saber que eu não sou o único que está nervoso, coloquei as mãos nos bolsos da calça, elas estão suando e não sei o que fazer com elas - A pancada que ela levou na cabeça ao bater na árvore deve ter sido bem forte sem contar que ela está com o nível de álcool no sangue acima do permitido, ela não teve nenhuma fratura, só a pancada na cabeça mesmo, é provável que ela acorde logo e faremos exames para ver se está tudo certo com ela.
- Eu posso vê-la? - perguntei, se ele disser que não posso, invado o quarto, simples.
- Pode, mas.. - ele levantou os ombros e negou com a cabeça como se disesse que não tem necessidade, para ele não tem mas para mim tem, é minha namorada, eu quero vê-la!
- Obrigado - passei por ele e fui até o quarto, abri a porta e a vi com um fio no braço, ligando-a naquele aparelho que mede os batimentos cardíacos, 46bpm, normal quando você está dormindo. Me aproximei da cama, segurei uma mão dela e a outra pousei sobre sua cabeça - Vai ficar tudo bem meu amor - sussurei no ouvido dela e dei um beijo demorado em sua bochecha.
- Lucas, vai para a casa tomar um banho, trocar de roupa, dormir um pouco - Teresa falou pela milhonésima vez, neguei com a cabeça - Tem mais de 3 dias que você está aqui! - sim, ela está desacordada há 3 dias, os médicos acharam estranho e começaram a observá-la mas nada muda.
- Você conseguiu mandar todos embora mas eu não - sorri fraco para ela, confesso que preciso da minha cama, dormir sentado não é confortável mas só saio daqui quando Patthy sair também.
- Daqui a pouco o Pe Lu chega, aí você vai para sua casa - cogitei a ideia de ir embora só quando Pe Lu chegasse, não achei que ela ainda estaria desacordada e daqui a pouco ele deve chegar.
- Não, eu vou ficar aqui, ela pode acordar à qualquer momento!
- É isso que você está falando há 3 dias, se acontecer alguma coisa eu te aviso, pode ter certeza! - começei a pensar.
- Eu vou mas só quando Pe Lu chegar, tomo um banho e volto, pode ser? - ela sorriu.
- Ótimo, já é alguma coisa! Quando ele chegar o Cesar te leva.
Fui para o quarto, os 46bpm continuaram todos esses dias, nada mudou, nada mesmo! Fiquei segurando a mão dela, como tenho feito todos esses dias, torcendo para ela acordar mas nada.
- Lucas, ele chegou, vem - Naira falou ao abrir a porta, bufei derrotado, dei um beijo na testa de Patthy e sai do quarto.
- Se acontecer alguma coisa me avisa, por favor - falei para Teresa, ela sorriu.
- Fica tranquilo, eu te aviso - ela me abraçou, apertei a mão de Pe Lu que também parece estar nervoso com o que está acontecendo e acenei para Naira, segui Cesar.
Patricia narrando.
- Ei pequena - a voz que me faz tão bem me despertou, tentei abrir os olhos mas não consegui, estão pesados demais, percebi que a mão dele está sobre a minha, como assim? Pelo que sei estamos brigados e eu estou muito brava com ele! - Acorda - ele falou, não estou dormindo seu retardado - Não mudou nada nesses dias? Nada mesmo?
Capítulo 54
- Não, desde que ela veio para cá continua a mesma coisa… Espera! Olha! Os batimentos dela aumentaram, quase 90? - o que? Aonde eu estou? Ah que inferno! Estão vendo que meus batimentos aumentaram ao ouvir a voz do Pe Lu, espera, o que aconteceu comigo mesmo? A última coisa que eu me lembro é de estar na balada - Vou chamar o médico! - médico e trequinho que mede batimentos cardíacos.. hospital, que delícia.
- Os batimentos aumentaram? - ouvi uma voz masculina, deve ser o médico - 89bpm? - ele começou a encostar um negócio gelado em mim, que vontade de dar um tapa nele.
- Acho que é minha culpa - Pe Lu falou e acho que o médico já saiu.
- Como? - Teresa perguntou.
- Dela estar aqui, é minha culpa! Ela me ligou no domingo querendo se acertar mas eu estava com uma menina, ela ficou brava porque eu posso ficar com quem eu quiser e eu não deixo ela chegar perto de ninguém, foi o que o Willy falou e faz sentido - então ele está aqui por pura culpa? Tentei abrir os olhos e vi vultos, pisquei mais umas vezes e vi Pe Lu e Teresa, sorri fraco.
- Como você está se sentindo? - Teresa se aproximou da cama e Pe Lu também.
- Bem - minha voz quase não saiu, dei um pigarro - Estou aqui há quantos dias?
- Há uns 3 dias. Vou chamar o médico.
- Cadê o Lucas? - perguntei antes que ela pudesse se mover.
- Ele foi para a casa tomar um banho, consegui convencê-lo a sair daqui hoje, tem uns 10 minutos. Vou deixar para avisá-lo daqui a pouco se não ele faz o Cesar voltar sem ao menos tomar banho - ri baixo, como ele é fofo, ela saiu do quarto.
- Pode ir embora Pedro Lucas, eu já acordei, não precisa mais ficar com a culpa nas costas - falei seca e sem olhar para ele.
- Você não pode ficar aqui sozinha.
- Claro que posso, vou ficar muito bem sozinha - ou seja, melhor sem você, me segurei para não dizer isso.
- Patthy..
- Olha, obrigada - o interrompi - Foi você que me despertou quando veio falar comigo, você fez a sua parte agora pode ir embora! Volta para as suas… suas… sei lá o que elas são! Tchau, vou ficar muito melhor sem você aqui - olhei nos olhos dele que abaixou a cabeça.
- Desculpa - ele falou e saiu do quarto. O médico apareceu e começou a me fazer mil perguntas.
- Você está bem, foi só um susto - o médico falou, fiquei encarando-o sem acreditar, tive que responder perguntas sobre minha vida inteira para ele dizer que estou bem? Ele quer morrer! Sem contar que eu não suporto hospitais, passo mal, tive que esconder o meu mal estar do médico, acho que ele seria capaz de me deixar aqui por mais alguns dias, fico louca se isso acontecer!
- Quando eu posso ir embora? Não aguento mais ficar aqui - ele riu da minha pergunta, não estou gostando dele.
- Daqui uma hora você pode ir - ele sorriu, tentei sorrir também e ele saiu do quarto.
- Cadê o Lucas?
- Patthy! - ele falou, olhei para a porta e o vi correndo em minha direção, sorri e abri os braços - Nunca mais vou te deixar sozinha - ele sussurou e nos beijamos, eu fiquei o tempo todo desacordada mas quando acordei começei a imaginar 3 dias sem vê-lo, fiquei com saudades só de imaginar, imagine ele que sentiu, que ficou aqui no hospital o tempo todo, dormindo nas cadeiras? Não tem pessoa mais fofa do que ele, a minha sorte é que ele é meu, só meu.
- Todos estão indo para casa para te ver - Teresa falou ao entrarmos no carro.
- Todos? Que todos?
- O Willy, a Ná, Léo, Vitor..
- O Vitinho da escola? - interrompi Lucas.
- É, porque?
- Ah que bonitinho, não achei que ele fosse fazer isso - sou bem amiga dele mas achei que ele fosse esperar para me ver amanhã na escola - Continua!
- Os meninos da Restart, tem umas amigas suas que eu não sei o nome - revirei os olhos e ri, ele nunca lembra o nome das pessoas - Um monte de amigos, o pessoal da escola queria ir mas falei que o médico disse que por hoje é melhor evitar muita agitação, eles com certeza vai ficar perguntando e perguntando.
- Certeza absoluta! - nós rimos - Obrigada.
- Pelo o que?
- Por tudo né, por ter ficado no hospital comigo, por ser tão fofo - ele sorriu e me beijou, meu celular tocou, olhei no visor ‘Jéssica’, dei um pulo e me lembrei dela - Ami!! - ela riu.
- Você está bem?
- Claro que estou e parabéns! Tudo de bom, muitas felicidades, muito juízo e desculpa por ter acabado com o seu feriado.
- Você não acabou com nada não! Esse foi o melhor feriado de todos, sem brincadeira.
- Sei, então depois você vai me contar o que aconteceu depois que eu fui para o hospital.
- Pode deixar, eu vou desligar porque meus familiares chegaram.
- Vai lá, beijo!
- Beijo - desliguei o celular e me encostei em Lucas - Fiquei esse tempo todo dormindo e ainda estou com sono, faz sentido? - ele riu.
- Não mas você é estranha mesmo né? - dei risada.
- Você é mais estranho ainda por namorar comigo, xuxu.
- Dois estranhos, por isso se dão bem - Naira falou.
- Exato! Eu só dou trabalho para vocês né? Acho que fico uma ou duas semanas quieta, depois acontece alguma.
- Que isso - Teresa falou.
- É bom que a gente não cai em uma rotina! - Cesar falou e todos rimos.
Dei duas batidinhas na porta do quarto do Pe Lu.
- Entra! - ele falou, respirei fundo e abri a porta.
- A gente pode conversar? - ele concordou com a cabeça, entrei, fechei a porta e me encostei nela - Me desculpa pelo que falei hoje no hospital, peguei pesado… Eu estava com raiva, não queria ter dito aquilo, me desculpa.
- Dá para entender - ele falou, sorriu fraco e olhou para o chão.
- Posso falar o que eu ia te falar na sexta? - de novo ele concordou com a cabeça, respirei fundo tentando me controlar, ele sabe como não gosto disso - Eu ia falar que queria falar com você hoje mas se você continuar com essa de balançar a cabeça o tempo todo, não vou falar - ele olhou para mim e sorriu.
- Tá bom, eu vou falar.
- Bom - respirei fundo - Eu também estava sendo infantil te ignorando, desculpa.
- Chega de me pedir desculpa, eu que tenho que te pedir desculpa - abri a boca mas ele levantou o dedo indicador para eu ficar quieta, fechei a boca e concordei com a cabeça - Desculpa por ter te sufocado, eu fiz tudo errado né, você tem razão em não querer mais ficar perto de mim, eu te sufoquei por pura insegurança, fiquei com medo de você me esquecer e esquecer da nossa conexão, se é que você ainda acredita nela.
- Claro que acredito, acho que se eu não acreditasse, não estaria aqui agora. Sei lá, eu acho melhor nós conversarmos sobre isso quando nós dois estivermos solteiros, vai ser melhor para nós e não vamos machucar mais ninguém. Nós seremos amigos, até porque eu não aguento mais ficar brigada com você - ele sorriu.
- Sabia que tem 2 semanas que eu não durmo direito? - dei risada e corri para abraçá-lo, respirei fundo e senti o cheiro dele de novo, como eu senti falta desse cheiro! - Você tem aula amanhã - ele falou e levantou - Vou apagar a luz - me deitei na cama, ele apagou a luz e logo o senti deitando ao meu lado, me encostei nele como sempre, entrelaçei nossas pernas e fiquei passando a mão pelo cabelo dele até o perfume dele me intoxicar por completo e então consegui dormir.
Capítulo 55
- Bom dia! - Léo me abraçou.
- Bom dia - falei, ele me virou de costas para a rua e mostrou o dedo do meio, olhei para trás e vi o carro do pai dele passando, olhei para ele assustada - Isso foi para o seu pai? - confesso que nunca o vi desrespeitando o pai, bem curioso.
- Fala sério, o que ele fez para você? - senti um arrepio.
- Quê? - tentei me fazer de boba, ele riu.
- Ele é meu pai, sei o que ele faz - cruzei os braços e começei a pensar o que exatamente ele faz, então eu não sou a única? Me senti um pouco aliviada, de uma forma estranha mas senti um alívio.
- Se você sabe porque está me perguntando? - cerrei os olhos.
- O que exatamente ele fez?
- Porque você está perguntando isso agora?
- Perguntei primeiro.
- E isso interessa? - ele riu e bateu as mãos contra as coxas.
- Ainda perguntei primeiro!
- Nem lembro mais qual era a pergunta - falei, olhei para a rua torcendo para Lucas chegar mais cedo hoje e começei a bater o pé direito no chão.
- Eu repito para você - ele deu um pigarro e eu estiquei uma mão para ele parar de falar.
- Pode deixar, eu me lembrei! - ele riu e olhei para a rua de novo, nada do carro do pai do Lucas, se eu sair correndo.. não, aposto que em 2 segundos ele me alcança, não tenho nada melhor a fazer a não ser contar a verdade, respirei fundo - Ele me beijou - coçei a nuca e vi seu queixo cair.
- E-Ele o que? - já foi difícil falar uma vez, tenho que repetir? Ele só pode estar de brincadeira!
- Ele não faz isso com as outras? - estiquei as duas mãos na altura dos ombros.
- Espera, ele te beijou? - fechei os olhos, como pode ser tão lerdo? Respirei fundo para me controlar e concordei com a cabeça - Na bochecha? - apertei os olhos, que vontade de enforcar! Neguei com a cabeça - Patthy - ele colocou as mãos em meus ombros e apertou de leve.
- O que? - abri os olhos lentamente e o encarei.
- Isso é sério? - a minha paciência foi para o espaço, olhei para a rua procurando pelo carro do pai de Lucas.
- Caramba Léo! Você acha que eu ia inventar isso? - gritei, ele pensa que vou ficar inventando esse tipo de coisa? Pelo amor de Deus, prefiro ficar fazendo careta para as pessoas que passam na rua do que perder meu tempo inventando uma coisa dessas!
- Desculpa mas é que ele nunca fez isso antes. Ele só fala coisas para as minhas amigas que ele acha bonita mas nunca encostou em nenhuma - rolei os olhos e mais uma vez olhei para a rua.
- Encostou em mim - falei seca, as pessoas estão com mania de me irritar, primeiro o Pe Lu, depois a Jéssica com a história de que eu estava sendo infantil e agora o Léo!
- Quando aconteceu isso?
- No seu aniversário, por isso que eu fui embora - ele começou a rir, vou bater nele, não estou vendo graça nenhuma nisso - Qual a graça?
- É que… é… as marcas - começei a rir também, ele viu as costas do pai dele - Foi você né?
- Não sei - olhei para o céu, tentando parar de rir - Tá bom, se você está falando das marcas nas costas dele fui eu sim, eu deixei seu pai me beijar porque eu quis, eu queria beijá-lo, pronto? Está feliz? - ele parou de rir e me encarou, olhei para a rua, essa demora do Lucas está me deixando nervosa.
- Porque você chorou? Porque foi embora?
- Você é burro ou não tem coração? - gritei de novo, se ele ficar assim o dia todo, vai chegar na casa dele com os dois olhos roxos! - Eu estava ficando com o Lucas, beijei seu pai, o Lucas podia ter visto e tinha o Pe Lu, não aguentei a culpa, foi demais para mim - fui falando e diminuindo meu tom de voz.
- Entendi… Porque você quis beijar meu pai? - ri da cara de nojo dele.
- Não sei, ele não parece ser seu pai, tipo, ele é novo - fiz aspas com os dedos ao dizer novo e olhei para a rua, finalmente o carro que eu queria, com as pessoas que eu queria dentro dele - Me atraiu e até que enfim - me virei para o carro, Lucas sorriu para mim, sorri de volta.
- Oi Patthy! - Fernando gritou quando Lucas abriu a porta e acenou.
- Tudo bem? - acenei de volta.
- Tem alguém lá em casa com saudades de você - sorri, deve ser Joana, acho que Sandra não sente tanto minha falta, olhei para Lucas que revirou os olhos.
- Tá bom pai, você vai se atrasar e nós também - ele fechou a porta do carro, acenei para Fernando que retribuiu com um aceno e saiu com o carro, Lucas olhou para mim, sorriu e começou a andar em minha direção - Como você aguenta? - dei risada.
- Sou um anjo - o abraçei - Ele não é tão chato, ele é seu pai, se lembra? Vocês hoje estão irritadinhos com seus pais, eu hein. Aliás, eu te aguento então é fácil aguentar os outros - ele riu, passou o nariz pela minha bochecha e me beijou.
- Sem querer atrapalhar mas a gente vai ficar para fora - Léo falou e quando percebi já estava sendo puxada por Lucas para dentro da escola.
- Patthy, posso te pedir um favor? - Teresa falou.
- Claro que pode - olhei para ela e desencostei do sofá.
- Você vai fazer alguma coisa das 5 até as 7?
- Assistir filmes repetidos com o Pe Lu é fazer alguma coisa?
- Ei! Estou aqui, ok? - dei risada e coloquei a mão no ombro dele, dei dois tapinhas.
- Tem como você ir comigo até o prédio do trabalho do César? Preciso deixar uns documentos com ele e não vou ter tempo para descer e levar até ele, tem como você ir comigo, te deixo lá.. mas você vai precisar ficar lá até ele voltar para casa.
- Sem problemas! - sorri e me levantei - Vou me trocar e já venho! - fui até meu quarto, coloquei uma calça jeans e peguei a minha camiseta ‘Choose Pedro Lucas’ que cortei, Pe Lu achou uma audácia eu cortar a camiseta, ele é exagerado, cortei em cima para ficar um ombro e coloquei meu all star branco.
- Audaciosa - Pe Lu falou e negou com a cabeça ao me ver com a camiseta, dei risada e ele foi para a cozinha.
- Discuto com você sobre isso, de novo, mais tarde! - falei alto - Estou pronta! - falei para tia.
- Então vamos - peguei meu celular e o rádio - Tchau filho, depois busca a Naira na academia?
- Posso ir buscar a Patthy também.
- Você não tem que responder as entrevistas? - perguntei, me intrometendo na conversa.
- Tenho mas não tem problema - ele sorriu e Teresa deu de ombros.
- Já que você insiste - ela falou e abriu a porta.
- Tchau chatinho, quando você estiver chegando me dá um toque - fui passando direto por ele que me puxou e abraçou, esse cheiro dele é tão bom, senti a noite inteira e não me cansaria se tivesse que sentir o dia todo, eu até ficaria feliz com a ideia. Infelizmente sai dos braços dele, sai do apartamento, fechei a porta e entrei no elevador que a tia já segurava a porta aberta para mim.
- Quando vocês estiverem voltando passem em alguma pizzaria porque hoje eu vou chegar mais tarde em casa - fiquei me olhando no espelho, olhei para ela pelo reflexo.
- Pode deixar, porque a aula é mais tarde hoje?
- Hoje vai ter um observador na aula, então vai ser mais tarde.
- Ah, entendi - sorri para ela.
- E você e o Lucas, como estão? - ela não nos viu ontem?
- Bem, porque?
- Seu coração acelerou ao ouvir a voz do Pe Lu no hospital e eu sei que você o faz dormir de luz acesa - bosta, sabia que um dia ela tocar nesse assunto! Me virei para ela e sorri sem graça.
- Pois é - foi a única merda que consegui dizer.
- Você está feliz com o Lucas?
- Claro que estou - abri a porta do elevador e segurei para ela sair.
- Não quero ver você e o Pe Lu machucando coração de ninguém por não quererem assumir o que sentem - arregalei os olhos e soltei a porta do elevador.
- O quê? - olhei para ela confusa, mães são uma coisa de outro mundo, pegam as coisas no ar - Não! Nunca tia! - começamos a andar em direção ao carro - Eu estou bem com o Lucas, eu realmente o amo e não é o momento certo para ter alguma coisa com o Pe Lu - dei de ombros.
- Essa vida dele não ajuda nada né?
- É mas não tem problema, um dia vai acontecer - sorri fraco e fui até a porta do acompanhante, entrei no carro, coloquei o cinto e afundei a cabeça no banco.
‘assim que sua mãe me deixar no prédio do trabalho do seu pai vou te bipar, fica ligado u_u’ Mandei para Pe Lu.
- Já sabe qual roupa vai usar no VMB semana que vem? - dei um pulo no banco.
- É semana que vem?! Já? - ela riu.
- Sim, daqui uma semana!
- Eu nem estava preocupada por estar brigada com o Pe Lu.. Meu Deus! Não tenho a mínima ideia de que roupa usar tia! - bati uma mão na testa, ela riu.
- Calma, nós vamos no shopping essa semana e procuramos uma roupa para você.
- Os meninos estão fazendo segredinho de novo né? - ela confirmou com a cabeça - A Nai já sabe com qual roupa vai?
- Ainda não.
- Então vamos manter segredo do Pe Lu também - dei um sorriso de vitória, não sei porque.
- Tenho uma coisa para falar - ela fez uma careta.
- O que? - fiquei um pouco preocupada.
- Acho que eu e Cesar vamos ter que viajar dia 15 e só voltamos dia 25 - como assim?
- Um dia antes do VMB? Hã? - arregalei os olhos, ela riu baixo.
- Dependendo como for hoje terei que viajar e Cesar vai comigo, ele sempre vai comigo. A Naira sempre fica na casa de alguma amiga mas agora é muito tempo então ainda não sabemos como vamos fazer, ainda é um talvez - garanto que Pedro Lucas não vai ficar contente com isso, os pais viajando no dia do VMB, não quero nem ver como vai ser quando ele souber.
- Só uma perguntinha - dei risada - O Pe Lu já sabe? - ela riu também.
- Então.. você não quer falar sobre outra coisa?
- Ele vai ficar triste…
- Ele vai ficar bravo, isso sim - ela me interrompeu.
- Não acho, ele vai entender que é seu trabalho, vai ficar só chateado - ela ficou quieta por um tempo.
- É, talvez você conheçe meu filho melhor do que eu mesma - ela riu e negou com a cabeça.
- Que isso, não conheco não!
- Mudando de assunto, vamos pensar em uma roupa para você no VMB, a Nai já pensou na dela - dei um sorrio largo.
- Tá, deixa eu pensar - começei a pensar e não quero nada parecido com o que vesti no Multishow - Acho que algum vestido larguinho - estilo o que eu ia usar no Multishow, cansei de vestidos apertados, quero variar.
- Na loja que nós vamos tem muitas opções, você vai amar! Patthy - ela me chamou e pareceu estar sem graça, a olhei e sorri - Sem querer ser intrometida… O que você e o Pedro ficam fazendo no quarto? - gargalhei, não acredito que ela está me perguntando isso.
- Ai tia, a gente só fica conversando - ela me olhou com uma cara de quem não acredita - É sério.
- Eu acredito agora que você está namorando com o Lucas.
- É verdade tia, não fico me pegando com o Pe Lu durante a noite, tenho que dormir.. A verdade é que eu me acostumei a dormir encostada nele, sentindo o cheirinho que só ele tem - resolvi falar, qual o problema? Sorri sem graça e ela me olhou com uma cara fofa, como se estivesse vendo corações por todos os lados. Ela percebeu o que acontece entre eu e o Pe Lu, não tem porque esconder - Mas como eu disse, estou muito bem com o Lucas e eu e Pe Lu resolvemos conversar sobre nós mais para frente - ela arregalou os olhos.
- Vocês são tão adultos assim? - dei risada.
- Pois é tia, nem eu sabia que eu era tão adulta assim - respirei fundo e dei de ombros.
- Acho que nem vou precisar me preocupar com vocês então - ela sorriu, parou o carro e pegou um envelope no porta luvas - Entrega para o seu tio - peguei o envelope.
- Pode deixar tia, tchau - dei um beijo na bochecha dela, coloquei o envelope em minha bolsa e sai do carro. Olhei para cima e não consegui ver o final do prédio todo espelhado, pensa em um prédio alto, é isso aí. Entrei no prédio e andei até o balcão, uma menina sorriu para mim, sim menina, parece ter uns 18 anos.
- Boa tarde! - ela falou, simpática até, sorri para ela - Em qual andar você vai?
- Boa tarde - ia continuar a responder mas não consegui, não sei qual andar - Putz! - fechei os olhos - Só um minuto - levantei o dedo indicador e me virei pegando meu rádio.
- Oi pequena! - ele atendeu, claro que ele é Pe Lu.
- Qual o andar do escritório do seu pai? - ri baixo.
- Ih, nem sei.
- Como eu vou entregar para ele?
- Ela está comigo - senti uma mão me puxar pela cintura, virei minha cabeça e vi Alexandre, como assim? Fiquei sem entender, ele olhou para mim, seu nariz quase encostou no meu - Oi Patthy - e deu um sorriso sem vergonha.
Capítulo 56
- Liga para a minha mãe - ouvi a voz do Pe Lu meio longe, Patricia volta a se concentrar, volta para o mundo, planeta Terra chamando! Respirei fundo, balancei a cabeça e pisquei rápido.
- Daqui a pouco eu te chamo de novo, ainda tenho que te falar o que sua mãe veio falar comigo, você vai rir. Consegui resolver aqui, beijo!
- Não demora para ligar - Alexandre riu, como ele ousa rir do Pe Lu? Olhei para ele com cara feia, desliguei o rádio, joguei na bolsa e olhei para a menina de novo que agora está com uma cara fechada, será que o Alexandre dá em cima dela também? Provavelmente.
- Ela está mesmo com você? - a menina perguntou - É sua filha? - eu e ele rimos, não sei porque eu ri mas ri.
- Não é minha filha, ela é… é..
- Amiga do filho dele - falei - Aonde fica a sala do Cesar..
- Você é a nova filha do Cesar? - Alexandre me interromepeu, olhei para assustada, ele conhece o tio? A menina me entregou um cartão, peguei e Alexandre começou a andar, me puxando com ele já que sua mão ainda está em minha cintura, acho que andar com a mão na cintura dos outros é mania de família, agora entendi tudo!
- Você conhece o tio Cesar? - ele passou o cartão dele e passou pela catraca, só então percebi a roupa dele, sapato preto, calça social preta, terno preto com os botões abertos mostrando uma camisa branca e gravata lilás, quebrando toda a seriedade da roupa! Que foda! Um homem que usa gravata lilás tem todo meu respeito. Pisquei rápido para minha concentração voltar, passei o cartão igual ele e passei pela catraca.
- Claro que conheco - ele disse em um tom debochado.
- Então você vai me levar no escritório dele - falei com um tom autoritário que o fez rir, olhei para cima, 6, 5… 5 não gosto quando o elevador para em um andar - Afinal, você faz o que da vida? - olhei para ele e virei um pouco meu corpo para seu lado.
- Sou advogado - um advogado que comete o crime de pedofilia, que… ótimo, dei risada.
- E é um bom advogado? - cruzei os braços e o olhei de cima a baixo com cara de desprezo.
- Claro que sou - ele usou o tom de deboche de novo.
- Convencido - entrei no elevador assim que a porta abriu, nem olhei se alguma pessoa ia sair ou não, por sorte ninguém saiu, começei a me olhar no espelho, sou narcista e muito! Olhei pelo reflexo do espelho e vi Alexandre entrar no elevador rindo, provavelmente rindo de mim, ele apertou o botão 15 - Você não carrega nenhuma pasta?
- Eu fui fazer um lanche, não preciso carregar pasta para isso - fechei a cara e me virei para ele.
- Ignorante, não fala mais comigo! - voltei a me olhar no espelho e ele gargalhou, outra gargalhada que gosto de ouvir, a dele. Na verdade, acho que sou maníaca ou fissurada, tanto faz, por risadas e gargalhadas, acho que é por isso que dou risada o tempo todo.
- Você percebeu que foi você quem puxou todos os assuntos comigo até agora? - ele me abraçou por trás e falou no meu ouvido, fechei os olhos procurando a minha sensatez, lá no fundo eu sei que ainda sou uma menina sensata! E é verdade, eu puxei todos os assuntos talvez porque eu tenho medo de ficar em silêncio perto dele e querendo ou não isso é verdade, tenho medo.
- E você percebeu que foi ignorante ou debochado todas as vezes? - impulsionei meu corpo para trás e me encostei no lado direito do elevador, ele me olhou e deu um passo em minha direção, estiquei minha mão direita e coloquei em seu peito - Não - senti o elevador parar, abaixei minha mão e a porta abriu, dei impulso para sair mas ele segurou meu braço.
- Ainda não chegamos - uma mulher entrou no elevador, morena, alta, cabelos escuros com algumas luzes, saia alta e uma blusa branca decotada, decotada demais, acho que só não vi o umbigo dela porque a saia é alta, ela olhou para Alexandre, para a mão dele segurando meu braço e por fim olhou para mim, fez uma cara azeda e voltou a olhar para ele, a porta atrás dela se fechou.
- Oi Alê! - ui Alê, segurei uma risada e olhei para ele com uma cara de deboche, ele também segurou o riso.
- Oi Silvana - puxei meu braço com força e ela voltou a me olhar.
- Sua filha? - caralho, cadê a minha semelhança com ele?! Não estou enxergando! Respirei fundo e eca, que perfume de… de… puta, ah sim, é da tal da Silvana, é esse o nome dela né?
- Não, sou amiga do filho dele - falei, dei um sorriso cínico e me virei para o espelho, pelo reflexo vi ela me olhando de cima a baixo. Ela deve ser mais uma, mais uma que cai no charme dele, agora sei com quem o Léo aprendeu a ser garanhão.
- Vem Patthy - ele puxou meu braço antes mesmo da porta abrir.
- Tchau - falei e sorri para a puta, digo, Silvana antes de ser arrastada por Alexandre elevador a fora - Não vai falar tchau para ela? Mau educado - torci o nariz e olhei para a direita e para a esquerda, duas salas de cada lado - Qual é a sala do tio César?
- Na frente da minha.
- O quê? - falei alto, tampei minha boca quando minha voz deu eco, ele riu, devo ser algum tipo de palhaça para ele - Então cadê a sua sala? - ele começou a andar para a direita e fui junto por ele estar segurando meu braço, ouvi a risada do tio vir da esquerda, olhei pela porta aberta e o vi sentado em sua cadeira, dei duas batidas na porta.
- Patthy?! Entra! Como você chegou aqui? - abri a porta, soltei meu braço da mão de Alexandre e entrei, senti que ele entrou comigo.
- A tia me trouxe e cheguei aqui em cima com o Alexandre - sorri fraco.
- Vocês se conheceram?
- Tio, ele é o pai do Léo, o meu amigo! Você já viu o Léo, como nunca reparou na semelhança entre os dois? Poxa tio, assim não dá né - levantei as duas mãos, ele riu e me abraçou.
- Eu percebi só que não conseguia me lembrar com quem o Léo parece e quando chegava aqui tentava lembrar com quem ele parece - rolei os olhos.
- Conta outra tio - ele riu e apertou a mão de Alexandre, continuei abraçada nele, quero distância do Alexandre! - Quase esqueci o motivo que me trouxe aqui - tirei o envelope da bolsa - A tia pediu para te entregar - ele pegou da minha mão e abriu, sentei em uma cadeira na frente da mesa dele, lancei um olhar de sai daqui para Alexandre.
- Ela chegou aqui bem então já vou para minha sala, ainda tenho alguns papéis para ler - ele se desculpou, sorri vitoriosa, meu olhar funcionou.
- Achei aquele livro que te falei! - tio César falou.
- Termina de ler os documentos aí, a Patthy pode levar na minha sala depois, não pode? - ele olhou para mim, um olhar vitorioso, filho da puta! Olhei para tio que sorriu.
- Claro que ela pode levar - acho que ainda tenho boca para responder a pergunta de um velho, não tão velho, indecente! Alexandre sorriu mais ainda e saiu da sala, bufei.
- Tio, aonde eu posso ir para falar com o Pe Lu?
- No corredor mesmo, não usam as outras duas salas do corredor - então aquele filho da puta riu de mim quando tampei a boca porque sabe que não tem ninguém nas salas, bom saber.
- Então eu vou - me levantei, sorri e fechei a porta da sala dele quando sai, chamei Pe Lu e fui andando até o outro lado, me encostei em uma das portas e sentei no chão.
- Ei meu amor - ele falou, sorri na hora, devo ser muito idiota mesmo.
- Consegui achar seu pai! Yes, sou demais!
- Como você achou?
- Hmm… Na verdade, eu encontrei com o pai do Léo e ele me trouxe até seu pai, você sabia que eles se conhecem?
- Você chegou aí com quem? - a voz dele saiu pesada, tensa.
- Com o pai do Léo, calma Pe Lu… Deixa eu falar o que sua mãe veio me falar?
- Não tenta mudar de assunto Patthy.
- Não tem mais o que falar sobre isso.
- Tá.. - ele respirou fundo - O que minha mãe falou?
- Ela falou sobre eu fazer você dormir de luz acesa e também falou do hospital quando ouvi sua voz meu coração acelerou, logo depois ela falou que não quer ver nós dois partindo o coração de outras pessoas por não querermos assumir o que sentimos, pensa no desespero que eu senti, não sabia o que responder!
- E-Ela falou isso?
- Falou e ainda quis saber o que a gente faz no quarto de noite - gargalhei - Falei que são coisas que ela não pode saber! Brincadeira, falei que a gente fica conversando e ela não acreditou, ela disse que acredita que nós ficamos conversando agora que eu estou namorando com o Lucas, antes disso ela desconfia. Aí eu falei que nós vamos conversar quando ambos estivermos solteiros e ela falou que nós somos bastante adultos pensando desse jeito, a gente é foda!
- Minha mãe sabe de tudo isso?
- Ela ia descobrir uma hora ou outra, não ia? - dei de ombros.
- É, ia.. Vou buscar a Nai, te bipo quando estiver chegando, eu te amo - sorri boba de novo, tenho que parar com isso.
- Também te amo..
- Eu te amo - levei um susto e olhei para o lado, fui subindo o olhar até ver o rosto de Alexandre, eu deveria saber e ele fez uma voz afetada quando falou.
- O que você quer agora? Não cansa de me enxer? Ah esqueci que você não se cansa de mim.
Capítulo 57
- Fala sério - uma pessoa de quase 40 anos falando ‘Fala sério’? Ah, interessante.. - Você tem um caso com seu irmãozinho, você trai seu namoradinho? - que irritantinho!
- Porque tudo para você é no diminutivo? - olhei no meio das pernas dele - Ah, entendi - abaixei a cabeça e começei a gargalhar, não que eu tenha visto alguma coisa, a luz aqui está baixa, só falei para irritá-lo.
- Você não vai me deixar bravo - me levantei e olhei nos olhos dele, ele está bravo sim, segurei o riso - Assume, o que você tem com o seu irmão?
- Cadê o irmãozinho? - fiz bico e arqueei as sombrancelhas - Se eu tenho ou deixo de ter alguma coisa com ele ou com qualquer outro não é da sua conta, ok? - passei por ele e senti sua mão segurando a minha, não consegui mais andar, porque os homens tem que ser tão fortes? Que saco! Me virei para ele e o encarei com a minha melhor cara de tédio.
- Sério, o que você tem com ele?
- Caraca, você não ouviu minha conversa com ele? Porque ainda está perguntando?
- Quero ouvir da sua boca.
- Ah, vai se foder! - bufei, puxei minha mão com força até ele soltar, fui para a sala do tio em passos largos e rápidos, abri a porta e apoiei minhas duas mãos na mesa dele - Eu já estou indo tio, daqui a pouco o Pe Lu vem me buscar. Aliás, hoje vamos ter pizza para a janta, quer algum sabor em especial?
- O que vocês escolherem, por mim está ótimo - ele falou negando com a cabeça - Você leva o livro para o Alexandre? - porque ele se lembrou? Tentei sorrir.
- Claro - minha voz saiu bem desanimada, tio Cesar se levantou, abriu uma porta de um ármario pequeno que fica atrás de sua cadeira, pegou o livro e me entregou.
- Obrigada, talvez eu demore um pouco para chegar em casa, uma hora no máximo. Vocês podem jantar sem mim
- Ah, ok - sorri - Tchau tio - mandei beijos no ar e sai da sala, bufei ao encarar a porta do escritório do Alexandre, abri a porta e ele tem uma secretária, o escritório dele é o dobro do escritório do tio, tem a parte da secretária e uma parede com uma porta, que provavelmente leva à sala dele, olhei em volta, paredes brancas com alguns riscos cinza, uns vasos grandes de planta, ar condicionado, uns quadros com paisagens, a mesa da secretária de mármore, uma cadeira grande preta, notebook, um sofá cinza com detalhes em branco, uma mesinha com revistas, nada mal.
- Boa tarde, posso lhe ajudar? - a menina perguntou sorridente.
- Vim deixar o livro que o t.. o César pediu para entregar ao Alexandre - sorri e o sorriso dela sumiu do rosto, ela fechou a cara. Mais uma?!
- Pode entrar - ela apontou para a porta com tédio nos olhos.
- Estou com pressa, você não pode entregar para ele?
- Não porque ele quer que você entregue - ela me olhou de cima a baixo.
- E se eu não quiser entregar?
- Entra logo! - ela quase gritou, olhei para ela um pouco boquiaberta - Desculpe.. Entra, por favor e você pode avisa-lo que ele tem que ir encontrar um cliente em 20 minutos no café? - concordei e bufei, fui até a porta batendo o pé e a abri sem bater mesmo, ele deu um pulo e sorriu, fechei a porta.
- Você precisa escolher melhor quem trabalha para você - fui até a mesa dele e joguei o livro - Está aí, tchau - voltei a caminhar até a porta, ele correu até mim e me puxou pelos braços, caramba, como ele gosta de segurar meu braço! - Você tem algum problema? Fica pegando meu braço o tempo todo! - falei brava.
- Só assim para você prestar atenção em mim - rolei os olhos.
- Pensasse nisso antes de ser estúpido mais cedo.
- Chega de falar! - ele colocou a mão em minha nuca e puxou fazendo nossos lábios se tocarem, eu tenho que parar isso mas e aquela vozinha irritante dentro da minha cabeça dizendo para não parar? Deixei nossas línguas se enconstarem e um beijo intenso e quase desesperado começou, então toda essa arrogância dele era desespero? Segurei um riso, me lembrei que não contei que ele tem que ir encontrar um cliente, tive uma ideia. Parti o beijo, fui passando os lábios de leve pela bochecha dele, mordi o lóbulo de sua orelha.
- Então vamos brincar - sussurei, voltei a beijá-lo e desabotoei alguns botões de sua camisa, o suficiente para minha mão encontrar seu abdômen, e que abdômen! Senti seu corpo enrijecer quando minha mão tocou seu abdômen, ele apertou uma mão em minha cintura, a outra desceu para minha bunda e ele a apertou, minha mão percorreu seu tronco todo e quando descia minha mão, eu o arranhava, fazendo-o segurar alguns gemidos, ele começou a beijar meu pescoço e aonde estava descoberto pela blusa ser de um ombro, quando começou a chegar em meu colo, puxei sua cabeça pelo cabelo - Chega - falei com minha boca roçando na dele e puxei o cabelo com mais força até ele me soltar.
- Vou te ver no jogo sábado? - ele falou um pouco ofegante.
- Claro, eu tenho que estar lá para ver seu time perder - sorri - A propósito, o Léo sabe sobre nós, isso não deve fazer diferença para você mas tudo bem.
- Ele me falou - dei de ombros e fui até a porta, segurei o trinco e olhei para ele.
- Quase me esqueci, você tem que encontrar um cliente em 5 minutos, no café - abri a porta.
- Como eu vou? - ele olhou para baixo, olhei também e vi um volume em sua calça, dei risada.
- Isso não é problema meu, aliás, não me importo com você - sai da sala, fechei a porta e gargalhei - Tchau - sorri para a secretária que me olhou com cara de bunda. Por sorte, quando chamei o elevador ele estava no andar 17, chegou rapidinho e vazio.
Continuei rindo do Alexandre mas eu traí Lucas, de novo.. Que tipo de pessoa eu me tornei? Há quase dois meses isso seria inaceitável, a ideia de trair meu namorado era fora de cogitação, hoje é só algum cara chegar perto e eu me entrego? Me tornei uma vadia e não estou fazendo certo com Lucas e tem o Pe Lu mas ele fica de lado no momento, acho que critiquei tanto ele que estou ficando igual, voltando ao Lucas, preciso conversar com ele e urgente, não vou aguentar e ele como vai ficar quando souber? Meu Deus! Eu sou uma monstra! A porta do elevador abriu no térreo e vi Pe Lu encostando no balcão, falando com a menina da recepção, sai do elevador, passei o cartão e passei pela catraca na velocidade da luz - Pe Lu - gritei no meio de todos, ele olhou para mim, sorriu e abriu os braços.
- Pequena! - começei a correr até ele. O abraçei como se não o visse há semanas e ele correspondeu - Audaciosa! - ele falou quando me afastei um pouco e levantou um pouco a blusa, escondendo meu ombro, revirei os olhos e ri.
- Bobo! - virei para a menina e entreguei o cartão a ela que me olha com cara de bunda - Obrigada - dei um sorriso e me virei para Pe Lu de novo - A Nai está no carro?
- Não, vim te buscar antes.. Ela não me ligou ainda, menti para você - fechei a cara e coloquei as mãos na cintura.
- Mentiu para mim? É assim então? Bom saber Pedro Lucas - sai de perto dele rindo, olhei para o elevador e vi Alexandre saindo, ri mais e Pe Lu me abraçou por trás.
- Só menti sobre isso para você - me virei para ele, suas mãos continuaram em volta de mim e percebi que ele encara Alexandre, segurei seu rosto em minhas mãos, ele me olhou.
- Ei xuxu, estou aqui e não ali - ele sorriu e dei um beijo demorado em sua bochecha.
- Você ainda vai usar o cartão? - a menina perguntou, olhamos para ela.
- Não vou mais não, obrigada! - ele sorriu.
- Você gosta de Restart? - a menina perguntou para mim.
- Hã, gosto.. Porque? - cerrei os olhos.
- Encontrou seu ídolo! - olhei para Pe Lu que segurou uma risada e olhei para a menina de novo.
- Eu o conheco, sou mais do que fã - sorri para ela, ou pelo menos tentei sorrir.
- Você é namorada dele? - ela me olhou com desprezo e com certeza se lembrou de ter me visto mais cedo com Alexandre.
- Não - falei.
- Mas ela mora comigo! - Pe Lu falou, olhei para ele e dei risada - Vamos pequena - ele soltou uma mão e a outra continuou em minha cintura, começamos a andar.
- Você é muito idiota Pedro Lucas! - falei entre risos.
- Eu percebi o jeito que ela olhou para você, só quis deixá-la um pouquinho mais nervosa - ele riu.
- Com um pouquinho mais de raiva de mim né mas tudo bem, já estou me acostumando com pessoas que não gostam de mim - dei de ombros.
- Está com fome? - ele perguntou logo que passamos pela porta e ele viu o café do outro lado da rua.
- Sim mas acho que você não vai querer ir no café agora, o Alexandre está lá.
- Como você sabe? - ele parou de andar, dei risada.
- Digamos que eu fiquei com ele de novo - fiz uma careta - Mas dessa vez foi proposital.
- COMO ASSIM, PROPOSITAL?
- Se você ficar gritando não vou falar nada! - nos encaramos.
- Tá, fala logo.
- Vou resumir, fui levar um livro no escritório dele que seu pai pediu, a sala deles é uma de frente para a outra, antes de eu entrar na sala dele a secretária pediu para avisá-lo que ele ia ter que se encontrar com um cliente no café em 20 minutos ai eu aproveitei que ele me agarrou e tal, fiz de tudo para deixá-lo excitado e avisei que ele tinha um compromisso antes de sair - Pe Lu começou a rir - Ele ficou bem bravo e eu sai rindo, foi a melhor ideia que tive nessa semana.
- Por isso que ele ficou te olhando e balançando a cabeça negando quando passou?
- Acho que não, ele me ouviu conversando com você. Sabe sobre nós mas também deve ser por isso, deve ser pelos dois - dei de ombros.
- Vamos no café, você está com fome não é? - confirmei com a cabeça, ele segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos.
- Você nem me lembrou que o VMB é semana que vem! - dei um tapa em seu braço com a minha mão livre, ele riu - Você não quer que eu vá né?
- Você ouve as coisas que fala? - ele olhou para a rua, vendo se tem algum carro e me puxou para atravessarmos - Claro que quero que você vá, assim como quero que meus pais e a Nai vão - me lembrei do que a tia me falou.
- Vou ver o Renan e o Dudu, que saudades deles - deve fazer quase um mês que não os vejo, quando digo que conheci muita gente nas férias é porque conheci muita gente mesmo!
- E vai conhecer o Federico.. - entramos no café e automaticamente passamos o olho pelo lugar, encontramos Alexandre, nos olhamos e rimos juntos, fomos até o balcão, ele se virou para mim e colocou uma mão em meu rosto - Você vai querer o que? - me perguntou atencioso e carinhoso como sempre, parece até um pai falando.
- Escolhe alguma coisa para mim! Será que você acerta? - ele sorriu, beijou minha testa e me abraçou, quem olha de longe pensa que somos um casal.
- Vamos pegar um lugar para sentar e eu venho pegar - ele entrelaçou nossos dedos de novo e começou a andar na frente, ele parou por alguns segundos e voltou a andar, puxou a cadeira para eu sentar, que lindo.
- Obrigada cavalheiro - dei risada e me arrumei na cadeira.
- Vamos ver se vou ser aprovado - ele falou com a testa encostada na minha, dei uma pequena risada e ele saiu, olhei para a mesa do lado e vi Alexandre me encarando.
- Oi!! Você já está melhor? - dei risada - Cadê o cliente? Ah, confundi a hora ao invés de 5 minutos, eram 15 - deixei minha boca em uma linha reta, ele fechou os olhos e jogou a cabeça para trás - Acho que daqui uns 10 minutos seu cliente chega, se for um cliente mesmo..
- Não acredito que você fez isso!
- Isso o que? - começei a rir, é inevitável não rir da desgraça dos outros, ainda mais de pessoas como Alexandre.
- Me fez descer daquele jeito.. Ah já sei! Você queria que eu te visse com o seu irmãozinho - ele riu, parei de rir e olhei para ele.
- Até parece! Eu nem sabia que ele estava me esperando, achei que ele fosse chegar mais tarde, eu não perderia meu tempo com você, como eu disse há alguns minutos, eu não me importo com você - olhei para minhas unhas, o esmalte começou a sair da unha do dedinho, que chato. Alguém me chamou no rádio, olhei no visor e vi ‘Léo’ - Olha, o Léo! - sorri cínica para Alexandre - Oi xuxuzinho!
- Onde você está? Você sumiu!
- Calma, eu estou bem, aliás, seu pai está aqui do meu lado!
- Quê?
- É, vim no trabalho do tio e descobri que eles se conhecem mas depois eu te explico.
- Até porque se você for contar o que aconteceu..
- Shh - levantei o dedo indicador para Alexandre.
- Você vai chegar na sua casa que horas?
- Não sei, estou aqui com o Pe Lu no café, quando eu chegar em casa de bipo ou te chamo no msn.
- Tá mas não era meu pai que estava do seu lado?
- Os dois estão aqui - olhei para frente e vi Pe Lu vindo, dei um sorriso largo - Depois a gente se fala, beijo! - joguei o rádio dentro da bolsa.
- Fecha os olhos - Pe Lu falou, olhei para ele e fiz bico - Fecha, por favor - ele fez uma cara de cachorro sem dono, bufei e fechei os olhos - Agora abre e vê se eu acertei - abri os olhos e vi um pedaço bem generoso de torta de frango no prato, ele sentou na minha frente.
- Claaaaaaaro que acertou! - ele segurou minha mão esquerda.
- O suco de laranja já está vindo.
- Já pediu até o suco? Olha, melhor do que eu pensei! Quando você quer se casar comigo? - demos risada.
- Qual dos pedidos você está aceitando? - ele sempre me pede em casamento pelo menos uma vez por semana entre as nossas brincadeiras.
- Todos, claro! Mas e você, vai comer o que? Aliás, você vai me ajudar a comer essa torta né? É muito grande! - ele riu.
- Calma, eu posso te ajudar a comer a torta, não estou com tanta fome - sorri para ele.
- Você vai viajar quando? - começei a comer a torta que está muito boa, aliás, qualquer torta de frango é boa, fala sério!
- Sábado - coloquei um pedaço de torta na boca dele, sim sou fofa.
- Então quer dizer que o que estou pensando vai acontecer? - arqueei minhas sombrancelhas, sorrimos junto.
- Sim, vamos sair amanhã - eu já disse que essa conexão entre nós é demais?
- Se eu não me engano, amanhã tem churrasco na casa da Laris - ele fez uma careta - Para de ser bobo, você tem que conversar com ela! - ele bufou e eu coloquei um pedaço de torta na boca.
- Porque você me manda conversar com todo mundo?
- Porque você é chato e alguém tem que te mandar ser legal com as pessoas - falei ao engolir o pedaço de torta, ele fez careta e apertei seu nariz.
- Ele não vai poder ir no sábado com você no jogo? - Alexandre perguntou, revirei os olhos, como pode ser tão… tão… … babaca?
- Claro que não, ele não vai perder o tempo dele com você.
- E você vai - ele riu.
- Só vou pelo Léo.. e para ver o seu time perder, claro. É, talvez eu vá perder meu tempo com você mas vai ser bom te ver perder - sorri e coloquei mais um pedaço de torta na boca antes que eu fale alguma merda.
- Calma Patthy - Pe Lu falou e acariciou minha mão.
- Estou bem - sorri e dei mais um pedaço de torta na boca de Pe Lu.
- Oh, quanto amor - Alexandre falou, mostrei o dedo do meio sem nem olhar para ele, vi uma garçonete vindo com um copo de um suco laranja, acho que é o meu, até que enfim. Ela continuou se aproximando, sorri quando ela colocou o copo e um canudo na mesa.
- Obrigada - falei sorrindo, ela assentiu com a cabeça e saiu, tirei o canudo do plástico, coloquei no copo e tomei o suco, do jeito que eu gosto com gelo e um pouco de açúcar, Pedro Lucas é um anjo!
- Fizeram o suco certo? - ele perguntou e eu sorri.
- Sim, certinho! - comi o último pedaço da torta - Acho que a Nai liga daqui a pouco, vamos? - na verdade quero sair de perto do Alexandre, ele fica prestando atenção em tudo que eu e Pe Lu falamos.
- Vamos - ele sorriu e se levantou, fiz o mesmo.
- Até sábado, futuro perdedor - falei para Alexandre.
- Vou te ver amanhã na sua escola - olhei para ele e fiquei séria.
- Não ouse olhar para mim amanhã - falei e sai de perto dele, Pe Lu passou um braço pela minha cintura e encostei minha cabeça em seu ombro - Você está me mimando demais Pedro Lucas - falei ao pisarmos fora do café, ele riu.
- O que eu fiz?
- Torta de frango, suco do jeito que eu gosto, é jogo baixo! Vou ter que arrumar um jeito para te prender à mim.
- Eu já sou preso à você - ele sussurou em meu ouvido, meu sorriso bobo apareceu de novo e o abraçei de lado.
- Preciso falar com o Lucas - minha boca ficou em linha reta - Engraçado como eu consigo fazer tudo errado! - Pe Lu abriu a porta do carro para mim, me sentei no banco e ele se agaixou, colocou uma mão em meu rosto e ficou acariciando minha bochecha.
- Você não faz tudo errado, você faz o certo.. Você segue seu coração - ele deu um beijo em minha testa, fechou a porta do carro e deu a volta. E aquela vozinha que veio em minha cabeça dizendo para eu beijá-lo, o que foi? Foi a voz do desejo mas e a voz da consciência, tinha que ter aparecido! Se bem que eu consegui dar uma lição, ou não, no Alexandre, pelo menos foi divertido ver a cara dele quando ele falou ‘Como eu vou?’. As coisas começaram a fazer sentido, todas as vozes na minha cabeça são iguais mas tem funções diferentes, a voz que falou não foi do desejo, foi alguma voz que sabia que eu ia me lembrar que ele teria um cliente e que eu conseguiria fazer o que fiz, de uma certa forma foi proposital mesmo. Não que eu esteja tentando tirar a culpa de mim, mas estou, eu traí o Lucas sim e vou arcar com as consequências.. perder meu namorado.
Pe Lu e Naira tentaram me animar o tempo todo e conseguiram, eles sempre conseguem né. Esperamos o tio para jantar e depois fui com Pe Lu responder as entrevistas, não que eu tenha respondido alguma mas fiquei lendo e ajudando ele a responder.
- Vocês namoram? - li a pergunta - Deixa eu responder essa - dei risada, Pe Lu me olhou sério mas acabou rindo também, peguei o notebook e começei a digitar a resposta - Pronto - devolvi o notebook para ele.
- Eu e os meninos namoramos com a Patthy, sim, os quatro namoram com ela. Somos tão apaixonados por ela que não nos importamos em dividí-la já que ela só é feliz namorando com os quatro - ele começou a gargalhar, não achei tão engraçado assim, estava esperando só uma risadinha e um ‘Como você é boba’ - Boa resposta.. se você quiser ser morta.
- É, já estão me enxendo dizendo que eu namoro com você, imagine com os quatro! - dei risada e peguei meu celular.
Tive um pesadelo que tem um pouco de realidade, realidade que vai acontecer logo, o Lucas ficando bravo comigo e eu chorando feito uma condenada, com certeza vou chorar, sem dúvida alguma, e ele vai ficar bravo comigo. Acordei agitada e Pe Lu estava me abraçando forte, acariciando meu cabelo e dizendo ‘Calma pequena’, a voz dele, o toque dele, o cheiro dele, ele em si me tranquilizou, consegui dormir sem que nenhum outro pesadelo me atormentasse.
Capítulo 58
- Patthy! - Pe Lu estalou os dedos na frente do meu rosto, pisquei rápido e balançei a cabeça.
- Hum? - olhei para ele.
- Você está bem? - ele colocou a mão sobre a minha, olhei para fora e já estamos na escola, Pe Lu insitiu em me trazer à escola, um fofo. Fiz uma careta e um gemido saiu de minha garganta, respirei fundo, tenho que fazer isso!
- Estou - minha voz saiu fraca, olhei no relógio em meu pulso 06:47, Lucas deve chegar logo, abraçei Pe Lu - Obrigada - sussurei e o olhei nos olhos.
- Qualquer coisa me liga - ele acariciou minha bochecha enquanto falou e me deu um beijo na bochecha demorado, sai do carro e vi Léo parado no meio da calçada, sorri e o abraçei.
- Parece que alguém esqueceu de mim ontem - ele falou e putz, esqueci dele! Me afastei dele e bati uma mão na testa.
- Desculpa - falei, ele sorriu.
- Não tem problema, meu pai me falou - fiquei séria e ele riu.
- O que?! Ele contou o que? - falei alto, olhei para os lados e me agradeci por todos preferirem ficar do lado de dentro da escola.
- Contou o que aconteceu - ele sorriu maroto, senti minhas bochechas corarem.
- Duvido que ele contou do jeito certo mas isso não importa - respirei fundo e olhei para o chão. - Vou contar para o Lucas sobre ontem.
- Hã? - ele colocou as duas mãos nos meus braços e apertou de leve, me fazendo olhar para ele.
- É, vou contar, não consigo mentir para ele, eu realmente gosto dele e ele de mim, não sou capaz de enganá-lo.
- Então se prepara, ele está descendo do carro - ele me abraçou - Boa sorte, eu vou entrar mas qualquer coisa é só me chamar - ele falou em meu ouvido, sorri aliviada.
- Obrigada - falei, ele me deu um beijo na testa e saiu, me virei para Lucas e meu coração acelerou ao vê-lo. Como eu sou burra, porque fiz isso com ele mesmo? Ah sim, por uma vingançinha idiota! Sandra buzinou ao passar por mim, tentei sorrir e acenei para ela.
- Você está bem? - ele passou os braços em minha cintura e falou com a testa encostada na minha, perto demais para eu manter meu foco, fechei os olhos.
- Acho que sim - me afastei dele e então tive coragem para abrir os olhos - É.. você se importa em perder aula hoje? - minha voz saiu fraca e minhas pernas ficaram bambas quando encarei os olhos dele. É claro que ele sabe que tem alguma coisa errada, ontem mandei uma mensagem para ele ‘precisamos conversar’ bem seca e direta, hoje não o abraçei, não o beijei e estou sem coragem de olhá-lo direito.
- Não - ele falou, começei a andar olhando para o chão. Por mais que eu tenha passado a maior parte da minha noite pensando em como dizer isso à ele, não sei o que dizer e nem como dizer. Fiquei em silêncio o caminho todo até a pequena praça vazia há algumas quadras da escola, me sentei em um banco, deixei minha mochila do lado e Lucas sentou do meu outro lado e deixou sua mochila no chão.
- Bom - respirei fundo e passei as mãos em minhas coxas tentando aquecê-las mas foi em vão, olhei para ele - Tenho explicações para o que vou te falar mas vou entender se você não quiser ouvir e eu não vou ficar mais enrolando.. No aniversário do Léo eu… Eu fiquei com o pai do Léo - ele olhou para o céu, deve estar se lembrando do dia.
- Nós estávamos só ficando, não tem problema…
- Mas eu senti como se tivesse te traído - o interrompi.
- Por isso que você começou a chorar?
- Sim - fechei os olhos tentando afastar as memórias daquele dia - Me senti tão suja, tão baixa. Eu não sei porque fiquei com ele.
- Você sentiu atração por ele? - abri os olhos e ele está me olhando como se eu fosse uma retardada.
- Senti - revirei os olhos - Mas me arrependi profundamente e fiquei com muita raiva de mim e dele, de mim por ter me deixado levar pelo joguinho que ele fez e dele porque ele é pai do meu amigo, tem idade para ser meu pai, como pode ser tão sem vergonha? - ele riu baixo, como ele consegue rir em uma hora dessas? Ah sim, só eu estou uma pilha de nervos.
- Os velhos querem as novinhas.
- Deve ser - dei de ombros - E ontem eu fui no prédio do tio Cesar, levar uns documentos que a tia Teresa pediu para eu entregar para ele, encontrei com Alexandre lá no prédio, descobri que ele é amigo do tio Cesar e acabei beijando Alexandre de novo.. desculpa - abaixei a cabeça e começei a chorar, um choro de alívio e ao mesmo tempo de medo, não sei o que Lucas vai fazer.
- Você disse que tem uma explicação.. qual é? - ele perguntou depois de um tempo, levantei minha cabeça ainda sem acreditar no que ouvi, ele quer saber o porque? Sério? Eu realmente não esperava por isso, achei que ele fosse gritar e começar a me xingar de todos os nomes que mereço ser xingada mas não, ele quer minha explicação. Limpei as lágrimas em meu rosto e respirei fundo.
- Alexandre me levou até o escritório do tio Cesar, eu estava perdida por lá, a tia não tinha me dito o número do escritório nem nada. O escritório do tio Cesar e do Alexandre são um de frente para o outro, entrei na sala do tio e Alexandre veio junto, o tio começou a ler uns documentos e falou que achou um livro que Alexandre pedira ou que emprestara, não sei direito, Alexandre falou que ele podia continuar lendo o documento que eu levava o livro na sala dele depois, o tio aceitou sem ao menos me perguntar. Entrei no escritório e a secretária disse que Alexandre mandou que eu entrasse, desconfiei o porque disso e quando eu estava entrando ela me pediu para avisá-lo de uma reunião em 20 minutos no café, foi aí que eu tive a ideia de deixá-lo excitado e fazê-lo descer daquele jeito e foi o que eu fiz mas só percebi como foi idiota e infantil quando me dei conta que… te traí - engoli seco - Eu sou uma idiota, ajo por impulso e… me desculpa - esvaziei meu pulmão, apoiei meus cotovelos em meus joelhos e a cabeça em minhas mãos e fiquei olhando a rua, alguns carros passando.
- Eu preciso de um tempo para pensar - ele falou depois de um tempo, um bom tempo.
- Eu sei - falei e me levantei, ele segurou meu braço.
- Fica - olhei para ele sem entender - Eu consigo pensar melhor quando estou perto de você - sorri boba e voltei a me sentar, como eu sou burra, porque fui trair um fofo, lindo e praticamente perfeito como ele? Caramba Patricia, para de fazer tantas merdas pelo menos uma vez na vida! Encostei minha cabeça no encosto, coloquei meus pés nos banco e abraçei os joelhos, fiquei olhando os formatos das nuvens no céu. Me lembrei de um dia em que eu estava em um hotel, fui para a piscina porque eu estava cheia de problemas, eu tinha 10 anos e já tinha problemas, deixei meu corpo boiar na água, fiquei olhando as nuvens no céu e aproveitei para ir umas 5 da tarde, nesse horário a piscina ficava vazia e começei a chorar. Percebi que começei a chorar, agora não sei porque estou chorando, meu rádio fez barulho, peguei dentro da mochila e vi ‘Léo’ no visor.
- Oi - falei com a voz um pouco estranha, dei um pigarro e limpei as lágrimas do meu rosto e voltei a encostar a cabeça no banco.
- Aonde você está?
- Em uma praça perto da escola com o Lucas, porque?
- Porque?! Você sumiu Patthy!
- Você tem razão, enfim, estou aqui.
- Está tudo bem?
- Sim
- Você não quer conversar agora?
- Não, preciso ficar em silêncio por um tempo.
- Tá, me liga quando quiser conversar.
- Aham, beijo - joguei o rádio no bolso da mochila sem olhar e fechei os olhos e começei a cantarolar bem baixo a primeira música que veio em minha cabeça.
Do you ever feel like a plastic bag (Você já se sentiu como um saco plástico)
Drifting throught the wind (Flutuando pelo vento)
Wanting to start again? (Querendo começar de novo?)
Do you ever feel, feel so paper thin (Você já se sentiu frágil)
Like a house of cards (Como um castelo de cartas)
One blow from caving in? (A um sopro de desmoronar?)
Do you ever feel already buried deep (Você já se sentiu enterrado)
Six feet under scream (Gritando sob sete palmos)
But no one seems to hear a thing? (Mas ninguém parece ouvir nada?)
Do you know that there’s still a chance for you? (Você sabe que ainda há uma chance para você?)
Cause there’s a spark in you (Porque há uma faísca em você)
You just gotta ignite the light (Você só tem que acendê-la)
And let it shine (E deixá-la brilhar)
Just own the night (Apenas domine a noite)
Like the Fourth of July (Como o dia da independência)
Cause baby you’re a firework (Porque baby você é um fogo de artifício)
Come on show ‘em what your worth (Vá em frente, mostre o que você vale)
Make them go “Oh, oh, oh!” (Faça-os fazer “oh, oh, oh”)
As you shoot across the sky-y-y (Enquanto você é atirado pelo céu)
Baby you’re a firework (Baby, você é um fogo de artifício)
Come on let your colors burst (Vamos, deixe suas cores explodirem)
Make ‘em go “Oh, oh, oh!” (Faça-os fazer “oh oh oh”)
You’re gonna leave ‘em fallin’ down-own-own (Você vai deixá-los todos surpresos)
You don’t have to feel like a waste of space (Você não tem que se sentir como um desperdício de espaço)
You’re original, cannot be replaced (Você é original, não pode ser substituído)
If you only knew what the future holds (Se você soubesse o que o futuro guarda)
After a hurricane comes a rainbow (Depois de um furacão vem um arco-íris)
Maybe you’re reason why all the doors are closed (Talvez a razão pela qual todas as portas estejam fechadas)
So you could open one that leads you to the perfect road (É que você possa abrir uma que te leve para a estrada perfeita)
Like a lightning bolt, your heart will blow (Como um relâmpago, seu coração vai brilhar)
And when it’s time, you’ll know (E quando chegar a hora, você saberá)
- Sabe - Lucas falou depois de uns 20 minutos em silêncio, abri os olhos, levantei a cabeça e olhei para ele - Vou parecer um idiota mas que se foda, eu te amo demais para ficar brigado com você - ele sorriu fraco, abri um sorriso imenso sem acreditar no que ouvi.
- Você tem certeza? - desencostei do banco e continuei olhando-o com meu sorriso idiota no rosto.
Capítulo 59
- Claro que tenho.
- Você me desculpa?
- Caramba Patthy, porque você ainda está me perguntando? - ele sorriu maroto.
- Chato - passei minhas pernas por ele e meu braços por seu pescoço - Você não sabe como eu fiquei mal por isso - encostei minha testa na dele e fechei os olhos.
- Pronto, passou - ele falou antes de me beijar. E pensar que eu corri o risco de nunca mais beijá-lo, de nunca mais tê-lo, dele nunca mais ser meu. Ficamos na praça por não sei quanto tempo e depois fomos em uma sorveteria, eu tinha me esquecido como matar aula é extremamente bom, principalmente com o seu namorado.
‘cooomo eu te amo’ coloquei no twitpic uma foto que acabamos de tirar na sorveteria.
- Ainda estou devendo uma visita pra sua irmã né?
- Ela já inventou mil brincadeiras para vocês duas quando você for em casa - ele riu.
- Porque você não brinca com ela? - gargalhei ao imaginá-lo brincando de boneca, ele ficou sério - O que foi xuxuzinho? - apertei a bochecha dele.
- Tenho cara de quem brinca de escolinha? Mamãe e filhinha? - fiquei olhando para ele como se estivesse pensando.
- Tem. Que horror, meu namorado tem cara de quem brinca com boneca! - neguei com a cabeça e peguei meu celular.
- Se minha boneca for você, eu brinco - ele sussurou no meu ouvido, começei a rir.
- Que safado, eu hein - me afastei um pouco dele que riu, se aproximou de mim e passou o braço pela minha cintura - Esses meninos de hoje em dia.
nahcardoso @_patthy matando aula? tsc tsc
_patthy @nahcardoso no twitter no meio da aula?! tsctsc u_u
- Ô Lucas, dá um jeito nessas meninas que ficam dizendo que meu namorado é o Pe Lu, faz alguma coisa menino! - usei um tom engraçado que o fez rir.
- Ignora essa gente.
- Olha, até parece que estou falando com um famoso super experiente na área.
- Falei como o Pe Lu? - ele riu e beijou meu pescoço, senti um arrepio.
- Falou até mais bonito do que o Pe Lu! - dei um selinho demorado nele.
- Olha a mentira.
- Bobo - nos beijamos até o despertador do celular tocar para nós voltarmos para a escola - A propósito, hoje vai ter um churrasco na casa da Laris, vamos?
- Quem é essa mesmo? - Lucas coçou a cabeça tentando se lembrar da Laris, ele tem uma memória muito curta e eu me divirto com isso, dei uma gargalhada.
- Você não conhece, relaxa. Ela era a melhor amiga do Pe Lu, eu a conheci e me tornei amiga dela, enfim, vamos? - olhei para ele e sorri.
- Quem vai?
- Que você conhece acho que só o Pe Lu, o Willy e a Ná, porque? - paramos na esquina da escola, ele passou os braços em minha cintura e eu em seus ombros.
- Só para saber.. então eu vou - ele sorriu e eu também, apertei meu braços pelo pescoço dele e dei um selinho demorado.
- E se eu for pra sua casa agora, brinco com a sua irmã a tarde toda e depois a gente vai para a casa da Laris? - ele me olhou sem entender, rolei os olhos - Depois eu que sou lerda né? - ele riu.
- Você fala uma coisa em cima da outra, não dá pra acompanhar seu pensamento - ele se defendeu, olhei para ele sem acreditar muito.
- Vou explicar parte por parte, vê se presta atenção - dei dois tapinhas de leve no rosto dele que concordou com a cabeça e riu - Eu e você vamos para a sua casa, eu brinco a tarde inteira com a sua irmã já que ela está esperando a minha visita, aí você se arrumar, toma banho, põe uma roupinha bonitinha, nós vamos para a minha casa, eu coloco a minha roupinha bonitinha e nós vamos para a casa da Laris, entendeu meu amor? - sorri e ele balançou a cabeça concordando.
- Só não entendi uma coisa - ele riu, revirei os olhos, lá vem coisa!
- O que? - já começei a rir.
- Você vai brincar a tarde inteira com a minha irmã, e eu?
- Fofinho - apertei a bochecha dele - Vai querer brincar com a gente? Você pode ser um aluno! Ou então um filho! - falei com animação e muito sarcasmo, claro. Ele riu e apertou os braços em minha cintura.
Eu e Joana ficamos brincando a tarde toda, ela mandou Lucas para longe, ela disse que se ele chegasse perto teria que brincar conosco, menina inteligente, sabe que o irmão daria tudo para não brincar com ela, está mais para minha irmã do que dele. Quando olhei no relógio já eram 19:06, fui procurar por Lucas e o encontrei em seu quarto já pronto para sair, é assim que eu gosto, nem precisei ficar mandando ir tomar banho e se arrumar logo, ele colocou calça jeans, camiseta vinho que ficou muito bem nele e seu adidas preto e branco, arrumei o cabelo dele do jeito que eu gosto, jogado para cima e um pouquinho desarrumado.
- Achei que você não vinha mais! - Pe Lu falou quando apareci na sala, ele olhou para Lucas e ficou sem entender.
- Não perco churrasco na casa da Laris por nada baby. Já está pronto? - ele concordou com a cabeça e sorriu - O quê? Pedro Lucas pronto às 8 da noite? - arqueei as sombrancelhas e ele riu.
- Milagres acontecem.
- Hm, percebi. Cadê a Nai?
- Está na casa de alguma amiga, vai dormir por lá - Pe Lu deu de ombros.
- E seus pais?
- Foram no shopping e depois vão para o aniversário de não sei quem - dei risada.
- Você e nomes são uma coisa incompatível… Aliás, vocês dois e nomes não se dão muito bem - olhei para Lucas que deu um sorrisinho - Já que só eu não estou pronta, vou tomar banho e me arrumar. Se comportem vocês dois! - Lucas sentou na ponta do sofá e Pe Lu está na outra.
- Eu que tenho que dizer isso para vocês - Pe Lu falou, gargalhei e neguei com a cabeça, coitado. Fui para o meu quarto, peguei uma roupa qualquer, não gosto de vestir a roupa que vou usar logo que saio do banho, entrei no banheiro, tirei minha roupa e liguei o chuveiro. Como eu queria ouvir tudo como ouvi o Pe Lu outro dia mas a única coisa que consigo ouvir é a água batendo em minha cabeça, tentei me concentrar e nada! Se naquele dia achei ruim ouvir tudo, hoje estou achando terrível não ouvir nada. Na verdade, não sei com o que estou tão preocupada, sei que Pe Lu não vai fazer nada com Lucas e nem vai dizer nada e, bom, Lucas não tem nada contra Pe Lu, não que eu saiba. É mais uma bobeira da minha cabeça, se bem que acho que tudo isso é porque sou egoísta o suficiente para querer estar perto dos dois o tempo todo, sempre leio nos horóscopos ‘Taurina controle esse seu ciúmes possessivo’ ou derivados, sempre meu ciúmes possessivo. Sinceramente? Não acho que me encaixo nessa coisa de ser ciumenta, digo, eu sou mas não demonstro, guardo para mim porque sei como é ruim ter uma pessoa ciumenta por perto, as vezes acho que o Pedro Lucas não entende isso. Hoje vai ser bem legal, Pe Lu encontrando com a Ná de novo, e ele encontrando com a Laris, um dia cheio de emoções para Pedro Lucas e eu assistindo tudo de camarote, podendo olhar nos olhos dele para saber o que ele estará sentindo! A Ná se acostumou bem com o fim entre eles, percebi isso e ela mesma me contou, mesmo se não tivesse se acostumado ela sabe que vai encontrar com ele frequentemente por terem muitos amigos em comum, acho que isso foi um fator que influenciou bastante para ela se acostumar que não vai mais ficar agarrada no pescoço dele feito macaco pequeno em sua mãe, que não vai mais ouvir ele dizer coisas no ouvido dela, coisas que até hoje não tenho vontade de saber, tenho medo, medo do que ele falava e medo do que posso fazer depois que souber o que ele falava.
Sai do chuveiro, me enxuguei rápido e parei no corredor para tentar ouvir alguma coisa, ouvi risadas deles.
- Esse cara é muito engraçado! - Pe Lu falou rindo.
- Ele e Adam Sandler tinham que fazer um filme juntos, eles são gênios - Lucas falou recuperando a respiração e claro, super inteligente por gostar de Adam Sandler, é por isso que namoro com ele! Mentira, não é por isso. Sorri aliviada por eles estarem vendo um filme qualquer de comédia, só pode ser, fui para o quarto e coloquei Pussycat Dolls para me arrumar, qualquer dia desses bato na Natalia por ter me acostumado a me arrumar ouvindo elas, eu era feliz ouvindo 3OH!3. Shorts jeans curto, esse eu admito que é curto, tampa pouco mais de um palmo da minha coxa, uma blusinha azul céu e rasteirinha branca, não estou me importando se vou estar diferente dos outros, quero vestir isso, estou bem assim e qualquer outro tipo de roupa no momento vai me deixar irritada, e acho que minha tpm está começando, Lucas que me aguente! Penteei meu cabelo e vou deixá-lo secar naturalmente, minha sorte é que meu cabelo é um pouco liso então fico mais tranquila, pensei em pegar o rádio e o celular mas hoje quero ficar livre de tudo, não vou levar nada! Passei perfume e lápis de olho, fui para a sala, eles não estão mais vendo o filme, estão vendo o TopTVZ.
- Até que enfim! - Pe Lu falou e se levantou, rolei os olhos e ele desligou a tv.
- E esse shorts? - Lucas falou, Pe Lu riu e eu mostrei o dedo do meio para ele.
- Você não vai estar comigo? Então não tem problema, não vou sair do seu lado.
- Então é tudo para mim? - ele sorriu maroto, não consegui conter a risada com a cara assustada que Pe Lu fez ao ouvir o que Lucas falara.
- Você não pode falar essas coisas perto do Pe Lu, ele não vai mais deixar você chegar perto de mim pensando que você é tarado - dei uma pausa -Se bem que ele pensa certo - começei a rir - Vamos logo!
Chegamos na casa da Laris e todos já haviam chego, Pe Lu ficou feliz em rever alguns amigos e a única coisa que fez foi cumprimentar Laris com um beijo na bochecha e começou a beber, falei várias vezes para ele maneirar mas ele não me ouviu, fiquei conversando com as pessoas, cada hora com um e Lucas do meu lado na maior parte do tempo, ele é lindo demais, eu sei!
- Pe! - o grito de Laris ecoou pela casa e pelo jardim, onde estamos. O grito não foi como se ele estivesse fazendo cócegas nela, por exemplo, eu tenho um outro exemplo mas prefiro não pensar, enfim, todos ficaram assustados, me levantei e entrei na casa, todos vieram atrás de mim.
- O que aconteceu? - perguntei e vi uma garrafa espatifada no chão, a Laris chorando e Pe Lu de costas, olhando para a rua, com as mãos fechadas em punho.
Capítulo 60
- Na-Nada, ele só está bêbado, precisa de um banho gelado - Laris falou e enxugou as lágrimas de seu rosto.
- Pê - falei com um pouco de medo, ele olhou para mim e abriu as mãos, respirei fundo e me aproximei dele - Vem tomar um banho gelado.
- Não! - a voz dele saiu embolada, ele está realmente bêbado mas não tanto, apenas está, como nunca vi antes - Eu não vou tomar banho na casa dessa.. dessa.. dessa menina aí! - ele falou apontando para Laris.
- Pára.. ela é sua amiga - falei baixo e encostei uma mão em seu peito.
- Era minha amiga até eu não querer mais satisfazer a carência dela - COMO ASSIM? Olhei para Laris, se meus olhos matassem, ela com certeza estaria caindo morta em cima dos cacos de vidro da garrafa quebrada. Respirei fundo e começei a pensar mas a única coisa que veio é querer matar a Laris, que horror!
- Tá - falei irritada e respirei fundo de novo - Willy e Duds, vou precisar de vocês - falei, os dois vieram do meu lado mas não antes de Lucas, Pe Lu passou um braço pelo meu ombro e o outro em Willy, como se eu fosse aguentá-lo bastante, fomos para o jardim enquanto os outros ficaram consolando a Laris e outros tirando os cacos da garrafa do chão - Um de vocês leva o carro do Pe Lu e o outro nos leva para a casa, pode ser?
- Eu levo vocês! - Willy falou e Duds assentiu com a cabeça, fomos para o carro, não falei nada o caminho todo, a única coisa que pensei é que o Pe Lu não presta mesmo! Pegava a melhor amiga, ou será que essa coisa de melhor amiga era só faixada? Quer dizer que ele pegava a Laris enquanto estava com a Ná também?
Coloquei o chuveiro no desligado, para a água ficar fria, empurrei Pe Lu para debaixo do chuveiro e liguei.
- A sua sorte é que seus pais não estão em casa ainda! - falei e ele tentou sair, o empurrei com as duas mãos em seu peito - Pe Lu! Não é para você sair!
- Mas está fria!
- É disso que você precisa! Termina de tomar banho viu - fui saindo do banheiro e fechei a porta, fui até a sala - Pronto - sorri para Lucas, Willy e Duds.
- Você precisa de ajuda? - Lucas perguntou.
- Não, acho já consegui deixá-lo debaixo da água fria, ele já vai melhorar. Vocês podem ir embora agora.. Willy, tem como você levar o Lucas para a casa dele?
- Claro que tem!
- Não quer que eu fique? - Lucas perguntou ao me abraçar.
- Não precisa meu amor, obrigada - olhei em seus olhos, sorri e o beijei - A gente se fala amanhã.
- Se precisar de alguma coisa me liga - concordei com a cabeça e ele me deu um selinho antes de se afastar.
- Obrigada - falei para Willy e Duds ao abraçá-los. Os acompanhei até a porta e fui para a cozinha, coloquei água gelada em um copo e tomei, todos os pensamentos que tive no caminho voltaram. Um tempo depois, não sei quanto, ouvi a porta do banheiro abrir, coloquei o copo já vazio dentro da pia e fui para meu quarto, coloquei um pijama e sentei na cama, alguns segundos depois a porta abriu, sabia que ele não ia demorar muito.
- Está melhor? - perguntei, ele coçou a nuca e fechou a porta.
- Acho que sim - ele sentou do meu lado.
- Porque você bebeu daquele jeito?
- Achei que o Lucas ia terminar com você e aí.. - ele sorriu fraco, até ele estava esperando que o Lucas fosse terminar comigo, até eu esperei por isso, não que eu quisesse mas era o óbvio. Se Lucas tivesse terminado comigo eu provavelmente já estaria me pegando com Pe Lu, que horror! - Quando vi ele entrando com você e vocês bem como se nada tivesse acontecido, aliás, você contou para ele? - ele me encarou.
- Contei, ele disse que me ama demais para ficar brigado comigo - dei de ombros, só para fingir descaso.
- Então, começei a beber para ver se resolvia alguma coisa.
- E resolveu?
- Não - concordei com a cabeça e olhei para o chão. Um silêncio chato se estabeleceu entre nós, isso nunca tinha acontecido antes e a única coisa que está na minha cabeça é ele e a Laris, não tenho o que falar para quebrar esse silêncio. Olhei para ele que sorriu - Eu sei o que você está pensando, pode perguntar.
- Se sabe, porque não fala de uma vez?
- Eu ficava com a Laris as vezes, quando batia a carência nos dois, sabe? - ele revirou os olhos e eu voltei a olhar o chão.
- Entendi.
- Cada dia fica mais difícil confiar em mim não é? - respirei fundo e olhei para ele.
- Na verdade não, eu também estou pisando na bola nesses últimos tempos.
- Mas sabe, eu acredito que um dia alguém vai me mudar, ela vai me fazer querê-la o tempo todo e as outras que se fodam, ela vai me colocar na linha e eu acredito que ela é você mas isso só vai acontecer quando você for minha e de mais ninguém - sorri e o abraçei. O que ele acabara de falar começou a ecoar em minha cabeça.
- Eu - me afastei dele e passei a mão em meu cabelo - Eu não sei o que aconteceu comigo - minha garganta ardeu demais, quase gritei de tanto que ardeu - Eu não era assim, nunca pensei que um dia eu fosse fazer as coisas que tenho feito - fechei os olhos tentando mandar as lágrimas embora - Tudo sua culpa seu chato, só de ficar perto de você fui pro mal caminho! - dei risada.
- Você já tinha um lado safada escondido e a culpa é minha?
- É - ele riu.
- Vocês já chegaram? - dei um pulo e me virei para a porta ao ouvir a voz de Teresa - Ou ainda não foram?
- Já voltamos - Pe Lu falou.
- Que horas são tia?
- Quase meia noite, porque vocês voltaram tão cedo?
- Estava sem graça - fiz uma careta e dei de ombros.
- Ah sim, vou trocar de roupa e já venho falar com vocês - ela falou, concordei com a cabeça e ela saiu. Será que ela vai falar da viagem? Mas será que ela vai viajar? O Pe Lu vai ficar muito bravo, acho que era melhor ele ter continuado bêbado.
- Você está bem pequena? - senti um arrepio passar pelo meu corpo, bendita mania de me arrepiar quando ele me chama de pequena.
- Estou - sorri fraco.
- Você sabe o que minha mãe quer falar né?
- Quer parar de ler meus pensamentos? Muito obrigada! - ele riu alto - Não tem graça conversar com você, não tem como esconder nada de você, seu chato.
- Claro que tem graça, você nunca vai esconder nada de mim, tem muita graça isso.
- Tá, tá, tá - revirei os olhos, ele voltou a rir e passou os braços pela minha cintura, encostou a cabeça em meu ombro - Sai daqui - dei um tapa no braço dele- É capaz de você conseguir ouvir meus pensamentos com essa proximidade!
- Sempre quis saber o que você pensa, devem ser muitas besteiras - ele sussurou no meu ouvido, estremeci.
- Não mais do que você, idiota! - tentei levantar mas ele me segurou mais forte, odeio meninos e homens, eles são tão fortes, porque?
- Você fica linda bravinha - ele falou, cruzei os braços e olhei para ele.
- Não estou bravinha!
- Ah não?! Então você está o que? - ele riu.
- Estou de tpm! E agora me solta - tentei sair dos braços dele de novo e de novo não consegui, claro.
- Uh, tpm!
- Que vontade de te matar! - ele riu, como é chato.
- Vai ser presa e ainda vai ficar sem mim - ele negou com a cabeça.
- Sabia que uma mulher quando está de tpm não é condenada se mata alguém?
- Jura? Me conta mais - ele deu um sorriso fingindo interesse, não aguentei e dei risada.
- Como você é chato Pedro Lucas! - encostei a cabeça no ombro dele e fechei os olhos, de repente fiquei tranquila, efeito de Pedro Lucas sobre mim.
- Ei crianças! - tio Cesar falou e apareceu na porta do quarto, nem me importei em desencostar de Pe Lu, ele está acostumado a nos ver abraçados, acho que ele não sabe o que a tia sabe - Vamos assistir um filme! - ele nos chamou com a mão também.
- Qual filme? - Pe Lu perguntou.
- Não, não é ‘Um amor para recordar’! - falei e ri.
- Mas podia ser, chatinha.
- Olha quem fala! - tio Cesar riu de nós.
- Venham logo! - ele foi para a sala.
- Vamos Landon!! - falei, ele riu.
- Vamos Jamie - ele tirou os braços de mim, me levantei e ele também, fomos para a sala.
- Qual o filme? - perguntei já que o tio não respondeu antes.
- Esse - tia Teresa me entregou a caixa do dvd e achei que ela ia conversar com Pe Lu mas tudo bem.
- ‘Cartas para Julieta’? Oun!
- Então - tia Teresa falou quando voltei para a sala após deixar as bacias que tinham pipoca na cozinha - Vou precisar viajar pelo trabalho.
- Sério mãe? Que legal, quando você vai? - parei de andar e fiquei de pé, ela olhou para mim e fiquei sem saber o que fazer.
- Quarta feira, dia 15 - Pe Lu fechou a cara.
- Mas tem o VMB!
- Eu sei filho, tentei ver uma outra data para ir mas não consegui, se eu não for ninguém vai e eles não conseguem o papel nas peças de teatro.
- Não, tudo bem. É seu trabalho - ele sorriu forçado.
- Vamos dormir? - falei, Pe Lu levantou, falou boa noite superficialmente para seus pais e foi para o banheiro, coçei a cabeça e tia Teresa olhou para mim - Eu falo com ele - sorri e dei um abraço nos dois, fui no banheiro, escovei os dentes e entrei no quarto do Pe Lu, ele está olhando para o Disco de Ouro da Restart e respirando pesado - Ei - encostei uma mão no ombro dele que olhou para mim - É o trabalho dela.
- Eu sei mas é o VMB né - eu o abraçei.
- É, eu sei… E sua mãe estava com medo de você ficar bravo com ela.
- Ela está pensando isso agora né?
- Provavelmente - me afastei um pouco - Vai lá falar com ela! - me sentei na cama dele e ele sorriu para mim.
- Já volto! - ele saiu do quarto e me deitei. Caraca! Esqueci de avisar o Lucas sobre o jogo do Léo amanhã! Olhei no relógio, quase 3 da manhã, ele já deve estar dormindo. Ligo para ele amanhã logo que eu acordar, com a correria desses dias nem me lembrei de avisá-lo, garanto que ele vai ficar bravinho. Olhei para o Disco de Ouro na parede do quarto e me lembrei do dia em que eles ganharam, quase chorei mais do que eles próprios e pensar que aquela banda que eu conheci há um ano era conhecida por poucas pessoas e hoje ela é o fenômeno do ano! Eu vi tudo acontecer, eu vi a banda crescer e de uma certa forma fiz do sonho deles o meu - E esse sorriso bobo aí? - Pe Lu falou, olhei para ele entrando sorridente no quarto.
- Adivinha o porque, você não sabe tudo que penso? - arqueei uma sombrancelha e ele sentou na cama.
- Estava pensando em mim, só pode! - nós rimos e dei um tapa no braço dele.
- Convencido! Não estava pensando em você, estava pensando na sua banda.
- Eu sou da banda então estava no seu pensamento, acertei! - ele sorriu convencido e deitou, encostou a cabeça em meu ombro e começei a acariciar seu cabelo.
- Eu e a Nai vamos estar lá para te dar uma força - falei depois de um tempo em silêncio, ele com certeza está pensando sobre os tios não irem no VMB, ele olhou para mim e sorriu, aquele sorriso que sempre me mata e que me faz sorrir junto.
- Eu sei, acho que é por isso que eu não estou tão bravo.. bravo não, chateado - sorri ao me lembrar do dia que a tia Teresa contou que talvez ia viajar, disse que Pe Lu ia ficar chateado. Exatamente a palavra que ele usou.
- O que importa é que eles vão ficar muito orgulhosos quando eles verem que você ganhou vários prêmios - ele encostou em meu ombro de novo e voltei a pensar sobre o Pe Lu ser um galinha, pelo que me contaram há um tempo, ele praticamente tem uma menina em cada cidade, as vezes parece exagero, como ele vai lembrar o nome de todas? - Você ainda fica com quantas meninas? - perguntei depois de um tempo e, sinceramente? Me arrependi, que pergunta idiota, ele me olhou de novo.
- Nenhuma - revirei os olhos, essa é demais para mim - Fico com alguma se aparece mas é meio difícil aparecer, acho que você não precisa ser só minha para me mudar. Estou bem que se foda para as outras meninas - olhei nos olhos dele o tempo todo e só vi a verdade, nada mais do que a verdade, talvez minha pergunta não tenha sido tão idiota. Sorri boba, foi a única coisa que consegui fazer.
‘já acordou?’ mandei para Lucas logo que acordei, 11 da manhã em pleno sábado é cedo, muito cedo. Tá, não tanto mas é cedinho vai.
‘você acordou essa hora ou ainda não dormiu?’ ele respondeu, quanto amor logo de manhã, tão inspirador! O chamei no rádio e abri meu guarda roupa.
- Bom dia minha linda - sentei na cama e sorri.
- Bom dia meu amor, vai fazer alguma coisa hoje?
- Estou indo para a casa da minha avó, em Indaiatuba. Porque?
- Ia te chamar para ir no jogo do Léo comigo, eu esqueci de te falar antes, desculpa.
- Vai e torce para ele - me levantei e peguei um shorts, joguei na cama.
- Torcerei, você vai que horas?
- Só estou esperando minha mãe terminar de arrumar minha irmã e você, vai que horas? - peguei uma regata cinza e joguei na cama também.
- Daqui meia hora - começei a me olhar no espelho e fazer caretas, narcisismo e idiotície matinal.
- E você acabou de acordar?
- Sim, porque?
- Você não vai se arrumar em meia hora nunca! - ouvi o começo da risada dele.
- Claro que me arrumo! Mas hoje estou com preguiça porque ontem um bêbado alugou minha cabeça então não vou me arrumar em meia hora.
- Nem adianta vir com desculpinhas para cima de mim.
- Ah bebê, você tem que acerditar nas coisas que eu falo - peguei meu adidas branco e azul, deixei perto da cama.
- Eu acredito mas não nisso, amor.
- Ah seu chato, então tchau!
- Vai se arrumar porque depois você nã termina a tempo e põe a culpa em mim.
- Adoro como você me conhece, então depois a gente se fala e se eu não estiver entendendo o jogo de futebol do Léo, te ligo e você me explica.
- Eu já devo ter te explicado o que é escanteio e impedimento umas 20 vezes e você não entendeu até hoje né?
- Entendi mas eu esqueco, eu não me lembro de coisas que não gosto. Por exemplo, o nome daquelas vadias da escola que ficam te olhando, não lembro o nome delas! Entendeu?
- Ciumenta!
- Sou mesmo, vou me arrumar senão me atraso mesmo, eu te amo.
- Vai lá e não põe a culpa em mim! Eu também te amo.
- Tchau bobo - desliguei e joguei o rádio na cama, troquei minha roupa, coloquei o tênis mas é claro que a cada 2 minutos me jogava na cama e levantava 5 minutos depois. Léo me deu um toque, avisando que já estava chegando e eu ainda tinha que passar lápis de olho, escovar os dentes e passar perfume, é praga do Lucas - Desculpa a demora - falei ao abraçar Léo.
- Não tem problema - ele sorriu e entramos no carro, vou de carona com ele, nem estou mais me importando com Alexandre e Matheus está no carro também, menos mau.
- Oi Math! - falei e dei um beijo na bochecha dele.
- E ai Patthy?! - ele falou.
- Oi Patthy! - Alexandre falou, olhei para ele no retrovisor.
- E ai? - sorri cínica e Léo riu, idiota.
- E o churrasco ontem, como foi? - Léo perguntou.
- Churrasco não teve, mas ficamos lá conversando e o Pe Lu bebeu demais, deu vexame. Voltamos para casa lá pelas 11 da noite.
- O que ele fez?
- Depois te conto, eu vou ficar brava se contar e não quero ficar brava, não agora.
- E o Lucas, ele vai hoje? - Matheus perguntou.
- Não, está indo para a casa da avó em Indaiatuba - fiz bico. Fomos conversando sobre assuntos aleatórios e idiotas, Alexandre conversou também e eu fiquei normal, o que mais poderia fazer? Mandar ele calar a boca seria uma boa mas Matheus não ia entender nada e eu ia ficar como louca e mau educada.
- Claro que não - falei e trombei com alguém, alguém mais baixo do que eu. Olhei para baixo e vi um menino pegando seu brinquedo que caiu no chão e uma parte saiu - Deixa que eu arrumo - ele olhou para mim e entregou o brinquedo, encaixei a parte que saiu ao brinquedo e devolvi para ele.
- Como você conseguiu? - os olhos castanhos dele brilharam e eu sorri.
- Isso é segredo, não posso contar.
- Mas eu quero saber - ele falou e fez cara de cachorro sem dono, juro que se ele fosse o Pe Lu ou o Lucas, eu teria cedido - Os meninos no campo vão quebrar de novo, tenho certeza.
- Então se eles quebrarem é só você me procurar, eu vou estar no campo também! Qual seu nome?
- Pedro Lucas e o seu? - Léo começou a gargalhar, tampei a boca e me segurei para não rir.
- Patthy, então a gente se vê no campo - sorri e puxei Léo pela mão, começei a rir quando saimos do restaurante - É algum tipo de carma? Conspiração? Macumba!?!
- Você tinha que ver a sua cara de susto quando ele falou ‘Pedro Lucas’ - ele gargalhou.
- Eu fiquei assustada? Nem percebi.
- Ficou… Ficou mais ou menos assim - ele abriu a boca e arregalou os olhos.
- Eu não tenho essa cara de idiota - dei um tapa em seu braço e ele voltou a rir.
- Tá, mas você se assustou e foi engraçado - ele falou entre algumas risadas, não vejo tanta graça assim.
- Chega, muda de assunto, esse não é tão interessante.. Que horas a Lisy chega?
- Acho que - ele tirou o celular do bolso, olhou e guardou - Daqui umas duas horas - ele deu de ombros.
- Só daqui duas horas?!
- É, ela vem na hora do meu jogo - que falta de consideração, nem para vir e ficar com ele antes do jogo. Olhei para ele que pegou o que pensei pelo olhar, colocou as mãos nos bolsos e puxou de leve a boca para o canto, eu passei meu braços pela cintura dele e apertei, ele passou os braços por mim.
- Mas eu estou aqui com você - Lisy é a peguete-séria-quase-namorada do Léo, eu não conheci nenhuma peguete dele até hoje porque nunca passa de uma noite e ele nem se importa em contar, afinal, contar o que? O nome dela e se ela beija bem? Ele é o típico beija hoje e amanhã nem olha na sua cara, eu deveria dar um tapa no meio da cara dele porque é isso que eu tenho vontade de fazer com meninos assim mas ele sabe de tudo que aconteçe na minha vida, ele e o Koba mas o Koba passa mais tempo longe do que aqui, não que eu esteja desmereçendo o Koba mas o Léo está mais perto, e eu não teria coragem de dar um tapa na cara de algum amigo por mais que vontade não falte, não consigo, a não ser que eu tenha um motivo MUITO bom, que me deixe MUITO nervosa e que me leve a fazer isso. Enfim, a Lisy já começou perdendo pontos comigo, além de querer roubar o meu amigo de mim, faz uma coisa dessas, seria normal se ela não soubesse como o Léo é, ela sabe que quase nunca ele fica com uma menina por mais de algumas horas, ela sabe a sorte que tem e não aparece? Se fosse eu, ia aproveitar o tempo que pudesse para ficar perto dele e garantir que ele ficasse na minha, mas eu sou eu né, vai saber como ela pensa.
Chegamos no campo sobrando tempo para começar o primeiro jogo, se eu disser que eu, Leonardo, Matheus, Vitor, Heitor e até o mini Pedro Lucas, ficamos correndo pelo campo alguém acredita? Pois é, não sei o motivo mas ficamos correndo, acho que por sermos idiotas mesmo. Eu adorei o mini Pedro Lucas, estou pensando em pedir ele em casamento e ele se parece um pouco com o Pe Lu, tem os cabelos escuros, é moreno, é magrelinho e alto. No meio do jogo chamei Lucas no rádio.
- Oi meu amor - ele falou e claro que sorri boba, é automático.
- Oi amor, pode ir me explicando essas coisas de futebol.
- Eu sabia - ele riu - As duas únicas coisas que você sempre me pergunta: Impedimento é quando o jogador é impedido de chutar no gol - dei risada, tão óbvio mas mesmo assim ele sempre tem que me explicar - E escanteio é quando tem que chutar a bola no canto do campo, se lembrou?
- Lembrei tio, aliás, você já almoçou? Estou aqui falando minhas besteiras..
- Já, acabei agora de pouco. Mostrei uma foto sua para minha avó, ela te achou linda.
- Ai que fofa! Diz que eu mandei um beijo para ela!!
- Mando, vou levar minha irmã na sorveteria, você tinha que estar aqui - senti um leve aperto no coração.
- Tinha mesmo.. Toma um sorvete por mim?
- Aham.
- Eu te amo.
- Eu também.
Alguns minutos depois Lisy chegou, não gostei muito dela não, tem cara de antipática, tem uma voz muito fina e meio rouca, irritante demais sem contar que ela está roubando meu amigo de mim, vou me lembrar disso até ele não estar mais com ela. Ela é loira mas tenho certeza que é pintado, aquelas sombrancelhas escuras não me enganam, é claro que não, cabelo sem corte até o meio das costas, olhos escuros, magra feito espeto de churrasco e de rosto ela é normal, não é uma beleza diferente, você encontra meninas como ela no meio da rua, achei que Léo tinha um gosto melhor para meninas, na balada é meio difícil ver a cara da menina, na maioria das vezes vejo o cabelo delas, elas tem cabelo bonito mas Lisy não tem.
- Ai meu Deus! - Lisy gritou pela milésima vez, que vontade de socar a cabeça dessa menina na parede, ela pegou meu braço e começou a sacudir, tirei os olhos de um livro de Pedro Lucas, ele pegou para me mostrar seus desenhos e heróis favoritos, e olhei para ela.
- O que foi? - perguntei tentando não demonstrar irritação.
- O Léo! - olhei para ele jogado no campo com dor no pé.
- Já aconteceu quantas vezes só hoje? - ela me chamou todas as vezes que ele caiu, que coisa irritante! Parece que nunca assistiu um jogo de futebol, parece que não sabe que eles vivem caindo, ou melhor, se derrubando - Daqui a pouco ele levanta! - voltei a olhar o livro.
- Estão carregando ele! - ela começou a gritar e saiu correndo em direção à ele, levantei a cabeça e quase fiz o mesmo mas de quê vai adiantar ficar gritando? Deixei o livro no banco, peguei a caixa de primeiros socorros e uma sacola com gelo, sentei no banco de novo, logo chegaram com Léo.
- Deixa ele aqui, podem voltar a jogar - falei, os homens que o carregam assentiram e o deixaram sentado ao meu lado, Lisy se sentou ao lado dele - O que aconteceu?
- Acho que torci o pé - ele falou fazendo caretas.
- Deixa eu ver - ele deitou a cabeça no colo de Lisy e colocou as pernas sobre as minhas - Qual dos dois?
- O direito.
- Me faz um favor? Tira a meia - ele riu baixo - Não sei há quantos dias você não lava a meia e os pés, quando foi o último dia que você lavou?
- Hm - ele fingiu estar pensando enquanto tira a chuteira, meio curvado - Acho que semana passada - cerrei os olhos e olhei para ele séria.
- Se isso for verdade.. Ah Leonardo! - ele riu, tirou a meia, colocou o pé em minhas pernas e deitou no colo de Lisy, abri a caixa de primeiros socorros e começei a procurar por alguma coisa útil, encontrei uma pasta que diz aliviar dores musculares e etc, eu prefiro Gelol mas como não tem vai esse treco, passei no tornozelo dele e fiquei segurando o saco de gelo porque ele insiste em querer tirar quando fica muito gelado.
Minha vontade de dar uns tapas na Lisy só aumentou, quando Léo queria tirar o gelo, resmungava e ela falava ‘Ai tira o gelo dele’, lançei olhares mortais para ela em todas as vezes e Léo percebeu, então passou a reclamar só para me irritar e é claro que eu não deixei barato, apertava o gelo em sua perna e ele dizia para Lisy que estava tudo bem, que ela não precisava se preocupar.. bom garoto.
Um tempo depois foi a vez de Alexandre se machucar mas o dele foi sério, bem sério. Acompanhei Léo até o hospital já que Lisy foi embora, perdendo mais um ponto comigo, ela deve estar com -10 pontos só por hoje, apenas hoje. Ela simplesmente foi embora quando ele estava desesperado esperando alguém chegar com carro para levar Alexandre ao hospital, liguei para tio Cesar me buscar no hospital e agora eu, Léo e tio Cesar estamos esperando o médico aparecer e dizer como Alexandre está, é um saco ficar esperando, é chato e o tempo parece não passar nunca, ainda se essas paredes ajudassem mas não, são todas impecavelmente brancas, tudo muito entediante. E por falar em Alexandre, ele é tão idiota, sabe que não tem mais 20 anos mas tenta jogar como se tivesse, corre demais, força a perna, no final dá no que deu. Definitivamente hospitais não me fazem bem, sempre fico com tonturas e sinto um pequeno mal estar, claro que hoje não podia ser diferente.
- Já volto - falei assim que me levantei e começei a andar procurando um banheiro, as paredes monótonas não me ajudam muito. Ando, ando, ando e pareço não sair do lugar, agradeçi à Deus quando vi uma porta branca, pra variar, com uma plaquinha escrito em vermelho ‘Feminino’. Entrei sem pensar duas vezes e me encostei na pia, respirei fundo e joguei água no rosto - Odeio hospitais! - murmurei enquanto secava o rosto com papéis toalha. Voltei até eles e Léo está andando de um lado para o outro, não está ajudando nada na minha tontura, me aproximei dele - O que foi?
- Ele vai ter que fazer uma cirurgia - Léo falou sem parar de andar, fechei os olhos e me sentei.
- É muito grave? Tem algum risco? - perguntei com um pouco de receio da resposta.
- O único risco é que ele pode não jogar mais futebol porque ele pode machucar o joelho novamente - tio Cesar falou.
- E eles só vão fazer a cirurgia amanhã.
- Porque só amanhã? Ele não está sentindo dor?
- Estava, ele.. ahn.. digamos que se acostumou com a dor - tio Cesar falou, senti meu queixo cair, como alguém se acostuma com a dor?
- E o médico que faz esse tipo de cirurgia está no Rio de Janeiro, em uma conferência - sempre achei que todos os médicos fizessem qualquer tipo de cirurgia, cada dia descubro uma coisa nova, a cada dia vejo quao ignorante sou.
- Mas se ele voltar a sentir dor, vai ter que aguentar até amanhã? - perguntei incrédula.
- É - tio Cesar respondeu, como assim? Ter que ficar aguentando a dor porque o médico não está? Aliás, só tem um médico que faz essa maldita cirurgia? O que custa chamar outro? Meu Deus como as pessoas complicam tudo!
- E agora a gente faz o que? - minha voz saiu fraca.
- Aqui nada. Não podemos ir falar com ele - tio Cesar deu de ombros e colocou as mãos nos bolsos da calça - Vamos passar na sua casa Léo, você pega suas coisas e você fica em casa até o seu pai melhorar - gostei da ideia já que a mãe dele não mora perto e, modestia parte, ele prefere a minha companhia do que a da avó.
Capítulo 61
- Bom, você pode escolher entre dormir no quarto da Patthy e no do Pe Lu - tia Teresa falou, Léo olhou para mim e fechei a cara, ele não vai dormir na cama do Pe Lu e ficar sentindo o cheiro dele a noite toda, tenho ciúmes mesmo! E quando o Pe Lu não está, preciso de companhia para ficar conversando.
- Acho que a Patthy vai querer que eu durma no quarto dela, para ela ficar falando na minha cabeça - revirei os olhos e ele riu.
- Só porque você falou isso, vai enxer o colchão sozinho - falei, não que enxer o colchão inflável seja difícil para ele mas para mim é, sempre paro umas 3 vezes para recuperar o fôlego - E eu não vou trocar uma palavra sequer com você, tchau - dei as costas à eles, antes de dar o terceiro passo senti os braços de Léo em minha cintura, dei risada.
- Patthy - ele falou baixo.
- Eu - falei séria mas segurando mais uma risada, tia Teresa passou por nós rindo e foi ate seu quarto, provavelmente pegar o colchão.
- Fala comigo - ele tem algum probleminha? Gargalhei, virei para ele e cruzei os braços.
- Você é idiota demais. Acha que eu vou conseguir ficar sem falar? Você tem que parar de me levar tão a sério! - ele riu e eu o abraçei - Mas a parte do colchão é verdade - dei dois tapinhas nas costas dele e me afastei.
- É só você ficar conversando comigo que tudo bem - ele respirou fundo e olhou no celular, é a décima vez que ele faz isso em menos de 5 minutos, eu fingi não notar mas não dá.
- A Lisy não ligou?
- Não - ele olhou para o chão, eu o abraçei de novo e ele encostou a cabeça em meu ombro, passando os braços por minha cintura.
- Nenhuma menina pode te fazer sofrer, eu não deixo. Vou bater nela - ele riu baixo - Tem certeza de que quer namorar com ela? - ele ficou em silêncio - Ela foi embora quando você estava com o seu pai mal, eu sei que vocês tem os momentos felizes e que ela é legal mas, cara, era seu pai! Ela sabe o quanto você admira e ama seu pai? Ela tem noção disso? Tá… Eu não quero que você termine com ela - mentira eu quero mas ela também não colabora - Mas eu não quero te ver sofrendo.
- Porque justo ela? - ele me olhou, respirei fundo.
- O coração é meio idiota, tipo eu - ele riu baixo - Mas um dia ele escolhe a pessoa certa.
- O seu não demorou para achar.
- Ah, você que pensa, já aconteceu muita coisa e não sei se você está falando sobre o Lucas ou sobre o Pe Lu - fiz uma careta.
- Pe Lu né.
- Ah tá, desculpa senhor é-óbvio-tudo-o-que-falo - ele riu.
- As coisas já estão lá no quarto - tia Teresa falou, olhamos para ela - Já vou dormir também, boa noite para vocês.
- Boa noite - falamos em uníssono e sorrimos.
- Então vamos, você ainda tem um colchão para enxer! - nos separamos e fomos para o quarto, me joguei na cama e ele começou a enxer o colchão - Não te falei do que o Pe Lu fez né? - continuei olhando para o meu urso ao meu lado.
- Não.
- Então, ele bebeu bastante quando chegamos na casa da Laris - alguém me chamou no rádio, olhei no visor e vi ‘Pe Lu’, olhei para Léo e arregalei os olhos - É ele!
- Sinistro.
- Oi!
- Todos aí em casa estão bem?
- Estão, porque? - respondi sem entender.
- Minha mãe está brava comigo?
- Não, porque? - mais uma vez não entendi bosta nenhuma.
- Então alguém da família morreu?
- Não! O que você está falando? Porque esse monte de perguntas sem noção? Você está bêbado?
- Não, estou com medo - ele com medo.. ele com medo?! É um motivo para ficar preocupada.
- Medo de que?
- Da minha mãe.
- Explica isso!
- Ela me mandou uma mensagem pedindo para eu acordá-la quando chegar em casa porque precisamos ter uma conversa séria - eu e Léo gargalhamos, ele com medo de uma conversa séria? E com a tia Teresa? Só pode ser brincadeira! Ela é uma das pessoas mais calmas e doces que já conheci, a Naira já me disse que é extremamente difícil deixá-la nervosa.
- Ah, não acredito nisso! Sua mãe só quer conversar com você porque eles vão viajar na segunda e não na quarta e você vai ficar responsável por três adolescentes!
- Três adolescentes?
- É, o Léo está aqui porque o pai dele está no hospital.. E você já ia ficar responsável por mim e pela Nai só que você não ia ter que levar a gente na escola, não ia ter que colocar a gente para dormir cedo. Agora você vai ter que ser um papai - dei risada - Aí eu já vou ver se você vai saber cuidar do Pedro Lucas - por mais que eu tenha dito que eu e ele vamos conversar sobre nós só daqui um tempo, é quase impossível não fazermos alguma brincadeira que não tenha nós no meio mas paramos com aquela coisa de ‘eu sou seu e você é meu’ as vezes aquilo deixava um clima.
- Da Patricia e do outro que ainda não tem nome.
- Isso mas o primeiro vai ser o Pedro Lucas, ele vai ser o primeiro coitado - respirei fundo - Você já está voltando?
- Estamos só esperando o Thomas.
- Então eu vou te esperar para poder ver você levar uma bronca da sua mãe! Vai se preparando aí porque ela está muito brava.. Você sabe que é tudo brincadeira né? - as vezes ele me leva tão à sério que eu fico com medo, aliás, todos me levam muito à sério.
- Desconfiei - ouvi um pedaço da risada dele.
- Sei sei, garanto que começou a suar frio aí! Então a gente se vê daqui a pouco.
- Tá bom pequena, te amo - preciso dizer que dei um sorriso bobo?
- Eu também - desliguei e olhei para Léo com cara de idiota - O que foi?
- Eu te amo. Ahhhhhh, eu também - ele tentou imitar minha voz e a do Pe Lu, dei risada.
- Besta - joguei meu urso nele, peguei meu celular e coloquei no twitpic minha foto com o mini Pedro Lucas ‘Eu e Pedro Lucas, meu novo namorado (:’ eu sei que com essa legenda vou deixar muitas fãs achando que é outra coisa antes de abrir a foto, um pouco de emoção não faz mal à ninguém, ah como eu gosto de irritar as pessoas, não importa quem seja, adoro irritar.
- Porque o Lucas também não te chama de pequena?
- Um dia eu falei que só o Pe Lu pode me chamar de pequena - ele arregalou os olhos - Calma! Eu ainda não estava ficando com ele, falei isso quando era só amizade, acho que ele se lembra disso até hoje - dei de ombros, até porque eu não gosto que outras pessoas me chamem de pequena, só o Pe Lu pode. Contei à ele o que aconteceu na casa da Laris e fomos assistir ‘Lua Nova’ com a Nai.
- Patthy, eu quero assistir à algum canal - Léo falou quando passei por todos os canais da tv pela segunda vez sem parar, Naira riu baixo e dei de ombros.
- Quando o Pe Lu está para chegar é sempre assim, ela fica mudando de canal sem parar, as pernas balançando e não sai da sala por nada - é assim mesmo, ainda mais hoje que é a primeira vez que ele volta depois que voltamos a nos falar.
- É o amor - Léo falou, revirei os olhos e joguei o controle na barriga dele que riu baixo.
- Vou ligar para o meu namorado - falei emburrada.
- Às três da manhã? Tem certeza? - Léo perguntou, lancei um olhar de raiva para ele e bufei, se eu ligar para o Lucas agora, é capaz dele me dar um tapa por isso amanhã ou não vai me atender e eu vou ficar brava mas vou ficar brava se eu continuar aqui com esses dois falando bobeirinhas o tempo todo. Senti um frio na barriga que veio acompanhado de um pressentimento bom, acho que Pe Lu está chegando.
- Ele está chegando - falei.
- Hã?
- Como você sabe? - Léo perguntou, cruzou os braços e me lançou um olhar de superioridade, não sei porque disso, foi desnecessário.
- Eu senti - é estranho o que acabei de falar, dei risada.
- Você é louca!
- É a tal conexão - Naira revirou os olhos, fechei a cara.
- Se não quiserem acreditar, problema de vocês! Ele está chegando e ponto final!
- Não está chegando! - Léo falou.
- Está sim - rebati.
- Não.
- Está!
- Não.
- Claro que está e você é muito chato.
- Ele não vai chegar só porque você está sentindo, ele vai chegar porque já está quase na hora e você vai ficar dizendo que é essa conexão aí - tampei meus ouvidos e fechei os olhos como eu fazia quando pequena, começei a cantarolar ‘That’s Just The Way We Roll’ dos Jonas Brothers, as vezes penso nela quando quero me distrair.
- Patthy! - Naira falou depois de puxar meu braço esquerdo com força, abri os olhos e olhei para ela - O Pe Lu - ouvi a porta abrir ou fechar, tanto faz, olhei para Léo e dei um sorriso sarcástico.
- Alguma coisa a dizer, fofurinha?
- Eu te amo - ele fez um coração com as mãos, eu e ele demos risada.
- Se vier me enxer o saco, você vai dormir lá na piscina - falei séria e ele riu - Não estou brincando, dessa vez é para me levar a sério - continuei séria por poucos segundos, acabei rindo, como sempre. Odeio ser tão idiota e rir de tudo! É, não sou idiota, sou uma pessoa com muitos motivos para distribuir sorrisos e alegria para todos ao meu redor, me levantei e olhei para o lado da porta, ele está paradinho perto da parede e do lado da mesa da copa, corri até ele e pulei nele passando minhas pernas por ele como sempre faço, senti seu cheiro de novo, acariciei seu cabelo de novo, o abraçei de novo, coisas que eu não fiz o dia todo, ás vezes não sei como não morri, pura ironia, claro, ou talvez não - Pronto para encarar a mamãe? - ele riu baixo.
- Era mentira, eu não estava com medo - ele falou, gargalhei e voltei a ficar de pé.
- Está bem Pedro Lucas, eu sei que você não estava com medo, aham. É eu estou acreditando nisso. Vai lá falar com ela e depois toma banho logo porque eu estou com sono - começei a andar e o puxei pela mão.
- Mas antes você vai me explicar quem é aquele Pedro Lucas da foto - soltei a mão dele e continuei a andar am direção ao meu quarto - Você ouviu né Patricia? - soltei uma risadinha e estendi o dedão para ele, entrei no quarto e me joguei na cama rindo. Que bonitinho ele bravo e me chamando de Patricia, já disse que eu gosto de irritar as pessoas? Ah tá.
Capítulo 62
- E aí, quem é ele? - senti a cama afundar perto dos meus pés, continuei olhando para o teto.- Sua mãe e banho são mais importantes, nem adianta tentar me fazer falar porque isso não vai acontecer, pode desistir - olhei para ele e sorri, ele fez bico - É sério, sua mãe tem alguma coisa para falar com você - me sentei e passei a mão no cabelo dele - Não pense em entrar no meu quarto com o cheiro das mulheres que dizem ser fãs mas que na verdade são putas querendo dar para vocês - ele riu.
- Uma delas usava o mesmo perfume que você - fiquei séria, o que ele tem na cabeça? Merda? Só pode!
- Você me chamou de puta ou disse que ela tem bom gosto? - cruzei os braços, que idiota, se ele disser que me chamou de puta, ah Pedro Lucas!
- Ela tem bom gosto - ele riu, que vontade de dar um tapa nele, mas não consigo, não dar um tapa forte, daqueles que fica marca, só consigo dar um tapinha que faz cócegas.
- Então porque você não está lá comendo ela? Vai lá, ainda dá tempo!
- Estressadinha - ele me abraçou - Ciumentinha - caimos deitados.
- Sai, você fede! - tentei empurrá-lo mas é claro que ele nem se moveu - Seu gordo! - ele me deu um beijo no pescoço que me deixou inteira arrepiada e levantou.
- Daqui a pouco eu volto sem cheiro de puta - ele sorriu e eu abanei o ar com a mão.
‘segunda de tarde os meninos vem aqui em casa para provarmos as roupas do vmb, se você quiser eu peço pra malena trazer roupas para você!’ Pe Lanza me mandou mensagem, que fofinho, não deixei de soltar um ‘Oun’ depois que li. ‘que isso Pedrinho, não precisa mesmo! segunda marquei de ir no shopping com a tia para procurar minha roupa. só me faz um favor, usa alguma peça de roupa verde? pode ser verde escuro, verde claro, verde limão… sei lá (:’ me deu vontade de pedir isso, quero ter uma marca na roupa de cada um deles, já sei o que vou pedir para Pe Lu, Koba e Thomas.
‘loiro gordo, quero te pedir uma coisa e promete que vai fazer? hahaha’ não sei se Thomas e Pe Lanza vão fazer o que pedi, sou bem amiga deles mas não sei. ‘claaaaro que uso! vou ver alguma coisa bem legal! tem certeza de que não vai querer vir segunda?’ vou me apaixonar por ele desse jeito, brincadeira. ‘tenho sim amor, obrigada messssmo (L)’ ‘iiih, lá vem! haha pode pedir amor’ Thomas mandou ‘usa alguma peça de roupa azul marinho no vmb? *-*’ se todos eles usarem vai ser tão lindo e eu nem vou ficar feliz, imagina! ‘se a malena levar alguma coisa azul marinho bem legal uso sim PRINCESA haha’ Thomas respondeu, como gosta de me irritar me chamando de princesa, odeio quando me chamam assim e ele sabe ‘chato ): haha obrigada gordooo (L)’, chamei Koba no rádio e contei os últimos acontecimentos, na parte do Pe Lu esperei ele entrar no banheiro e ligar o chuveiro para eu me certificar de que ele não ouviria, pedi para Koba usar uma calça roxa no VMB, fui mais específica com ele, e claro que ele concordou em usar a calça. Quando eu estava quase terminando de conversar com Koba, Léo entrou no quarto, sentou na minha cama e ficou ouvindo a conversa.
- Você estava assistindo o que? - perguntei para Léo ao parar de falar com Koba.
- CSI - me sentei e arregalei os olhos.
- Fala sério! Você nem me chamou! - fiz bico.
- Ah, você já deve ter assistido o episódio que passou.
- Hm, sei - bocejei - Se eu não quisesse tanto saber o que a tia falou para o Pe Lu, eu dormiria agora mesmo - mentira, não durmo sem ele e Léo riu - Ok, não dormiria - revirei os olhos.
- Eu pensei sobre a Lisy - balancei a cabeça confirmando em sinal de que estou ouvindo-o - O que aconteceu hoje me deixou chateado, ela sabe que o meu pai é o meu herói, que ele é O cara para mim e ela foi embora, não me ligou até agora.
- Você é sempre sincero comigo, então vou ser com você - respirei fundo - Eu não gostei da Lisy e o que ela fez hoje não me agradou então você tem que pensar direito no que você quer, não só pensar no que aconteceu hoje mas levar isso em conta…
- Não vou mais ficar com ela - ele me interrompeu, fiquei feliz por dentro, essa menina é retardada e eu não gostei mesmo dela.
- Agora você só vai ter alguma coisa séria com a menina que eu deixar, eu vou escolher uma menina legal, que combine com você e que seja bonita, claro - revirei os olhos, ele sorriu e me abraçou.
- Obrigada.
- Pára com isso, não precisa ficar agradeçendo - me afastei dele, peguei meu celular e deitei a cabeça no colo dele.
- Em 21 dezembro de 2012, eu quero receber uma mensagem de texto dizendo: “Se o mundo acabar hoje, eu quero que você saiba que eu te amo” - li o tweet de um twitter de frases, reflexões e etc - Bonito né? - olhei para Léo - Será que eu vou receber uma mensagem assim?
- Se você quiser, eu mando para você - ele falou, ri baixo.
- Não vai valer, você sabe que eu vou estar esperando pela mensagem! - olhei para o teto. Será que o Pe Lu vai me mandar alguma mensagem no dia 21 de dezembro? Eu mandaria mas não essa, mandaria algo tipo ‘Não importa o que aconteça, eu vou continuar te amando’ ou pegaria ‘Sempre com Você’ do Luan Santana e mandaria para ele porque eu penso nele quando ouço, principalmente a parte “Anjo de asas coloridas, amor além da vida” é, sou bem idiotona mesmo. Se bem que ele me manda mensagens todos os dias mas ah, sei lá, pode ser o fim do mundo né.
- Que carinha é essa? - Pe Lu sentou perto de mim, olhei para ele sem entender.
- Não sei - menti, dei de ombros e desviei meu olhar do dele.
- Ela leu no twitter sobre receber uma mensagem no dia 21 de dezembro de 2012 falando que a ama - dei um tapa na perna do Léo, ele riu - E ela quer saber se vai receber alguma mensagem - me sentei e cruzei os braços.
- Acho que quando eu bato na sua perna é para você parar!
- Não precisa ser 21 de dezembro de 2012 para eu te mandar mensagem dizendo que te amo e você sabe - Pe Lu me abraçou de lado, acho tão lindo o fato dele não ter vergonha de dizer essas coisas quando tem outras pessoas perto.
- Olha aí, agora ele vai ficar falando essas coisas fofinhas para mim - encostei minha cabeça no ombro dele e Léo riu, quanto mais ele fala essas coisas mais difícil fica para mim mas o problema é que eu gosto de ouvir tudo isso dele.
- Ou eu fico com você o dia todo, não vou desgrudar de você - sorri ao pensar na possibilidade.
- É uma boa mas vamos mudar de assunto.. como foi o show?
- A galera estava bem animada, foi muito bom e não pensa que eu esqueci do tal Pedro Lucas - dei risada e revirei os olhos.
- Você viu que ele é uma criança? - dei ênfase na última palavra.
- Tá, quem é ele?
- Ele é de lá do clube, conheci porque trombei com ele, ajudei ele a arrumar o brinquedo que caiu no chão e desmontou, descobri que ele chama Pedro Lucas…
- E gamou nele - Pe Lu me interrompeu, eu ri.
- Não, ela se assustou, fez uma cara engraçada - mandei o dedo do meio para Léo que riu - E saiu correndo de perto do menino.
- Não sai correndo! Eu precisava dar risada, eu não ia rir na cara dele, que dó. Imagina ‘Meu nome é Pedro Lucas’ e eu começo a rir feito louca, ele ia achar que eu tenho probleminha.
- E não tem? - Léo falou, ele está tão engraçado, ai que vontade de mandar ele sair do meu quarto, dei um sorriso falso e Pe Lu riu.
- E você não ri, ele vai ficar se achando. Então, depois a gente ficou brincando com o Pedro Lucas e é isso.
- Mas e a foto? - sorri e olhei para ele.
- Você sabe como eu gosto de irritar as pessoas, quantas meninas não ficaram loucas quando leram ‘Pedro Lucas’ e ‘meu novo namorado’ na mesma frase? Eu surtaria só de ler isso! - ele riu.
- É verdade, é verdade.
- Ah, antes que eu me esqueça! Quero que você use uma jaqueta preta no VMB.
- Porque?
- Porque você fica lindo com jaqueta preta e é minha vez de escolher alguma coisa na sua roupa, no Multishow você escolheu a cor da minha roupa. Falei para os meninos vestirem umas coisas, para vocês lembrarem de mim e também vou escolher para você - olhei para Léo.
- E eu vou?
- Claro que vai, seu pai não deve sair essa semana do hospital então você vai!
- Já sabe que roupa vai usar? - Pe Lu me perguntou.
- Não e se soubesse não ia te contar, você e os meninos estão cheios dos segredinhos de novo mas dessa vez estou sabendo que vocês vão segunda na casa do Pedrinho para experimentar as roupas.
- Quem te contou?
- O Pedrinho, ele até me chamou para ir lá e disse que pedia para a Malena levar algumas roupas para mim de novo, um fofo! Só que não vou porque quero manter minha roupa em segredo e os caras da MTV vão estar lá gravando para o Família né?
- Vão e terça tem a reunião para terminar de combinar a externa - ele sorriu empolgado e eu também, primeira vez que fazem uma externa no VMB e escolheram a Restart para tocar.
- Então, não quero aparecer no Família - ele me olhou assustado.
- Porque não?
- Eu sou uma menina muito envergonhada sabe - ele e Léo riram - Não tem graça, isso é um assunto sério. E falando em assunto sério, o que sua mãe falou?
- Se ela quis falar só comigo é porque não te interessa né? - ai ai, faz tempo que eu não faço um teatrinho com o Pe Lu.
- Nossa, sai daqui! - tentei me afastar dele mas ele só me puxou mais para perto e rindo, desisti de tentar sair de perto dele, não vai adiantar nada, olhei para o Léo-retardado-besta-e-idiota que só ri, ele está rindo de tudo, acho que é muita convivência comigo.
- Ela só me disse o que você me falou - ele falou no meu ouvido, estremeci e fechei os olhos, não posso simplesmente dizer ‘Ai que bom, como eu sou demais’ e voltar a sorrir.
- Ah, que legal - falei seca, abri os olhos e fiquei olhando para Léo com cara de tédio.
- Não adianta fingir que não quer saber porque eu sei que você quer - ele encostou o queixo no meu ombro e passou uma mão pela minha cintura, olhei para o teto e fechei os olhos, ah como é difícil continuar com o teatrinho, a respiração dele batendo no meu pescoço, a voz dele, tão única e que tem um poder tão grande sobre mim - Segunda de noite eles vão viajar e eu fico responsável por vocês mas não vou ter que levar nem buscá-los na escola porque ela sabe que eu não vou acordar, ela vai deixar dinheiro para vocês irem e voltarem de táxi, só isso que vai mudar e se você quiser cozinhar eu vou agradecer muito, porque estou cansado de comer em restaurantes, fast-food’s e derivados.
- Hm, vou pensar - continuei falando seca - Pelo jeito só o Léo vai dormir aqui hoje - ele desencostou o queixo do meu ombro e o olhei - Hoje você está folgado demais. Chegou e falou que a puta usava o mesmo perfume que eu, agora fala que não me interessa - balançei a cabeça confirmando e arqueei as sombrancelhas mas logo olhei para minhas unhas, é o que faço quando nada melhor para fazer, eu ficaria olhando para o Pe Lu e admirando cada traço de seu rosto como uma boba apaixonada mas estou ‘brava’ com ele e eu sempre me perco nos olhos ou no sorriso dele, a última coisa que eu preciso agora é perder a concentração.
- Patthy - ele falou e encostou o nariz em minha bochecha, foco nas unhas! - Era só para te irritar.
- Parabéns, você conseguiu! Estou irritada - olhei para Léo, ele rolou os olhos e negou com a cabeça.
- Mas não era para se irritar tanto. Desculpa - não era para chegar nesse ponto, que dó que estou dele e eu sou uma monstra! Olhei para ele.
- Porque eu não consigo ficar irritada com você por muito tempo?! - nós sorrimos e eu o abraçei, seria lindo se eu tivesse dito ‘Você se importa se eu disser que eu não estava brava, que era só um teatrinho?’ capaz do anjinho virar uma fera! Encostei minha cabeça na curva do pescoço dele e senti seu cheiro de novo, fechei os olhos - Que horas são?
- Quase três - Léo falou e abri os olhos, já quase três?!
- É melhor dormimos, amanhã a gente levanta cedo para ir pro hospital - falei, Léo assentiu, me desencostei do Pe Lu e abraçei Léo - Boa noite.
- Tem certeza que vocês não querem que eu durma para lá?
- Porque? - Pe Lu perguntou.
- Para não atrapalhar vocês - nós rimos.
- Porque todo mundo pensa que eu e você fazemos de tudo menos dormir e conversar? - olhei para Pe Lu.
- Não sou só eu que acho então tem alguma coisa - ele falou.
- Cala a boca! Vocês tem a mente maliciosa e a culpa é nossa? - Léo assentiu rindo - Boa noite - abanei a mão, ele se levantou e apagou a luz do quarto, acendi o abajur do meu lado.
- Boa noite e não se preocupem, eu tenho sono bem pesado - neguei com a cabeça e revirei os olhos, Pe Lu riu.
- Que horas vocês vão para o hospital? - Pe Lu perguntou ao se deitar.
- Não sei, bom, a cirurgia vai ser amanhã de manhã - dei de ombros e me deitei de frente para ele.
- O que aconteceu com ele?
- Dã, é mesmo, não te contei - fiz uma careta - Ele estava jogando futebol e forçou demais a perna..
- Velho teimoso, não esquece! - Léo falou, ri baixo.
- É, e como ele é um velho teimoso, forçou a perna para correr e aí deu problema no joelho, vão fazer a cirurgia amanhã de manhã, assim que o médico voltar da conferência no Rio.
- Não é tão grave?
- É mas o médico chega amanhã e o Alexandre se acostumou com a dor, não reclama mais, eu achei isso um absurdo! Como alguém se acostuma com a dor? Me diz!
- Disseram que é normal, quando dói por muito tempo, tem uma hora que você nem sente mais - Léo falou.
- É tipo a saudade, no começo você chora, pensa que vai morrer sem a pessoa e o coração dói, parece que vai sumir de tão pequeno que fica, depois você se acostuma com essa dor no coração - Pe Lu falou, encarei seus olhos e os dias que eu chorava de saudades dele deitada na minha cama lá em Campinas vieram na minha cabeça, era uma saudade estranha, saudade do que eu nunca tive, depois que eu o abraçei lá na TVB o choro passou a ter um sentido, eu chorava sentindo falta do abraço, do beijo, da voz, do sorriso, dos olhos, do toque, do carinho e atenção que ele teve comigo e os dias que chorei quando estava brigada com Pe Lu, como eu senti falta dele, como eu queria ter ele do meu lado para poder contar como foi meu dia, saber como foi o dele, falar bobeiras, fazer brincadeiras bobas. Nesse último ano a pessoa que eu mais senti saudade foi do Pe Lu e também foi por ele que mais chorei.
- Então eu com certeza ia demorar bastante para me acostumar com a dor, ia ficar gritando até - o dia em que Pe Lu apareceu no hospital e me acordou veio na cabeça - Até você chegar - ele sorriu.
- Prometo que da próxima vez não vou demorar tanto para chegar - como sempre, dei um sorriso completamente idiota, passei um braço pelo pescoço dele e encostei meu nariz em seu pescoço.
- Não esquece de sonhar comigo! - sussurei.
- Você também - ele passou um braço pela minha cintura e me puxou para perto - Eu te amo pequena - ele sussurou, me arrepiei toda e as borboletas no meu estômago fizeram a festa e é claro que sorri.
- Eu também te amo bebê.
Capítulo 63
- Patthy… Patthy - ouvi a voz feminina me chamar longe e uns leves cutucões no braço. Abri os olhos lentamente e com bastante dificuldade, sorri para tia Teresa - Bom dia, hora de levantar para ir ao hospital - ela falou.- Ah sim - minha voz saiu embargada, bocejei e coçei os olhos, levei um tempo até sair da cama sem acordar Pe Lu, peguei uma roupa de frio já que o tempo virou, fui para o banheiro, fiz minha higiene matinal, troquei de roupa e voltei para o quarto, acordei Léo que foi para o banheiro enquanto fiquei pegando minhas coisas com a luz do celular.
- Bom dia - Pe Lu falou e começou a se espreguiçar, dei um pulo de susto.
- Bom dia, fiz muito barulho? - voltei a procurar minha manteiga de cacau dentro do guarda roupa, não sei aonde deixei.
- Não, só acordei porque não senti você do meu lado - ele acendeu o abajur, olhei para ele que fez biquinho e eu o imitei - Que horas são? - ele coçou os olhos, olhei no celular.
- Quase dez - ele se levantou.
- Vou com vocês!
- No hospital? - perguntei ao abraçá-lo.
- É.
- Fazer o que lá? É para visitar o Alexandre - nós rimos, ele me olhou e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
- Quero ficar com você - um ‘Oun’ saiu automaticamente, o abraçei de novo e dei um beijo em seu pescoço - Sabe o que eu lembrei? - ele falou depois de um tempo.
- O que? - olhei para ele.
- Temos que ir visitar a Maria Eduarda, a sobrinha do Pedrinho.
- Nossa é mesmo!
- O Pedrinho está puto porque a gente ainda não conhece ela.
- E o tempo, cadê? - ele riu.
- É verdade, cadê?
- Mas você já vai vê-la amanhã quando você for ver a roupa.
- Vai ser a última a conhecer a Duda, que desnaturada - ele soltou uma risadinha, fechei a cara e ele parou - Eu vejo que dia eu posso te levar lá - sorri animada, o tanto que ouvi falar da Maria Eduarda não é brincadeira.
- Vou ver algum presente para ela amanhã, adoro ver coisas de bebê, é tudo tão bonitinho. Dá vontade de comprar tudo!
- Eu já estou até vendo você trocando a roupa do Pedro Lucas a cada dois minutos! - nós rimos.
- Vai se arrumar e põe agasalho porque está frio lá fora - ele sorriu.
- Pode deixar - ele deu um beijo na ponta do meu nariz e saiu, aproveitei e acendi a luz do quarto, revirei algumas bolsas e gavetas mas não achei minha manteiga de cacau, odeio sair sem ela quando está frio, peguei meu lápis de olho, fui até o espelho e começei a passar. Quando foi a última vez que usei? Faz um tempinho que não faz frio, Paraná! Levei para o Paraná, terminei de passar o lápis, joguei na cama e fui até o quarto do Pe Lu, bati na porta - Entra! - ele falou, abri a porta, entrei e ele sorriu ao me ver, acho que morri e estou no céu, Pedro Lucas sem camisa, essa tatuagem dele, o corpo, ah como é difícil! Acho que se ele fosse feio ia ser muito mais fácil só que ele tem que ser lindo, charmoso e tão atraente. Balancei a cabeça para recuperar o foco.
- Minha manteiga de cacau está com você?
- Quê? - ele me olhou como se eu tivesse falado em outra língua.
- Cadê sua mochila?
- Na sala - assenti com a cabeça e me virei, preciso sair desse quarto logo - Espera! - fechei os olhos e respirei fundo - Nós já vamos para sala e tomamos café, minha mãe já veio aqui avisar.
- Ok - coçei a nuca e me deitei na cama dele, não pude deixar de olhá-lo.
Poucos minutos depois fomos para a sala, encontrei minha manteiga de cacau ainda na mochila do Pe Lu, tomamos café e eu, tio Cesar, Léo e Pe Lu fomos para o hospital. O médico tinha acabado de começar a cirurgia quando chegamos e insisti com Pe Lu para ele ir dormir no carro porque ele tem show hoje e com certeza está com sono, no final eu tive que ir com ele se não ele não ia, sentei no banco de trás e ele deitou a cabeça em meu colo, usei uma almofada que achei no porta mala para apoiar minha cabeça e dormi também, é claro que pedi para nos ligarem assim que tivessem alguma notícia.
- Fala pai - ouvi Pe Lu falar após ouvir uma música tocar por um tempo, abri os olhos e respirei fundo - Tá - e desligou, rápido assim?
- O que foi?
- Vamos, já estão levando-o para o quarto e ele está acordado porque deram anestesia só na perna.
- Credo, ele ainda ficou consciente o tempo todo? Vendo médicos em volta? Eu ficaria aflita, eu não combino com hospital!
- Percebi, você ficou estranha quando estávamos lá dentro.
- Eu passo mal, não sei o que acontece comigo, eu fico com tontura, ânsia e as vezes falta de ar - ele sentou e me olhou com preocupação.
- Porque?
- Não sei - dei de ombros - Não gosto daquelas paredes brancas e do silêncio, algumas cores e um pouco de barulho fazem bem! - ele riu.
- Você não precisava vir.
- Não posso deixar o Léo, ontem uma das poucas meninas que ele se interessou o deixou com o pai machucado, ele ficou triste e eu sou uma das pessoas que ele mais confia, realmente não posso deixá-lo - ele sorriu e começou a acariciar minha bochecha com o polegar, fechei os olhos e sorri.
- Você não existe mesmo né?
- Só não posso deixar as pessoas que eu amo de lado quando eu posso fazer alguma coisa por eles - abri os olhos lentamente e respirei fundo - Vamos? - ele desceu a mão para meu pescoço e parou.
- Você vai entrar mesmo?
- Vou.
- Fica até quando der, nada de ficar passando mal - tirei sua mão de meu pescoço e a beijei.
- Pode deixar - sorri, abri a porta do carro e sai, o vento forte fez meu cabelo voar, fechei os olhos e estremeci com o frio - De onde saiu esse vento? Credo! - Pe Lu saiu do carro e também fechou os olhos, tentei abrir os meus mas só consegui um pouco, coloquei um braço um pouco a frente dos olhos e Pe Lu fez o mesmo.
- Nossa! - ele fechou a porta do carro e travou, andamos contra o vento no estacionamento do hospital e quando passamos pela porta automática de vidro senti um alívio por não ter mais aquele vento. Fomos até a sala de espera e encontramos tio Cesar com a tia do Léo, sentados assistindo à um filme.
- Ele já está no quarto - tio Cesar falou ao nos aproximarmos, sorri fraco - Daqui a pouco vocês podem entrar - olhei para Pe Lu, ele arqueou as sombrancelhas, balançou a cabeça negando e levantou os ombros, ele não se importa em entrar e tio Cesar não sabe de nada, então ele pensa que eu gosto do Alexandre.
- Tá né - eu e Pe Lu nos sentamos em umas cadeiras mais afastadas já que a sala de espera está cheia, que frio que está nesse hospital!
- Você está bem? - ele perguntou o sentarmos e segurou minha mão.
- Estou sim, nos primeiros minutos eu fico normal, se é que eu sou normal - sorri e ele riu baixo, encostei minha cabeça no ombro dele que pegou minha outra mão e deixou entre as mãos dele, sorte que ele percebeu que estou com frio.
- É Patthy, você não é muito normal não.
- Muito menos você, pessoas que gostam de mim não são normais.. Hoje tem show aonde?
- Fernandópolis.
- Que horas vocês vão?
- Daqui duas horas.
- Er, que horas são?
- Uma da tarde, mas e o Lucas?
- Ele foi para a casa da avó em Indaiatuba ontem e acabou dormindo por lá, volta hoje de noite - respirei fundo e meu estômago começou a mudar - O Koba podia dormir lá em casa enquanto seus pais estiverem viajando, vai ser legal, todos que sabem tudo sobre mim.
- E o Willy?
- Ah bem lembrado né, mas ele só não sabe toda a parte que eu e você…
- Esquece, esquece, esquece o que eu falei! - ele riu - Eu falo com ele, se ele topar.. Já aviso que ele vai ficar só dormindo.
- Não vai não, eu vou ficar conversando com ele e a hora que ele dormir, pulo em cima dele - nós rimos, tio Cesar se levantou e nós também, Pe Lu passou o braço pelo meu ombro e coloquei minhas mãos no bolso do meu agasalho - Mas e para ele dormir? - começamos a andar.
- Ele só precisa de uma televisão e desenho animado - ele riu.
- Sala - falamos em uníssono, que dó do Koba, dormir na sala?
- Podem ir - tio Cesar falou, Pe Lu olhou para mim como perguntando se estou bem, sorri e assenti com a cabeça. Tio Cesar abriu a porta do quarto e entramos, umas pessoas saíram do quarto, restando apenas Léo, olhei para Alexandre e vi sua perna toda enfaixada, senti ânsia ao pensar na cirurgia, em como deve ter sido e como deve estar por debaixo das faixas, respirei fundo para fazer passar, quarto todo branco e o cheiro de medicamentos, alcool e o próprio cheiro que hospital tem só pioraram as coisas, minhas mãos começaram a suar, ah como detesto hospital!
- Olha quem está aqui - Alexandre falou com um sorriso cínico, dei um sorriso falso e arqueei as sombrancelhas.
- Pois é - minha voz saiu fraca e paramos um pouco longe da cama.
- Como você está? - Pe Lu perguntou para Alexandre e me abraçou por trás.
- Depois da cirurgia fiquei bem melhor.
- Você se acostumou com a dor? - perguntei ainda com a voz fraca, eu precisava perguntar isso!
- Sim - engoli seco, eu precisava ouvir da boca da pessoa e mesmo assim não acredito, eu ficaria gritando na orelha do Pe Lu ou desmaiaria de tanta dor, senti uma tontura que se eu não estivesse com metade do meu peso no Pe Lu teria caído - Para quem não se importa comigo, você está bem preocupada - ele disse naquele tom debochado de sempre.
Capítulo 64
- Tanto faz - coloquei uma mão na testa - Pe Lu - quase gemi o nome dele e antes que eu terminasse de falar ele me levou para fora do quarto.
- O que aconteceu? - tio Cesar apareceu e Pe Lu continuou a me levar.
- Ela precisa de ar - as coisas em volta estão balançando.
- Mas nós estamos em um hospital.
- O problema é o hospital pai, ela passa mal - parei de andar, acho que vou vomitar e não consigo falar nada, não tenho força para abrir a minha boca - O que foi? - levantei uma mão para ele esperar, respirei fundo algumas vezes e a vontade passou, voltei a andar.
- Leva ela para outro lugar, você está com a chave do carro né? Depois me liga - a porta da entrada do hospital se abriu e aquele vento bateu em mim, me senti melhor, por mais que o vento esteja muito forte, a ânsia passou e respirei um pouco aliviada.
- Patthy, fala comigo, por favor! - olhei para ele e vi um Pedro Lucas que eu nunca vi, um Pedro Lucas angustiado, meu coração apertou e me obriguei a abrir a boca para dizer alguma coisa à ele.
- Estou - falei baixo e respirei fundo - Melhorando.
- Eu nunca mais vou deixar você entrar em um hospital a não ser que você esteje mal, só você! - me encostei no carro do tio Cesar, olhei para Pe Lu e ele me abraçou, é o que eu preciso, um abraço dele, do cheiro dele, apenas dele. Fechei os olhos e a tontura começou a passar, o vento no meu rosto e o cheiro do Pe Lu me invadindo e praticamente me dopando. Permanecemos ali, abraçados e em silêncio, acho que ele permaneceria ali o tempo que precisasse, o tempo que eu quisesse ficar abraçada com ele.
- Pronto - falei depois de algum tempo, não sei quanto, ele me olhou e colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.
- Você está melhor?
- A tontura e a ânsia passaram - minha voz ainda está saindo fraca e ele segurou meu rosto com as mãos.
- Eu vou te levar daqui, fala algum lugar para nós irmos.
- Shopping! - ele arregalou os olhos e eu ri - Brincadeira! Eu sei que você ia causar demais no shopping. Quero Starbucks.
- Você aproveita e come alguma coisa - ele destravou o carro, abriu a porta e eu entrei.
- Mas…
- Você está pálida! - ele me interrompeu e fechou a porta antes que eu dissesse alguma coisa.
- Nem vi o Léo direito, ele está bem? - perguntei logo que Pe Lu entrou no carro.
- Está ué, porque não estaria?
- Ah, sei lá, ver o pai daquele jeito, ele pode ter ficado meio triste. Eu não deveria ter olhado na perna enfaixada do Alexandre, começei a pensar em como deve ter sido a cirurgia e aí já era! Desculpa, te deixei preocupado - ele segurou minhas mãos.
- O que importa é que eu estava lá para te ajudar, estou aqui te levando para longe do pesadelo e vou estar com você nas próximas duas horas - meu sorriso foi aumentando conforme ele foi falando, o abraçei e dei um beijo demorado em sua bochecha sendo que minha vontade não é na bochecha mas eu tenho namorado que por sinal está sumido. Ele ligou o carro e começou a dirigir.
- Sabe, eu preciso ir em outro show com vocês, eu adorei as fotos que a Bru tirou, primeira vez que gostei de fotos espontâneas minhas! E eu quero uma outra coisa! - ele riu.
- O que você quer?
- Ir em um show do Jorge e Mateus, sou capaz de chorar quando ouvir ‘Ai Já Era’ ao vivo!
- Um dia quando coincidir de eu estar de folga e ter um show deles, eu te levo! Você chora ouvindo todas as músicas? - ele deu uma risadinha, não gostei.
- Só com as que tem letras bonitas, por exemplo, ‘As Cores’ eu choro todas as vezes que ouço, é linda demais! Eu não duvidei do amor! - ele riu negando com a cabeça.
- Tenho que te falar uma coisa - ele falou tão animado que me deixou animada também.
- O quê? - perguntei feito criança quando a mãe chega do mercado e diz ‘Adivinha o que eu trouxe?’ e a criança está esperando por muitos doces e etc.
- Restart vai para Uruguai e Argentina! - ele sorriu e olhou para mim, abri a boca. Não, ele não pode ir, não quero!
- Sério? Quando? - tentei parecer feliz, não sei se consegui.
- Não tem uma data certa mas vai ser em novembro.
- Nossa, é difícil de acreditar - talvez isso vá disfarçar a minha cara de nada que devo estar fazendo. A coisa que eu mais temia aconteceu, eu nunca quis que eles fossem tão famosos assim e agora o Pedro Lucas vai para lá, vai conhecer as argentinas loiras, de olhos claros e bonitas e eu fico como? Que saco! É um ciúmes infantil mas é o Pedro Lucas! Não dá para confiar muito ainda mais eu que sei do histórico dele que o Willy me contou, fui perguntando como quem não quer nada, disse que era para ficar por dentro de alguns assuntos que falavam em casa ou até mesmo entre o pessoal, ele acreditou e me contou muita coisa, por isso que tenho um pé atrás com ele.
- Eles pediram para não contar à ninguém até acertarmos tudo, isso só está entre eu, os meninos e os produtores.
- Hmm, me senti agora - sorri e olhei para ele de novo, aquele sorrisão ainda está em seu rosto. Como eu sou idiota e egoísta, é o que ele mais quer, levar a música dele para todos os lugares, tocar o coração das pessoas e eu me importando só comigo, o Koba, o Thomas e o Pedrinho devem esta tão felizes, que se fodam as argentinas, que se foda se elas forem bonitas, agora o que importa é a felicidade deles e se eles tem capacidade de chegar até lá e conquistar fãs, porque não ir?
- Dependendo do dia que nós vamos, você pode ir com a gente! O que você acha? - abri um sorriso gigante, ele parou o carro e saímos, o vento bagunçou todo meu cabelo de novo, fechei um pouco os olhos e corremos até a porta da Starbucks.
- Não sei, a gente pode ver - ele abriu a porta e segurou para eu entrar, entrei e ele veio atrás - Aliás, tenho que ver com os meus pais né, por mais que eles não tenham se importado quando fui pro Paraná e pro Rio com você, Uruguai e Argentina são outros países, é diferente.
- É verdade mas a gente dá um jeito deles deixarem! - nós rimos e olhei em volta, tem poucas pessoas e algumas meninas cochichando, faz tempo que eu não saio com ele e fãs vem tirar fotos porque saimos de noite e as fãs geralmente estão em suas casas, dormindo.
- Acho que temos fãs por aqui - sussurei para ele - Juro que estava com saudades disso, é tão legal - olhei para as meninas e elas estão vindo, com câmeras na mão, arrumando o cabelo e dando uns ataques estranhos. Bufei e olhei para o painel, sempre fico lendo o nome das bebidas mesmo já sabendo o que vou pedir, como agora.
- Pe Lu? - ouvi a menina dizer, não sei porque me deu vontade de rir.
- Oi amor! - odeio quando ele chama as fãs de amor, olhei para ele e cruzei os braços, voltei a olhar o painel - Tudo bem com vocês?
- Tudo - elas disseram em uníssono.
- Tira uma foto com a gente? - uma perguntou e eu já virei porque eu sempre tiro as fotos.
- Claro - ele olhou para mim - Patthy, tira para nós? - olhei para as meninas e sorri, elas são tão inocentes de perto.
- Tiro! - falei animada e peguei a câmera de uma que agarrou no Pe Lu.
- Ai espera! - uma delas falou quando eu estava para apertar o botão, olhei para ela que saiu correndo e foi do outro lado do Pe Lu, ri baixo.
- Agora pode? - perguntei, elas confirmaram e eu tirei a foto.
- Quinta vai dar tudo certo e vocês vão ganhar todos os prêmios! - a dona da câmera falou para ele e eu entreguei a câmera na mão dela.
- Será que a gente ganha tudo? - Pe Lu falou, como é idiota e egocêntrico, quer ficar ouvindo a menina dizer que ele vai ganhar tudo, que ele é lindo e blá blá blá.
- Ah ganham sim! Eu votei muito!
- Se você ajudou então vamos ganhar! - ele sorriu e eu juro que vi a menina se derreter e cair desmaiada no chão.
- Vão ganhar sim! Você que é a Patthy, a menina que está morando na casa do Pe Lu? - ela perguntou para mim.
- Sim, sou eu!
- Nossa, achei que você fosse metida mas nem é - juro que ela me deixou sem graça.
- Ah que bom, obrigada!
- Já vou então, obrigada! - ela falou e acenou, sorrimos e ela foi junto das amigas que por sinal saíram correndo sem nem falar tchau.
- Sou fofa! - falei e ele riu - Fazia tempo que eu não via fãs civilizadas. Tá, o que você vai tomar?
- Não sei, o que você vai tomar?
- Chocolate quente.
- E para comer? - fiz uma careta.
- Nada - nos olhamos e sorrimos - McDonalds! - ele gargalhou.
- Quero um chocolate quente e - ele parou - Um não, dois!
- Qual tamanho? - ele olhou para mim.
- Tall? - ele perguntou, assenti com a cabeça - Os dois tall.
- Quais os nomes? - antes que ele abrisse a boca, encostei em seu braço.
- Jamie e Landon - me segurei para não rir, bom, o Pe Lu começou a rir muito. Eu sempre quis colocar outro nome no copo e nada melhor do que Landon e Jamie! Puxei o senhor riso solto para o outro balcão e fui contagiada pela risada dele, e acho que a atendente nunca assistiu ‘Um Amor para Recordar’ porque se tivesse visto teria dado risada ou algo, ela apenas assentiu e anotou - Gostou dos nomes né?
- Gostei mas.. porque? - passei meu braço pelo dele e me encostei nele.
- Ah, me deu vontade ué. Qualquer dia desses eu falo que meu nome é Miley, Miley Cyrus ou De… - me lembrei que ele gosta da Demi - Ah não, Demi Lovato não, pode ser Vanessa Hudgens. Já me disseram que eu pareço com as três acredita?
- Acredito, o branco do olho de vocês quatro devem ser iguais!
- Você é tão inteligente! - bagunçei o cabelo dele.
- Quando a gente estava no carro eu pensei em comprar um apartamento para mim - olhei para ele assustada, ele não pode fazer isso! - A princípio não é para eu morar, é para eu ter um imóvel no meu nome, como se fosse uma garantia, por exemplo, daqui algum tempo a banda não ganha mais como hoje em dia, eu tenho o apartamento, posso alugar..
- Investimento? - falei, ele sorriu e passou a mão pelo meu cabelo.
- Landon e Jamie - nos seguramos para não rir e pegamos as bebidas.
- Obrigada - falamos e começamos a andar.
- Isso, só como investimento. Não saio da casa dos meus pais até o final do ano que vem! - sorri.
- Bom mesmo e se você saísse, eu ia morar com você.
- Então vamos!
- Não posso! Eu tenho que continuar na casa dos seus pais até eu terminar o colegial e outra, você acha que meus pais iam me deixar morar com você? É claro, até porque isso acontece só no seu sonho né.
- Podia ser verdade né? - olhei o céu pela porta de vidro e respirei fundo.
- Daqui um tempo quem sabe? E isso não acontece só no seu sonho, no meu também acontece - olhei para ele, sorrimos e ele deu um beijo em minha testa, enfrentamos o vento frio de novo e entrei no carro rápido. Fomos para o McDonalds, comemos, passamos no hospital para pegarmos tio Cesar e Léo e fomos para casa, Pe Lu colocou uma troca de roupa em sua mochila e foi para o show.
Capítulo 64
Passei a tarde convencendo Léo de que o pai dele fez o certo não deixando que ele ficasse no hospital, Alexandre disse que Léo não tem que ficar lá no hospital com ele, perdendo tempo sendo que ele já está bem, que o pior passou e que Léo estava com ele quando mais precisou, acho que é verdade em partes, não tem muito o que fazer no hospital mas Alexandre é o grande e maior exemplo para Léo, exemplo em todos os sentidos.Segunda finalmente encontrei com Lucas, como eu senti a falta dele, engraçado que eu só percebo que senti falta da pessoa quando encontro com ela, enfim, falei para ele ir ao VMB comigo e com o Léo porque tem um ingresso sobrando, ele disse que não quer ir no VMB e nem sexta no NoCapricho, então decidi passar o sábado e o domingo com ele, fazer os programas dele que são ficar em casa, assistir algum filme em casa, jantar em casa, tudo em casa, as vezes é bom ficar quietinha com meu namorado. Saímos da escola e fomos direto para o shopping, Lucas foi junto e eu adorei, escolhi uma roupa para o Léo, calça branca, camiseta preta com desenhos em branco e uma jaqueta verde escuro, tênis é o que o Pe Lu mais tem e pegar emprestado não é problema nenhum. Naira pegou um vestido vermelho de alça larguinho, pouco acima do joelho, mudei minha ideia de vestido quando vi um lilás tomara que caia todo enrugadinho e curto, só para variar, não pensei duas vezes e o escolhi, estou tendo um sério caso de amor com vestidos curtos, colados e tomara que caia, preciso parar com isso mas fazer o que se eles são lindos? É claro que o fato do Lucas ter gostado do vestido ajudou na minha decisão, ele disse ‘Até que não é tão curto’ engraçadinho demais. Comprei um presente para a sobrinha do Pe Lanza, a Maria Eduarda, na verdade foram dois, uma camisetinha com o símbolo do Corinthians escrito ‘sou do titio Pedrinho’ acho rídicula essas camisetas mas sei lá, e um conjuntinho que achei lindo.
Pe Lu não viu a Maria Eduarda, dei risada na cara dele por ele ter me zuado mais cedo e falou que os meninos escolheram as roupas como pedi, minha ansiedade para ver a roupa deles só aumentou, é claro. Tia Teresa e tio Cesar saíram as 22h, foram de táxi para o aeroporto, só voltam dia 26 de Brasília, até lá a gente se vira com táxi e pedindo carona para o pessoal, confesso que estou animada com toda essa independência e a Naira também, é a primeira vez que ela fica em casa porque até então ela ficava na casa de alguma das amigas mas como estou aqui, como sou uma menina muito responsável -cof cof- ela vai ficar em casa comigo e com o Léo, é claro.
Foi uma bagunça terça de manhã, os quatro correndo pela casa feito baratas tontas, todos se arrumando rápido e eu mais rápido para ver alguma coisa para tomarmos de café, é para cada um ver o seu mas sei lá, eu coloquei a responsabilidade de cuidar da casa em mim e agora eu fico feito louca. Pe Lu insistiu em nos levar para a escola, pelo menos hoje que ficamos bem perdidos, aproveitei e pedi para ele comprar uns salgados e sucos na padaria para comermos de tarde e amanha no café da manhã, os três ficaram me chamando de mamãe, mas se eu não estivesse organizando tudo, seria uma catástrofe, em três dias morreríamos de fome, brincadeira, mas estaríamos bem perdidos. Naira foi para a casa de uma amiga direto da escola, Heitor foi com Léo até o hospital e eu voltei para casa com o Pe Lu, passamos em uma churrascaria que ele jurou ser a melhor e compramos marmitex porque a churrascaria estava cheia, com certeza tinha alguma fã lá dentro e em hora de saída da escola é horrível eles irem em algum lugar público, as fãs chegam rápido por já estarem na rua ou voltando para a casa ou indo para a escola, estou começando a entender todos os esquemas de ser famoso. Ele foi para a tão esperada reunião sobre a externa do VMB e disse que vamos à casa do Pe Lanza quando voltarem da reunião, Léo vai junto, Naira vai dormir na amiga e talvez o Koba vá com a gente ver a Duda e depois venha dormir em casa!
Passei umas horas convencendo Léo o a usar um tênis ‘colorido’ do Pe Lu e no final pegamos um tênis cano alto preto mesmo, ele vai no melhor estilo Di Ferrero, eu gosto das roupas dele e sempre quis vestir algum amigo no mesmo estilo. Fiz Léo vestir uma calça vermelha e camiseta azul do Pe Lu e deixei o tênis ser branco, ele ficou muito engraçado, ri demais, eu nunca tinha imaginado o Léo com roupa colorida, ele ficou com cara de retardado quando começei a rir mas depois que se olhou no espelho riu também, é claro que tirei foto e coloquei para todos verem a minha arte. ‘o xuxu agora é da familia restart!’
_patthy @nahcardoso a gente tem que marcar de você vir aqui em casa pra fazermos a festa hahaa
O problema de marcar com a Ná é que o Pe Lu não pode estar aqui, ou seja, final de semana mas nesse não porque vou estar com o Lucas, provavelmente o Pe Lu vai pedir para o Willy dormir aqui quando ele for viajar, e o medo que ele tem do Lucas vir dormir aqui?! O único dia que a Ná vai poder vir é sabado da semana que vem.
@nahcardoso @_patthy vamos simm! vou no shopping amanhã, vamos?
_patthy @nahcardoso dependendo da hora, vamos sim (:
@nahcardoso @_patthy já te bipo.
_patthy daqui a pouco vou conhecer a pequenina do @pelanzarestart, até que enfim haha
pelanzarestart @_patthy até que enfim mesmo! hahahahaha =] você e o @pelurestart são foda né
- Posso tirar essa roupa? - Léo perguntou depois de se recuperar das risadas, olhei para ele e ri de novo.
- Pode né, aliás, pode ir tomar banho, eles já devem estar para sair da MTV.
- Sim mamãe - ele bateu continência, mostrei a língua e ele saiu.
_patthy @pelanzarestart ahh eu sou, ele eu não tenho certeza, já estão saindo?
pelanzarestart @_patthy já e vocês vão jantar em casa hein!
_patthy @pelanzarestart tá bom tioooo! AHUAHUAH
- Oi chatinha! - atendi o rádio, é a Ná.
- E aí gata, quer sair comigo amanhã? - dei risada.
- Claro porque não, sedução?
- Eu não gostei nada desse ‘dependendo da hora, vamos sim’ que negócio é esse?
- Minha agenda é cheia ok? - eu ri - No final da tarde vou no ensaio dos meninos pro VMB, se você for de tarde, eu posso ir com você, entendeu?
- Ahh, eu vou de tarde mesmo, lá pelas duas eu passo na sua casa, pode ser?
- Pode, mas me conta como foi o final de semana! - ela contou como foi animado o final de semana dela e eu contei o drama que foi o meu, me segurei para não comentar sobre o que o Pe Lu falou na sexta, quero perguntar quando estiver com ela para ver sua reação.
Quando Léo saiu do banho desliguei o rádio, tomei banho e Pe Lu não demorou para chegar, também tomou banho e fomos para a casa do Pe Lanza que amou a camiseta e a Mi achou a roupinha a coisa mais fofa, por também achar que nenéns ficam lindos usando saia com fralda, é engraçadinho. A Maria Eduarda é linda, gordinha, fofinha, entendi porque o Pedrinho baba tanto quando fala dela e Koba chegou um pouco depois de nós.
Peguei Duda no colo, é claro que eu ia fazer isso, crianças são tão fofas e Pe Lu ficou ao meu lado, me olhando então perguntei se ele queria segurá-la, ele disse que tinha medo porque ela é muito pequena, insisti e fiz com que ele aceitasse segurá-la, coloquei-a nos braços dele e a cena foi a coisa mais linda de se ver, até então toda a ideia dos meus, ou melhor, nossos filhos era um pouco vaga na minha cabeça, a partir do momento em que eu o vi segurando a Duda, essa ideia tomou vida, ele todo cuidadoso e falando alguma coisa para ela que obviamente não entendeu nada, só ficou olhando para ele, devo ter ficado com cara de retardada mas pouco me importa. Durante a janta, Duda começou a chorar, eu fui vê-la porque todos ainda estavam jantando, as vezes odeio o fato de comer pouco ou comer rápido demais, uns dizem que como pouco e outros dizem que como rápido então, sei lá e também não me interessa muito saber isso, Duda estava assistindo à um filme da Barbie, entendi porque ela começou a chorar, Barbie é chato, nunca gostei dos filmes dela, enfim, coloquei um dvd dos Backyardigans que é mais bonitinho do que Barbie, o Pablo sempre me faz rir com os ataques dele, fiquei assistindo com Duda no colo, um tempinho depois ela dormiu, Mi e Leni me agradeceram um milhão de vezes, disseram que é difícil fazê-la dormir esse horário e etc, levei-a até o quarto com a ajuda de Pe Lu, não que ela seja pesada, ela tem apenas 2 meses e é leve mas é que levantar com uma criança pequena no colo dá medo, meu queixo foi para o chão quando vi o tanto de bichinhos de pelúcia tem no quarto, quando dizem que o Pe Lanza é o preferido eu não acreditava, tem um quarto lá em casa só com ursos que o Pe Lu ganhou, nunca quis entrar lá mas a Nai me disse que tem um armário grande cheio, imagino que não sejam tantos como aqui. A Duda nunca vai poder dizer que não teve tantos bichinhos de pelúcia, ela é a criança que eu conheco que tem mais bichinhos de pelúcia mas eu também não posso falar muito, sempre tive vários, minha mãe queria doar meu bichinhos e eu não deixava até que eu cresci e deixei ela doar a maior parte e o urso que eu mais gostava dei para o Pe Lu, agora praticamente o tenho de novo. Coloquei-a no berço e Leni puxou a cordinha de um ursinho que começou a tocar uma música, crianças são tão fofas, não entendo como algumas pessoas conseguem maltratas crianças. Senti uma leve corrente de vento no quarto, fui até a janela e fechei-a direito, me virei e vi Pe Lu encostado no berço olhando Duda, fui até o berço e a cobri, passei o dedo indicador pela bochecha dela que deu um leve sorriso e segurou meu dedo, ela já fez isso antes, segurou meu dedo e não soltou, olhei para Pe Lu, ele sorriu, passou os braços por mim e encostou o queixo em meu ombro, ele sabe que vou levar um tempo até conseguir tirar o dedo da mão dela sem que ela acorde.
Pouco antes das onze fomos embora e Koba foi conosco, eu nem fiquei feliz, imagina! Ficamos conversando até tarde, só para variar e no final Koba foi dormir na sala mesmo, falei para ele ir dormir no quarto do Pe Lu e usar o notebook mas ele não quis, preferiu a sala, bobo.
No dia seguinte foi outra correria, só Koba ficou sentado no sofá olhando a agitação da casa com cara de bobo, dei risada todas as vezes que passei por ele que parecia estar dormindo ainda, não duvido nada que estava dormindo de olho aberto. Eles nos levaram à escola e pedi para passarem em um açougue para comprar frango, enxi tanto a cabeça do Koba com o meu strogonoffe que ele quer que eu faça, resolvi fazer hoje logo que chegar da escola e deixar pronto para comermos depois que voltarmos do ensaio do VMB deles, tenho que fazer tudo antes de ir para o shopping com a Ná, o tempo é curto, é quase impossível mas vou ter que conseguir e é claro que eles tiveram a “ideia” de chamar o Thomas, Pe Lanza e Willy para jantar também, não sei se vou conseguir fazer a comida, cada um deles come por dois, tem Léo, Pe Lu, Koba, Willy, Thomas e Pe Lanza, seis, vou ter que fazer comida para umas quinze pessoas! Que horror! Vou pegar aquelas panelas que você não vê o fundo para conseguir fazer, aqueles caldeirões de bruxa, mais ou menos isso.
_patthy que inveeeeja do @kobarestart e do @pelurestart que vão poder dormir de novo daqui a pouco
Nem pensei duas vezes antes de digitar, foi isso que pensei ao sentar em minha carteira, Léo se jogou sobre sua mochila e fechou os olhos, fiz o mesmo, acordamos todas as vezes o sinal bateu e voltamos a dormir em seguida, que Pe Lu não fique sabendo disso se não ele fica muito bravo. Dez minutos antes da aula terminar fui na cantina e pedi para colocarem uma mini pizza no forno para eu pegar quando estiver saindo, não vou ter tempo para almoçar, vou comer no carro mesmo e foi o que fiz. Entramos em casa e cada um pegou alguma coisa para comer, nem olhei direito, troquei minha roupa, prendi meu cabelo e começei a adiantar a janta, a minha sorte é que Pe Lu me ajudou na cozinha, quando Ná deu um toque no meu celular avisando que já estava lá embaixo, eu estava terminando de me arrumar. Antes de sair pedi para eles comprarem bastante batata palha quando estiverem indo para o hospital ou quando saírem do hospital e estiverem indo me buscar, tanto faz contanto que comprem porque strogonoffe sem batata palha não dá.
Tia Cris nos deixou no shopping e foi levar Júnior em algum lugar, adorei por ficar sozinha com a Ná, por mais que ela saiba dos nossos segredos é estranho, quando perguntei para Ná se ela sabia sobre o Pe Lu e a Laris, ela ficou séria, sua boca ficou em linha reta e ela demorou um pouco para me dizer ‘Desconfiava’ e bufar logo após, é óbvio que eu não parei por aí, perguntei se ela acha que eles ficaram enquanto os dois estavam juntos, essa não é a melhor pergunta que eu fiz em toda a minha vida, me arrisquei demais, fiquei morrendo de medo da resposta dela, qualquer mínima palavra dela poderia me fazer sentir culpada por ter ficado com ele quando eles estavam juntos e começar a chorar feito louca de repente na frente dela seria bem estranho mas ela simplesmente disse ‘Porque não?’ e revirou os olhos, como eu amo essa nanica mimada que quando fica irritada responde as coisas com poucas palavras, resolvi parar por aí mesmo tendo mais perguntas em mente, mudei para um assunto animado, ou melhor, comentei sobre um menino que passou por nós, ele nem é tão bonito mas ela o achou um deus grego, será que eu sou chata demais e estou cega ou ela que se contenta com pouca coisa?
Capítulo 65
Ela comprou uma roupa para ir à uma festa na sexta, trocou o NoCapricho, minha compania linda por uma festinha aí, é palhaçada né Natalia?! Depois fomos comprar maquiagens, agradeço muito aos meus pais por mandarem mil reais todo mês para eu usar, na verdade era para ajudar os tios mas eles não aceitaram e deixam que eu use para sair e comprar o que eu preciso mas é claro que eu não gasto mil reais por mês, o que sobra coloco na poupança e para completar, me deram um cartão de crédito porque eles não querem que eu fique andando com dinheiro por aí, eu ando com no máximo trinta reias na carteira para pagar compras pequenas. Seis horas em ponto Pe Lu me ligou dizendo que estava entrando no estacionamento do shopping, fomos para a porta principal e Ná ficou lá esperando a tia Cris que já estava chegando também, fomos para a praça que já está com a estrutura para o show montada, as arquibancadas, o palco, a cobertura, acho que só faltam as grades, ficamos um tempo no camarim já que o vento está violento e quando não dava mais para ficar no camarim fomos para fora, coloquei minha touca do moleton e os meninos ficaram apertando minhas bochechas, como eu detesto isso! Eu, Naira Léo sentamos na arquibancada, o Família MTV estava registrando tudo, estou fugindo das lentes deles constantemente, pelo menos na arquibancada é mais escurinho, mesmo com o frio não consigo ficar quieta acho que justamente por estar frio tenho que ficar me movimentando, devo ter ficado uns dez minutos sentada e depois me levantei e começei a dançar as músicas que eles tocavam, tá bom, as músicas deles não são tão dançantes, eu pulei a maior parte do tempo, o meu lado fã fala mais alto.A sorte é que o ensaio acabou logo, comi alguns petiscos no camarim dos meninos só que não conteve minha fome por muito tempo não, entramos em casa e fui direto para a cozinha, o pior é que o cheiro de comida só aumenta minha fome e ficar na cozinha não ajuda muito, Willy chegou dez minutos depois de nós, deixei para tomar banho depois da janta, estou até vendo que horas esses meninos vão embora, estou vendo eu, a Nai e o Léo dormindo na aula de novo, amanhã vou dar um jeito de comprar algum energético, não posso dormir nas aulas, preciso entender toda a matéria, preciso ir bem, preciso passar de ano! Sobrou pouca comida, muito pouca, fiquei até com medo deles, comeram com tanta vontade, até porque se eles estavam com a mesma fome que eu até dá para entender, sem contar que a cada garfada alguém falava alguma bobeira, várias vezes alguém engasgou, várias vezes alguém quase cuspiu refrigerante na cara de alguém por estar bebendo e começar a rir do que o outro falou, foi engraçado e nós levamos pouco mais de uma hora para comermos, eu fui a mais prejudicada porque dou risada de tudo né e sempre demoro para parar de rir, quando eu estava parando, começava de novo de outra piada, até porque comer para quê? Onze horas fui tomar banho e quando saí falei para os meninos dormirem em casa, jogamos todos os colchões na sala, três colchões para sete pessoas já que Koba preferiu ficar no sofá, o bom mesmo é que todos vão ficar apertados então não vão perceber muito que eu e Pe Lu provavelmente vamos dormir abraçados e qualquer coisa é só dizer como estamos acostumados a dormir com o urso, achamos que o outro era o urso ou que sentimos frio, sei lá. Se bem que é só apagar as luzes e ninguém vai ver como vou dormir, deitamos assim: Naira, Pe Lu, eu, Léo, Willy, Thomas e Pe Lanza, já que Pe Lu não confia nos meninos para deixarem dormir do lado da Nai, não consegui segurar a risada quando ele falou para ela dormir no canto, e Léo ficou do meu lado porque Pe Lu falou também, eu acho que é porque ele é o único dentre os quatro do colchão que sabem e eu realmente estou torcendo para acordar amanhã de manhã e ver Pe Lanza e Thomas abraçados, brincadeira, eu fico traumatizada se isso acontecer, juro. Apagamos as luzes mas ninguém dormiu, ficamos conversando a madrugada toda porque a verdade é que os meus quatro rockstars não conseguem dormir de ansiedade para o VMB, 5:30 fui tomar um banho enquanto eles ainda riam de qualquer coisa na sala, parecia que todos estavam bêbados, coloquei meu uniforme e quando fui para a sala, eles estavam terminando de arrumar a mesa de café da manhã, todos eles ajudando enquanto eu, Naira e Léo nos arrumávamos, que lindinhos! Antes de sairmos eu os obriguei a tirarmos uma foto, todos lindos, cheios de olheiras e com muito sono! Saí de cavalinho no Pe Lu, ele é o mais animado então foi o único que eu achei que realmente me aguentaria, os outros saíram apoiados uns nos outros, bando de cachaceiros, eu hein. Eu, Pe Lu, Léo e Naira fomos no carro do Pe Lu e os meninos no carro do Willy, uma comitiva para nos levar à escola, uma bobeira porque a tia deu dinheiro para o táxi, peguei a câmera do Koba, ele ficou tirando fotos de todos a noite toda, ele também tira fotos expontâneas lindas! As que eu mais gostei são as minhas com o Pe Lu, claro, mas tem umas bem legais, umas bem loucas e umas bem feias, é sempre assim. Coloquei a foto que tiramos antes de sair de casa no twitpic ‘depois de uma noite em claro comendo besteiras, falando bobeiras e rindo de tudo… obrigada por fazerem parte da minha vida! amo vocês (L)’.
thomasrestart obg pelas risadas @_patthy @pelurestart @pelanzarestart @kobarestart @willy24horas #Naira #léo
_patthy @thomasrestart ah seu lindo, te vi há 10min, vc tá no carro de trás, vou te ver em 10min mas já to com saudade!
_patthy to há 24 horas sem dormir, ihul. mas vou ter que dormir muito pra hoje de noite néee
thomasrestart @_patthy eu tb amor :(
_patthy @thomasrestart olha o que o sono tá fazendo com a gente, olha o que estamos falando!! HAUAHAUH
thomasrestart @_patthy to bebado amor!
_patthy @kobarestart ei gatchenho, estou oficialmente roubando a sua câmera!
_patthy ah gente, vocês tem que ver os pijamas que os meninos usaram essa noite, LINDOS! dps mostro pra vcs!
kobarestart @_patthy ah tá roubando sim
_patthy @kobarestart to sim meu amorrr!
pelanzarestart @_patthy parece que eu bebi todas e vc? hahaha
_patthy @pelanzarestart e você bebeu todas, só n tá lembrando HAUAHUAH como eu n bebi nada, to de buenas haha
_patthy tds nós mt bêbados! @thomasrestart @kobarestart @pelanzarestart @pelurestart @willy24horas #leo #Naira
_patthy e claaaro, sem colocar nenhuma gota de alcool na boca, somos fodasss HUHAUHAUHA
nahcardoso @_patthy causando no twitter logo de manhã hein
_patthy @nahcardoso ah vc não viu nada amiga, já leu o que escrevi na madrugada? HAUAHUAHA
Invadimos um o twitter do outro, escrevemos bobeiras e conversamos mesmo um estando do lado do outro, é muito legal isso, quero fazer sempre mas tenho certeza de que só vai ser legal se for com esses babacas.
_patthy o @pelurestart está bravinho porque tá dirigindo e não consegue saber pq to rindo muito hahaha
_patthy chegou a hora de eu matar a saudade do @thomasrestart êe! e ir para aula com o xuxu!! ;**
Essa coisa de sentir saudade do Thomas foi verdade, senti saudade deles que estavam no outro carro, estar acordada há muito tempo me deixou romântica, ai ai o Lucas que aguente ou que agradeça aos céus por eu estar assim.
Cheguei em casa e dormi até as sete, fui para o banho e começei a pensar em hoje e amanhã, tem o VMB e depois a festa, claro que amanhã não vou na escola porque obviamente hoje vamos beber, aparecer bêbada na escola não vai ser legal, se bem que hoje eu parecia uma bêbada mas não é a mesma coisa, eu estou querendo ficar em casa e dormir, essa é a verdade! Sexta os meninos tem show no NoCapricho no começo da tarde e de noite tenho o show do 3OH!3, vou arrastar Léo comigo já que ele vai ficar aqui por bastante tempo porque Alexandre colocou gesso na perna toda, vai ficar na casa da irmã e mandou Léo ficar aqui porque é mais fácil para ele ir à escola e etc, é até bom porque Léo vai ver como são os meus dias, ele sempre me fala que eu me canso com pouco, as vezes temos que sentir na pele para entender. Saí do banho, coloquei um pijama e começei a secar meu cabelo, comi uns pães que não sei de onde saíram, até que agora estamos tranquilos, não tem correria nenhuma, se bem que eu acho que está assim porque o Pe Lu está com o quarto e com o banheiro dos tios só para ele afinal, hoje é o dia dele né? Não sei se vou passar maquiagem agora, tenho certeza de que vou chorar horrores quando eles ganharem algum prêmio, acho que lápis e rímel está bom, antes da festa eu passo sombra, separei meu estojinho de sombra e coloquei em cima da cama, junto ao celular, rádio e rg, olhei no relógio do celular 19:52, em oito minutos o Willy chega, coloquei meu vestido e minha sandália branca, peguei a bolsa de mão branca também e coloquei as coisas dentro, corri até o guarda roupa procurando por lenços de papel, com certeza vou precisar, coloquei dentro da bolsa e quando cheguei na sala vi Léo sentado no sofá e Naira andando de um lado para o outro, Pe Lu saiu há um tempo, já foi para a praça com os meninos. Willy nos levou até a praça para desejarmos sorte aos meninos, Natalia foi conosco e achei injusto quando ela foi desejar boa sorte para eles, ela deu abraços apertados no Thomas e no Pe Lanza, já no Koba e no Pe Lu, ela deu um beijinho na bochecha, não gosto de pessoas que fazem diferença entre os membros da banda, eu dou desconto no Pe Lu, acho até bom ela só dar beijinho na bochecha e nem olhar na cara dele direito, ele disse que eles seriam amigos mas ela não quer a amizade dele.. E eu sendo uma idiota o tempo todo, se ela não quer chegar perto dele é porque ela ainda o ama! Tudo tão óbvio que eu nem percebi! Abraçei forte cada um deles e desejei muita sorte como fiz no Prêmio Multishow, hoje estou muito mais ansiosa do que da última vez, são cinco prêmios e eles tem grande chance de ganhar alguns deles, no caminho para o Credicard Hall mandei uma mensagem para cada um deles com tudo que eu já tinha dito antes, eles sempre dizem que eu fico ansiosa como eles, como se eu fosse um quinto integrante da banda, eu achava que era exagero mas acho que não é muito exagero.
Não sei como meu pequeno coração aguentou até o final da premiação, chorei demais todas as vezes que eles ganharam, quando a câmera passava pelo Pe Lu e eu via o sorriso dele, eu ficava mais feliz e chorava mais, é brincadeira demais comigo. Fiquei dez minutos sentada dando um tempinho para o meu olho desinchar, fui no banheiro, passei toda a maquiagem de novo porque depois do rio que chorei maquiagem nenhuma resiste. Pulei nos meninos quando os encontrei na festa, mas antes de abraçá-los fiquei esperando por um tempo porque os bonitinhos estavam tirando fotos e dando entrevistas porque ganharam todos os prêmios que concorreram e eles achando que não iam levar nenhum prêmio para a casa, humildade é isso né e no tempo que fiquei esperando pude observar a roupa deles, Koba está de calça roxa e uma blusa prateada, Pe Lu com uma calça toda cheia de formas coloridas, uma camiseta com desenhos e a jaqueta que pedi, Thomas com um terno e calça azul marinho, ele atendeu demais ao que pedi, uma gravata vermelha e camisa preta e Pe Lanza com uma roupa que me lembrou a roupa das paquitas só que preta e verde limão com calça verde limão, outro que atendeu bastante ao que pedi, me senti feliz por ver um pouco de mim neles em um dia tão importante para eles e para mim também, o meu lado de fã sempre fala mais alto nessas horas, a felicidade deles faz a minha mas o lado apaixonada-idiota-e-retardada fala mais alto ainda, o sorriso do Pe Lu já valeu minha noite. A festa estava linda, fiquei conversando com os VDG’s por um tempo, o Federico e o Caique são legais, depois encontrei com os caras de todas as bandas que conheci no Multishow e eles se lembraram de mim, nem fiquei feliz! Encontrei com o Vini, o menino que eu conheci no Multishow! Ele deve ser tipo eu, aproveita que o Gee é famoso e vai nas festas, não sei como cheguei na mesma roda que Maiara, a mulher que o Pedro Lucas pega ou pegou, sei lá, ela foi simpática comigo talvez por não saber quem sou eu mas nem fiz questão de dar muita atenção para ela porque os meninos do Cine estavam ali, meu sonho conhecê-los. Uma hora Pe Lu me chamou e me levou até Rogério Flausino, eu fiquei com cara de retardada, é claro! Ele sabe como eu gosto de Jota Quest e me faz uma coisa dessas? Eles ficaram falando algumas coisas e eu só concordando, no final Rogério falou para aparecermos em um show deles e o Pe Lu falou que sim, que nós vamos aparecer, não é só ele, eu vou também! Me segurei para não soltar gritinhos e também encontrei com a Sandy de novo, sempre tão diva, sempre tão fofinha e dessa vez o Júnior estava lá, ele está tão bonito, na hora que eu o vi me lembrei de uma foto do Pe Lu pequeno, ele parecia o Júnior depois de ficar algumas horas debaixo do sol, vi o Adnet e me lembrei da época que eu era louca por ele, eu o vi no primeiro show que eu fui na minha vida, o meu primeiro show foi da Sandy e Júnior quando eu tinha 8 anos mas sei lá, não considero como show show show, fiquei na arquibancada e nem os vi direito, show para mim é conseguir ver o cantor, pular, gritar e cantar, coisa que não fiz no show da Sandy e Júnior enfim, o show em que vi o Adnet foi da Fresno e do Capital Inicial, na época eu achava o Lucas o homem mais lindo do mundo e o Dinho era um dos caras mais fodas que eu conhecia, agora dou risada quando me lembro da minha opinião sobre o Dinho, hoje em dia é tudo tão diferente mas não deixo de gostar de Capital Inicial, como o Pe Lu diz, o acústico deles é um dos discos da minha vida e o Capital é foda! Eu só não entendo a minha mania de tudo ter o Pe Lu, é Pe Lu aqui, Pe Lu ali e Pe Lu no outro! Vi tanta gente que eu gosto que me perdi da Ná e da Nai, por pouco não me perdi do Léo e ia ficar andando pela festa sozinha até achar alguém conhecido, o que não ia ser muito difícil, a festa mal começou e eu já conversei com quase metade das pessoas que estão aqui, sabe qual o melhor de tudo? É conversar com as pessoas que eu achava que eram intocáveis e perceber que eles são tão humanos, são tão frágeis e na tv eles parecem ser tão seguros de si e tal, a televisão passa uma impressão tão estranha das pessoas mas o Pe Lu sempre foi o mesmo, desde o começo eu sabia que ele é do jeito que é e quando eu o conheci vi que é mesmo, olha eu pensando nele de novo.
- O que foi? - gritei para Léo que está com uma cara estranha.
Capítulo 66
- Nada não - ele tentou disfarçar mas não me engana, olhei para trás e vi bem lá no fundo Pe Lu sentado com Maiara em um sofá, bem perto um do outro, pisquei algumas vezes e cerrei os olhos para ter certeza, já bebi algumas, não sei quantas mas são o suficiente para me deixarem com a vista embaçada, e são eles mesmos, virei para Léo e respirei fundo, o que eu posso fazer? Eu tenho namorado e ele está solteiro, ele faz o que bem entender da vida, eu não posso simplesmente chegar nele e dizer ‘Eu não quero que você fique com ela’ do jeito que ele fazia comigo, eu não me sinto nesse direito.. Mas se ele tinha o direito de fazer isso comigo, porque eu não posso fazer isso com ele?- Preciso falar com você - quando percebi já tinha dito e não sei como cheguei aqui, Pe Lu sorriu e me olhou, ele sabe o que estou fazendo, segurei o riso e ele levantou.
- Fala - ele gargalhou e eu ri.
- Você sabe - olhei para ele, torcendo para que ele não me peça para dizer porque eu não tenho coragem de dizer ‘Não quero que você fique com ela’ bom, eu acho que não.
- Sei - ele me abraçou e desejei que o mundo literalmente parasse, que não só o meu mundo parasse.
- Você vai me dar um dos cachorrinhos né? - falei quando nos afastamos e começamos a andar.
- Se você quiser, sim.
- Mas não quero qualquer um não, tenho um preferido.
- E qual é seu preferido?
- De Hit do Ano, eu gosto de ‘Levo Comigo’ e você tem noção de que a música que você escreveu é o hit do ano?
- Eu sei mas ainda não consegui acreditar - a cara de pânico dele me fez rir e o abraçei.
Chegamos tarde em casa, nem vi que horas eram e nos jogamos nos colchões que ainda estavam na sala, meio dia o despertador tocou e começamos a nos arrumar, Naira não vai, não entendo essa menina, um evento tão legal como o NoCapricho ela não quer ir, tomamos banho, almoçamos, eu arrumei uma mochila com roupas minhas e do Léo para o show do 3OH!3, vamos para a casa da Manu, nos arrumamos lá e vamos com ela, duas horas a van chegou para pegar Pe Lu, eu e Léo fomos junto porque os meninos insistiram, nós íamos muito bem de táxi, já que não usamos o dinheiro nenhum dia dessa semana. Quando chegamos, fiquei conversando com algumas pessoas que eu não via há um tempo, conheci outras e uma hora a Tati, a diretora da redação da Capricho veio falar comigo, ela me propôs a ter um blog na Capricho, juro que a primeira coisa que pensei foi dizer não, o que eu vou fazer lá? Eu não faço porra nenhuma da vida, só se eu criar o blog chamado ‘Família Restart’ e falar tudo que eu vejo acontecer com os meninos, isso seria rídiculo, todos falaram para eu aceitar porque é uma boa oportunidade, oportunidade de que? De ficar famosinha? Eu não quero isso para mim, Tati interrompeu meus pensamentos dizendo que, se eu aceitar, nós vamos ver sobre o que o blog vai falar e etc, que ela só precisava de uma confirmação, falei que vou pensar e que respondo até segunda porque querendo ou não, a decisão não depende só de mim.
Sábado Willy me levou para a casa do Lucas, passei o dia lá e nem sei aonde Léo e Naira foram, decidi não me preocupar com eles, de noite Willy me buscou e passamos na casa da Ná para ela dormir em casa conosco, domingo fui para a casa do Lucas de novo, o final de semana foi tranquilo o suficiente para eu pensar sobre o blog e cheguei a conclusão de que não quero ter blog nenhum, não vejo graça nisso, minha vida começaria a ser agitada, mais do que eu já a considero, eu não quero isso para mim.
- Pegou tudo? - tio Cesar perguntou para Pe Lu.
- Sim, tudo aqui! - ele sorriu, tio Cesar colocou a mala de Pe Lu no porta malas e meu coração ficou apertado, o dia tão esperado por ele e pelos meninos chegou, eles vão para o Uruguai e depois Argentina, respirei fundo e entrei no carro, sentei ao lado de Naira.
- Daqui a pouco ele já está de volta - Naira falou e então percebi que estou de cara fechada, olhei para ela e sorri.
- Eu sei - olhei para a placa de um carro, MPL, coloca o M por último e ficam PLM, Pedro Lucas Munhoz. Tenho essa mania de ficar trocando letras de lugar para formar iniciais mas as letras da placa desse carro não dão certo não! Pe Lu, tio Cesar e tia Teresa entraram no carro, Pe Lu sentou ao meu lado e os tios nos bancos da frente, óbvio. Olhei para Pe Lu, ele fez bico e eu encostei a cabeça no ombro dele.
Bom, o que aconteceu nos últimos dois meses? Fui bastante vezes visitar Duda e acabei virando amiga da Mi e da Leni, depois de um tempo fui lá para passar o tempo com elas além de ver a Duda, Pe Lu comprou o apartamento, dei minha opinião já pensando em morar no apartamento, não sou boba nem nada né, no feriado do dia das crianças Ana e Marina vieram para cá, até tentei ir com elas em um show dos meninos para Marina ver o Koba mas não deu certo, apresentei Ana para o Lú, praticamente fomos a todos os lugares que ele foi, falei para ele que ele era um amigo muito relaxado, que só falava que estava com saudades mas que não marcava de sairmos, então em todos os lugares que o chamavam para ir, ele me ligou e nem tinha como eu dizer não porque se eu disesse ele ia dizer ‘Mas você não disse que eu era o amigo relaxado?’ essas coisas, Ana se sentiu no céu mas antes de se sentir no céu eu tive que enfrentar um inferno, ela ficou parada, olhando para ele com cara de besta, eu falei a maior parte das coisas por ela no primeiro dia, inventei a desculpa de que ela ficou meio rouca e que proibi ela de falar por um dia para a voz dela melhorar logo, no outro dia ela conseguiu falar com ele porque viu que ele é um cara normal, bonito e famosinho mas normal. Em novembro teve show dos meninos em Campinas, tive a ideia de levar os tios e a Naira para conhecerem meus pais, conheci os Jonas Brothers, só não fui no show deles porque foi no mesmo dia do show dos meninos em Campinas mas fui no meet&greet com a ajuda do DH, fiquei por lá o tempo todo e conversei bastante com eles que são tão fofos, Pe Lu me levou no show do Jorge e Mateus que eu disse que queria ir, nem eu acreditei que ele me levou, foi lindo, tudo lindo, o show, as músicas e eu com ele, ficamos abraçados o show inteiro e ele cantava para mim as partes mais lindas das músicas, depois desse dia decidi contar para Ná algumas coisas e Pe Lu decidiu contar as mesmas coisas para Willy, mas antes de contar as coisas perguntei para Ná se ela ainda sentia alguma coisa pelo Pe Lu, ela disse que não mais e eu contei que no show do Jorge e Mateus rolou um clima entre eu e Pe Lu, contei também que eu era, ou melhor, ainda sou fã da Restart e falei que ele é o meu preferido, ela me apoiou em relação à ele e me alertou sobre algumas coisas que eu já sabia mas fingi não saber, Willy ficou bravo com Pe Lu e disse que se ele fizesse comigo o que fez com a Ná ia ser covardia, que não se brinca com o coração das amigas dele, um fofo né? Acho que só.. Ah sim, meu namoro com o Lucas? Não sei, não é mais um namoro, voltamos a ser amigos mas ainda namoramos, ele foi para a Disney com a família, vão ficar um mês por lá, chegam dia 23 de dezembro e logo depois vão para a casa de alguns parentes, Lucas nem se importou em perguntar como eu ia ficar esse tempo sem ele porque sabia que eu ia dizer ‘Vai aproveitar o tempo com a sua família’ mas custava alguma coisa perguntar? Mas ainda sim é legal conversar com ele, acho que o que sentimos foi atração física e confundimos com o carinho da nossa amizade. Pe Lu se mexeu e me tirou dos pensamentos, olhei pela janela e já chegamos no aeroporto, desci do carro e respirei fundo, não posso ficar triste assim, eles vão viajar e vão voltar mais felizes do que nunca mas é inevitável não sentir falta deles, vão ficar a semana inteira lá e chegando aqui no Brasil vão direto para um show, domingo vai ter Happy Rock. Vou poder vê-los direito na segunda e olhe lá!
Pe Lu passou o braço pelos meus ombros e puxa sua mala com a outra mão, começamos a andar, agora até o tio Cesar sabe sobre mim e Pe Lu, ele vive me perguntando ‘E aí?’ quando me vê deitada na minha cama com cara de tédio quando o Pe Lu está viajando, sempre digo que não sei. Todos já tinham chego então os meninos foram fazer tudo que tinham que fazer para só esperar chamarem. O tempo passou rápido demais, ficamos conversando o tempo todo mas para Pe Lu o tempo demorou para passar, ele olhou no relógio a cada dois minutos e as mãos geladas, não sei se dessa vez ele sobrevive, ah que horror, tem que sobreviver sim! Ele vai, eu sei que vai. Ele começou a se despedir dos tios e depois de Naira, me afastei para ser a última, como sempre sou, abraçei Thomas, Pe Lanza e abraçei Koba, senti que vou começar a chorar só de pensar que o próximo é o Pe Lu, sem contar com as coisas fofinhas que Koba está falando por saber que vou sentir falta deles.
- E pode deixar que eu fico de olho no Pe Lu - ele falou bem baixo, soltei um riso fraco pelo nariz.
- Tá bom, obrigada. Boa viagem, boa sorte e quando vocês voltarem, como você já sabe, eu vou estar aqui cheia de saudades - dei um beijo demorado na bochecha dele e nos afastamos.
- Fica bem - assenti com a cabeça e ele deu um beijo em minha testa, olhei pra o lado e Pe Lu está me olhando, sorri e corri para abraçá-lo, afundei minha cabeça na curva de seu pescoço e começei a chorar.
- Não chora pequena, lembra o que eu te pedi - ele começou a acariciar meu cabelo. Seis dias sem ele, já fiquei quatro dias mas seis é pedir demais, seis dias sem ver o sorriso dele, sem abraçá-lo, sem acordar e vê-lo ao meu lado, sem dormir sentindo o cheiro dele - Desse jeito vou chorar também - ele chorando não, por favor! Ri baixo e começei a tentar controlar o choro, respirei fundo três vezes e consegui parar de chorar.
- Boa viagem - falei e olhei para ele que enxugou as lágrimas em meu rosto - Odeio despedidas assim - falei alto para disfarçar e todos sorriram concordando.
- Não me esquece - ele sussurou.
- Sonha comigo todas as noites - falei e me afastei, se eu o abraçar de novo acho que não solto mais, os quatro começaram a andar, apenas segui Pe Lu com o olhar quando eu quase não conseguia vê-lo, ele olhou para mim e sorriu.
Capítulo 67
Tenho ficado a tarde toda na internet sem fazer nada, todas as noites tenho saido desde que entrei de férias, bom, me recusei a falar com o Pe Lu, ele sabia disso desde antes de viajar, a minha saudade só ia aumentar se eu falasse com ele, ele liga e fala com os outros, conversamos por mensagens. Um dia achei um site com textos, na maioria dos textos pensei no Pe Lu enquanto lia, me deu um aperto no coração e resolvi mandar um email pra ele.De: Patthy
Para: Pe Lu
Assunto: Ei bonitinho!
Já me esqueceu e me trocou por alguma argentina loira, de olhos claros e peituda que você conheceu ai né? ): HAUAHAUAH É bom isso não ser verdade, viu? Booooom, eu tava aqui em casa sem fazer nada, lendo uns textos e todos eles me faziam pensar em você, me deu uma saudade muito grande de você e resolvi escrever esse email, mas eu já aviso que não quero DE JEITO NENHUM que você me mande um email com uma resposta entendeu? Se você mandar eu vou excluir sem ao menos ler, é sério! Quero dizer, você pode me mandar me dizendo como está sendo aí, só, sem responder a parte séria que eu vou escrever daqui a pouco, essa parte é só um enrolation, uma introdução e eu querendo tagarelar minhas coisas para você! (: Ok, agora a parte séria vai começar, acho que no final eu volto a falar bobeiras, êê!! HAUAHAUH
Conta pra mim de onde a gente se conhece. De onde vem a sensação de que sempre esteve aqui, quando eu sei que não estava. Conta por que nada do que diz sobre você me parece novidade, como se eu estivesse lá, nos lugares que relembra, quando eu sei que não estive. Conta onde nasce essa familiaridade toda com os seus olhos. Onde nasce a facilidade para ouvir a música de cada um dos seus sorrisos. Onde nasce essa compreensão das coisas que revela quando cala. Conta de onde vem a intuição da sua existência tanto tempo antes de nos encontrarmos.
Conta pra mim de onde a gente se conhece. De onde vem o sentimento de que a sua história, absolutamente nova, é como um livro que releio aos poucos e, ao longo das páginas, apenas recordo trechos que esqueci. Conta de onde vem a sensação de que nos conhecemos muito mais do que imaginamos. De que ouvimos muito além do que dizemos. De que as palavras, às vezes, são até desnecessárias. Conta de onde vem essa vontade que parece tão antiga de que os pássaros cantem perto da sua janela quando cada manhã acorda. De onde vem essa prece que repito a cada noite, como se a fizesse desde sempre, para que todo dia seu possa dormir em paz.
Conta pra mim de onde a gente se conhece. De onde vem essa repentina admiração tão perene. De onde vem o sentimento de que nossas almas dialogavam muito antes dos nossos olhos se tocarem. Conta por que tudo o que é precioso no seu mundo me parece que já era também no meu. De onde vem esse bem-querer assim tão fácil, assim tão fluido, assim tão puro. Conta de onde vem essa certeza de que, de alguma maneira, a minha vida e a sua seguirão próximas, como eu sinto que nunca deixaram de estar.
Conta pra mim por que, por mais que a gente viva, o amor nos surpreende tanto toda vez que vem à tona. (Ana Jácomo)
“Para cada um de nós, existe alguma pessoa especial. Muitas vezes, existem duas, três, ou mesmo quatro. Todas vêm de gerações diferentes. Atravessam oceanos de tempos e profundidades celestiais para estarem conosco novamente. Vêm do outro lado do céu. Podem parecer diferentes, mas nosso coração as reconhece. Nosso coração as abrigou em braços em tempos antigos. Marchamos juntos nos exércitos de generais guerreiros que a História esqueceu, e vivemos com elas nas cavernas cobertas de areia dos Homens Antigos. Há entre eles e nós um laço eterno, que nunca nos deixa sós. A nossa mente pode interferir. “Eu não te conheço”. Mas o coração sabe. Ele toma a nossa mão pela “primeira” vez, e a lembrança daquele toque transcede o tempo e faz disparar uma corrente que percorre todos os átomos do nosso ser. Ela olha em nossos olhos e vemos um espírito que vem nos acompanhando há séculos. Há uma estranha sensação em nosso estômago. Nossa pele se arrepia. Tudo o que existe fora desse momento perde a importância. Ele pode não nos reconhecer, muito embora tenhamos finalmente nos reencontrado, embora o conheçamos. Sentimos a ligação. Vemos o potencial, o futuro. Mas ele não o vê. Temores, racionalizações, problemas cobrem-lhe os olhos com um véu. Ele não permite que afastemos o véu. Choramos e sofremos, mas ele se vai. A “natureza” tem seus caprichos. Quando os dois se reconhecem, nenhum vulcão é capaz de explodir com força igual. O reconhecimento do espírito pode ser imediato. Uma súbita sensação de familiaridade, de conhecer aquela pessoa em níveis mais profundos do que a mente consciente poderia alcançar. Em níveis geralmente reservados aos mais íntimos membros da família. Ou ainda mais profundos. Sabemos intuitivamente o que dizer, como ele vai reagir. Um sentimento de segurança e uma confiança muito maior do que se poderia atingir em apenas um dia, uma semana ou um mês. O reconhecimento da alma pode ser sutil e lento. Um despertar da consciência à medida em que o véu vai aos poucos levantando. Nem todos estão prontos para ver imediatamente. Há um ritmo nisto tudo, e a paciência pode ser necessária àquele que percebe primeiro. Um olhar, um sonho, uma lembrança, uma sensação podem fazer com que despertemos para a presença do espírito. O toque de suas mãos ou o beijo de seus lábios pode nos despertar e projetar-nos subitamente de volta à vida. O toque que nos desperta pode ser de um filho, de um pai, de uma mãe, de um irmão ou de um amigo leal. Ou pode ser da pessoa a quem amamos que atravessa os séculos para nos beijar mais uma vez e lembrar-nos de que estamos juntos sempre, até o fim dos tempos”.
1, Só o amor é real, Brian L. Weiss
E você deve estar pensando ‘To há dois dias fora e ela já tá lendo textos deprimentes’ mentira porque não são deprimentes, são românticos e sim to lendo porque não tenho nada para fazer, como já disse antes, ler esses textos me fizeram pensar em tanta coisa.
Me lembrei de quando tudo começou, no dia que vi a foto de vocês eu pensei ‘o único que salva nessa banda é esse moreno alto’ (que você não conte isso para os meninos de jeito nenhum! AHUAHAUH) começei a seguir vocês no twitter, ouvir as músicas e tal, tudo normal, mentira porque eu já ficava vendo coisas sobre você, até que um dia vi o que eu precisava, você twittou que ia assistir Jonas Brothers em 3D, na hora pensei ‘esse é o homem! olha que perfeito, meu Deus, gosta de Jonas!!’ esse seu tweet está nos meus favoritos! A partir desse dia passei a ir no seu twitter todo santo dia, coisa que faço até hoje, alguns hábitos são difíceis de mudar ou talvez eu não mude esse simplesmente por não querer, sempre me identifiquei tanto com você, sempre me senti tão a vontade sem ao menos ter te visto de perto, eu queria tanto poder te ver e conversar com você, eu guardava coisas para dizer para você, só para você, ainda faço isso bastante, deixo para contar só para você porque só tenho vontade de contar para você, pareçe que só vai ter graça se você souber porque só você ri das minhas idiotícies, me incentiva com as minhas besteiras, sabe o que me dizer na hora certa e as vezes nem precisa falar, é só trocarmos olhares e só você sabe de todos os meus sonhos e vontades.
Sempre achei que cama de solteiro é pequena mas descobri que ela é grande demais para mim mas tem o tamanho ideal para nós, não to sentindo sua falta só para me abraçar de noite, to sentindo falta da sua voz, do seu jeito de falar, das suas brincadeiras, dos seus abraços, dos beijos, dos sorrisos, das nossas conversas, de quando ficamos em silêncio só nos olhando, to sentindo falta de você, eu sei que você disse para eu não ficar chorando mas não dá e as vezes sinto falta de chorar por sentir saudade de você, antes de vir morar em sp eu chorava todos os dias de saudade de você sabia? Não né, pois é, eu chorava, depois da primeira vez que eu te vi (e tive a certeza de que você é mais lindo do que nas fotos, errr, eu tinha medo de que você fosse feio, de que sua beleza fosse só nas fotos, não que fosse photoshop mas de que você fosse fotogênico) me apaixonei pelo seu sorriso e pela sua voz, eu chorava de saudades disso, eu precisava ver seu sorriso e te ouvir dizer ‘boa noite meus amores’, depois do dia em que tiramos a foto chorava muito mais e de saudades do seu abraço, do seu beijo, do seu carinho, da sua voz, do seu sorriso, até da sua altura! Mas esse choro durou pouco, graças a Deus.
Eu estava pensando em como minha vida era há um ano e quatro meses, eu conseguia dormir a noite inteira, eu tinha tempo para fazer várias coisas porque eu não ficava pensando em ninguém, não ficava planejando em como seria se eu encontrasse com certa pessoa em certo lugar, o que eu ia falar para tentar ficar marcada na vida dessa pessoa com apenas uma conversa, meu coração não acelerava ao ouvir o nome ou ao ver alguma foto de uma pessoa, meu coração não ficava apertado quando ficava sem notícias e quando sentia saudades de uma pessoa, minhas pernas não ficavam bambas, meus braços não adormeciam e meu estômago não revirava por completo quando me imaginava abraçando alguém, minha vida era tranquila mas eu não era feliz, eu me importava demais com o que os outros pensavam sobre mim, eu queria tudo e não me importava com quem deveria, com você eu aprendi que o simples é o que mais faz feliz, é o que mais importa, só um sorriso pode fazer o dia de alguém melhor e eu não sabia disso, com você também aprendi o que é o amor de verdade, eu pensava que o amor era suar frio quando ele se aproximava e falava comigo, pensava que era pensar nele o dia todo e só mas você veio e mostrou que o amor nem chega perto disso, quando você ama, você quer a pessoa do seu lado o tempo todo porque você quer olhar nos olhos dele e sentir a segurança que só ele passa, você quer saber se ele está bem e se não está quer abraçá-lo e confortá-lo porque você sabe que quando você precisar ele vai te abraçar e o abraço dele é o seu porto seguro, é capaz de fazer tudo para vê-lo feliz porque o sorriso dele é a coisa mais linda que já viu na vida, você quer ouví-lo contar sobre seu dia ou apenas jogar conversa fora porque a voz dele te passa uma paz sem igual, é a voz dele que te acalma e que as vezes te ‘traz de volta’ se é que você me entende, seu coração acelera ao pensar nele, ao vê-lo, ao tocá-lo, você sorri ao vê-lo sorrindo ou apenas por vê-lo se aproximando, as pernas ficam bambas, os braços adormecem e o estômago revira ao abraçá-lo, você treme e sua frio quando sabe que ele está para chegar, ao beijá-lo você sente correntes elétricas a cada toque, o coração acelera ao máximo, você se esquece de pernas, braços e estômago, eles praticamente somem porque vão à mil e parece que você e ele se conhecem há séculos mas é sempre como se fosse a primeira vez. Isso é um exemplo, um começo, do que sinto por você ou quando estou com você.
Ahhhh, o que você acha de conversarmos por email? Não vou conseguir ficar até domingo sem saber nada de você! ): HOJE TEM PAGODEEEE, você vai perder, ihuuuu HAUAHUAH Mas pode deixar que eu vou chamar o Michel pra ir comigo e dar aquela fugidinha com ele, ah você lembra que eu disse que qualquer dia desses dou uma fugidinha com ele né? AAH LEMBRA SIM ((: Até hoje não acredito que perdi a chance de ir ver o show dos Jonas, que fui convidada pelos próprios Jonas para assistir, porque vocês iam fazer show em Campinas, porque eles tinham que contratar justo vocês? Porque vocês tem que ser a banda mais bombada de 2010? Perdi a chance de dar uma fugidinha com o Nick também, ops, com o Joe!! To confundindo os brothers, ou não.. não te contei minha conversa com o Nick né? É isso então! HAUAHAUHAU Mas me fala, como você tá? Tá conseguindo falar em espanhol? Como estão as coisas por aí? Me conte tudo, ah, tudo não, só o principal, é mas legal contar tudo pessoalmente, e é bom você estar sonhando comigo todas as noites!! E tem uma última coisa que eu quero falar mas é uma coisa séria!
Você sabe como anda o meu namoro com o Lucas né? É claro que sabe, enfim, vou terminar com ele mas vou esperar ele voltar da Disney, não sei como ele vai reagir, tenho medo dele ficar mal e acabar com a viagem da família, então dia 23 isso acaba e um peso sai das minhas costas, não que ele seja um encômodo mas a situação toda me encomoda, as vezes sinto que estou traindo-o só de falar com você sobre o Pedro Lucas e a Patricia, ah é isso, acho que esse email gigante serve mais para te dizer isso (:
Eu te amo muito e to com muita saudadee! (L)
Capítulo 68
_patthy @pelurestart vê seu email!!Acho que a Capricho pegou algum tipo de amor por mim, mês passado os meninos fizeram uma sessão de fotos para um especial deles e pediram para eu ir também, tirei foto com os meninos, pediram para eu dar uma entrevista para eles falando sobre os meninos e querem que eu conte tudo que aconteceu para eu chegar em São Paulo, aceitei e eles me mandaram hoje de manhã as perguntas no meu email, prefiro responder em casa do que para alguém, fico com vergonha e provavelmente vou falar alguma bobeira, semana que vem devo ir na redação para contar a minha história, como se fosse uma coisa muito emocionante. Tenho que mandar o email de volta em poucas horas, respirei fundo e abri o email mas antes de começar a responder, fui no twitter, tenho mania que querer ler tudo que estão falando, quero saber de tudo, curiosidade é uma coisa de louco.
micheltelo @_patthy quando vc vai dar aquela fugidinha comigo?
Ri muito quando li o tweet do Michel.
_patthy @micheltelo me liga mais tarde pra falarmos sobre isso.. HAUAHUAHAUH
Começei a responder o email e minha caixa de entrada a cada dez minutos mesmo sabendo que se algum email chegar vai subir a janelinha e que ele vai demorar um pouco para ler e responder, isso se ele já estiver lendo, ou seja, sou uma completa idiota. Levei uma hora para terminar, toda hora eu mudava alguma resposta, escrevia algo melhor, mais interessante ou que não dissesse muita coisa, não quero falar muita coisa, eles colocaram alguns tópicos que tenho que seguir para parecer que me entrevistaram pessoalmente e achei demais responder uma entrevista, me lembrei do dia em que fiquei vendo Pe Lu responder as entrevistas da banda e fiquei com vontade de ser entrevistada, é legal, você se sente importante e ao mesmo tempo dá um medo porque várias pessoas vão ler. Tomei banho e Michel me chamou no rádio, ele disse que não vai poder ir hoje porque está indo viajar, ai ai esses famosos, coloquei minha roupa e fui jantar.
- Consegui trocar sua passagem para Campinas - tia Teresa falou.
- Sério? Conseguiu mesmo?
- Dia 23 de noite, como você pediu - eu já tinha comprado para dia 22 mas como decidi terminar com Lucas pedi para ela tentar trocar minha passagem, sorte que ela conseguiu, em vésperal de Natal a rodoviária vira um inferno mas é o jeito.
- Ah que bom, obrigada tia!
- Vai sair hoje? - tio Cesar perguntou.
- Hoje tem pagodão tio, não tem como perder! - ele riu - Vocês deveriam ir também, é tranquilo! O Pe Lu é chato, não leva vocês e nem a Nai para lugar nenhum mas eu sou legal e acho que vocês deveriam ir comigo.
- Nem pense! - Nai falou, eu já sabia que ela ia falar isso, menininha anti social.
- Ah não sei - tia Teresa falou.
- Vamos, porque não? - tio Cesar falou, bati palmas e sorri.
- Isso mesmo tio! - olhei para tia Teresa que respirou fundo.
- É, não temos nada a perder.
- Então quando o Pe Lu ligar vocês avisam que vão no pagode! - gargalhei ao imaginar a reação dele, com certeza vai ficar sem saber o que falar, vai achar que é brincadeira e quando disserem que é verdade mesmo, ele vai rir.
- Que horas você vai? - tio Cesar perguntou.
- Daqui uma hora - falei, terminei de tomar meu suco e fui até o quarto correndo, esqueci de ver se ele respondeu meu email. 3 novos emails e um é dele, dei pulinhos de alegria antes de sentar na cadeira, fui no twiter antes de começar a ler o email.
pelurestart @_patthy email cabeça!
_patthy @pelurestart calma apressadinho u_u to indo
_patthy @Willy24horas fica esperto, daqui 5min to te chamando no rádio!
De: Pe Lu
Para: Patthy
Assunto: Ei pequena!!
Quem me dera se aqui tivesse alguma argentina loira, de olhos claros e peituda :P Na verdade até tem mas elas não são mais bonitas do que você..
micheltelo @_patthy quando vc vai dar aquela fugidinha comigo?
_patthy @micheltelo me liga mais tarde pra falarmos sobre isso.. HAUAHUAHAUH
Acho que vou ligar para o Willy, dizer para ele que você não vai mais no pagode porque eu te coloquei de castigo até parar de ficar dando em cima dos outros e que conversa é essa que você teve com o Nick? Achei que tinha sido só com o Joe e sorte sua que a Demi não veio.. acho que eu devia ir lá na clínica visitar ela que está mereçendo mais do que você hauhauah
Eu to bem mas com saudades e você, tá tudo bem? Tá se alimentando? Tá escovando os dentes? Tá dormindo direito? Porque eu nao to. ):
Nós temos várias fãs aqui na Argentina e algumas no Uruguai!! Dá pra acreditar? A gente vai participar de um clipe de uma banda daqui, vai ser bem rápido mas já é alguma coisa porque eles são super bombados por aqui, participar do clipe deles é um bom passo e to sonhando com você todas as noites, durante o sonho a saudade diminui mas quando eu acordo só aumenta, você também tá sonhando comigo?
É verdade que eu não posso comentar nada sobre a parte ‘séria’ que você escreveu? Posso falar só como eu to me sentindo depois de ler isso?
ah eu comprei um iPad pra mim e um monte de presente pra vocês
Eu te amo demais e domingo tem que chegar logo (L)
Capítulo 69
De: PatthyPara: Pe Lu
Assunto: Ei ciumento! (:
Aun, seu lindo!!
Foi tão por acaso ele ter falado isso, ri bastante quando li e sabia que se você lesse ia falar alguma coisa, por isso respondi daquele jeito HAUAHAUH Ele me ligou e disse que não vai hoje, relaaaaaxa, até achei bom porque você ia ficar todo bravinho aí que eu sei! Você é tão bobo, acredita em tudo que eu falo, cai nas minhas mentirinhas para te irritar, tão inocente..que vontade de apertar suas bochechas! Não teve conversa com o Nick, quero dizer, conversei com ele normalmente, virei coleguinha dele por isso que ele me segue no twitter ou você se esqueceu disso? )): Ah é? Ela tá mereçendo mais do que eu? Eu to aqui sentindo sua falta e tudo mais e ela só disse que você devia aparecer em um show dela, mereçe mais do que eu? Então vai lá visitar a Demi, pode ir! Só não esquece de não olhar mais pra mim.
Também to bem mas com saudades ): SÉRIOOO? Ah, to tão feliz por vocês tanto por participarem do clipe como por já ter fãs aí, quem diria hein? Quero vocês aqui agora para eu dar um abraço em cada um, to muito orgulhosa de vocês, sério. Não tem como sonhar com outra pessoa a não ser você! (:
Tá boooom, como você tá se sentindo depois de ler a parte séria?
iPad? Hmm, agora tá se achando né? HAUAHAUH Só se o vocês for seu pai, sua mãe e a Nai, já falei que não quero presentes!
Faltam 4 dias, meu coração dói só de pensar mas vai passar logo! Eu te amo (:
_patthy @pelurestart prontoo
- Falaram para ele? - perguntei para Nai, a única que está na sala.
- Sim, ele ficou quieto, perguntou se era verdade mesmo e depois começou a rir - eu sabia! Ri baixo - Ah, ele falou para você olhar o seu email logo.
- Já vi e respondi o email dele. Você não quer mesmo ir? - ela negou com a cabeça - Você vai ficar fazendo o que? Ficar esperando o Alex te ligar? Ele deve estar curtindo a noite dele, você deveria fazer o mesmo e outra, ele pode não estar sóbrio, não vai te ligar e você vai perder sua noite por causa dele. Olha para mim, não estou grudada no rádio esperando o Lucas me chamar - ela revirou os olhos - Tá, não estou grudada no computador esperando seu irmão responder o email.
- Mas - ela ficou em silêncio - Ah, sei lá.
- Você tem que sair, aproveitar! Você pode gostar de um menino mas não precisa esperar que ele te ligue o dia todo, que te mande mensagens dizendo como ele está porque ele não vai fazer isso a não ser que ele seja uma excessão divina..
- Como meu irmão - ela me interrompeu.
- Não - parei para pensar no que falei - É… Digamos que ele é, enfim, você pode ficar esperando a ligação dele mas pode sair também, nada te impede de levar o celular ou o rádio, só o celular, só o rádio ou os dois, tanto faz! Então.. vamos?
- Vamos! - ela falou um pouco relutante e se levantou do sofá, dei pulinhos e a abraçei - Que roupa eu uso? Nunca fui nesse tipo de lugar - ela é meio metidinha, eu sei.
- Fiz a mesma pergunta para Pe Lu! - mas não falei ‘nesse tipo de lugar’, falei ‘nunca fui em pagode’ - E vou dizer o que ele me disse, não tem frescura lá não, põe calça jeans e uma blusinha e boa.
- Você vai usar o que?
- Shorts, uma regata e rasteirinha.
- Ok - ela foi para seu quarto e eu para o meu, peguei o rádio e chamei Willy.
- Fala linda!
- Você não vai precisar vir me buscar mais, os tios e a Nai também vão, aí vou com eles.
- O que? Os tios vão? - ele falou entre risos, ri também.
- Vão, eu os convenci a ir - sentei na cadeira e tem um novo email do Pe Lu, sorri.
- Só você pra fazer isso Patthy!
- Sou demais, eu sei, eu sei! - abri o email - Tenho que terminar de me arrumar, a gente se vê lá, beijo!
- Tá bom, beijo.
De: Pe Lu
Para: Patthy
Assunto: Psiu, irritadinha
Bom mesmo ele não ir, já ia ligar pro Willy. Claro que lembro que o Nick dos Jonas Brothers está te seguindo no twitter, você falou sobre isso por quatro dias seguidos, até pareçe que ele quer só sua amizade se bem que ele sabe que você trocou o show deles pelo show do seu namorado, foi namorado que você falou não foi? Acho que ainda tenho uma memória boa e é bom ele ter uma também. Depois eu que sou o bobo, eu que acredito em tudo que você fala, eu que caio em todas as suas mentirinhas pra me irritar, eu que sou inocente, olha você com ciúmes da Demi! ahuahauha
Só um abraço? E você ainda diz que tá com saudade de mim?
Eu fiquei muito mais feliz, quero que domingo chegue logo e que dia 23 também =)
Achei que você fosse falar isso mas comprei um presentinho pra você, bem pequeno e você tem que aceitar
Meus pais vão com você mesmo hoje? hauahuahauh
Tá chegando, tá chegando, te amo (L)
Capítulo 70
nickjonas @_patthy Hey you!Pela segunda vez no dia ri muito
_patthy @pelurestart AHH, ASSIM NÃO DÁ NÉ!
_patthy @nickjonas Hey baby!!
De: Patthy
Para: Pe Lu
Assunto: TO RINDO MUITO
Que isso, to rindo muito, primeiro o Michel e agora o Nick, acho que é bom não falarmos sobre mais ninguém ok? Ok AUAHUAHAU
Tive que falar que o show era do meu namorado, quem é a louca que deixar de ir em um show dos Jonas em que fui convidada por eles próprios!? Só eu mesmo né, hunf, essa foi a única desculpa que eles acreditaram, relaxa que o Nick é um menino bonzinho, vai respeitar meu namorado viiu AHUAHAUH Claro que eu tenho ciúmes da Demi, ela que falou para a MTV que você é bonito e que deveria ir à um show dela, você quer o que?
AAAAAAAH COMO VOCÊ É CHATO! Você entendeu o que eu quis dizer ): Não é só um abraço
Também quero de dia 23 chegue, quero ir pra Campinas logo HAUAHUAH Brincadeirinhaaa mas eu vou pra Campinas mesmo enfim..
Ah não Pedro Lucas, nem vem com essa de presentinho, que eu tenho que aceitar e você vai vir com o papinho de que é feio não aceitar presentes, ihh já to até vendo! HUAHAUHUAH
Vão, eu convenci eles a ir e depois convenci a Nai também! Consegui fazer ela sair de casa e tirar a bunda daquele sofá só para ficar esperando o bendito celular tocar, ai ai, você tem que dar um jeito na sua irmã!
Vou terminar de me arrumar pra sair, sonha comigo, se comporta, não me esquece, boa noite e eu te amo (L)
Levantei da cadeira e coloquei o novo cd do Black Eyed Peas pra tocar, peguei um shorts laranja lindo que comprei mês passado, uma regata branca e uma rasteirinha branca também, estou gostando bastante de ir comprar roupas, agora tem bastante roupas coloridas e a convivência com o Pedro Lucas afetou mais ainda o meu lado colorido, sempre gostei de cores para dar um pouquinho de vida mas depois que vim para cá, as coisas mudaram drasticamente. Troquei minha roupa e me joguei na cama. O Pe Lu é retardado em comprar o iPad, ele tem o iMac no quarto dele, o macbook que ele leva para todos os lados e o notebook que fica aqui, ele usa quando está com preguiça de levantar da cama ou do sofá, só para ficar na moda porque agora todo mundo tem um iPad.
- Está pronta? - tia Teresa falou, me sentei na cama e concordei com a cabeça - Nós também.
- A Nai também está pronta? Ela também vai.
- Ela vai?! - ela sorriu - Vou ver então! - ela saiu rapidamente da porta do quarto, me levantei e fui até o computador.
nickjonas @_patthy I’ve been missing you girl! (Estou sentindo sua falta menina)
Que fofinho, me lembrei da música ‘Hello Beautiful’ dos Jonas mesmo, no show deles chorei quando ele cantou ‘I hear it’s wonderful in Brazil’ e depois quando eles se emocionaram.
_patthy @nickjonas Aww, I miss you too my little boy. You should back to Brazil (Aww, eu sinto sua falta também meu garotinho. Você deveria voltar para o Brasil)
E foi muito legal o pagode, tio Cesar e tia Teresa ficaram dançando, foi engraçado no começo porque eu nunca tinha visto eles dançando e nem Willy, ele riu demais acho que foi mais por causa dele que dei risada, consegui fazer Nai esquecer o celular por um tempo, contei para Willy e Ná sobre terminar com o Lucas, eles acharam o certo se não está mais dando certo, a Ná até disse que pensava em falar isso para mim mas não sabia como. Os dias demoraram para passar mas finalmente domingo chegou, fiz todos levantarem cedo para irmos ao HSBC e chegar junto com os meninos, foi o que aconteceu, chegamos uns dez minutos depois deles, nem preciso dizer que abraçei forte cada um deles e me segurei para não chorar, saudade, alegria, orgulho tudo junto dá vontade de chorar. Fiquei com eles o tempo todo e toda hora um deles vinha me abraçar, é bom saber que não fui a única a sentir saudade deles, o último Happy Rock do ano foi lindo, muitas pessoas com gorro de papai noel e depois muita gente no camarim. Eu e Pe Lu ficamos conversando até o sol nascer, eu estava com sono mas não queria dormir e ele também, eu vi que ele estava muito cansado só que não quis dormir, eu estava com muita saudade, queria ficar acordada o máximo matando a saudade e acho que ele também.
Dia 19 a Capricho com a minha entrevista foi para as bancas, com os meninos da Restart na capa por terem ganhado mais prêmios no Capricho Awards, me senti um pouco encomodada porque tenho 4 páginas só para mim, nas duas primeiras tem uma foto dos meninos em um montinho e eu sentada em cima deles e escrito ‘A rainha da Família Restart’ me agradeci por não terem colocado princesa mas acho que exageraram. Na terceira página tem uma foto só minha e a entrevista bem pequena.
Como é ser a Rainha da Restart?
Que isso, não sou rainha e muito menos da Restart, sou só amiga mas antes de tudo sou fã desses meninos que são só motivo de orgulho, sorrisos, alegria, abraços e muitos motivos pra comemorar.
E como você se tornou amiga dos meninos?
Ah essa história vou contar para a Karol e vai para o site em janeiro com várias coisas legais!
Nos conte como é a sua rotina.
Nas férias saio quase todos os dias de noite, de tarde fico em casa descansando, vendo filme, conversando, essas coisas. Quando estou em aula, vou para a escola de manhã, de tarde faço minhas lições e as vezes saio, de noite fico em casa também, no final de semana aproveito para sair com meus amigos, basicamente isso.
Você vai bastante nos shows dos meninos?
Vou em todos shows que tem aqui em São Paulo, vou nos que tem em Campinas que é a cidade que eu morava, eu aproveito e vejo meus familiares e amigos.
O que a menina tem que ter para conquistar um deles?
É o que eles falam, tem que entender a correria da banda, quando eu lia eles falando isso eu pensava que era exagero deles, que a correria não era tanta mas quando cheguei aqui vi que é bem puxado e vai aumentando conforme os dias vão passando, não sei como eles conseguem. E essa coisa que eles falam que a menina tem que ser loira de olhos claros ou ser parecida com a Taylor Swift, Demi Lovato e Katy Perry é furada porque se a menina tiver ideias e pensamentos igual à ele é isso o que vai contar, a beleza física vem em segundo lugar.
Na quarta página tem quatro fotos, eu com cada um deles e falando um pouco sobre cada um.
Cuidadoso
O Pe Lu é tão atencioso e cuidadoso que as vezes eu o chamo de pai porque parece mesmo! Ele chega perto de você, te olha nos olhos e pergunta com uma voz calma “Você está com sede? Está com fome? Quer alguma coisa?” mas não é só comigo, às vezes ele faz isso com algumas meninas que vão no camarim, tem algumas que chegam brancas feito papel por ficarem horas sem comer e sem tomar água.
Eterna criança
Está para nascer outra criança de 18 anos como o Pe Lanza, ele não para quieto, ele deixa as pessoas tontas de tanto que ele pula, corre e fala, você pode dormir que ele vai continuar falando como se você estivesse acordado e te dá um tapa quando percebe que você dormiu. Ele é bastante preocupado com as pessoas que ele considera, agora principalmente com a sobrinha dele.
Conselheiro
O Koba é o melhor ouvinte e conselheiro que conheci nos últimos tempos, você está contando seus problemas para ele e ele sabe concordar na hora certa, sabe quando tem que ficar em silêncio esperando você encontrar as palavras para falar, sabe a hora certa de te dar um abraço mas o principal, ele sabe o que te falar, ele sempre tem a resposta certa na ponta da língua.
Palhaço
Que o Thomas é um bobo todos já sabem mas não tem outra coisa para falar dele, ele te irrita o tempo todo, até você explodir e ir se trancar dentro do quarto bufando ou ir dormir bufando, tem dias que eu me junto à ele e todos ficam querendo nos matar mas apesar de tudo ele é uma pessoa de ouro, ele é meu xodó, ai da menina que machucar o coração dele! (risos)
Capítulo 71
O tempo pareceu se arrastar, cada hora pensei em uma coisa diferente para dizer à Lucas, quando ele me chamou no rádio dia 22, antes de desligar falei ‘Enquanto você estiver no avião quero que você pense em uma coisa, você percebeu que voltamos a ser amigos?’- A gente se vê dia 27? - Pe Lu perguntou e encostou sua testa na minha.
- Sim, dia 27 - ele deu mais um sorriso gigante, hoje desde que levantou ele não parou de sorrir, o abraçei de novo, agora vou vê-lo só em quatro dias, ô vida! Me afastei contra minha vontade, peguei minha bolsa no sofá, peguei a sacola com presentes para a família do Lucas e fui até o elevador que tio Cesar está segurando a porta.
Fiquei em silêncio o caminho todo, fui pensando e repensando no que falar, minhas mãos estão geladas, porque é tão difícil?
- Quando você quiser ir embora é só ligar! - tio Cesar falou quando abri a porta do carro.
- Pode deixar tio! - sai do carro e fechei a porta, respirei fundo e andei até o portão, toquei a campainha, não demorou muito para Sandra abrir a porta, descer a escadinha e abrir o portão para mim.
- Patthy! Quanto tempo! - ela me abraçou e faz tempo mesmo, um mês.
- Pois é, como você está? - ela me deu passagem e eu entrei.
- Estou ótima e você? - ela fechou o portão e começamos a andar.
- Também, como foi a viagem? - subimos a escada.
- Maravilhosa! Tem cada foto!!! - ela falou super empolgada, Disney deve ser um sonho mesmo.
- Ah quero ver todas as fotos - tentei falar animada como ela mas acho que não consegui, passei pela porta e vi Fernando sentado no sofá, ele sorriu e se levantou.
- Patthy, como você está? - ela falou vindo até mim.
- Bem e você? - ele me abraçou, dei uns tapinhas de leve nas costas dele em resposta.
- Estou mais pobre do que já estava há um mês mas estou bem! - piadinha infâme! Não pude deixar de rir.
- E o Lucas? A Joana? - perguntei.
- Cada um em seu quarto, o Lucas ouvindo músicas no iPod novo por isso que não desceu, não deve ter ouvido a campainha tocar e Joana brincando com os brinquedos que compramos lá, pode subir - Sandra falou, sorri.
- Antes que eu me esqueça - tirei o presente deles da sacola e entreguei, desejei feliz natal e logo após subi as escadas e fui no quarto de Joana primeiro, abri a porta - Ei moçinha! - ela olhou para mim e sorriu, terminei de abrir a porta e ela me abraçou - Que saudade! Você está bem?
- Estou.
- Passei aqui para te entregar um presente, eu sei que você ganhou um monte de presentes legais lá da Disney mas acho que esse você ainda não tem - tirei da sacola o cd ‘Restart by Day’ só que embrulhado e entreguei para ela.
- Obrigada Patthy! - ela pegou e logo abriu, os olhos dela brilharam ao ver o cd.
- Deixa eu te mostrar uma coisa - peguei o cd, abri, tirei o encarte e mostrei para ela o autógrafo deles, ela ficou de boca aberta - Gostou?
- Eu não gostei, eu amei! - dei risada, ela falou igual à minha irmã!
- Que bom, agora eu vou ver o Lucas e depois volto aqui porque quero ver todos esses brinquedos aí hein?
- Tá! - ela começou a pular pelo quarto olhando os autógrafos, fechei a porta e fui até o quarto de Lucas, abri a porta e ele está deitado na cama, de olhos fechados e com o fone alto, estou até ouvindo umas batidas da música, me joguei na ponta da cama dele que abriu os olhos e sentou de uma vez só, dei risada.
- Patthy! - ele sorriu e me abraçou, eu estava sentindo falta dele, mas como amigo.
- Tudo bem com você? - falei ainda abraçada com ele e passei a mão por seus cabelos.
- Tudo e você? - ele se afastou e me olhou.
- Também - sorri e a cada ato dele minha certeza só aumenta - Como foi a viagem?
- Foi a melhor! Você tinha que ver o parque do Harry Potter! Muito foda! - os olhos dele brilharam e eu fingi estar animada por mais que eu não goste de Harry Potter.
- Sério? Sua mãe já disse que vai me mostrar as fotos depois.
- Se prepara, tem muita foto!
- Tenho até as sete para ver as fotos - olhei no relógio no meu pulso - Tenho cinco horas! Ah, comprei um presente para você - entreguei a sacola para ele.
- O seu está lá embaixo - ele fez uma careta.
- Que isso, não tem problema mesmo sabendo que eu não queria presente nenhum né? - ele tirou a camisa polo azul do pacote - Achei que ia ficar bem em você, achei esse azul diferente e você fica bem com qualquer tom de azul.
- Obrigado - ele me deu um beijo na testa, acho que ele também chegou à conclusão - Se você está falando que vai ficar bom então vai - sorri.
- Tá, a gente precisa conversar! Você pensou sobre o que eu falei?
- Pensei - sua boca ficou em linha reta.
- E-Eu posso falar tudo o que tenho para falar primeiro? - ele concordou com a cabeça - Acho que nós misturamos o amor de amizade com atração física e com empolgação. Eu já tentei pensar em maneiras de continuar o namoro mas eu só vejo amizade - meu olhar foi para o chão - Eu não queria terminar mas se continuarmos, uma hora o namoro e a amizade vão acabar, não quero perder sua amizade, eu me sinto tão bem com você - ele segurou minha mão e voltei a olhá-lo.
- Não passa pela minha cabeça ficar sem você, seja como amiga, namorada ou até mesmo inimiga! - ri baixo, ele é uma caixinha de surpresas, ele sempre tem as reações contrárias ao que eu espero, ele é diferente e mereçe uma menina melhor do que eu.
- Você não existe! - eu o abraçei.
- Se eu fosse você, abria o olho com o Pe Lu - fiquei tensa, me afastei e o encarei.
- Como?
- Eu via o jeito que ele te olhava - dei risada para disfarçar e respirei com alívio.
- Mas me conta mais da viagem! - mudo de assunto na cara dura.
- É melhor contar mostrando as fotos, você sabe que eu não sou o melhor para explicar as coisas..
- É, é melhor com as fotos - nós rimos e nos levantamos - Mas antes eu tenho que ir ver os novos brinquedos da sua irmã - fui até o quarto de Joana, coloquei o cd que dei para ela para tocar e ela ficou me mostrandos os brinquedos, bonecas, roupas para bonecas e roupas dela, fiquei lá com ela por umas duas horas, tomamos café da tarde e eles começaram a me mostrar as fotos e contar várias coisas, o presente deles foi a coisa mais linda, como eu disse que não queria presente e etc, Lucas e Joana compraram um e Sandra e Fernando outro, uma bolsa da GAP branca e azul marinho, para combinar com o moleton que tenho e um outro moleton da GAP roxo e lilás, nem fiquei feliz, imagina!
- Ê, ganhou presentes? - tio Cesar falou quando entrei no carro.
- Sim, dois presentes lindos tio - sorri - E a dor do Pe Lu, passou? Tentei chamar ele no rádio mas ele não atendeu.
- Então Patthy.. - ele fez uma cara não muito boa, meu coração apertou - Ele está no hospital porque as dores aumentaram e.. - abri a boca e tentei falar mas não consegui, não estou conseguindo raciocinar e acho que parei de respirar - Não é nada grave, a dor que ele estava sentindo era apendicite - minha cabeça começou a girar.
- Eu quero ir no hospital - foi a única coisa que consegui falar sendo que quero fazer mil perguntas mas não consigo.
- Ele disse que não é para te levar - ele falou com a maior calma do mundo, o sangue subiu para a minha cabeça.
- Você vai ouvir o que ele fala tio?! - falei alto - Me leva para o hospital, por favor - começei a tremer de raiva, como o Pedro Lucas pode ser tão idiota a ponto de querer continuar com aquela coisa de que eu não entro em hospital a não ser que eu esteja mal, pelo amor de Deus!
Fui o caminho todo pedindo para tio Cesar acelerar, até parece que faz de propósito, ele mal estacionou o carro e eu desci, fui correndo até o balcão.
- Ahn - fechei os olhos tentando me lembrar o nome que eu tenho que falar, bosta! - Sala de pré cirurgia.
- Final do corredor à direita.
- Obrigada - sai correndo sem olhar muito para as paredes brancas monótonas, vi Pe Lu sair deitado em uma maca da porta que supostamente é a sala que estou indo, pensei em gritar mas estou em um hospital, já basta estar correndo, se eu gritar eles me expulsam em um piscar de olhos mas para minha sorte Pe Lu me viu e acho que pediu para esperarem porque a maca parou de andar, tentei correr mais rápido só que parece que meus passos diminuíram - Me avisar sobre as coisas faz bem viu - falei ofegante e diminuindo a velocidade dos passos, ele deu um sorriso pequeno e então reparei na roupa dele, uma daquelas camisolas azuis bebê, bem coisa de hospital e mesmo assim ele continua lindo, ê menina apaixonada.
Capítulo 72
- Você passa mal e já está indo para Campinas, não queria que a última vez que você me visse fosse assim - ele soltou um gemido de dor e meu coração apertou, não pensei duas vezes e o abraçei, senti o cheiro de hospital e meu estômago embrulhou, fechei os olhos com força, não posso passar mal, não agora.- Sabe - me afastei um pouco para olhar nos olhos dele - Me disseram que sempre perceberam o jeito que você olha para mim - ele deu um sorriso com vergonha.
- Quem te disse?
- Meu ex namorado - dei um selinho demorado nele e me afastei sorrindo feito boba para poderem levá-lo, é aquela velha coisa, só percebo o quanto senti falta na hora que tenho de volta, como senti falta da reviravolta que acontece no meu estômago, senti falta de sentir a boca dele na minha, o meu mal estar passou e se ele desse mais um gemido de dor na minha frente, eu começaria a chorar, olhei para tia Teresa que está encostada na porta e fui até ela - Ele já vai sair amanhã né?
- Não, ele vai sair lá pelo dia 29 porque está em um nível avançado, tem muito pus na barriga dele, vão colocar dreno para sair - mais seis dias no hospital? Senti uma tontura só de pensar.
- Entendi.
- Agora vamos, vou aproveitar que vai demorar umas duas horas a cirurgia e vou tomar um banho e alguém tem que ir viajar né? - começamos a andar pelo corredor que eu estava correndo há poucos minutos.
- Eu não vou mais, vou ficar aqui com ele - olhei para ela e sorri.
- Mas você não passa mal em hospitais?
- Passo mas isso é um detalhe e outra, estamos em um hospital, se eu passar mal vou ter um monte de médicos para me atender.
Fomos para casa e tomei um banho, vou ficar lá os seis dias, vou dormir no hospital e etc, não deixei os tios ficarem porque com certeza não tem cama e deve ser um sofá duro, eles ficariam sem costas em menos de dois dias, peguei o notebook, o iPad, o iPhone, o rádio e seus respectivos carregadores, baterias e diabo à quarta do Pe Lu, tia Teresa me entregou alguns pijamas, cuecas e chinelo do Pe Lu, peguei trocas de roupa, meu celular, rádio e carregadores, sem esquecer de shampoo, condicionador, sabonete, pente, pasta e escovas de dente, comi um pedaçinho de bolo por insitência da tia Teresa e fomos para o hospital, eles levaram umas sacolas com o que parecem ser presentes dentro. Deixamos as coisas dentro do carro enquanto esperamos o médico aparecer, não demorou muito e ele apareceu, disse que Pe Lu já estava no quarto mas desacordado pela anestesia, os tios foram buscar a mochila com minhas coisas e do Pe Lu e as sacolas que segundo eles, Pe Lu pediu para eles levarem, eu e Naira fomos para o quarto, meu estômago se contorceu ao entrar no quarto e vê-lo desacordado, tomando soro, com sonda e um pouco pálido, nem nos meus pesadelos imaginava vê-lo assim mas o que interessa é que ele está bem, está melhorando. Olhei para o quarto, pareder brancas, que novidade, tem a cama do Pe Lu, uma escadinha embaixo, um sofá encostado na parede, uma mesinha e uma cadeira do outro lado, um ármario e refrigerador na parede vazia, uma porta do lado da mesa que deve ser o banheiro, puxei a cadeira e me sentei, fechei os olhos, apoiei o braço nas pernas e apoiei o queixo nas minhas mãos.
- Você está bem Patthy? - Naira perguntou, abri os olhos e vi ela se aproximando.
- Estou - minha voz saiu fraca - Eu só preciso de um tempo, vou ficar bem - sorri fraco. Na verdade, eu tenho que ficar bem, não tenho outra opção.
O tempo pareceu se arrastar, cada hora um sintoma atacava, ânsia, tontura, mãos tremendo, perdi a conta de quantas vezes tive que respirar fundo para tentar controlar, eu já estava vendo o tio Cesar me levando para casa à força até que eu consegui controlar tudo, ou melhor, me acostumei com o mal estar, eu achei um absurdo quando o Alexandre se acostumou com a dor, agora aconteceu comigo, não é igual mas é parecido, me acostumei com uma coisa que não me faz bem. Pe Lu começou a se mexer, nós quatro nos levantamos e paramos nos pés da cama, ele abriu os olhos e sorriu, me olhou e eu sorri, me aproximei dele.
- Eu não podia ir para Campinas e te deixar aqui né - apertei o botão para chamar algum enfermeiro, pediram para chamar assim que ele acordasse e segurei uma mão dele.
- Você está bem? - a voz dele saiu fraca, é tão ruim vê-lo tão fraco, passei a mão pelo cabelo dele e dei um meio sorriso.
- Me acostumei com o mal estar - ele fechou a cara, vai começar a se culpar por isso - Ei, ei, ei, não! Eu estou aqui porque eu quis, não é para ficar se culpando. Como você está?
- Está sentindo alguma dor? - tia Teresa falou.
- Estou bem, não estou com dor, fica tranquila mãe - ele sorriu.
- Com licença - olhamos para a porta e um médico entrou.
- Então Pedro Lucas, como você está?
- Bem - o médico parou do outro lado da cama, de frente para mim.
- Não está sentindo dor? - Pe Lu negou com a cabeça - É provável que você sinta um pouco de dor na cirurgia mas isso é normal, a cada seis horas algum enfermeiro vem trocar o soro e a cada oito horas ele vem te dar antibiótico também na veia, conforme for eles trocam o curativo também e quando for para trocar a sonda é só chamar, por enquanto você fica só com soro, depois de amanhã é provável que você já possa comer e beber - olhamos para a porta depois de ouvir umas batidinhas, uma enfermeira entrou - Ela vai colocar o antibiótico e se você precisar de alguma coisa é só chamar.
- Obrigada doutor - tio Cesar falou, o médico assentiu com a cabeça e sorriu.
- Ah, tente não ficar nervoso, não ajuda na recuperação - o médico falou e saiu do quarto.
- Quando terminar vai começar a apitar, é só chamar que venho tirar - ela sorriu e saiu também, nisso os três começaram a fazer perguntas e a mimar o Pe Lu, me sentei na cadeira e fiquei só assistindo a cena, até porque o médico deu meia hora para eles e depois tem que ir embora.
- Achei que você tinha ido embora - ele falou logo que os três fecharam a porta, sorri.
- E perder os Munhoz preocupados? Nunca! - falei me aproximando da cama, ele riu baixo.
- Eles devem ter deixado meio mundo preocupado, quando ficam assim saem ligando para as pessoas falando que estão no hospital e desligam.
- Quase fizeram isso mas eu peguei o celular da mão deles e expliquei para sua avó, também pedi para ela avisar as outras pessoas da família - segurei sua mão.
- O que seria de nós sem você? - fingi estar pensando e apoiei meus cotovelos na cama.
- Acho que não seriam muita coisa não - ele fez uma careta, dei um beijo em seu nariz, ficamos nos olhando por um tempo e encostei nossos lábios, não demorou para ele pedir passagem e todas correntes elétricas, o corpo mole, coração acelerado e estômago revirando tomaram conta de mim, eu poderia sentir isso pela vida inteira, juro que não ia me importar.
- Achei que você não ia me beijar, achei que você tinha desistido de mim - ele falou ao partirmos o beijo, arqueei as sombrancelhas, cada coisa que tenho que ouvir.
- Nunca vou desistir de você, eu só estava com um pouco de vergonha dos seus pais - ele gargalhou, tampei o rosto com as mãos e começei a rir.
- Dos meus pais? Tem certeza?
- É que eles sabem né, deviam estar esperando que nós nos beijássemos e tal.
- Hm, sei - ele me olhou desconfiado e eu ri - Então quer dizer que agora você é só minha? - me apoiei na cama de novo.
- Sim, agora sou só sua - dei um selinho nele.
- É minha namorada? - ele sorriu maroto e oi? Ele me pediu em namoro? Abri a boca procurando palavras para respondê-lo.
Capítulo 73
- Sou - vi um sorriso lindo tomar conta do rosto dele e não pude deixar de sorrir - Sou sua namorada, sua amiga, sua conselheira, tudo que você precisar - e o beijei.Ficamos o resto da madrugada conversando e nos beijando, é claro, chega a ser estranho pensar que ele é meu namorado, acho que já pensei nessa possibilidade por tantas vezes que agora que é real é surreal, bom, não sei explicar mas é bom e estou sentindo uma felicidade sem igual. Oito da manhã em ponto o telefone do quarto tocou.
- Alô - falei.
- O Pedro, Lucas e Thomas estão aqui - desde quando eles acordam cedo assim?
- Ah sim! Podem subir, obrigada - desliguei o telefone - O Pedro, o Lucas e o Thomas estão subindo - tentei imitar a voz da mulher, Pe Lu riu.
- Espera, são oito da manhã! Tem certeza de que são eles? - eu ri.
- Acho que não, devem ser alguns impostores. Nem seus pais chegaram tão cedo assim, definitivamente são impostores!
- É mas falando em meus pais, ainda vou ter uma conversa séria com eles e com você - revirei os olhos.
- Já falei que você pode me excluir dessa conversa, nada do que você disser vai me fazer passar o Natal com seus pais e te deixar aqui sozinho! Também duvido muito que eles vão querer passar em outro lugar a não ser aqui junto do xuxuzinho da família - apertei suas bochechas e ouvi duas batidinhas na porta.
- Oi gente - Pe Lanza falou abrindo a porta aos poucos, eu e Pe Lu nos olhamos, arqueamos nossas sombrancelhas e rimos, são eles mesmos! Pe Lanza, Thomas e Koba entraram no quarto, me cumprimentaram e fizeram a pergunta que, provavelmente, todos vão fazer ‘E aí cara, como você está?’ e Pe Lu respondeu o que vai responder sempre ‘Estou bem, obrigada’ - O chefe disse que não podemos demorar porque ele também quer subir - sério que o Marcos está aqui? Preciso falar com ele, pensa em uma desculpa para sair do quarto, pensa, pensa, pensa Patricia!
- Eu vou ver se ele pode subir no meu lugar, fico lá embaixo - olhei para Pe Lu - Porque se vocês três ficarem lá depois - ele concordou com a cabeça - Então estou indo, vocês entenderam né? - nós rimos, eu ri de nervoso, não gosto de me enrolar com as palavras, peguei meu celular - Qualquer coisa é só ligar - balancei o celular, olhei para os meninos e depois para Pe Lu, sorri e sai, começei a organizar meus pensamentos indo até a recepção do hospital.
- Patthy?! - balancei a cabeça e olhei para frente, vi Marcos, sério que já cheguei na recepção?
- Oi Marquinhos! - o abraçei - Preciso falar com você, uma coisa séria.
- O Pe Lu está bem? - ele me pareceu um pouco preocupado.
- Calma, ele está bem - nos sentamos em uns bancos - Quero falar com você sobre os shows - ele concordou com a cabeça, adoro quando as pessoas fazem isso, é um sinal de que estão dispostos a me ouvir e que vão ficar quietos o tempo todo! - Bom, ele deve sair daqui dia 29 ou 30 e eu sei que eles tem show dia 2 de janeiro. O negócio é que ele não vai poder pular e nem fazer movimentos bruscos por pelo menos duas semanas porque o corte pode abrir, o médico não deu pontos, ele passou uma cola então é mais fácil de abrir. Para não cancelar nenhum show eu sugiro que o Pe Lu faça os shows sentado, por mais que seja difícil vai ter que ser assim.
- Por mim tudo bem, o que nós não podemos é cancelar os shows - é burrície pensar que Pedro Lucas vai ficar sentado durante os shows.
- Você tem a agenda toda deles aí? - ele tirou o iPhone do bolso da calça e em pouco segundos me entregou com a agenda deles - Você ainda tem aquelas autorizações? - perguntei olhando as datas e cidades.
- Tenho algumas, porque?
- Quantas?
- Umas oito.
- Tá, tem como você arrumar mais? Eu vou com vocês o mês de janeiro todo, eu sei que ele não vai ficar quieto - ele concordou com a cabeça, devolvi o iPhone dele e fui até o balcão - Oi, tem como ele também entrar no quarto do Pedro Lucas? - a recepcionista começou a digitar.
- Pedro Lucas Convá Munhoz?
- Isso!
- Já tem três visitantes e um acompanhante, não pode mais de quatro pessoas.
- Então, os três visitantes são da banda dele e esse cara - apontei para Marcos que apareceu do meu lado - É o produtor deles, nós seis temos um assunto muito importante para conversarmos, juntos - falei pausadamente para ela entender e dei ênfase na última palavra, ela ficou me olhando com cara de retardada por um tempo e então bufou.
- Tudo bem mas não pode demorar muito - dei um sorriso cínico.
- Obrigada - e começei a andar rápido, Marcos veio logo atrás - É o seguinte! - falei ao abrir a porta do quarto, os quatro me olharam assustados, ri um pouco e Marcos fechou a porta logo que entrou - Eu e Marquinhos conversamos - olhei para ele e joguei um olhar ameaçador para ele concordar e ele o fez - E eu vou com vocês para os shows o mês de janeiro todo porque você, Pedro Lucas, vai ter que se acalmar, vai ter que ficar quietinho e eu sei que você vai dar um jeito de enrolar todo mundo e vai sair pulando por aí então eu vou ficar de olho em você - olhei para ele que está sorrindo, está feliz porque vou com eles mas está irritado por não poder ser ele mesmo nos shows.
- Com a Patthy não dá para brincar! - Pe Lanza falou e sua boca ficou em linha reta, sorri vitoriosa.
- Como você conseguiu entrar? - Koba olhou para Marcos, ele riu.
- Ela teve uma conversinha com a recepcionista.
- Você deixou uma menina fazer o trabalho por você? Tá mal hein - Thomas falou e sorri.
Os meninos foram embora porque ligaram da recepção dizendo que tinham mais visitas e que eles já estavam há muito tempo no quarto, eles saíram e os tios e a Naira entraram, Pe Lu ficou tentando nos convencer a passar o Natal em outro lugar, que ele ia ficar bem sozinho no hospital em pleno Natal, claro, até porque passar o Natal sozinho, dentro de um quarto branco e chato é super empolgante! Depois de muito tempo debatendo, ele convenceu os tios e Nai a passarem em outro lugar, comigo ele nem insistiu muito porque sabe que eu não ia mudar de ideia de jeito nenhum, no decorrer do dia várias pessoas apareceram e o cansaço estava estampado em seu rosto mas ele não queria dormir, ele queria estar acordado para receber as pessoas e agradeçer pela preocupação, além disso, ele ficou se culpando por eu também estar cansada, sempre digo que é por opção minha e que prefiro estar cansada e do lado dele, sabendo que ele está bem do que estar em casa sem saber notícias dele.
Mesmo eu dizendo que não quero presentes ele me deu um, me pediu para pegar uma caixa dentro do armário e disse que é para mim, abri a caixa e encontrei centenas de fotos minha e dele juntos, atrás de cada foto tem algo escrito por ele mesmo, à mão! Demorei para raciocinar normalmente, ele deve ter levado muito tempo para fazer isso e como eu não percebi? Segundo ele, tudo isso foi feito enquanto eles estavam no Uruguai e na Argentina e que Pe Lanza e Thomas sabem de tudo sobre eu e ele, me senti uma idiota e entendi algumas risadinhas que eles davam para mim quando eu me aproximava do Pe Lu, não sei como não pensei nessa possibilidade mas tudo bem. Logo após dar meia noite ele começou a falar sobre contar às fãs que eu e ele estamos juntos, juro que fiquei tensa e me arrepiei ao pensar nisso, a primeira coisa que pensei foi uma pancada de meninas me xingando no twitter e quando me encontrarem nos shows? Será que jogariam tomate na minha cabeça? Não, não, que exagero! Sempre fui simpática com elas, não tem porque elas me xingarem e me odiarem, mentira, eu simplesmente estou com o ídolo delas, acabei com os sonhos delas de namorarem com ele. Mas o Pe Lu é um amor e não vai contar de uma vez, ele vai começar a não responder nos shows se está solteiro ou não, quando fizermos um mês de namoro ele vai contar mas até lá vamos dando algumas dicas, só para elas entenderem e não se assustarem muito, essa última parte foi ideia minha porque se dependesse dele, em duas semanas ele contaria tudo e não daria dica nenhuma.
Eu achei que passar os dias aqui seriam mais fáceis, dormir é quase um luxo, você não dorme, você cochila porque a cada uma ou duas horas algum enfermeiro entra, uma hora é trocar o soro, outra é colocar o antibiótico, outra é tirar o antibiótico, outra é trocar o curativo e outra é a sonda, o último é mais frequente porque ele só toma soro então já dá para imaginar mas ainda sim estou bem, com sono mas bem. No terceiro dia começei a andar com Pe Lu pelo hospital, ele anda meio curvado porque dói o curativo e eu vejo a frustração nele quando ele tenta endireitar as costas, tentei imaginar como vai ser ele entrando no show assim, aparentando estar tão fraco e indefeso na frente de centenas de meninas que o consideram um ídolo, deve ser muito frustrante só de pensar em aparecer assim para elas, como vai ser no dia 2? Pensando nisso falei para ele não forçar para tentar andar direito e no show ficar sentado o tempo todo para melhorar logo, tive que repetir isso várias vezes, ele parece uma criança birrenta e chata mas para mim não.
Dia 29 ele saiu do hospital e quando chegamos em casa dormimos até o outro dia, mas mesmo assim não dormi direito porque Pe Lu insistiu em dormir comigo e eu com medo de encostar no curativo dele, acordei várias vezes para me certificar de que eu não ia encostar no curativo. Passamos a virada na casa do Pe Lanza e sua família, Thomas e sua família também estavam lá, só faltou Koba e sua família que foram para um rancho, enfim, como ele não pode tomar bebida alcóolica eu o acompanhei tomando refrigerante, ele se sentiu culpado, como sempre, por eu beber refrigerante e etc, essas crises de culpa que ele está tendo estão me irritando, quando ele vai entender que eu faço isso por opção minha? 2011 começou bem, virei o ano beijando Pe Lu e o primeiro ‘Feliz Ano Novo’ foi dele, o ano mal começou e eu já estou gostando, sem contar que tem a Duda! Eu não a via desde que fiquei no hospital com Pe Lu, até ela sentiu minha falta, quando me viu sorriu e agitou as perninhas gordas, me apeguei bastante à ela e Mi falou que agora que ela está maiorzinha e que já usa a mamadeira pode deixá-la em casa comigo, eu nem fiquei feliz, imagina! Acho que nunca fiquei tão envergonhada na minha vida, todos falando ‘Ah que lindos’ quando sentei do lado do Pe Lu com Duda no colo, só faltaram falar ‘Quando vocês vão arrumar os seus?’ porque falaram que temos jeito com criança e etc mas só esqueceram de que eu ainda sou uma criança! Tá bom, eu só falo isso em situações como essa e quando precisava de dinheiro, dizia para o meu pai me dar de dia das crianças.
Capítulo 74
Pe Lu ficou com medo de entrar no palco, eu via nos olhos dele e tentei confortá-lo, acho que funcionou e ele ficou sentado na cadeira o show inteiro e sempre me olhava dizendo ‘Estou sentado!’ mas também se não ficasse sentado depois de tanto que falei, eu ia achar que ele é surdo. E ele não respondeu se está solteiro ou não, na verdade, Pe Lanza nem perguntou para ele, que foi combinado porque se perguntasse e ele não respondesse estaria muito na cara, ele ficou olhando para a guitarra enquanto Pe Lanza falava com Thomas e Koba, depois olhou para mim e sorriu, aquele sorriso que me mata sempre.O resto do mês foi uma loucura, dormir na cama do ônibus deles é terrível quando você tem que dividí-la com alguém, Pe Lu insistiu para eu dormir com ele e na verdade nem precisou insistir tanto, aquela carinha dele é injusta demais, deveria ter algum tipo de lei, qualquer cara bonito demais não pode ficar andando por aí, usando seu sorriso colgate para derretes corações e deixar pernas bambas, eles tem que ficar trancados em casa, no caso, o Pe Lu fica trancado na minha casa, que é a casa dele, óbvio!
Acho que nunca fui tão feliz como estou sendo com Pe Lu, sempre que ele tem um dia de folga nós vamos para a praia, ele me pega na escola e vamos direto para a praia, ficamos o dia todo lá, alugamos uma casa que é de frente para uma praia tranquila que é boa para irmos e de madrugada voltamos, ele me deixa na escola e vai para casa, eu fico feito zumbi na escola mas tudo bem, o importante é passar um tempo com ele, o que tem sido raro, então quando aparecem essas oportunidades ficamos o máximo de tempo juntos, Lucas me olhou com uma cara de ‘Eu te falei’ quando contei que estava com Pe Lu, achei que ele fosse ficar bravo mas como ele é uma caixa de surpresas apenas sorriu e me apoiou, até porque ele não podia fazer muita coisa, nós meio que esquecemos essa coisa de que somos ex namorados mas também não ignoramos o tempo que namoramos, apenas continuamos amigos. Pe Lu e eu resolvemos contar à Capricho sobre nosso namoro, acho que pelo carinho deles por mim deveriam saber primeiro, até que as fãs não me xingaram muito, só um pouco mas com o tempo vai melhorando.
No começo de junho as coisas começaram a mudar, eu passei a não saber o que Pe Lu está pensando só de olhar nos olhos dele e todas aquelas coisas que eu ‘pressentia’ pararam também e então tive a certeza de que aquilo era só uma coisa da minha cabeça, uma invenção para justificar o fato de eu pensar igual ao Pe Lu mas ao mesmo tempo que começei a me sentir distante de Pe Lu, Duda se aproximou mais de mim e de uma certa forma me senti bem, não sei explicar.
- Você está diferente - Pe Lu falou ao se levantar da cama, olhei para ele sem entender.
- É? Que coisa - minha boca ficou em linha reta.
- Você não vai perguntar o que eu acho que tem de diferente em você?
- Eu deveria? - ele fechou as mãos em punho, não estou vendo motivo para ele ficar nervosinho.
- Olha aí! Você não é mais a mesma! Eu não te reconheco mais, nem consigo mais saber o que você pensa quando te olho! - e convenhamos, invasão de privacidade total aquilo né, como eu conseguia?
- E não é bom? Agora você guarda os seus pensamentos para você, o que convém ser contado você me diz e eu faço o mesmo - ele bateu na porta com força, sorte que estamos sozinhos em casa, os tios foram no mercado e Naira na casa de alguém que eu não estou me lembrando, acho que a dificuldade com nomes do Pe Lu passou para mim.
- Não parece mais que eu estou com a Patthy, parece que eu voltei com a Ná - agora é minha vez de ficar irritada, me sentei na cama em um segundo.
- Então quer dizer que você vai sair daqui a pouco e vai pegar algumas meninas? Bom saber Pedro Lucas!
- Meu Deus Patricia!!!!! Você não se lembra das coisas que eu te falei que a Ná fazia? Pelo que eu me lembre você não achava certo e agora você está fazendo a mesma coisa! - ele passou as mãos no cabelo.
- Tá bom, se você quiser terminar eu acho que vou entender! - ah falei sem pensar, bosta! Ele bufou e saiu do meu quarto, ouvi algumas portas baterem, devem ser do guarda roupas dele e depois a porta da sala batendo, foi aí que começei a chorar por provavelmente não ter mais um namorado.
Depois de um tempo me arrastei para o banheiro e percebi que tia Teresa e tio Cesar já estão em casa, entrei debaixo do chuveiro com a água gelada, começei a me lembrar de todos os momentos que passei com ele nesse um ano que estou aqui, hoje faz um ano que conheci o Pe Lu e justo hoje nós temos a briga mais feia, ficamos a madrugada inteira acordados para aproveitar o único tempo que teríamos para ficar juntos no dia de hoje já que ele tem várias coisas da banda para fazer de dia e de noite eles tem show, meu choro aumentou a cada momento que me lembrei, cada palavra, cada ato, cada toque, cada beijo, cada risada, era tudo tão lindo e agora não sei o que é e não sei se ainda é alguma coisa. Senti uma dor na barriga toda, do estômago até a bexiga, fechei os olhos e apertei a região para ver se resolve alguma coisa mas nada, encostei na parede e fui escorregando, dei um tempo e não melhorou, abri os olhos e vi um monte de sangue no chão, se misturando com a água caindo e indo embora pelo ralo, senti uma pontada forte e dei um berro, tia Teresa começou a bater na porta, falei para ela que estou bem e que já estou saindo enquanto tentava me levantar, terminei de tirar o condicionador do cabelo com dificuldade, ainda sentindo dor, até hoje nunca tive uma cólica tão forte, se isso se repetir mais vezes, não sei se vou aguentar não. Me enxuguei e coloquei minha roupa, abri a porta e tia Teresa começou a me perguntar algumas coisas, tudo em volta começou a girar e tudo ficou preto.
Capítulo 75
Abri os olhos com alguém mexendo no meu braço direito, vi uma mulher toda de branco e paredes brancas, hospital, que ótimo!- Doutor ela acordou! - ela falou e um homem de branco, lindo diga-se de passagem que não dou mais do que 25 anos, veio até mim e sorriu.
- Você está bem? - ele perguntou quase sem desfazer o sorriso branco encantador.
- Estou sim, obrigada. Ahn, estou aqui há quanto tempo? E o que aconteceu comigo? - ele riu baixo.
- Todos perguntam isso, você está aqui há uma hora no máximo e.. E sinto muito mas você teve um aborto espontâneo.
- O que? - falei alto e fiquei boquiaberta, como assim?
- Você ainda estava de três semanas, não daria para saber - fiquei paralisada por um tempo, a única coisa que ficou na minha cabeça é que eu estava grávida - Você quer que eu avise seus pais ou você mesma conta?
- Hã? - meu pais?! Meu coração parou.
- É - ele apontou para a salinha e graças a Deus só vi os tios sentados em um sofá de costas para mim, sorte porque se não eles já teriam vindo até aqui.
- Ah que susto - coloquei uma mão na testa e respirei aliviada.
- Porque?
- Eles não são meus pais, eles são pais do meu namorado mas pode deixar que eu mesma conto para eles.
- E seu namorado está aonde? - ele me olhou desconfiado.
- Trabalhando - pensei em dizer que não sei aonde ele está - Eu já posso ir?
- Sim - me levantei da maca.
- A propósito, quais podem ter sido as causas do meu aborto?
- Algum defeito em algum cromossomo, stress ou alguma queda, que não foi seu caso. Esses são os mais comuns e prováveis - stress, é.
- Ah sim, obrigada - sorri para ele e sai.
- Nem nos chamaram! - tia Teresa se levantou ao me ver e correu para perto de mim, tio Cesar veio logo depois.
- Você está bem? - olhei para o chão e respirei fundo.
- Estou, vamos embora e eu conto para você o que eu tive no caminho - começamos a andar e não consegui tirar a ideia de que eu estava grávida da cabeça, é difícil acreditar!
Contei a eles e falei da minha briga com o Pe Lu, é claro e pedi para eles não contarem nada para ele, ainda no caminho para casa decidi ir para Campinas, passar minhas férias lá, depois do que aconteceu hoje preciso de bastante tempo para pensar, os tios não negaram e mesmo se negassem eu ia de qualquer jeito. Arrumei uma mala com algumas roupas, não estou com planos de sair para balada em Campinas, vou ficar quietinha, aproveitar o tempo e pensar em algum modo de contar para meus pais que eu estava grávida, isso vai me dar dor de cabeça. Entrei no ônibus quase vazio, em plena quarta feira poucas pessoas vão para Campinas, que bom, me sentei no fundo e na janela, que se foda se minha cadeira não é essa, deixei minha bolsa no meu colo e o meu urso do meu lado, algumas coisas nunca mudam. O ônibus começou a andar e parece que só assim as minhas ideias começaram a fluir, não continuaram estagnadas em gravidez, começei a me lembrar de tudo que Pe Lu me falava sobre a Ná, verdade que eu fiquei igual à ela? Que tipo de pessoa eu me tornei? E como o Pe Lu se sentiu vivendo tudo de novo? As lágrimas começaram a escorrer, a verdade é que eu sinto falta de saber o que ele pensa, sinto falta daquela conexão, eu quero voltar a acreditar em tudo isso, quero voltar a ser feliz de verdade, eu quero voltar a ser o que eu era, eu quero o Pe Lu de volta. Meu celular tocou, revirei minha bolsa para encontrá-lo e ler ‘amor da minha vida’, respirei fundo.
- Oi - falei com a voz embargada pelo choro, não vou esconder dele que estou chorando e também não quero usar isso para fazê-lo sentir dó de mim.
- É verdade que teve um… - ele não conseguiu terminar e eu sabia que os tios iam contar logo.
- Aborto espontâneo? É.
- Desculpa, foi minha culpa..
- Pára de ficar se culpando - eu o interrompi.
- Aonde você está? Estou indo te encontrar - meu coração apertou e os tios só contaram a parte do aborto, deixaram para mim a parte mais difícil, de contar que estou indo para Campinas? Que ótimo.
- Pe - fechei os olhos tentando afastar as lágrimas que insistem em vir - Estou indo para Campinas, vou passar as férias lá, preciso de um tempo para pensar sobre tudo que aconteceu hoje. Quanto ao nosso namoro para as suas fãs, você diz o que quiser, aliás, a gente ainda namora? - que medo da resposta dele.
- Claro que namoramos e você só está indo passar as férias em Campinas, tem certeza que você vai ficar as férias inteira lá? - respirei aliviada mas ele ainda pode pegar um monte de menina por aí, o que eu tinha medo que acontecesse vai acontecer.
- Vou ficar o tempo que eu precisar, então vou desligar e pode deixar que eu te ligo - dei ênfase no “eu” e se eu continuar falando com ele sou capaz de descer desse ônibus e falar para ele vir me buscar - Tchau - nem deixei ele falar e desliguei, fechei os olhos e voltei a chorar.
‘não vou ficar com ninguém (eu sei que é isso que está te preocupando, lembra que eu sou só seu?) e imagino como deve ser difícil então vou respeitar seu tempo, não esquece que além de seu namorado, sou seu conselheiro, ombro amigo e melhor amigo então quando você precisar nem pense duas vezes, é só me ligar. eu te amo muito’ as lágrimas aumentaram quando li a mensagem dele.
Capítulo 76
Cheguei na rodoviária e minha mãe já estava me esperando, contei algumas novidades para ela, tive que fingir estar feliz e não tirei os óculos de sol para ela não ver meus olhos inchados. Cheguei em casa e me joguei na minha cama, fiquei olhando para o teto e me lembrei da primeira vez que Pe Lu veio aqui em casa e depois quando ele, os tios e a Naira vieram, algumas lágrimas escorreram e alguns sorrisos involuntários apareceram.- Patthy - minha mãe foi entrando devagar no meu quarto e sentou na minha cama, olhei para ela - Você e o Pe Lu se cuidam? - arregalei os olhos, ótima hora para minha mãe querer falar sobre isso, o que ela vai dizer se eu responder “Claro, nos cuidamos tanto que hoje de manhã sofri um aborto espontâneo!”.
- Mãe! - falei alto usando um tom de que isso é uma pergunta idiota e me levantei da cama.
- Você mora na mesma casa que o seu namorado! Eu não nasci ontem.
- Um pouco de confiança faz bem - falei.
- Só quero confirmar de que não vou ser avó tão cedo - meu Deus vou ficar louca, peguei minha bolsa e coloquei um chinelo.
- Eu vou no shopping com a Ana! Não sei que horas volto! - sai de casa rápido, peguei o celular e liguei para Ana.
- Alô?
- Ana?
- Patthy? - nesse nervosismo não reconheci a voz dela, mas tá!
- Me encontra no Iguatemi daqui uma hora? - o choro começou a voltar só de pensar em contar tudo para ela, ter que me relembrar de tudo.
- Você está em Campinas?
- Aham, cheguei tem uns dez minutos - minha voz saiu embargada e uma lágrima escorreu.
- Você está chorando? O que aconteceu?
- Me encontrar no shopping que eu te falo! - peguei meu óculos de sol dentro da bolsa e coloquei.
- Tá bom mas você está bem mesmo?
- Não mas ah.. Então a gente se encontra lá, beijo - e desliguei antes que ela também falasse mais coisa, que com certeza vai falar, ou melhor, ficou falando.
Entrei no ônibus e me sentei em um banco no fundo, um tempo depois Ana entrou no mesmo ônibus que eu, sorte que ela estava saindo da academia e pegou o mesmo que eu! Começei a contar tudo para ela e claro que chorei, chorei e chorei.
- O que eu não me conformo é que eu estava grávida, estou me sentindo uma irresponsável! Tá bom que eu digo que quero ser mãe cedo mas não tão cedo assim, com uns 20 anos quem sabe mas 17 não!
- Mas já passou.
- Eu sei mas isso não muda o fato de que eu e o Pe Lu esquecemos a porcaria da camisinha! E mesmo assim, era uma vida!
- Vocês ainda vão ter mais filhos - olha a conversa, me senti uma mulher de 30 e poucos anos, fechei os olhos e respirei fundo.
- Preciso ir embora e pensar na minha vida - peguei minha bolsa e me levantei, Ana fez o mesmo. Peguei meu celular e me lembrei de que uma coisa chama twitter existe e é importante quando você desliga o seu rádio e só usa o chip que as pessoas de São Paulo não tem o número, a não ser o Pe Lu, claro.
_patthy cheguei em Campinas! vim passar as férias por aqui
_patthy e aos meus amigos: sim, meu celular e rádio estão desligados e vão permanecer, só vou entrar no msn…
_patthy celular só o de Campinas mesmo e quem não tenho no msn, me manda por dm que eu adiciono (:
Pedi para Ana me fazer esquecer um pouco esse assunto, ela começou a falar coisas aleatórias que me distraíram enquanto estávamos no ônibus indo para casa.
- Quero te fazer uma pergunta - falei quando vi que o ponto em que Ana vai descer já é o próximo, estou com receio de perguntar.
- Pode fazer - ela sorriu me encorajando, respirei fundo e pensei em não perguntar, tenho medo da resposta.
- Eu mudei mesmo como o Pe Lu falou? - perguntei baixo, minha voz quase não saiu. Eu SEI qual vai ser a resposta dela, SEI que mudei mas às vezes pode ser coisa da minha cabeça, não pode?
- Ahn - ela torceu a boca e olhou pela janela do ônibus, péssimo sinal, ela está procurando palavras para dizer que mudei - É.. Mudou um pouco - olhei para ela com uma cara desconfiada - Tá, mudou bastante - ela revirou os olhos e minha boca ficou em linha reta, não sei o que fazer, ela ficou de pé, arrumou o cabelo e colocou a bolsa no ombro - Na verdade você mudou duas vezes, quando se mudou para São Paulo e agora mas a primeira mudança foi positiva e sei que você vai conseguir encontrar os erros e concertá-los, aliás, você já voltou a ser a Patthy de quando se mudou para São Paulo e se você precisar é só me ligar, você já sabe né? - concordei com a cabeça e tentei sorrir mas não consegui, ela jogou beijos no ar e um velho gordou sentou ao meu lado, que ótimo, é tudo que eu preciso! Me levantei e fiquei de pé perto da porta, encostei minha cabeça em um dos canos e é sério que mudei tanto assim? Me celular fez barulho, procurei-o dentro da bolsa, uma mensagem nova.
‘sorte que você desbloqueou seu twitter e acho que sou o único que tenho esse seu número, até que ser desesperado e pedir seu celular e não ter apagado o número serviu para alguma coisa. porque você sumiu de repente?’ que saco, porque eu não me lembrei que o Lucas tem esse número?
‘problemas, problemas e mais problemas, afinal, sou ou não a rainha dos problemas? (: daqui a pouco entro no msn e te conto’ desci do ônibus, atravessei a pequena avenida, dei mais alguns passos e entrei em casa.
- A janta está quase pronta! - minha mãe falou logo que abri a porta da sala.
- Ah.. Está bem - fechei a porta - Vou tomar um banho.
- Isso, assim dá tempo da janta ficar pronta! - ela sorriu e passei por ela sentada no sofá.
- Não precisa se preocupar tanto com a janta mãe - falei alto ao entrar no meu quarto.
- Tem um ano que você não janta em casa! - ela apareceu na porta do quarto, joguei minha bolsa na cama.
- Mas almoçei em novembro - senti um arrepio ao me lembrar desse dia, peguei meu pijama e fui para o banheiro.
Deixei a água cair para ver se leva meus problemas junto mas é claro que isso não vai acontecer, nem em sonhos isso acontece, ouvi gritos da minha irmã e meu pai perguntando quem está no banheiro, minha mãe falou que sou eu e depois a casa ficou em silêncio, só dá para ouvir a música do Justin Bieber que minha irmã comecou a ouvir. Fiquei pensando se vou contar ou não para meus pais, se eu contar é capaz deles não me deixarem voltar para São Paulo então por enquanto não vou falar nada sobre o assunto, talvez um dia eu conte, talvez. Terminei o banho, me enxuguei, coloquei o pijama, jantei e me joguei na minha cama, msn é a última coisa que quero no momento, peguei meu celular para mandar uma mensagem para Lucas, só para tirar o peso da consciência e tem uma mensagem sem ler, deve ser a resposta dele.
‘você e o pe lu não estão bem né? ele veio me perguntar de você’ achei que o assunto ia ficar entre eu e ele, mas estou vendo que não.
Capítulo 77
‘sei lá se estamos bem.. bom, eu não estou com cabeça para entrar no msn então vou resumir e quando der te conto mais. bom, eu e o pe lu brigamos e eu vim passar as ferias em campinas, para conseguir pensar direitinho e tal, basicamente isso’ coloquei o celular do lado do meu travesseiro e me deitei, olhei para o teto. Mudei duas vezes em um ano, na verdade, eu só precisava de espaço para mudar na primeira vez, eu sempre fui tímida, ficava na minha e as pessoas pensavam que eu era séria demais, que vivia de mal com a vida ou que eu era metida, preferia ficar em casa conversando com amigos que fiz pela internet do que sair com os poucos que tinha, eu podia contá-los nos dedos das mãos e consigo contar nos dedos de uma mão os que eu ainda converso, na minha cabeça eu já tinha o meu ‘novo estilo de vida’ e só precisava de uma chance de mostrar que podia ser diferente, que eu consegui deixar a timidez de lado mas aqui em Campinas não ia adiantar, eu ia continuar no mesmo ciclo vicioso de pessoas e isso não ia importar muito para eles já que a primeira impressão é o que mais conta para eles, vi a minha chance quando li o anúncio do intercâmbio na escola de inglês, São Paulo e pessoas novas eram tudo que eu precisava, São Paulo é o que eu sempre quis, sonho de gente pobre não é? Quando eu era mais nova sempre quis ir morar em algum lugar dos Estados Unidos, em qualquer lugar desde que eu ficasse perto dos meus artistas favoritos, se fosse na puta que pariu eu não ia me importar e moraria lá mas há um pouco mais de dois anos mudei de ideia e vi que São Paulo é uma boa opção, tem várias universidades e ótimas baladas, bares e etc, eu já estava planejando ir para lá quando terminasse o colegial, eu faria minha faculdade lá e daria um jeito de conhecer o Pe Lu, sim meus planos eram esses. Logo que o ônibus começou a andar deixei a antiga Patricia para trás e acho que fiz bem, eu não teria sido legal com a Naira e nem com os tios, quando eu visse o Pe Lu teria congelado, não ia me lembrar do meu próprio nome, principalmente quando ele se dirigiu à mim e me deu aquele beijo estalado na bochecha, eu não teria conversado com ele direito e nem teria aconselhado-o com a Ná, talvez eu tenha errado nessa última parte, eu deveria ter deixado os dois terminarem de uma vez, não ter feito ele dar uma chance para ela, enfim, o que importa é que eu e ele estamos juntos, ou não mais. Não, acho estamos sim, ah não sei. Meu celular fez barulho, mensagem.‘se você foi pra campinas é porque a coisa foi séria, se precisar é só me ligar tá?’ minha caixinha de surpresas preferida! Ele é um amor né?
‘não foi séria mas uma coisa que aconteceu foi séria e eu vim para pensar. pode deixar que eu te ligo, obrigada! (:’ respondi à ele e coloquei o celular no silencioso e coloquei-o de novo ao lado do travesseiro.
Essa segunda mudança não sei como aconteceu, não percebi! Eu me tornei fútil ao ponto de achar que conseguir saber o que o Pe Lu pensa é invasão de privacidade! Pensava que a conexão era invenção da minha cabeça, meus pensamentos ficavam a cada dia mais parecidos com os da Ná e eu fazia questão de ignorar isso, eu condenava as coisas que ela fazia e acabei fazendo o mesmo, fiz Pe Lu sofrer, eu tinha vontade de bater nela e agora estou com vontade de bater em mim por isso. Precisei perder um filho para perceber a mudança porque até então eu ia chorar, chorar e chorar, o Pe Lu ia chegar em casa, nós íamos conversar e tudo ia se resolver ou simplesmente iríamos terminar. Ficar longe do Pe Lu nunca foi minha intenção, aliás, uma vez já tentei, um dia tive um excesso de amor pelo Lucas e tentei ficar longe dele mas consegui por poucos minutos.
Flashback on
Me sentei no sofá e liguei a tv, ‘Vestida para Casar’ está passando, começei a assistir mesmo já sabendo tudo que vai acontecer no filme por já tê-lo assistido umas trocentas vezes. Um tempo depois Pe Lu chegou e eu fingi estar dormindo, eu tenho namorado e não vou ficar abraçado o Pe Lu por aí, começei a mudar os canais, eu simplesmente acordei logo que ele entrou, qual o problema? Grey’s Anatomy não, Glee não, Extreme Makeover também não, House não, por diabos não consigo assistir nenhum programa? Nem os que eu gosto? Deve ser tpm, aliás, só pode ser tpm!
- Ei! - Pe Lu se jogou ao meu lado no sofá, olhei para ele, arqueei as sombrancelhas e dei um sorriso falso.
- Oi! - me levantei e fui até a cozinha, tomei água e voltei a me sentar no sofá mas longe dele, cruzei os braços e fiquei olhando para a tv, ignorando a presença dele.
- O que foi? - olhei para ele que está aparentemente preocupado.
- Nada - voltei a olhar para a tv.
- Fala o que aconteceu - olhei para o lado e encontrei seu rosto em frente ao meu, respirei fundo e recuperei minha concentração.
- Nada! - me levantei mas ele segurou meu braço - Ai Pedro Lucas, que saco! Eu tenho namorado!! E ah… - mil coisas começaram a passar pela minha cabeça mas não consegui entender nenhuma.
- O que? - olhei para ele e começei a rir da sua cara de dúvida, diversão e um pouco de medo. Sério, o que eu estou falando? A quem quero enganar? Não sei ficar longe dele por muito tempo e o abraçei.
Flashback off
Depois ele ficou me zoando sobre isso por um bom tempo, até hoje não sei o que aconteceu comigo naquele dia, só pode ser a tpm, não vejo nenhum outro motivo. Perdi a conta das vezes que ele foi carinhoso comigo, aliás, ele sempre foi carinhoso mas ele consegue se superar, no dia do meu aniversário por exemplo…
Flashback on
- Patthy!! - ouvi alguém me chamar bem distante, a bagunça que a sala está é impossível ouvir pouco mais do que as pessoas que estão perto de você, olhei para os lados e vi Vanessa apontando para a porta, olhei para a porta e vi o monitor, fui até ele.
- Vieram te buscar, pega seu material para ir embora - cerrei os olhos e fui pegar minha mochila, me despedi de todos mas antes eles cantaram parabéns para mim, fim do mundo e eles não cantaram ‘Com quem será’ porque o monitor, iluminado de Deus, não deixou. Cheguei na secretaria e vi aquele ser alto e magro, revirei os olhos e ri, ele virou para mim e sorriu.
- Você falou que a prova era na segunda aula e ainda dá tempo de chegarmos aonde quero te levar - eu olhei para ele desconfiada e nos beijamos - Vamos? - ele estendeu a mão e eu a segurei entrelaçando nossos dedos, começamos a andar - Obrigada e bom dia! - ele falou para a mulher da secretaria, apenas sorri para ela.
- Aonde você vai me levar? - olhei para ele.
- Surpresa de aniversário, não vou contar e me preparei pscicologicamente para resistir as suas carinhas de cachorro sem dono, chantagens e tudo mais - eu ri, como é bobo mas ele sabe que fico muito curiosa, ele abriu a porta de trás do carro, joguei minha mochila no banco e ele apontou para a mochila dele - Tem roupa para você, eu não ia me esquecer disso - ele sorriu, eu o abraçei e dei um selinho nele.
- Obrigada mas ainda quero saber aonde nós vamos - coloquei uma mão na cintura, ele riu e me abraçou.
- Já falei, é sur-pre-sa - ele sussurou em meu ouvido, meu corpo estremeceu e passei meu braços por ele, um pouco por questão de segurança.
- Por favor, fala - fiz do mesmo jeito que ele.
- Vamos logo antes que eu mude de ideia e te leve para casa - olhei para ele que deu um sorriso malicioso, pensei em falar que por mim tudo bem mas ele é capaz de deixar minha surpresa de lado.
- Então vamos! - falei animada, ele me deu um selinho, nos afastamos e entramos no carro - Você não tinha coisas da banda para fazer?
- Tinha mas - ele deu de ombros.
- Mas nada Pe Lu! Você não pode deixar as coisas da banda de lado - ele riu, ligou o carro e começou a dirigir.
- Calma, eu deixei para o Pedrinho fazer - abri o porta luvas, procurando o meu cd, até hoje o escuto.
- Me diz que não tinha nenhuma entrevista para responder, já disse que ele não sabe responder entrevistas, não rola falar “roots” em uma entrevista! - ele gargalhou e eu ri, até hoje não tive coragem de dizer isso ao Pe Lanza, acho que ele vai ficar triste mas qualquer dia desses eu falo.
- As entrevistas deixei para o Koba - encontrei meu cd e o coloquei para tocar.
- Sério? - olhei para ele que confirmou com a cabeça e sorrindo, sem tirar os olhos do trânsito - As fãs vão gostar, sempre reclamam que o Koba e o Tho são excluídos. E é até bom ele responder em casa, assim não vai se enrolar e fazer gestos com as mãos tentando explicar e no final dizer “Ah, é isso aí!” - nós rimos e olhei para frente.
- Ou o Thomas não vai ficar envergonhado e falar enrolado - ri bastante imaginando o Koba e o Thomas.
- É, você é o único decente na banda né? - encostei o cotovelo na janela aberta e apoiei minha cabeça em minha mão.
- Olha a sua sorte, namora com o único sensato da banda - revirei os olhos, sabia que uma hora ele ia se gabar sobre isso e porque ele está pegando a pista?
- Aonde a gente vai?
- Você está ficando velha e surdinha? Sur-pre-sa - bufei e ele soltou um riso pelo nariz.
- Tá mas vamos para outra cidade? - ele confirmou com a cabeça e colocou os óculos de sol, filho da mãe! Com óculos de sol não vejo os olhos dele, soltei um grunido baixo e ele riu.
Depois de pouco mais de uma hora na estrada, muitas conversas aleatórias e várias músicas cantadas, chegamos no Kango Jango que ele prometeu me trazer há quase um ano. Fizemos Acqua Ride, Tirolesa, Arvorismo e Rafting, não sei como conseguimos voltar para casa, digo, como ele conseguiu dirigir, eu e ele morrendo de sono porque passar a maior parte do tempo dentro da água dá muito sono, me segurei para não dormir e deixá-lo dirigindo sozinho, e o meu medo dele dormir no volante? Chegamos em casa, tomamos banho, jantamos e cortamos um bolo que compraram para mim, às dez já estávamos capotados, deixamos todos que vieram na sala sim! E acho que há muito tempo não dormia cedo.
Flashback off
Capítulo 79
Mas acho que o mais incrível foi na festa do meu aniversário.Flashback on
- Ei pequena - me arrepiei ao ouvir a voz dele, parei de dançar e começei a olhar para os lados, será que foi imaginação? Pode ser, quero tanto que ele esteja aqui que estou ouvindo sua voz, é Patricia, ele está fazendo um show nesse exato momento, ele não está aqui!
Colocaram uma luz em mim, estou me sentindo como um ladrão que está fugindo da polícia, e uma outra no Pe Lu, sério que não foi minha imaginação? Verdade que ele está aqui? Todos foram abrindo caminho até que a única que pessoa na minha frente é ele, corri até ele e pulei nele, passei minhas pernas por ele que segurou meu vestido, dei um riso baixo e nos beijamos.
- Mas…O show de vocês - falei ao partirmos o beijo ainda sem entender nada.
- Não tem show - ele falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e tirei as pernas ao redor dele, fiquei de pé.
- Nem eu sabia que não ia ter show - Koba apareceu do meu lado um pouco emburrado e Pe Lu riu, me abraçou pela cintura e eu passei os braços por seu pescoço.
- Ele ia te contar se soubesse e ia estragar todas as surpresas que preparei - arqueei as sombrancelhas.
- Tem mais? - ele confirmou com a cabeça sorrindo e me deu um selinho antes de me soltar e ir até a porta.
- Ah esqueci! - ele falou no microfone que Koba entregou - Boa noite galera! Vou interromper um pouco a festa para fazer algumas surpresas para a Patthy - ele olhou para mim, sorriu e piscou, em resposta dei um sorriso bobo - A surpresa de agora foi difícil, tive que usar muita psicologia mas consegui! - ele saiu pela porta, olhei para Koba e me aproximei dele.
- O que ele vai trazer? - perguntei e fiz uma cara de cachorro sem dono, gatinho do Shrek, criança mimada quando quer algum presente, entre outros, ele riu, olhou para frente e negou com a cabeça.
- Se eu contar o Pe Lu me mata Patthy.
- Fala, por favor - cutuquei a barriga dele que se encolheu e riu baixo.
- Não posso - ele continuou olhando para frente - Mas você vai gostar, eu acho - revirei os olhos.
- Dã! É claro que vou gostar, só de vocês estarem aqui é.. é… Aliás, cadê o Pedrinho e o Thomas? - coloquei as mãos na cintura.
- Estão lá fora ajudando Pe Lu com a surpresa.
- Ah já sei o que é! - ele me olhou assustado - É um daqueles bolos gigantes com um go go boy dentro! Ou um stripper? - fingi estar pensando como seria se ele realmente aparecesse com um bolo gigante, coisa que eu acho que ele não vai fazer, eu acho né, Koba gargalhou.
- Vai ser um go go boy, um stripper e um bombeiro, para apagar seu fogo - ele falou e eu bati palmas animada, deixei o meu comentário de que o bombeiro pode ser o Pe Lu só na minha cabeça.
- Olha quem está aqui! - Pe Lu falou ao microfone e logo apareceu com Duda, Pe Lanza e Thomas apareceram atrás, como ele conseguiu convencer a Mi? Por isso ele usou muita psicologia? Foi com a Mi?
- Titia! - Duda falou ao me ver, começou a mexer as mãos e a jogar o corpo na minha direção, me aproximei deles e a peguei no colo.
- Oi princesa! - falei arrumando-a em meu colo, olhei para Pe Lu e sorri - Obrigada - ele encostou nossos lábios por um tempo.
- Ainda não acabou - ele sussurou - Tenho o recado de umas pessoas que não estão aqui hoje - ele falou no microfone, colocou a mão em minha cintura e começou a me guiar até quase o centro da pista de dança - Pronta? - confirmei com a cabeça, não estou em condições de responder felicidade e curiosidade juntas não dão certo, não consigo raciocinar direito. Ele fez um sinal com a cabeça, olhou para mim e sorriu, sorri de volta e olhamos para o telão.
O vídeo é dos Jonas Brothers, Kevin e Joe disseram que não é para eu pensar que eles não se lembram de mim só porque não me seguiram no twitter como o Nick e pediram para Nick passar o meu twitter para eles e começaram a me seguir, Nick falou que eles realmente queriam estar na festa, o que eu duvido um pouco mas vai saber, me desejaram parabéns e todas as coisas que sempre falam, tocaram ‘Make It Right’ que é a música deles que eu mais gosto e disseram que estão com saudade, que fofos. Olhei para Pe Lu de boca aberta, como ele fez tudo isso?
- Como? - foi a única coisa que falei, ele riu e piscou, ou seja, me explica depois.
Ele disse que as surpresas acabaram e eu respirei aliviada, é tudo tão inacreditável, o Pe Lu existe mesmo? Ele é tão perfeito que as vezes duvido se tudo isso está acontecendo mesmo ou se é mais um sonho. E claro que ele me contou tudo, disse que desde que decidi fazer a festa pediu para não marcarem nenhum show nessa data, inventou o show até para o Koba porque ele ia me contar, acho que contaria mesmo, e que tentou evitar ao máximo falar sobre a festa comigo e é verdade, quando falamos sobre a festa foi por rádio, provavelmente eu ia descobrir porque ele ia ficar pensando sobre as surpresas e eu ia ver em seus olhos, o mais difícil foi convencer Mi deixar a Duda vir, ela tem apenas 9 meses e ficar em um lugar aonde só tem música alta não tem cabimento mesmo, ela deixou com a condição de eu fazer a Duda dormir, só eu consigo fazê-la dormir em qualquer hora, já que ela vai embora logo após o parabéns que vai ser lá pela meia noite, sobre o vídeo ele disse “Foi fácil, entrei no seu twitter e falei com o Nick” e sorriu vitorioso, ele contou que fez tudo enquanto eu dormia, é claro, mandou uma DM para Nick dizendo, antes de tudo, que era o meu namorado quem estava escrevendo a dm, que ele ia fazer uma surpresa para mim e que gostaria de contar com ele, Nick aceitou e passou seu email para Pe Lu, a partir daí foi fácil se comunicar com Nick sem que eu visse nada e a participação de Kevin e Joe foi pela vontade deles próprios, porque até então Pe Lu pediu apenas para Nick fazer o vídeo, fiquei feliz em saber isso.
Flashback off
Nunca fiquei tão apreensiva como no dia da minha festa, eu não sabia o que esperar de surpresas do Pe Lu, eu sabia que só viriam coisas boas mas mesmo assim eu estava muito apreensiva. Outro dia que fiquei apreensiva foi quando Pe Lu resolveu contar às fãs sobre nosso namoro, dia 24 de janeiro, quando estávamos completando um mês de namoro.
Flashback on
- Você vai mesmo ir no twitter e escrever ‘Ei amores, quero dizer uma coisa: estou namorando com a @_patthy!!’? - perguntei para ele ao sair do banheiro, ele continuou deitado na cama e olhando para o teto.
- Não sei - já pensamos em mil maneira de dizer isso mas não é fácil, me sentei de frente para ele na cama e cruzei as pernas.
- Vai assim mesmo e por favor faz isso logo estou ansiosa por mais que eu já saiba como vai ser a reação delas - ele sentou de frente para mim.
- A reação delas é o problema - segurei o rosto dele com as duas mãos e deixei nossos rostos próximos.
- Eu já falei que elas vão te apoiar, você sempre diz isso! E sei elas vão vir me xingar mas eu não ligo, você sabe que eu não me importo e que levo para o lado da brincadeira, dou risada, ignoro e não levo para o lado pessoal, sei que logo elas vão parar com isso e também sei que algumas vão me odiar pelo resto da vida - ele sorriu.
- Elas gostando ou não eu vou continuar com você - revirei os olhos.
- É claro que vai! - revirei os olhos, ri um pouco e ele me beijou, um beijo calmo e que confirma o que ele acabou de falar, que vai continuar comigo para sempre e que vamos ter todo o tempo do mundo para ficarmos juntos, para termos um ao outro.
- Vou tomar um banho - ele disse entre selinhos depois de passarmos um tempo nos beijando, concordei com a cabeça e ele juntou nossos lábios mais uma vez - E aí penso no que escrever - saí do colo dele que se levantou - Não sai daí - olhei para ele e ri.
- Sim senhor!! - ele me deu um beijo rápido e foi para o banheiro, me deitei na cama e peguei o controle para ligar a tv mas desisti.
Sem querer ofender mas as fãs do Pe Lu são lerdinhas se ainda não se tocaram que eu e ele estamos namorando, demos varias dicas, eu já falei no twitter que estou ficando sério com um menino mas que não vou dizer quem é ele porque só vou contar se eu começar a namorar com ele, eu e Pe Lu tiramos um dia para tirar algumas fotos para colocarmos no twitter justamente para dar as dicas para elas, tiramos fotos das nossas mãos, igual no clipe da Selena Gomez, somos bastante originais, e a maioria das fotos postei pelo meu twitter já que o twitter dele é mais profissional, ele colocou apenas uma foto nossa, nós abraçados e ele escreveu ‘dizem que rawr é eu te amo no idioma dos dinossauros hahaha então rawr!!’ ri bem pouco quando li, bom, na foto dá para ver nossos rostos mas nas que eu coloquei não dá, ele colocou um agasalho e o capuz na cabeça, coloquei fotos abraçadas com ele e com legendas bonitas, nada de idioma de dinossauros! Andamos de mãos dadas em todas as cidades sem se importar com as fãs, afinal, melhores amigos andam de mãos dadas, certo? Certo!
Ontem fomos na praia e não tinham muitas pessoas então nem nos importamos e nos beijamos, tiraram uma foto com celular mas nem dá para nos reconhecer, várias meninas perguntam diariamente no meu formspring se eu estou ficando com o Pe Lu, respondi ‘hã?’ para uma das várias e não respondi as outras, várias meninas já estão um pouco conformadas de que estou com ele, tem algumas que desde o começo já desconfiavam, quando ele parou de responder se está solteiro ou não choveram tweets dizendo ‘o @pelurestart não tá mais solteiro, deve estar com a vaca da @_patthy’ é muito amor!!! Até parei de responder as pessoas no twitter, a única coisa que elas tem perguntado nas últimas semanas é se estou com ele, quando me perguntam alguma coisa diferente respondo, criaram até fã clube contra mim, a Feny já mandou eu ser ignorante e mandar todos pra pqp, adoro o gênio explosivo dela.
- Patthy?! - Pe Lu gritou de dentro do banheiro.
- Eu não fugi ainda não, calma! - respondi e ri.
- Achei que você tinha dormido, estava um silêncio - ele saiu do banheiro enrolado na toalha.
- Estava pensando - ele sentou na cama.
- É, pensar as vezes faz bem né Patthy, exercitar os neurônios é bom - ele falou e riu, dei um tapa em seu braço e não pude deixar de rir, ele apoiou os braços de cada lado do meu corpo e me beijou - Tem certeza de que quer contar? - ele disse quase sem desgrudar nossos lábios.
- Tenho - dei um selinho nele - É melhor contar do que ficarmos escondendo e elas desconfiando que nós temos alguma coisa - ele respirou fundo.
- Tá, já sei o que escrever! - ele me deu um selinho e levantou, colocou uma boxer, pegou o notebook e sentou ao meu lado, continuei deitada, esse calor de praia me deixa mais preguiçosa do que o normal. Ele digitou um mini texto falando sobre nosso namoro, pela primeira vez ele não foi preciptado, choveram críticas, xingamentos e algumas pessoas apoiaram o namoro, Pe Lu ficou mais tranquilo quando me viu rindo de alguns xingamentos, deixamos o twitter de lado e fomos para a praia, aproveitar que ainda tem sol e que tem pouca gente.
Flashback off
Capítulo 80
Pe Lu narrando- Vem cara! - Willy falou.
- Só vou terminar essa - levei a garrafa de cerveja que está quase cheia à boca.
- Você disse isso para todas as cervejas que você tomou - levantei uma sombrancelha e olhei as garrafas de Heineken em cima da mesa, umas dez, devo ter tomado metade ou todas mesmo, se a Patthy estivesse aqui ela ficaria brava por eu ter tomado umas dez garrafas de cerveja, ela odeia cerveja e por isso passei a tomar menos cerveja porque ela não gosta de me abraçar e sentir o cheiro, não que ela tenha me proibido, muito longe disso, é que se for para ficar bêbada, ela prefere ficar de batidas, coquetéis e caipirinha.
Uma vez ofereceram Bloody Mary à ela que aceitou de imediato, eu falei que era forte, ela disse “Nada que eu não vá aguentar”, falei que talvez não mas ela insistiu e tomou com bastante vontade só que com mais vontade ainda ela cuspiu tudo no chão, depois desse dia ela passou a me perguntar se é forte e se ela ia aguentar, ri baixo e levei a garrafa à boca novamente, acabou a cerveja e Teenage Dream começou a tocar, cadê a Patthy para dançar comigo e cantar apontando para mim? Me levantei e começei a andar em direção à saída.
Flashback on
- Olha essa foto Patthy! - minha mãe falou e mostrou a centésima foto de mim quando era criança para Patthy e é incrível como ela está interessada nisso até agora, achei que ela ia se cansar na décima foto, olhei a foto e começei a rir, assim como Patthy. Eu com uns dez anos ao lado do Papai Noel com a maior cara de tédio do mundo, só tirei a foto porque a Nai ainda acreditava que Papai Noel existia e ficou insistindo para eu tirar uma foto, na cabeça dela era um absurdo as pessoas não terem foto com Papai Noel e não fazerem seus pedidos para ele.
- E essa foto? - Patthy pegou uma foto dentro da caixa e mostrou para minha mãe.
- Ah! Essa foto é de um dia bem estranho, ele acordou meio apreensivo, meio ansioso mas ele não tinha motivos para isso, depois do almoço ele ficou elétrico, não parava de pular, gritar, correr sem motivos - minha mãe deu de ombros e Patthy continuou olhando a foto.
- A data que ela foi tirada está certa? - ela perguntou esboçando um sorriso e minha mãe confirmou com a cabeça, ela olhou para mim com um sorriso lindo que me fez sorrir junto - Olha a data - ela indicou com o dedo e olhei, a foto foi tirada no dia em que ela nasceu. Se eu não acreditasse na conexão entre nós eu diria que a data está errada ou que foi muita coincidência mas como acredito sei que o que aconteceu naquele dia não foi por acaso, fiquei feliz porque a pessoa mais importante da minha vida estava nascendo, nada melhor do que pular, gritar e correr para comemorar quando se tem três anos de idade. Olhei em seus olhos, sorri por ver o que ela está pensando e selei nossos lábios.
Flashback off
- Aonde você vai? - Willy perguntou e segurou meu braço, saí de meus pensamentos forçado e estou sorrindo bobo.
- Embora ué - olhei para ele e vi um pouco embaçado.
- Você vai dirigindo? Espera um pouco e depois vai.
- Não! - tirei meu braço da mão dele - To indo, depois a gente se fala.
- Então liga quando chegar em casa, presta atenção no trânsito - ri baixo, que trânsito? Peguei meu celular e olhei a hora, não vai ter trânsito às duas da manhã!
- Tá - falei e voltei a andar, preciso da Patthy aqui para me alegrar, para cuidar de mim, para eu voltar a ser feliz.
Flashback on
- Ouviu Pe? - Koba me deu um cutucão e olhei para Marquinhos e afirmei com a cabeça - Então ótimo! Agora vocês podem ir almoçar - ele se levantou e olhei para Koba.
- O que eu perdi? - não podemos mais ter reunião quando estou no mesmo estabelecimento que a Patthy, fiquei olhando para ela a reunião toda e não prestei atenção em nada! Ah, só uma reunião mesmo, não deve ser nada de tão interessante.
- Vamos fazer uma participação na Malhação - me segurei para não rir, acho que Malhação perdeu a graça para as meninas quando Fiuk saiu - Eles querem audiência.
- Entendi - começei a rir e me levantei, peguei meu almoço, voltei para a mesa e continuei olhando Patthy, ela está tão concentrada na conversa com as meninas que não vou atrapalhá-las, por mais que eu queira.
- Mano, você tem que parar com isso! - Thomas estralou os dedos na minha cara, olhei para ele de cara fechada.
- O que?
- Ficar atrás dela o tempo todo, ela deve se sentir sufocada! - Pe Lanza falou.
- Ela ia me falar se estivesse sufocada - falei e voltei a olhá-la.
- E se - Koba balançou meu braço e olhei para ele, não posso ouví-lo e olhar para ela? - Ela não te falar por vergonha? Se ela estiver com medo de te deixar triste? - será? Que eu fico atrás dela o tempo todo é verdade, sempre que dá, vou até ela, abraço e beijo.
- Acho que não - menti para eles e voltei a comer mas ainda olho para ela as vezes. Ela se levantou e veio até mim, passou os braços por meus ombros.
- Vou lá no quarto, esqueci de pegar meu celular, daqui a pouco minha mãe vai me ligar e vai ficar uma fera se eu não atendê-la de novo.
- Quer que eu vá com você?
- Não, termina de almoçar! Eu já volto - ela sorriu e me deu um selinho, Thomas deu um pigarro logo que ela deu as costas, talvez eles tenham razão mas é tão difícil de não querer abraçá-la e beijá-la, me concentrei em terminar de comer logo mas enquanto mastigo fico olhando para a porta do restaurante, coloquei a última garfada na boca e ela apareceu na porta, falando no celular, mastiguei rápido, tomei um gole de Coca e vi que ela está gesticulando demais com as mãos e passando a mão no cabelo mais do que o normal, tem alguma coisa errada, me levantei e fui até ela. Antes que eu pudesse chegar perto dela, ela desligou o celular e bufou.
- Está tudo bem pequena? - olhei para o cabelo dela, não vou olhar nos olhos dela porque ela vai perceber.
- Minha irmã pegou pneumonia e minha mãe quer que eu vá vê-la mas eu tenho que ficar aqui com você - ela passou a mão em meus cabelos.
- Vai ver sua irmã, eu já estou melhor.
- Eu sei que você está melhor mas eu não quero te deixar, minha irmã já vai ter alta do hospital, tem alguns dias que ela está internada e ninguém me avisou antes - ela me abraçou e eu passei meus braços pela cintura dela bem apertado como sempre faço - O que você tem? Está meio estranho - não gosto quando ela tenta esconder alguma coisa de mim então não vou esconder dela.
- Os caras disseram que eu te sufoco, que te abraço e beijo demais.
- Pe - ela afastou um pouco e me olhou com um sorriso angelical - Já falei para você parar de se importar tanto com o que os outros dizem, você acha que eu não ia te falar se eu estivesse me sentindo sufocada? - concordei com a cabeça, como eu sou retardado! Eu estava certo desde o começo, eu tenho mesmo que parar de me importar tanto com a opinião dos outros - Eu gosto quando você me abraça e beija, eu me sinto protegida, eu fico feliz e agora cadê o seu sorriso lindo? - olhei para ela e sorri, ela soltou um risinho e nos beijamos.
Flashback off
Entrei no twitter dela, aliás, ir no twitter dela é o que mais tenho feito porque até hoje ela não me ligou, já tem quase duas semanas e as únicas coisas que sei sobre ela é o que está no twitter, que são poucas coisas, tipo, ela foi no clube com a mãe, passou a tarde no shopping procurando alguns livros para ler, o que eu achei estranho, ela não gosta de ler, a não ser os livros da Saga Crepúsculo e revistas, foi ao dentista, passou a tarde com a prima que é grudada com ela e acho que ela ainda está acordada porque respondeu alguém há dez minutos. Abri para ver o que a menina perguntou e sorri, a menina falou que foi no camarim ontem e perguntou porque eu estava triste e eu falei que era saudades dela, me lembro dessa menina e a Patthy respondeu que também está com saudades de mim, disquei o número do celular dela sem pensar duas vezes, eu sei que ela disse que ia ligar mas já fazem quase duas semanas e descobri que minha vida é uma merda sem ela.
Capítulo 81
- Alô? - ela falou, meu coração acelerou e sorri, a voz dela é a melhor coisa de ouvir e ela me atendeu, achei que ela fosse recusar, me encostei no meu carro.- Patthy! Tudo bem?
- Ah… - ela fez uma pausa - Tudo e você? - a voz dela saiu triste.
- Também - respirei fundo e parece que voltei no tempo, me sinto como se estivesse falando ao telefone com uma menina pela primeira vez - Desculpa te ligar, eu sei que você disse que ia…
- Não, tudo bem - ela me interrompeu - Quase te liguei agora, quando me lembrei que você deveria estar ocupado desisti e você ligou.
- Você sabe que eu nunca vou estar ocupado para você. Estou sentindo tanto a sua falta.
- Ah Pe Lu - a voz dela saiu embargada - Você não tem noção do quanto eu sinto sua falta - sua voz saiu estranha e depois ouvi um soluço, ela está mesmo chorando? Acho que nunca senti o que estou sentindo, um aperto imenso no coração por não poder estar lá do lado dela, abraçando-a.
- Não chora pequena - falei com um nó na garganta.
- Desculpa - ela falou ainda chorando, porque ela está se desculpando? Por chorar?
- Não tem porque se desculpar, só se acalma - o choro demorou a cessar e a minha angústia aumentava a cada soluço que ela deu.
- Pronto - ela falou e sorri um pouco aliviado - Mas me diz, o que você está fazendo agora?
- Estou do lado de fora de algum bar que vim com os caras e já estou indo embora, e você?
- Ia ver um filme ou atacar a geladeira - ela riu e não pude deixar de rir junto - Você bebeu?
- Bebi.
- Quanto?
- Bastante - não adianta mentir, ela me conhece o bastante para saber o quanto bebi.
- Você vai embora com quem?
- Ahn… Sozinho - falei baixo e ela gargalhou.
- Até parece, você não vai dirigir desse jeito. Eu posso não estar te vendo mas sua voz te entrega, você não está em condições de dirigir.
- Tá bom - não a contrariei porque estou feliz em ouvir a voz dela de novo e tê-la mandando em mim.
- Você esta drogado também? Não vai me contrariar? - dei risada.
- Não e não, hoje não vou te contrariar.
- Poderia ser assim sempre né? Eu ia gostar demais!
- E eu ia virar seu escravo?
- Não, longe de mim te fazer de escravo! Você só ia fazer as coisas do jeito que eu quero - ela riu e passamos o resto do tempo contando o que aconteceu nessas duas semanas, só desligamos quando entrei em casa, pouco mais de duas horas de interurbano mas eu não me importo.
Ela ligou o rádio para podermos nos falar melhor e disse que não podia voltar porque tem compromissos com a família marcados.
Patricia narrando.
Menti para Pe Lu sobre ter um compromisso no dia que ele e os meninos tem show aqui em Campinas, dia 24, no nosso dia, falei que eu tinha prometido à minha prima que eu ia à uma festinha de uma amiga e que ela só me falou a data no começo da semana, também falei que talvez chegue antes do show começar mas é provavel que eu chegue só no meio ou no final mas é tudo mentira, vou chegar antes deles e fazer uma surpresa, não uma surpresa gigante, só vou estar lá sem ele estar me esperando. O show já é depois de amanhã e não contei aos meus pais sobre o aborto, não que seja realmente necessário mas Pe Lu disse que é melhor que eles saibam então vou contar. Primeiro para minha mãe que é mais fácil de lidar, respirei fundo e me sentei no sofá ao lado dela.
- Mãe - esfreguei minhas mãos que estão geladas e ela me olhou sorrindo, minha barriga revirou e olhei para meus joelhos, eu odeio enrolações e vou ser direta com ela - Bom, você sabe porque eu vim para cá?
- Para passar as férias conosco, não?
- Mais ou menos - neguei com a cabeça - Decidi passar as férias aqui porque naquele dia de manhã eu tive uma briga com o Pe Lu, acabei passando mal, fui para o hospital e descobri que tive um aborto espontâneo - levantei minha cabeça devagar e a vi sem reação alguma.
- Mas… vocês… não usaram…
- Não mãe, na única vez que esquecemos a camisinha aconteceu. Depois desse susto nunca mais vou esquecer.
- E se você não tivesse perdido?
- Mãe, eu já pensei sobre isso tudo, já me culpei e culpei ao Pe Lu de tudo e acho que não vai adiantar você ficar me falando tudo que já pensei.
- Tudo bem - ela falou depois de um tempo - Só não esqueca mais a camisinha! - minha mãe é fácil, quero só ver meu pai, me levantei do sofá - E seu pai?
- Ele não sabe e não sei como contar à ele, você pode fazer isso por mim? - sim sou covarde, ela sorriu e concordou com a cabeça, a abraçei e voltei para meu quarto, estou com vontade de dormir até depois de amanhã, levantar antes do meu pai acordar e voltar para São Paulo com Pe Lu.
Capítulo 82
- Eu sabia que um dia isso ia acontecer - meu pai entrou no meu quarto e falou, congelei.- O que? - fingi que não sei o que ele está falando.
- O Pe Lu te engravidou, você contou para ele e ele te deu um pé na bunda! - arregalei os olhos, como ele pode pensar uma coisa dessas do Pe Lu?
- Ele não é desse tipo!
- Então porque você está aqui?
- Está encomodado comigo? Eu posso ir embora agora! - falei alto e me levantei da cama extremamente irritada - Ele não me deu pé na bunda nenhum, eu vim para cá para poder pensar melhor no que aconteceu!
- Ele brigou com você quando descobriu que você estava grávida, tenho certeza!
- Não! - gritei - Ele não é um famoso que só se importa com o próprio umbigo, ele não é como você pensa!!
- É claro que é, todos os cantores são iguais! Saem por aí fazendo filhos e largando pelo caminho, a mulher que se foda para criar a criança - não acredito que estou ouvindo essas coisas.
- Mas que saco! Eu não vou perder meu tempo brigando com você - sai do quarto pisando fundo e fui até a sala, me joguei no sofá.
- Vai continuar defendendo ele até quando? Até ele te dar um pé na bunda oficial? - ele me seguiu.
- Então pode esperar sentado com o dia em que ele vai me dar um pé na bunda oficial - voltei para meu quarto e joguei na mala o resto das roupas que estavam no guarda roupa, agora me lembrei o real motivo de querer sair dessa cidade, é meu pai e minhas brigas com ele, eu já estava no meu limite e por isso fui para São Paulo logo que minhas aulas terminaram com a desculpa de conhecer melhor a cidade mas a verdade é que eu queria ficar longe do meu pai o mais rápido possível, fui até a cozinha - Eu vou embora - falei para minha mãe.
- Você vai para onde? - coloquei a mão na testa para pensar.
- Para a casa da Ana ou para algum hotel, é só até depois de amanhã mesmo - abraçei minha mãe e minha irmã, peguei minhas coisas e saí de casa sem nem olhar na cara do meu pai, fui para a casa da Ana sem ao menos ligar e pude ficar na casa dela, contei para Pe Lu o que meu pai falou porque ele sempre defendeu meu pai, não contei para deixá-lo mal mas para ele ver quem ele estava defendendo e falei para ele não se importar porque meu pai não merece que ninguém fique mal por ele, não merece mesmo, muito menos o Pe Lu que é um príncipe, nada do que meu pai pensa que é mas um dia meu pai vai se arrepender de tudo que falou!
Eu e Ana ficamos planejando sobre o show, ela só pensando no Pe Lanza, bem folgadinha ela, se aproveitou que conheco o Pe Lanza e o Lú para se aproximar deles mas acho que se fosse o contrário eu faria a mesma coisa que ela, afinal, não é sempre que você conhece esses meninos, não é sempre que a sorte bate na sua porta. No domingo acordamos de tarde, almoçamos, chamei um táxi para nos levar até o local do show porque levar uma mochila no ônibus não é a minha praia, chegando lá falei com Mônica e ela avisou à todos para não contarem aos meninos que estou aqui e levou a mim e Ana ao camarim deles que estão para chegar, não sei qual vai ser a reação do Pe Lu ao me ver, tomara que seja boa! Esfreguei as mãos em minhas coxas para limpar o suor na calça e ouvi um barulho, alguém subindo as escadas, a porta abriu e Pe Lanza acendeu a luz da sala.
- Patthy?! - ele ficou me olhando como se eu fosse um ET, eu ri.
- Oi Pedrinho! - ele jogou a mochila no chão e veio me abraçar.
- Não acredito! O Pe Lu falou que você vinha mais tarde!
- Talvez eu tenha mentido para ele dizendo que vinha mais tarde - nos afastamos.
- Como você está? - ele segurou meu rosto entre suas mãos.
- Bem e você?
- Com saudade - e me abraçou de novo - E a Duda também.
- Nem me fale nela, estou morrendo de saudades!
- Perdi minha sobrinha para você! - me afastei dele e dei um tapa em seu braço.
- Claro que não, ela é nossa sobrinha, seu besta.
- Patthy! - Thomas gritou e dei um pulinho de susto, não ouvi ele subir as escadas, olhei para ele e só deu tempo de abrir os braços - Até que enfim você voltou! O Pe Lu é um saco sem você! - ele se afastou e segurou meus ombros - Você não imagina! Antes dele começar a falar com você era só “Como ela está? O que ela deve estar fazendo?” - ri com ele imitando a voz de Pe Lu e senti um arrepio, será que ele vai demorar para subir? - Depois que vocês voltaram a se falar é “Ai que saudades dela, ela tem que voltar logo” - gargalhei e ele me abraçou de novo.
- Pronto, agora acabou. Agora é só felicidade e alegria, estou com saudades de enxer todo mundo com você.
- Eu também, a gente pode fazer isso hoje - ele parou por um segundo - Mas o Pe Lu não vai deixar ninguém mais chegar perto de você então deixa para outro dia - sorri e senti outro arrepio.
- A gente vai ter muitos dias para fazer isso - senti uma leve puxada no meu cabelo, revirei os olhos e me virei de braços abertos para Koba.
- Avisar que está aqui é bom sabia?
- Surpresa as vezes é bom também, sabia?
- Você volta com a gente hoje né?
- Sim! Nem acredito que vou voltar hoje.
- Ele já deve estar subindo - me afastei de Koba que me olhou e sorriu, olhei para a porta impaciente, meu coração acelerou e ele apareçeu na porta, ficou me olhando também como se eu fosse um ET, sorri para ele que começou a dar uns passos em minha direção, fiz o mesmo.
- Surpresa! - falei antes de abraçá-lo e esquecer o mundo à minha volta, depois de um tempo nos beijamos, um beijo urgente e só paramos porque um dos meninos gritou.
- Ahn, desculpem - Thomas falou sem graça, tinha que ser ele - Nós vamos descer e deixar vocês aqui - olhei para Pe Lu.
- Não precisam descer! Nós vamos - Pe Lu falou e começamos a andar, ele continuou me abraçando pela cintura e eu coloquei minhas mãos sobre as dele - Então nunca teve a tal festa da amiga da sua prima?
- Não, era só para você pensar que eu não ia vir e tal - sorri e encostei em uma parede, Pe Lu me abraçou - Desculpa por ter mudado…
- Não precisa se desculpar - ele me interrompeu.
- Mas eu te fiz passar por tudo que você passou com a Ná de novo! Desculpa! - minha cabeça girou só de pensar no que fiz.
- Tá bom, eu te desculpo e a gente não fala mais sobre isso, pode ser? - olhei para ele que está sorrindo e me olhando de um jeito fofo, sorri e concordei, o que mais posso fazer? Não resisto à ele - Lembra aquela vez que você me mandou o email quando fui para Argentina?
- Lembro.
- Então agora é a minha vez, eu falo e você só ouve, não quero de jeito nenhum uma resposta sobre tudo que vou falar - revirei os olhos.
- Tá bom - sorrimos e ele respirou fundo.
Capítulo 83
- Eu sempre me deitava na minha cama e me perguntava se eu amei de verdade alguma das minhas ex namoradas, colocava tudo que senti com elas e comparava ao que li em textos, músicas e ouvi pessoas falarem, ou até mesmo em algumas conversas da minha irmã com as amigas dela mas eu raramente levava em conta as coisas que ouvia da minha irmã, era menininha demais e eu acreditava que aquilo era amor, era paixão. Aí tem sempre alguém que chega e muda tudo, bom, aí você apareceu - ri baixo e ele sorriu - E não sei o que você fez comigo, logo que te vi pensei que você era metida e que só ia se aproveitar da minha fama - fechei um pouco a cara e ele riu - Mas depois tudo isso mudou! Você foi tão extrovertida, falava coisas engraçadas por mais que falasse parecido com a Ná, me fazendo me lembrar dela quando eu não queria, para os outros você poderia ser idêntica à Ná mas para mim não, você só falava algumas coisas porque o resto era completamente diferente, e quando você me ajudou com a Ná, você pareceu saber tanto sobre tudo e já ter sofrido tanto por amor que me fez querer te proteger e não deixar ninguém machucar de coração mas no final eu acabei machucando seu coração - neguei com a cabeça sorrindo - Eu não entendia como nós nos aproximamos tanto em tão pouco tempo, as coisas ficaram mais claras quando você me mandou o email com aqueles textos “…Quando os dois se reconhecem, nenhum vulcão é capaz de explodir com força igual. O reconhecimento do espírito pode ser imediato. Uma súbita sensação de familiaridade, de conhecer aquela pessoa em níveis mais profundos do que a mente consciente poderia alcançar…” acho que foi isso que aconteceu, nossos destinos estão juntos há muito tempo, nós já nos conhecíamos de outras vidas ou tanto faz, o que me importa é hoje, agora. Continuando a falar de quando você chegou, as coisas pareciam se encaixar, tudo me levava à você, não tinha como evitar e você me mostrou que o que eu senti pelas namoradas que já tive era uma paixonite, o que sinto por você deixa o que senti por elas no chinelo, é quase nada comparado à avalanche de sentimentos que sinto quando estou com você, aliás, não preciso estar com você para sentir, só de pensar em você, te ver de longe ou só de me lembrar que você é minha já sinto. Acho que uma coisa que você não sabe é que todos aqueles seus sonhos e vontades se tornaram meus sonhos e minhas vontades, fiz dos seus sonhos os meus assim como você faz dos meus sonhos os seus. Sou feliz porque duvido que as pessoas sentem o que sinto por você com facilidade, eles pensam que sabem o que é o amor como eu pensava que sabia, alguns vão morrer sem saber e alguns podem até sentir mas acho que ninguém vai ser correspondido como eu sou, não te amo mais do que você me ama e você não me ama mais do que te amo, é na medida certa, é perfeito ao meu ver e é tudo que eu preciso para o resto da minha vida - nem sei que horas começei a chorar, só sei que as lágrimas estão escorrendo sem dó alguma.- Eu te amo tanto Pe Lu - falei ainda chorando e o beijei, senti as mesmas borboletas no estômago, braços e pernas formigando e correntes elétricas a cada toque, tudo como no primeiro beijo.
- 10 minutos! - ouvimos alguém gritar do camarim, Pe Lu partiu o beijo.
- Tenho que te mostrar uma coisa! - ele tirou a mochila das costas e começou a revirá-la, pegou um papel e me entregou, aliás, uns papéis.
- Contrato? - li a única coisa escrita em letras grandes, o resto está em letras pequenas - Contrato de que?
- Do terreno que eu comprei, aliás, vou comprar amanhã para contruir nossa casa - meu queixo caiu, ele não está falando sério, está? - Ah, o tamanho do terreno está bom? 400 mil m² - ele falou com a maior naturalidade do mundo.
- Você tem noção de quanto são 400 mil m²? - falei depois de um tempo processando a ideia, há uns anos vi um apartamento com meus pais que tinha 200 mil m² e era bem grande, estou tentando imaginar o dobro daquele espaço, é muita coisa!
- Não muito. É pouco? - só agora ele ficou preocupado.
- É muito!
Capítulo 84
- Ah então vai ser esse tamanho mesmo - ele sorriu e me abraçou, depois de um tempo me olhou e tirou uma mecha de cabelo que caiu no meu rosto - Precisamos de bastante espaço para contruir a nossa casa de dois andares sendo que no segundo andar vão ter cinco quartos, um para a menina, um para os meninos, um nosso e mais dois para visitas porque nós vamos receber visitas sempre! Sem esquecer de um quartinho do lado do nosso que vai ser o quarto das crianças quando forem bebês e eu estava pensando esses dias, esse quartinho ia ficar sem uso quando as crianças crescerem então ele pode se tornar um quarto para guardar os materias das crianças, a gente coloca umas estantes e armários para eles guardarem as coisas lá - concordei sorrindo e começei a chorar vendo-o falar com tanta empolgação sobre a casa, a nossa casa! - E vai ter um closet bem grande no nosso quarto, junto dele uma salinha que vai ficar com o computador, um escritório dentro do nosso quarto e sabe também o que eu pensei? - neguei com a cabeça e ele limpou as lágrimas do meu rosto - Você disse que o nosso quarto tem que ter alguma coisa diferente, nós podemos deixar uma parede com a nossa cara, nós comprarmos vários tons de verde e começar a jogar alguns pingos na parede, eu nunca vi um quarto assim e vai ser legal fazermos isso juntos! - concordei sorrindo de novo, acho que não tenho forças para conseguir falar - No primeiro andar vai ter uma sala grande, copa, uma cozinha grande também, um escritório, um mini estúdio para mim com uma sala para os intrumentos, uma sala para as crianças e no espaço que sobrar nós podemos fazer uma piscina, afinal, nós também mereçemos um pouco de diversão, uma churrasqueira, dá para fazermos um espaço para colocar redes, uma jacuzzi! - dei risada e as últimas lágrimas escorreram - Os meninos estão pensando em comprar os terrenos ao lado do nosso, porque provavelmente vamos querer morar perto e as esposas deles e você vão ser tornar super amigas, vão querer fazer tudo juntas e ficar fofocando o dia todo - ele rolou os olhos.- Fogão a lenha! - falei com a voz embargada, o sonho da minha mãe sempre foi ter um fogão a lenha, quando ela for em casa ela vai poder cozinhar lá.
- Claro, porque não? - ele sorriu e eu o abraçei - Sem esquecer de coisas obrigatórias a ter dentro da geladeira! - afastei um pouco para olhá-lo e ri baixo, lá vem coisa! - Não pode faltar nuggets e batata frita!
- Claro que não!
- Calma ainda tem mais! - concordei com a cabeça - Tem que ter iogurte de morango e sucrilhos, açaí e leite Ninho, pão francês e requeijão, pão do Frango Assado e Nutella, sucos, Guaraná, leite condensado, margarina e chocolcate em pó, vodca, limão e açúcar - ri baixo.
- Heineken, pão de forma, queijo e presunto, os salgados da padaria, Coca Cola, miojo, coisas para eu fazer strogonoffe e lasanha, mamão, laranja e leite se não vou ficar louca com você pedindo seu suco e dinheiro para irmos jantar em restaurante japonês sempre! - nós rimos.
- Você poderia aprender a fazer sushi, muito mais barato.
- E quem disse que não sei? Só que dá trabalho demais, compensa mais ir no restaurante, bom, compensa para mim, é claro - eu ri e nos beijamos até mais uma pessoa nos interromper mas ele teve que ir fazer o show, Ana me contou que Pe Lanza se lembrou dela do meu aniversário, ela jurava que ele não ia se lembrar porque quando começaram a se falar ele já estava alegrinho e ela ficou toda felizinha, já avisei à ela que a Duda é minha sobrinha e que não quero saber dela roubando a menina de mim, ela falou que nem está ficando com o Pe Lanza, as vezes esqueço que só eu sou sonhadora e já vou pensando no futuro e fantasiando as coisas, bom, com o Pedro Lucas isso funcionou, agora quero ver alguém vir dizer que é bobeira sonhar, que não leva à nada, eu sou uma das pessoas mais felizes por acreditar no meu sonho.
Fiquei com vontade de bater no Pe Lu quando o show terminou e ele decidiu me pedir em casamento, não que isso seja ruim mas o fato dele querer ir na minha casa falar com meus pais é que me deu vontade de bater nele, se bem que é bom para meu pai var que Pe Lu não é como os outros, o pedido foi tão fofo, foi igual ao que acontece nos filmes mas foi tão lindo e ele já estava com a aliança, ou seja, ele tinha planejado me pedir em casamento e depois mostrar o contrato do terreno ou ao contrário mas eu desfiz os planos dele, coitado. Meu pai ficou com cara de taxo quando Pe Lu falou que queria se casar comigo e falou sobre os planos que temos, meu pai não pode dizer não e mesmo se disesse eu não ia me importar.
No caminho para casa já começamos a pensar em uma data para o casamento, nós precisamos avisar o pessoal que tem banda com, pelo menos, um ano de antecedência para eles não marcarem show no dia do casamento, quero todos lá! Decidimos marcar para dia 22 de dezembro de 2012, só vai ter casamento se o mundo não acabar e eu estou torcendo para que não acabe porque estou sentindo que tanta coisa boa vai acontecer. Na segunda Pe Lu levou o contrato assinado e já começou a procurar pedreiro, pegou alguns orçamentos para olharmos, nunca pensei que construir uma casa fosse fácil mas também não tão difícil, já falei que quando for fazer a planta eu não vou falar nada porque não sei expressar minhas ideias, Pe Lu que vai falar por mim, só vou concordar com a cabeça quando precisar, isso se eu souber o momento certo de balançar a cabeça. Fui ver a Duda e por incrível que pareça, a Mi não conseguiu decidir entre alguns doces da festa da Duda e a cor da decoração que vão ter que mudar, ela não conseguiu escolher! Tinha que ser irmã do Pedro Lanza! Eu fui para Campinas e deixei a festa inteira organizada, ela só tinha que escolher os docinhos que vão ser servidos, só isso e ela não conseguiu, não fiquei brava por ela não ter escolhido uma cor diferente para a decoração, se ela escolhesse uma cor que não vá combinar aí sim eu ia ficar brava.
Acho que nunca fiquei tão feliz em voltar ao caos que é minha vida, ficar com a Duda alguns dias da semana, ir à praia com Pe Lu e ficar feito zumbi na escola, sair sexta, sábado e domingo, fiz algumas provas de vestibular só para desencargo de consciência porque não vou estudar ano que vem, vou ficar vendo as coisas do casamento, da casa, vou aproveitar para tirar minha carta de motorista e ter mais tempo para o Pe Lu, posso ir com eles para alguns shows, não quero entrar na faculdade e ao mesmo tempo cuidar dos preparativos do meu casamento, tem que ser tudo como eu e o Pe Lu pensamos e se eu estiver na faculdade vou acabar deixando um dos dois de lado ou um vai sair mal feito, não quero isso.
Capítulo 85
Passei o ano como pensei, consegui organizar o casamento do jeito que queria, tirei minha carta, passei um bom tempo com Pe Lu, passei na casa para me certificar de que tudo estava indo bem. Vamos passar o Natal por aqui e no dia 25 mesmo já vamos para os Estados Unidos, aí vamos para Miami, Los Angeles e Orlando, sempre quis ir na Disney e como nós dois nunca fomos, resolvemos ir. Vamos nos encontrar com os Jonas fofos, é claro! Falei para Joe que quero conhecer a Miley e fiquei com um pé atrás para falar ao Nick que quero conhecer a Demi mas aí pensei e resolvi deixar o Pe Lu trancado no quarto do hotel quando eu for conhecê-la a não ser que ela esteja com o Alex aí o Pe Lu vai ficar mais focado no ídolo dele do que na Demi, preciso ver isso direito.- Patthy! - Malena gritou e me tirou dos pensamentos - Chegou a hora - ela colocou o buque em minhas mãos, respirei fundo e minhas mãos voltaram a suar, olhei para meu pai que deu seu braço e eu segurei.
- Você está linda filha - ele sorriu e não consegui sorrir de volta.
- Obrigada pai - abriram a porta e Duda entrou jogando flores, contei até 5 e começei a andar olhando para o chão com medo de cair, cair no dia do meu casamento vai ser lindo.
Depois de dar alguns passos e perceber que não vou tropeçar no vestido, respirei fundo e olhei para os lados, sorri, ou pelo menos tentei, para meus amigos, olhei para meu vestido e sorri, só falta uma pessoa, a pessoa mais importante do dia, não apenas do dia mas da minha vida, olhei para ele e nossos olhares se encontraram, ele sorriu de um jeito tão lindo, como nunca vi antes e me senti no filme ‘Vestida para Casar’ quando ela olha para ele que sorri, o sorriso dele me deu a certeza de que daqui para frente tudo vai ser melhor do que já é e que ele vai estar comigo em todos os momentos, que vamos continuar passando por tudo juntos, ele sempre soube o que casamento significa para mim, ele sempre soube que eu só vou me casar uma vez na vida e que só ia me casar quando eu tivesse certeza de que o cara fosse o certo porque eu tenho medo de dar tudo errado, bom, isso é mais uma das maluquícies da minha cabeça e, como sempre, ele entendeu e naquele dia eu vi nos olhos dele que ele tinha medo de eu dizer que ele não é o cara certo, como se isso fosse possível, há quanto tempo já não tenho a certeza de que ele é o certo, é o único? Muito tempo.
FIM.